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APPEL D’OFFRE DE DENREES ALIMENTAIRES - ANNEE 2009 RETROPLANNING

Origine de la démarche :

APPEL D’OFFRE DE DENREES ALIMENTAIRES - ANNEE 2009 RETROPLANNING

A partir da Revolução Industrial no século XVIII, o pensamento higienista foi reforçado nas cidades europeias. Na busca de respostas às epidemias que assolavam as grandes cidades, os médicos não hesitaram em associar as epidemias

e doenças com alguns elementos circundantes das cidades. Entre os elementos considerados vilões, destacaram-se os pântanos, pois, sendo lugares de putrefação de matéria orgânica, expeliam vapores prejudiciais à saúde e, devido aos ventos, eram disseminados para outros lugares. Os vapores, chamados miasmas, eram considerados agentes das epidemias, facilitadas pelas péssimas condições de higiene das habitações e das cidades (ABREU, 1997). Para Salgado (2003):

“Pierre Patte participará deste debate no campo da urbanística sendo uma das figuras mais destacadas na reflexão, quer sobre embelezamento da cidade, com um discurso carregado de simbolismos, quer sobre a necessidade de uma racionalização do espaço da mesma.” (SALGADO, 2003, p.7).

Segundo Abreu (1997), no Brasil houve indícios do pensamento higienista desde o final do século XVIII. Entretanto, somente no século XIX seria mais difundido. A maior força desse pensamento aconteceu no Rio de Janeiro, capital e maior cidade do país. Porém, as teses ditas higienistas ganharam força em outras cidades brasileiras. Fortaleza, por exemplo, demonstrou propostas de intervenções “médicas” desde as décadas de 1830, através da análise publicada pelo médico José Lourenço, que atribuiu como principais causadores das moléstias fortalezenses o clima associado às chuvas e ao calor (OLIVEIRA, 2007).

A preocupação em identificar e acabar com os locais de infecções miasmáticas na capital cearense cresceu a partir dos anos de 1843. Para Oliveira (2007), isso pode ser atribuído ao empenho do médico Castro Carreira no cargo de médico da pobreza. Entre suas práticas, era enfatizada a identificação e eliminação dos pontos de infecção miasmática. O médico considerava que o germe das moléstias estava nos pântanos e que, devido às situações climáticas propícias, os pântanos contaminavam o ar e espalhavam as febres.

De acordo com Oliveira (2007), os documentos de 1840 a 1850 afirmam que Fortaleza estava cercada por charcos situados nas áreas da prainha e do açude Pajeú (Figura 31). Nesse contexto, as indicações sanitárias também tratavam do tipo de cemitérios, hospitais e matadouros públicos localizados a distâncias apropriadas do núcleo habitado.

Figura 31 – Redesenho de reconstituição cartográfica, Fortaleza, 1856 – Pontos de infecção miasmáticas em Fortaleza nos anos de 1845 a 1855. Autor: Larry Andrade. Fonte: OLIVEIRA,

2007, p. 67.

Ao lado da criação de novos equipamentos urbanos, a prática de enterrar os mortos nas igrejas foi questionada pelos médicos. Os espaços reduzidos, o odor dos corpos em putrefação e a exposição dos restos mortais foram descritos pelo presidente Souza Mello, nos anos 1830, ao defender a construção de um cemitério para a cidade:

“O prestifero ar que se respira na Igreja do Rozario, e deve estar convencidos que graves males podem provir da inspiração dos miasmas exalados continuamente de inúmeros corpos em putrefação, apenas cobertos com pequenas camadas de terra mal apertado e algumas taboas

apresentando grandes fendas.” 8

As praças da capital cearense tinham como funções importantes a de comércio e reuniões sociais. Houve uma tendência a referenciar o nome das praças e das ruas com às atividades dos serviços e do comércio (Praça do Conselho, Praça

8 Relatório com que o exm. Sr. Manoel Felizardo de Souza Mello presidente da província abriu a 1° Sessão da Assembleia

da Boa Vista; rua da Praia, da Alfândega, da Ponte, da Matriz, dos Mercadores, do Rosário, do Quartel, do Fogo).

A partir da segunda metade do século XIX, as praças começaram a receber regras sobre trocas e serviços: “Praça da Boa Vista destinada para n’ella se

venderem as aves e animaes miúdos, bem como porcos, cabras, e carneiros, e que os que venderem animais de grande porte soffrerão a multa de 2$000 reis, ou quatro

dias de prisão, e na reincidência o duplo” 9. Com o medo de doenças e a intervenção

médica, as praças ganharam uma nova expressão dentro da paisagem urbana, espaços de renovação de ar através da arborização.

Na planta de Paulet de 1818, reuniram-se duas praças: a Praça do Conselho, e a Praça da Carolina (Figura 32). De acordo com Cunha (1990), tudo leva a crer que a Praça do Conselho é a mais antiga da cidade, hoje conhecida como Praça da Sé ou Praça Pedro II.

Na planta elaborada pelo engenheiro da província e arquiteto da Câmara, Adolfo Herbster, “Planta Exacta da Capital do Ceará”, em abril de 1859, Fortaleza contava com cinco praças, assim denominadas: Praça Carolina; Praça Pedro II ou Municipal; Praça do Paiol; Praça do Garrote, e Praça do Palácio (Figura 33).

Comparando as duas plantas, pode-se verificar que havia uma certa preocupação com os espaços abertos e arborizados dos planejadores da cidade. Mais que isso, a renovação e a criação dos espaços abertos foram promovidas para um dos temas relevante para os próximos planos e plantas de Adolfo Herbster nos anos seguintes de 1863, 1875 e 1888.

9 Coleção de Leis, Decretos, Resoluções e Regulamentos da Província do Ceará: Typographia Cearense – Impresso por

Joaquim José D’Oliveira, 1853. Aprovando artigos de postura da câmara municipal da Capital. Resolução no. 622 de 5 de outubro de 1853.p 18.

Figura 32 – Redesenho de reconstituição cartográfica, Fortaleza, 1813 – Praças em Fortaleza no ano de 1813. Autor: Larry Andrade. Fonte: ANDRADE, 2012, p. 23/ REIS, 2000a, p. s/n.

Figura 33 – Redesenho de reconstituição cartográfica, Fortaleza, 1859 – Praças em Fortaleza no ano de 1859. Autor: Larry Andrade. Fonte: ANDRADE, 2012, p. 74.