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Appendix A A.1 Some consequences of assumption (1.5)

Dans le document and A. Passarelli di Napoli (Page 23-26)

Mesmo em baixas concentrações o mercúrio é capaz de promover alterações morfológicas nos cromossomos das células da medula óssea de ratos. As alterações presentes nas metáfases dos animais tratados durante 15 e 30 dias foram as quebras e os gaps, as quais foram mais profundamente analisadas e discutidas.

Devido ao baixo suporte estatístico observado para a Frequência Absoluta de Aberrações Cromossômicas, fica evidente apenas que há tendência das células metafásicas sofrerem com o efeito genotóxico do mercúrio nos primeiros 15 dias de tratamento.

Por outro lado, os dados de 30 dias apresentam permitem afirmar que o mercúrio apresenta efeito genotóxico no modelo de exposição crônica utilizado.

6.3.2 Quebras

De forma mais evidente é possível verificar que o baixo suporte estatístico observado nos resultados de 15 dias para a frequência absoluta de aberrações cromossômicas é suportado pelos dados das aberrações do tipo quebra, encontradas nos animais expostos ao mercúrio.

A ausência de suporte estatístico, tanto para os dados do Total de Quebras quanto para os do Número de Cromossomos com Quebras , também evidencia a tendência à genotoxicidade que as amostras do grupo tratado por 15 dias apresentam.

De modo a corroborar com os resultados da frequência absoluta de aberrações aromossômicas, o fato de os dados do total de quebras obtidos das amostras dos animais tratados por 30 dias apresentarem suporte estatístico reforça a constatação da genotoxicidade provocada pelo mercúrio, nas células de medula óssea dos grupos expostos por 30 dias.

Da mesma forma, ressaltando a argumentação anteriormente descrita, quando considerados os números de Cromossomos com Quebras dos grupos 15 e 30 dias, os valores de p encontrados permitem inferir que a genotoxicidade do mercúrio manifesta-se apenas nas amostras dos grupos tratados por 30 dias, ou seja, é tempo dependente.

6.3.3 Gaps

Para as aberrações do tipo gap, os dados apresentam a mesma tendência que os da frequência absoluta de aberrações cromossômicas, do total de quebras e dos cromossomos com quebras. De modo geral, dados do tratamento com duração de 15 dias retornam valores de p com pouco ou nenhum suporte estatístico o que não permite afirmar sobre a existência de genotoxicidade. Enquanto no tratamento de 30 dias, a estatística permite afirmar com clareza que o mercúrio promove efeito genotóxico.

No caso do Total de Gaps encontrados em animais tratados por 15 dias, houve diferença perceptível do ponto de vista estatístico, mas é importante destacar que esta diferença possui baixo suporte estatístico, colocando em dúvida a precisão de qualquer afirmação feita a respeito deste dado. Em contrapartida, a significância estatística apresentada pelos dados dos animais tratados por 30 dias reforça a ocorrência de genotoxicidade.

Quanto aos resultados do número de Cromossomos com Gap, para os animais tratados por 15 dias, não há significância estatística. Entretanto, da mesma forma como nos dados anteriores é possível notar a tendência para a ocorrência de citotoxicidade. Já nos resultados de 30 dias, é possível notar não somente a tendência, mas afirmar com segurança que ocorre genotoxicidade.

Este estudo é a primeira documentação sobre a avaliação da genotoxicidade do modelo crônico de intoxicação por mercúrio proposto por Wiggers et al (2008). Após a análise dos dados como conjunto, o que fica evidente é a existência de uma janela entre o 15º e o 30º dia de tratamento em que alterações provocadas pela constante exposição ao metal levam ao aumento das lesões provocadas no DNA.

A via de produção da desoxitimidina monofosfato (dTMP), por exemplo, sofre influência direta do Hg 2+, como mostra o esquema a seguir (Figura 12). O metal se liga irreversivelmente ao sítio ativo da dUTPase (enzima conversora da desoxiuridina trifosfato - dUTP em desoxiuridina monofosfato - dUMP ), provocando retenção na via e desbalanço da razão dUTP/dTMP (Williams et al., 1987). Com o aumento da concentração de dUTP, a incorporação uracila ao DNA é favorecida, em detrimento à de timina. Esse erro ativa o sistema de reparo por excisão de base promovido pela Uracil-DNA glicosilase, a qual retira cada uracila para que seja substituída (Nelson & Cox, 2004). Com a presença constante do mercúrio, a via permanece congestionada e a concentração de dTMP é insuficiente para preencher todas as lacunas geradas pelo sistema de reparo. Mesmo com ação de proteínas estabilizadoras como as SSBs, o DNA fica suscetível à ocorrência de quebras em fita simples, ou dupla a qual é uma possível explicação para o aumento na frequência de aberrações cromossômicas observada nos indivíduos tratados com mercúrio.

Figura 12 – Figura esquemática da ação do mercúrio sobre via metabólica da formação de desoxitimina monofosfato. Em A observa-se o efeito sobre o DNA quando o Hg se liga ao sítio ativo da enzima dUTPase. A incorporação incorreta de uracila às fitas de DNA está representada pela letra „U‟ em vermelho. A partir da excisão das uracilas o DNA fragilizado segue por um, de dois caminhos diferentes, dependendo da magnitude do dano sofrido. Em B a via normal está representada de forma simplificada, e com destaque para a área pontilhada que sinaliza o local onde o metal se liga.

A forma mercúrica também se liga a dois resíduos de timina formando pontes cruzadas (Rossman, 1981), as quais prejudicam os processos de replicação e transcrição do DNA. Além disso, causam alterações cromossômicas consistentes com quebra na fita, e se acumuladas, podem levar a célula à morte (Noll et al., 2006). Outra via que merece destaque é a da Glutationa. Uma vez que o mercúrio apresenta grande afinidade por grupos sulfidrila, a glutationa atua como carreador do metal, diminuindo a toxicidade intracelular (Miura & Clarckson, 1993). É também a maior fonte de proteção antioxidativa em eritrócitos humanos, e, embora não tenha sido medida a sua concentração plasmática, a literatura descreve que em presença de mercúrio a glutationa tem a concentração de sua forma reduzida (GSH) diminuída, enquanto a forma oxidada (GSSG) tem sua concentração aumentada (Lee et al., 2002).

Apesar de, em concentrações moderadas, a presença de um agente estressor/xenobiótico estimular o aumento na capacidade dos sistemas antioxidantes celulares (Kromidas et al., 1990; Chen et al., 2005), há um momento em que a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) supera o limite e o sistema biológico não mais consegue proteger a célula da ocorrência de danos.

É possível que o aumento da produção de espécies reativas de oxigênio, associado à diminuição e até mesmo inativação da defesa desempenhada por antioxidantes como a glutationa, (Houston, 2011; Vassallo et al., 2011) também seja uma das justificativas para a elevação da frequência de aberrações cromossômicas.

7 CONCLUSÃO

Inúmeras vias metabólicas são afetadas em organismos expostos de forma crônica à intoxicação por mercúrio, dentre elas estão as vias relacionadas à manutenção da integridade do DNA. Como observado nos resultados, esse metal provoca o aumento na ocorrência de aberrações cromossômicas de dois tipos, quebra e gap, em células de medula óssea dos animais. Portanto, é possível sugerir que o Hg tem sua atividade clastogênica elevada a níveis estatisticamente perceptíveis após 30 dias de exposição.

Da mesma forma, conclui-se que a elevação na atividade genotóxica e potencialmente mutagênica do mercúrio reflete-se no aumento da ocorrência de gaps e quebras nos cromossomos das células de animais tratados por 30 dias.

O estudo demonstra ainda que aparentemente o 15º dia de tratamento é um limiar a partir do qual as vias de reparo e proteção antioxidante ao DNA têm sua eficiência reduzida. Essa redução pode ser visualizada, do ponto de vista estatístico, por meio da elevação nos números de aberrações cromossômicas.

Por fim, vale ressaltar que embora na literatura seja difundido o conhecimento sobre o potencial clastogênico, genotóxico e mutagênico de mercúrio, o presente estudo traz dados sobre esses efeitos em um tratamento crônico com elevação progressiva na concentração plasmática do metal. Como esse tratamento se assemelha ao modelo de exposição humana, a intenção é agregar os dados aqui descritos aos já existentes, no sentido de melhor compreender os mecanismos da toxicidade desse metal.

8 LIMITAÇÕES DO ESTUDO

Para a execução do estudo houve limitação no fornecimento de animais pelo biotério, devido à execução de obras no prédio do Biotério Central da UFES, o que demandou alterações no projeto originalmente proposto.

Outra limitação foi a possibilidade de concluir de forma clara sobre o potencial mutagênico do mercúrio, uma vez que os dados apresentados foram gerados com base em análises realizadas apenas em células somáticas. A avaliação do efeito desse modelo crônico de exposição ao metal sobre as células germinativas seria ideal, já que o conceito de mutagenicidade inclui a probabilidade de transmissão das mutações para as gerações seguintes. Contudo, seria necessária a aplicação de outra metodologia, a qual, lamentavelmente, não se encaixava no cronograma de execução.

Apesar do volume de dados gerado ao longo da execução desse estudo, a demanda de informações sobre os efeitos genotóxicos do tratamento crônico com mercúrio em células germinativas abre possibilidades, tornando-se uma das perspectivas para projetos futuros.

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CAPÍTULO II

Dose única de Cisplatina afeta a pressão arterial e tem

correlação com dano cromossômico

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...70

1.1 CISPLATINA...70 1.2 NEFROTOXICIDADE...71 1.3 INFLUÊNCIA SOBRE O DNA...72

2 JUSTIFICATIVA...74

3 OBJETIVOS...75

3.1 OBJETIVO GERAL...75 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS...75

4 MATERIAL E MÉTODOS...76

4.1 PROTOCOLO EXPERIMENTAL...76 4.2 TRATAMENTO DOS ANIMAIS...76 4.3 HEMODINÂMICA...78 4.4 OBTENÇÃO DAS AMOSTRAS PARA CITOGENÉTICA...79

CROMOSSÔMICAS...80 4.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA...81

5 RESULTADOS...83

6 DISCUSSÃO...86

7 CONCLUSÃO...88

8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...89

Figura 1: Fórmula estrutural da csplatina...70 Figura 2: Localização e dissecção das estruturas durante a canulação da artéria

carótida. Em A o quadrado evidencia o local onde ocorre a tricotomia e a incisão para exposição da musculatura (Modificada de Khajuria et al., 2012); Em B a seta aponta para a artéria carótida, na qual é introduzida a cânula (Foto: Gilson Brás)...78

Figura 3: Registros de duas metáfases com apenas uma aberração cada uma. Em

A é possível visualizar, indicada pela seta, uma quebra; Em B a seta aponta para uma aberração do tipo gap. Observação em fotomicroscópio óptico (objetiva de 100X)...81

Figura 4: As barras representam as médias ± desvio padrão da média das medidas

hemodinâmicas obtidas dos animais controle (CT) e tratados com cisplatina (CP). Em A, B, C e D respectivamente, Pressão Arterial Sistólica (PAS), Pressão Arterial Diastólica (PAD), Pressão Arterial Média (PAM) e Frequência Cardíaca (FC); *p < 0,05, comparação com o grupo controle em animais anestesiados...83

Figura 5: Valores médios do número de aberrações cromossômicas encontradas

nas metáfases de animais estão representados nas barras ± desvio padrão da média, sendo controle (CT) e tratados com Cisplatina (CP); p < 0,05...84

Figura 6: Correlação entre os dados dos animais tratados com cisplatina. De A até

D, respectivamente: Pressão Arterial Sistólica (PAS), Pressão Arterial Diastólica (PAD), Pressão Arterial Média (PAM) e Frequência Cardíaca (FC), em animais anestesiados. Alfa foi significativo para todos os resultados e os valores de r estão dispostos em seus gráficos de dispersão correspondentes...85

AC: Aberração Cromossômica

CEUA: Comissão de Ética no Uso de Animais CP: Grupo Cisplatina

CT: Grupo Controle

DNA: Ácido Desoxirribonucleico EPM: Erro padrão da média FC: Frequência cardíaca i.p.: Intraperitoneal KCl: Cloreto de Potássio NaCl: Cloreto de Sódio PA: Pressão Arterial P.A.: Para Análise p: Probabilidade

PAD: Pressão arterial diastólica PAM: Pressão arterial média PAS: Pressão arterial sistólica rpm: Rotações por Minuto

UFES: Universidade Federal do Espírito Santo

Um dos compostos derivados de platina mais utilizados em tratamentos de câncer é a cisplatina. A despeito da eficiência, seu uso fica limitado devido à alta toxicidade que apresenta, principalmente no que se refere ao sistema renal. Diversas vias metabólicas e processos fisiológicos tem sido utilizados para explicar as complicações advindas do tratamento com cisplatina, contudo nem todos processos estão plenamente descritos. O presente trabalho buscou avaliar se havia correlação entre a progressão no dano ao DNA e alterações em parâmetros hemodinâmicos em ratos tratados com uma única dose de cisplatina. Vinte e quatro horas após a injeção, foram obtidas medidas de pressão arterial sistólica, diastólica e média, além de frequência cardíaca. Da medula óssea foram obtidas amostras para avaliação das aberrações cromossômicas. Os dados mostraram correlação negativa entre cada um dos parâmetros hemodinâmicos e as aberrações cromossômicas, o que permite observar que o aumento no número de aberrações reflete diretamente na queda da pressão arterial e na frequência cardíaca.

Palavras-chave: Aberrações cromossômicas; Hemodinâmica, Quimioterapia;

One of the platin compounds currently used in cancer treatment is cisplatin . Despite of its efficiency, the use is limited because of its high toxicity which occurs, primarily, on renal system. Several metabolic pathways and physiological processes have been used to explain the complications of treatment with cisplatin, however not all

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