Esse documento defende algumas concepções sobre a construção da identidade e da autonomia, fusão e diferenciação, construção de vínculos, expressão de sexualidade. Além de tratar da aprendizagem por imitação, brincadeiras, oposição, linguagem e apropriação da imagem corporal.
Nesse volume, é defendida a ideia na qual as instituições de educação infantil constituem-se em espaços de inserção das relações éticas, morais e de socialização entre as crianças, contribuindo para que o reconhecimento do outro e a constatação das diferenças entre as pessoas juntamente com as relações estabelecidas para que sejam valorizadas e aproveitadas para o enriquecimento de si próprias. Nas interações sociais, também serão ampliados os laços afetivos que as crianças estabelecem com as outras crianças e com os adultos.
O desenvolvimento da identidade e da autonomia esta relacionado, pelo documento, com os processos de socialização. Nas escolas de educação infantil deve ser priorizado esse
aspecto de sociabilização escolar, pois a escola é uma extensão da família no sentido de que ao ingressar na escola a criança estará aumentando as relações com os diversos sujeitos, tanto com outras crianças como com adultos. Ou seja,
O ingresso na instituição de educação infantil pode alargar o universo inicial das crianças, em vista da possibilidade de conviverem com outras crianças e com adultos de origens e hábitos culturais diversos, de aprender novas brincadeiras, de adquirir conhecimentos sobre realidades distantes (BRASIL, 1998b, p.13).
Segundo o Referencial, a construção da identidade é gradativa e se dá por meio de interações sociais estabelecidas pelas crianças. A criança precisa desenvolver essa distinção entres os sujeitos. Para desenvolver sua identidade própria ela necessita diferenciar-se dos outros, pois o conceito de identidade pressupõe a ideia de distinção, a começar pelo nome, seguido de características físicas, modos de ser e história pessoal. As crianças irão perceber os outros e elas mesmas como diferentes, possibilitando assim, acionar seus próprios recursos, o que representa um passo importante, o desenvolvimento da autonomia.
No Referencial o conceito de autonomia é defendido:
[...] como a capacidade de se conduzir e tomar decisões por si próprio, levando em conta regras, valores, sua perspectiva pessoal, bem como a perspectiva do outro, é, nessa faixa etária, mais do que um objetivo a ser alcançado com as crianças, um princípio das ações educativas. Conceber uma educação em direção á autonomia significa considerar as crianças como seres com vontade própria, capazes e competentes para construir conhecimentos [...] e interferir no meio em que vivem (BRASIL, 1998b, p.14).
Ao conceito de identidade e autonomia, esse volume, relaciona também as vivências de fusão e diferenciação, construção de vínculos e as questões da sexualidade infantil.
Ao nascer o bebê encontra-se ainda numa relação de fusão com a mãe, não conseguindo se diferenciar dela. Mas os desejos e necessidades dele não são iguais aos desejos e necessidades da mãe, algumas vontades do bebê não serão atendidas de imediato fazendo com que ele se frustre. Essa frustração deve existir e é importante que o professor saiba trabalhar com ela, favorecendo a diferenciação do outro e colaborando para o desenvolvimento pessoal da criança (BRASIL, 1998b).
Aos poucos o bebê vai adquirindo consciência do seu próprio corpo e dos seus movimentos por isso a exploração do corpo é importante pra ele se reconhecer enquanto
individuo separado da mãe. Será por meio dos primeiros cuidados que a criança perceberá sua existência e a existência do outro, e irá aprofundando o conhecimento de si mesma, e assim irá ampliando seus conhecimentos a respeito do mundo (BRASIL, 1998b).
O professor encontra, nesse volume do Referencial, informações teóricas que sustentarão as atividades a serem realizadas na instituição educacional.
Quanto menor a criança, mais atitudes e procedimentos de cuidados dos adultos são fundamentais para o trabalho educativo a ser realizado. Na escola ao estabelecer relações com os adultos, seja com o professor ou com os auxiliares cuidadores, o binômio dar e receber possibilita que as crianças aprendam sobre si mesmas e estabelecem uma relação de confiança com o outro. Entre as crianças e as pessoas que cuidam delas, interagem e brincam com elas se estabelece uma forte relação afetiva, e o professor deve estar preparado para trabalhar com a expressão de afeto das crianças bem como com expressão de sentimentos como raiva, frustração, amor, encantamento, entre outros (BRASIL, 1998b).
Na visão do referencial, o professor, além de cuidar, irá mediar os contatos dela com o mundo, atuando com ela, e interpretando juntamente com a criança o mundo ao seu redor. As pessoas com quem as crianças constroem fortes vínculos afetivos são seus mediadores principais, sinalizando e criando condições para que as mesmas adotem condutas, valores, atitudes e hábitos necessários à inserção da cultura em questão.
Outra questão, abordada pelo documento, fundamental para a construção da identidade e autonomia, é a questão da sexualidade. A relação das crianças com o prazer se manifesta de forma diferente da do adulto e em momentos diferentes de sua vida elas podem se concentrar em determinadas partes do corpo mais do que em outra. O referencial desvenda essas fases aos professores numa linguagem fácil, e de maneira didática possibilita o acesso a informações teóricas que embasam a sua prática pedagógica.
Esse segundo volume pontua também, logo após tratar as questões de afeto e sexualidade, alguns tópicos como aprendizagem, imitação, brincar, oposição, linguagem e apropriação da imagem corporal na criança, tópicos esse que devem ler levados em conta no trabalho pedagógico realizado com as crianças.
Para se desenvolverem as crianças precisam ampliar as suas relações sociais, interações, e formas de comunicação.
A imitação é típica nas crianças, chamada também de jogos de imitar, é um recurso utilizado pelas crianças em favor do aprendizado. A imitação expressa a capacidade que a criança tem de observar e aprender com os outros e deve ser explorada pelo professor de
educação infantil, juntamente com brincadeiras que explorem a imitação e também a oposição que é onde a criança irá se diferenciar do outro.
A linguagem também é indicada pelo documento como favorável ao desenvolvimento da criança, favorecendo inclusive a apropriação da imagem corporal. O uso que a criança faz da linguagem fornece indícios quanto a diferenciação entre o eu e o outro, enriquecendo também as possibilidades de comunicação e expressão e dando apoio a socialização como todos ao seu redor.
Por meio das explorações que a criança faz, do contato físico que estabelece com os outros e da convivência em geral, ela aprende sobre si, sobre seu corpo e vai aprendendo a utilizar também a linguagem corporal.