A literatura apresenta interpretações dos limites e das barreiras do planejamento estratégico nas Universidades, os quais, normalmente estão relacionados ou são encontrados em todas as Universidades, em maior ou menor intensidade, tais como: a falta de recursos principalmente para a infraestrutura; a independência e autonomia de atuação dos professores; a cultura organizacional resistente à implantação do processo de planejamento; o comportamento humano dos colaboradores que desacreditam neste processo dado as condições institucionais (PICCHIAI, 2011, p.1-13).
A Universidade Federal de Santa Catarina, de uma maneira ou de outra, de forma sistematizada ou não, sempre esteve preocupada com o seu planejamento, quando da elaboração de planos de ação (registrados nos Relatórios da UFSC) ou pelo processo e uso da metodologia do planejamento estratégico.
O quadro 6 destaca a evolução das estruturas responsáveis pela organização do planejamento na Universidade Federal de Santa
Catarina. Como detalhamento, foi adotada a cronologia dos processos de tomada de decisão utilizados na UFSC a partir de 1961. Para este levantamento, foram consultados os relatórios de atividades e/ou de gestão, planos de ação e planos de gestão dos Reitores.
Quadro 6 - Planejamento na UFSC - elaborado pelo autor. Cronologia Processo de tomada de decisão
1961 a 1972
Fase de implantação da Universidade. Não havia uma estrutura específica para a gestão do planejamento. 1972 a
1976
Criação da Sub-reitoria de Planejamento – órgão central com objetivo de preparar a previsão, programação e acompanhamento. No início de suas atividades constitui- se uma Comissão de Planejamento transitória, até a aprovação do Estatuto da Universidade.
1976 a 1980
Criada a Coordenadoria de Planejamento vinculada a Pró- Reitoria de Administração. Foi estabelecido um sistema de informação e gerência, objetivando o encaminhamento das prioridades administrativas a uma rápida e efetiva evolução.
1980 a 1984
Implantada a Assessoria especial de Planejamento – ASSEPLAN – órgão encarregado das atividades de Planejamento, Utilização e Distribuição do Espaço Físico na UFSC.
1984 a 1988
Implantada a Pró-Reitoria de Planejamento – PROPLAN – responsável pela elaboração do Plano de Ação da UFSC (1985,1986 e 1987).
Continua... 1988 a
1992
O Conselho Universitário inicia os estudos para a Reforma Universitária. Implantada a Secretaria de Planejamento. Desenvolvido o Programa de Ação para a Gestão 88/92, que teve como princípio a utilização racional e otimização dos recursos materiais, financeiros, orçamentários e humanos disponíveis.
Cronologia Processo de tomada de decisão 1992 a
1996
As ações do planejamento são retomadas, sob a responsabilidade da Secretaria Especial de Planejamento. O primeiro momento consistiu da análise dos procedimentos de planejamento anteriores, assim como de discussões com especialistas na área para definir o modelo de planejamento mais apropriado. Foi realizado um Seminário de Planejamento Estratégico e construído o Plano estratégico da UFSC.
1996 a 2004
O Planejamento da UFSC está apresentado no Plano Institucional da UFSC, composto por ações estabelecidas para o período de 2000 a 2004. O Plano define Estratégias (macro estratégias e microestratégias) e Ações prioritárias para as seguintes áreas: Ensino de Graduação, Ensino de Pós-Graduação, Educação Básica, Pesquisa, Cultura e Extensão, Gestão, Divulgação, Recursos Humanos, Captação de Recursos Financeiros e Infraestrutura. 2004 a
2008
Nesse período foi extinta a Secretaria Especial de Planejamento e criado o Programa Integrado de Planejamento. O Planejamento foi formalizado pela equipe de dirigentes da Universidade com a responsabilidade de definir as linhas de ação político- administrativas e os seus objetivos institucionais. Elaborado o primeiro Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI – Elaborado o Projeto para o programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI.
2008 a 2012
Implantada a Secretaria de Planejamento e Finanças - responsável pela reestruturação da área de planejamento da Universidade.
Fonte: UFSC, (2011)
Como se pode observar, a cultura do planejamento na Universidade Federal de Santa Catarina não está totalmente institucionalizada. A implementação do Planejamento sofre a interferência direta do seu principal gestor. Como foi identificado ao longo do período, os avanços e retrocessos ficaram evidenciados nas mudanças de reitores. Não há uma continuidade no processo de implantação e na definição de uma política para as atividades do planejamento.
O planejamento estratégico é, de forma geral, entendido como um processo no qual a instituição define seu futuro desejado e as formas efetivas de fazê-lo acontecer (ANSOFF, MCDONNEL, 1993, p.53). Nesse sentido, não é uma caixa de soluções mágicas ou mesmo um amontoado de técnicas, ou uma previsão de resultados e não se trata de decisões futuras, mas de decisões atuais que podem comprometer futuras decisões (DRUCKER, 1998).
Uma pesquisa realizada em 38 Instituições de Ensino Superiores (IES) pela HOPER GROUP com apoio da SUGARD HIGHER EDUCATION para avaliar: “A Evolução das Práticas de Gestão das Instituições de Ensino Superior Brasileiras no período de 2001-2010”, em um dos itens avaliados identificou que pouco menos de 37% das IES pesquisadas utilizam indicadores para auxiliar na gestão estratégica, isto significa que muitos planejam em vão. Na realidade, os gestores públicos de maneira geral têm dificuldades de pensar o planejamento ao longo prazo e normalmente as metas programadas não passam do exercício financeiro.
A pesquisa também faz referência à forma que são tomadas as decisões gerenciais nas Instituições de Ensino, em sua maioria, com base em acontecimentos passados, através de um modelo linear de projetar para o futuro a continuidade do que ocorreu no passado. Este modelo mental de gestão vem comprometendo as decisões estratégicas, pois cria um condicionante que impele a replicar um passado que não existe maise colocar metas com base em um cenário inexistente.
Entre as dificuldades apresentadas, um fator associado à prática do planejamento estratégico no setor público, especificamente nas universidades públicas, é a descontinuidade das ações de uma gestão para a outra, implicando comprometimento de recursos e investimentos aplicados (IPEA, 2005).