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1. Fotografia de moda. Trabalho para marcas de roupa, calçado, joalharia, designers, revistas e agências. 2. Posso afirmar que foi por opção própria visto que na altura estava já a trabalhar num atelier de arquitetura, com o qual me identificava bastante com o processo de trabalho, e onde a remuneração até era generosa face ao panorama nacional dos jovens arquitetos. De qualquer forma, apesar da boa situação profissional da altura, acabei por arriscar largar a arquitetura e tornar o hobbie da fotografia de moda na minha atividade profissional.

3. Durante a aprendizagem académica, assim como já no mundo profissional, os arquitetos são treinados em diversos sentidos que acabam por influenciar a nossa forma de viver, de observar, de pensar e trabalhar para o resto da vida.

Numa primeira instancia mais superficial, treinamos o nosso olho e a sensibilidade. Começamos a prestar atenção a pormenores que antes nos passavam despercebidos. Começamos a viver e observar os espaços com outra atenção e sensibilidade. Ganhamos noções de perspetivas, noções de dimensionamento, de proporções, de escalas humanas, enquadramentos, de tensões provocadas por formas, sensibilidade aos contrastes, é à dança da luz e da sombra.

Treinamos também o nosso bom gosto, ganhamos referências que nos equipam para toda a vida, e aprendemos a ser permeáveis a todo tipo de influencias, das mais diretas (no campo semântico da arquitetura, design e escultura), às mais indiretas (cinema, pintura, filosofia, sociologia, pensamentos utópicos, musica, culinária).

E, numa analise menos superficial, acabamos por ser treinados naquilo que achava mais sedutor no processo de arquitetar, que era a fase de brainstorming. Nessa fase aprendemos a gerir toda essa sensibilidade, ''know how'' e referências para conseguir responder de forma criativa, sedutora e eficiente/funcional à necessidade de cada cliente. Embora o produto final das duas artes seja diferente, o processo criativo acaba por ser semelhante. Se na arquitetura trabalhamos com ingredientes como o contexto urbano, a localização (genius loci), na fotografia de moda existe o mesmo (quando realizado fora de estúdio). Se na arquitetura temos um orçamento, um tema, um programa, e uma serie de necessidades impostas pelo cliente, na fotografia de moda também temos de trabalhar com esse tipo de ingredientes de forma a produzir um resultado final que atinja todos esses pressupostos.

4. Networking! Transversalmente a quase todas as atividades, o networking é o combustível que mantém a atividade em funcionamento, sobretudo quando somos patrões de nós próprios. Quando trabalhava para um atelier de arquitetura, pouco ou nada tinha de me preocupar em arranjar trabalho para o atelier, pois não era essa a minha função. Todavia enquanto trabalhador por conta própria, numa nova área, tive de me esforçar bastante para encontrar clientes e profissionais da área que tornassem essa minha nova atividade sustentável. Essa dificuldade foi acrescida pelo facto de não ser natural de Lisboa (onde residia e trabalhava) e porque a industria de moda era alheia tanto a mim como ao meu circulo mais próximo de amigos.

Acrescento ainda outra grande dificuldade que foi deixar a segurança de um salário confortável, para a incerteza de uma nova atividade profissional como trabalhador independente.

5. Fiz meia dúzia de pequenos workshops. Um primeiro ainda na faculdade, que me deu o ''know how'' de fotografia analógica a preto e branco. E posteriormente, ainda durante a faculdade, fiz mais uns 4 workshops de fotografia de moda com a duração de um dia cada, onde sobretudo ganhei algum networking e portfólio. Todavia, nenhum dos workshops teve o sentido de me capacitar para exercer nessa área de trabalho, pois nessa altura apenas via a fotografia de moda como um hobbie.

6. Respondendo primeiro à segunda questão:

Gosto de citar certas frases como se fossem regras pessoais. Uma delas é ''Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz'' (Rui Veloso - as regras da sensatez) todavia, outra frase que gosto de citar é o título do filme ''Nunca digas nunca''.

Confuso? Passo a explicar esta ambiguidade. Acho pouco provável, mas não diria impossível. Creio que a arquitetura (uma paixão que ainda mantenho) não é fácil de conciliar enquanto hobbie, portanto quando tomei a decisão de apostar em fotografia de moda, sabia que tinha de fazer uma cisão difícil com a arquitetura, e concentrar-me nesse novo desafio. - ''Se queres ser realmente bom a alguma coisa, tens de te concentrar nela'' -

Tentar reatar relações com a arquitetura seria difícil pelo 'gap' técnico de vários anos sem exercer. Isso ia tornar a minha reintrodução no mercado mais difícil. Além de que de momento sinto-me bastante confortável com esta minha segunda paixão, pela qual acrescento a seguinte metáfora: ''if you love two people at the same time, choose the second. Because if you really loved the first one, you wouldn't have fallen for the second'' (Johnny Depp)

A médio/longo prazo gostava de trabalhar mais lá fora, com revistas, marcas, designers e produtores estrangeiros, pois embora exista ainda espaço para crescer profissionalmente em Portugal, o mercado lá fora é mais aliciante e potencia muito mais o meu crescimento enquanto profissional.

7. O curso de arquitetura pode ser tanto um curso brilhante como um curso medíocre, dependendo de (1) estabelecimento de ensino, (2) dos professores que se tem, e (3) da atitude que temos perante o curso. E são estes três fatores, mais do que o conteúdo programático, que podem definir se um aluno vai ter sucesso quer na sua área, quer numa outra. Tenho a profissão de arquiteto muito em conta. Acho que essencialmente são treinados para serem uns ''problem-solvers'' e como tal, se forem realmente bons, facilmente serão bem-sucedidos nas mais diversas áreas profissionais. Dessa forma, mais do que mudar diretamente o conteúdo programático na sua formação, creio que seria importante que os professores

(sobretudo os de projeto) fossem treinando os alunos a pensar nos exercícios de formas menos convencionais. Acredito que com isso eles possam equipar os alunos com uma forma de pensar mais original e eficiente, que podem usar em outras atividades e potenciar o seu sucesso profissional.