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2. Appearance and evolution of HHC in France
HOSPITALARES
TECNOLOGIA “PRAXIS”: PLANEJAMENTO E QUALIDADE NA GESTÃO DE UNIDADES DE INTERNAÇÃO
HOSPITALARES
Jorge Lorenzetti Francine Lima Gelbcke RESUMO
Este artigo tem por objetivo analisar os aspectos de planejamento e qualidade assistencial, enquanto componentes de uma tecnologia de gestão de unidades de internação denominada PRAXIS. Esta tecnologia está materializada em um software desenvolvido em parceria com o Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina e está em funcionamento em uma unidade clinica do referido hospital. O software foi registrado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). No processo de desenvolvimento e experimentação do PRAXIS adotou-se a abordagem metodológica quase experimental. Em relação ao planejamento, a equipe de enfermagem produziu um Planejamento Participativo da Unidade (PPU) envolvendo oito questões prioritárias. Em abril de 2013, os planos de trabalho do PPU apresentavam os seguintes percentuais de realização: sistema diário de classificação dos pacientes / carga de trabalho (90%), manual de procedimentos (35%), política de acompanhantes (08%), capacitação (30%), qualidade de vida no trabalho (07%), gestão de materiais (51%), práticas de sustentabilidade (09%) e excelência da assistência (64%). Em relação à qualidade assistencial, os resultados em abril foram: 97,95% dos pacientes consideraram a assistência de enfermagem da unidade como ótima ou boa, a taxa de cobertura da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) foi de 51,49%, a de realização dos exames externos previstos foi de 86,21%, a taxa de infecção hospitalar foi de 36,07%, a de ocupação da unidade foi de 85,87%, a média de permanência de 10,56 dias e de pacientes/dia de 21,47 pacientes para 25 leitos de
capacidade e não houve notificação de eventos adversos. As informações relevantes sobre o PPU e os indicadores da qualidade assistencial da unidade estão disponibilizados para comunicação contínua, no painel eletrônico (dashboard) no posto de enfermagem. O estudo conclui que planejamento e qualidade assistencial são fundamentais para a gestão de unidades de internação. Trata-se de instrumentos complexos que o sistema PRAXIS incorpora, entre outros componentes, com vistas a possibilitar mudanças estruturais positivas no desempenho destes espaços assistenciais, beneficiando usuários e profissionais de enfermagem.
INTRODUÇÃO
A saúde está no topo das prioridades das pessoas, traduzido no ditado popular de que com saúde todo o resto da vida dá-se um jeito. A saúde constitui-se em um direito humano básico e, portanto, atribuição do Estado no seu compromisso de atender as expectativas da Nação. As políticas de saúde e a atuação dos serviços estão na agenda cotidiana de atores públicos, privados, instituições sociais e meios de comunicação. No Brasil a saúde aparece como principal problema para os brasileiros (CNI/ IBOPE, 2011).
A valorização da saúde pela população e a transição demográfica com a ampliação do número de pessoas com mais de 60 anos pressionam os gastos em saúde e os investimentos e usos da tecnociência na área. Serviços de saúde que garantam acesso universal e atenção integral das necessidades de saúde, de forma segura e com qualidade, torna-se um paradigma social contemporâneo. Assim, o financiamento da saúde e a gestão em saúde emergem como macro aspectos dos desafios para o alcance dos anseios da sociedade com a saúde.
Financiamento suficiente e gestão apropriada são premissas fundamentais para a viabilização de serviços de saúde universais, seguros e de qualidade. A gestão em saúde possui uma complexidade especial. Trata-se do manejo de um serviço que lida com a vida das pessoas, um bem de valor único, em que os acertos e erros ou omissões têm um significado ontológico diferenciado.
No ciclo vital das pessoas haverá sempre momentos em que a atuação oportuna e humana dos serviços de saúde é indispensável, em especial, nas situações de dor, sofrimento, dificuldades de comunicação, traumas, transtornos físicos e mentais e condições diversas de mal estar
biopsicosocial, manifestas em condições agudas e crônicas de agravos à saúde. A não atuação adequada dos serviços de saúde gera perdas e sofrimentos humanos irreparáveis.
A enfermagem constitui-se no maior contingente dos profissionais de saúde no Brasil, 1.856.683 (hum milhão, oitocentos e cinquenta e seis mil e seiscentos e oitenta e três) (COFEN, 2012). Está presente na grande maioria das unidades do sistema de saúde, na atenção básica, na atenção hospitalar, na assistência domiciliar, nas unidades de atendimento de urgência e emergência, nos serviços de apoio diagnóstico e terapêutico e em diversos espaços da sociedade como escolas, empresas e outros.
As enfermeiras3 ocupam cargos de direção nos diversos níveis das instituições de saúde, desde a coordenação de equipes e direção de Unidades Básicas de Saúde (UBS), funções em nível central das esferas municipal, estadual e federal, bem como direção de órgãos de enfermagem em instituições hospitalares e coordenação de unidades assistenciais neste nível de atenção, em especial, as unidades de internação.
A enfermagem possui um papel determinante no desempenho das unidades de internação nos hospitais. Assume a responsabilidade pelos cuidados nas 24 horas do dia, nos 07 dias da semana e nos 365 dias do ano. Exerce ainda a articulação para o trabalho dos demais profissionais de saúde, zela pelo ambiente terapêutico e assegura os suprimentos e materiais assistenciais necessários nestes espaços assistenciais.
Na prática, observam-se carências significativas de gestão nas unidades de internação, tais como, ausência ou planejamento precário, falta de mecanismos eficientes de comunicação, formas arcaicas de registro das atividades, processos de trabalho que não favorecem a centralidade no usuário e a abordagem integral, assim como ausência ou pouca ênfase na avaliação da qualidade e na excelência da assistência.
Esta situação, combinada com a importância das unidades de internação nos resultados da atenção hospitalar desafiaram a construção de uma tecnologia que pudesse preencher estas lacunas e propiciar um padrão apropriado de gestão para estes espaços assistenciais. Pode-se estimar a existência de cerca de dez mil unidades de internação hospitalares no país (BRASIL, 2013).
A tecnologia PRAXIS foi desenvolvida com a pretensão de disponibilizar um instrumento inovador e participativo de gestão para as
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