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Dans le document Some aspects on sweeping processes (Page 19-40)

A promoção da literacia em saúde dos cidadãos tem sido reconhecida como o caminho para a melhoria dos cuidados de saúde e incluída na preocupação, reflexão e definição de políticas de saúde, sendo um objetivo de saúde pública a atingir no seculo XXI (Nutbeam & Kickbusch, 2000; Pedro et al., 2016; Portugal, MS, DGS, 2013c).

O nível de literacia em saúde condiciona a capacidade do indivíduo na tomada de decisões fundamentadas no âmbito dos cuidados de saúde, prevenção da doença e promoção da saúde, afetando não só a sua qualidade de vida como a dos seus dependentes, repercutindo-se, consequentemente, na gestão dos recursos e dos custos para o sistema (Espanha et al., 2016; Pedro et al., 2016; Tomé, 2018).

A literatura documenta que baixos níveis de literacia em saúde se associam a baixos níveis de saúde, bem como a comportamentos de risco, maior utilização dos serviços e a uma menor capacidade de autocuidado e adesão a programas e recomendações de prevenção da doença e promoção da saúde (Antunes, 2014; Pedro et al., 2016; Serrão, 2014; Tomé, 2018).

Uma inadequada literacia em saúde está em estreita ligação com potenciais fatores de risco relacionando-se, em consequência disso, com desigualdades no acesso à saúde, resultados mais pobres em saúde e com um aumento dos gastos em saúde, pelo que se assume quer como

um desafio quer como um objetivo para quase todos os sistemas de cuidados de saúde (Duong et al., 2017; Pedro et al., 2016; WHO, 2013).

Em contrapartida, níveis elevados refletem benefícios para toda a sociedade uma vez que influenciam os diferentes determinantes na saúde e estão relacionados com cada um desses determinantes (situação social, profissional, económica, educacional, idade do indivíduo e localização geográfica, entre outros) (Sørensen et al., 2012; Sørensen et al., 2015).

A literacia em saúde é, assim, um imperativo ativo e dinâmico em saúde pública, cuja ação deve ser orientada para o aumento do controlo individual sobre os determinantes da saúde associando-se à capacitação e à educação (Broeiro, 2017; Crondahl, 2016; Duong et al., 2017), considerando que o desenvolvimento de competências e de habilidades em literacia em saúde é um processo que decorre ao longo da vida estando dependente do contexto, da cultura e do ambiente a que um dado indivíduo se reporta (Espanha et al., 2016).

Também no decurso da gravidez, a mulher necessita de informação e conhecimentos que lhe permitam adquirir autonomia, competência e poder para tomar decisões que influenciem a sua saúde e a saúde do seu filho (Silva, 2014), sendo que o importante, é o nível de compreensão, consciencialização e a capacidade de usar essas informações e conhecimentos em caso de necessidade e risco associadas à gravidez (Kharrazi et al., 2018).

Uma adequada literacia em saúde neste período é chave para uma maternidade saudável (Neto, 2016). O desenvolvimento de competências comportamentais, cognitivas, emocionais e sociais, implicadas pela mesma, permitirão à mulher poder de deliberação e autonomia para tomar decisões livres e esclarecidas e diagnosticar sintomas que possam trazer complicações no decurso da gestação (Neto, 2016).

Neste sentido, diagnosticar o nível de literacia em saúde neste grupo específico bem como identificar alguns dos fatores intervenientes permitirá direcionar e alinhar melhor as estratégias e intervenções a serem desenvolvidas, assim como, contribuir para eventuais melhorias nas práticas clínicas e nos serviços de saúde por forma a potenciar a literacia em saúde da grávida, essencial para uma maternidade saudável, segura e positiva.

A revisão da literatura referente à investigação contemplando a temática da literacia em saúde no contexto específico da gravidez é escassa. Não é nossa pretensão dar resposta e encontrar soluções para um problema tão complexo, mas será mais um contributo a juntar a

todos os outros que pretenderam dar a conhecer e a compreender melhor as múltiplas implicações dos fatores que podem influenciar a literacia em saúde da grávida.

É neste contexto que, reconhecendo a importância de melhorar a literacia em saúde da grávida e a qualidade de vida na gravidez, emergem questões que procuram servir como eixo estruturante do presente estudo e justificam as nossas inquietações pessoais, perante um tema atual e ainda pouco estudado no contexto português.

Deste modo, partimos da seguinte questão geral de investigação:

Quais os fatores intervenientes da literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação?

Para a sua consecução definimos como objetivo geral: Apurar as relações existentes entre os determinantes sociodemográficos, obstétricos, contextuais à gravidez e o empoderamento com a literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação.

Na procura de novo conhecimento sobre esta problemática, o desenvolvimento deste estudo será, assim, orientado para responder às seguintes questões específicas de investigação:

Questão 1: Qual o nível de literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação?

Questão 2: Que variáveis sociodemográficas influenciam a literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação?

Questão 3: Qual a relação entre as variáveis obstétricas e contextuais à gravidez com a literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação?

Questão 4: Qual a relação entre a vigilância da gravidez e a literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação?

Questão 5: Que variáveis independentes têm efeito significativo na predição da literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação?

Perante as questões formuladas, equacionaram-se os seguintes objetivos específicos: - Determinar o nível de literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação;

- Caracterizar o perfil sociodemográfico, obstétrico, contextual à gravidez e o empoderamento da grávida no terceiro trimestre de gestação;

- Analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas, obstétricas e contextuais à gravidez com a literacia em saúde, nos seus domínios e índice geral;

- Analisar a relação entre a vigilância da gravidez com a literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação;

- Identificar as variáveis independentes que têm efeito significativo na predição da literacia em saúde da grávida no terceiro trimestre de gestação.

O tipo de estudo delineado para esta pesquisa tem as características dos estudos quantitativos, não experimentais, em corte transversal, descritivos e correlacionais. Analogamente ao que ocorre na maioria das pesquisas com amostras comunitárias, este estudo pretende predizer a relação entre as mesmas e, ao mesmo tempo, precisar a grandeza dessa relação. Assim, segue uma metodologia de análise quantitativa de modo a garantir a precisão dos resultados, evitando distorções de análise e de interpretação (Coutinho, C. P., 2014; Duarte, 2011) e enquadra-se num tipo de investigação não experimental dado que não se pretende a manipulação das variáveis em estudo, apenas perceber a existência de relações entre fenómenos (Duarte, 2011; Sampieri, Collado, & Lúcio, 2014). Assume-se também como um estudo

transversal, visto que a causa e o efeito ocorrem simultaneamente. A causa pode existir apenas

no momento atual ou desde algum tempo no passado ou, ainda, ser uma característica do indivíduo (Campana, Padovani, Freitas, Paiva, & Hossne, 2001; Coutinho, C. P., 2014). Possui as características de um estudo descritivo e correlacional dado que, se por um lado recolhe informação de forma independente ou conjunta sobre conceitos ou variáveis, especificando as suas propriedades e características, por outro, procura descrever a associação, o sentido e o modo como a relação entre variáveis individuais e situacionais se repercutem na literacia em saúde da grávida do terceiro trimestre (Coutinho, C. P., 2014; Duarte, 2011).

Em face da revisão bibliográfica efetuada bem como dos objetivos e questões de investigação definidas, elaboramos a representação esquemática apresentada na figura 1, com a qual se pretende dar a conhecer e explicar a relação que se pretende estabelecer entre as diversas variáveis independentes (exógenas) com a literacia em saúde da grávida, que se assume neste estudo como variável dependente (endógena).

Figura 1 – Esquema concetual da investigação.

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