RECOMMANDATION D’APA A LA CONSTRUCTION D’UN
1.1 L’APA en dehors des préoccupations des patients
1.1.1 Les APA : des dispositions manquantes
Ainda que a voz oficial do Carnaval ostente uma posição de poder que lhe confere grande visibilidade, a voz informal revela narrativas que tornam visível a potencialidade do Carnaval para criar discursos de reconciliação. No entanto, a festa está integrada por inúmeras expressões que fogem às lógicas dominantes e comerciais impostas, pois como espaço Ch´ixi, é um espaço contraditório, que alberga diversidade. Neste sentido, mesmo que o Carnaval exclua temporariamente as rotinas quotidianas, o que nele acontece cria relações e dinâmicas que transcendem a sua limitação temporal.
Portanto, ainda que se reconheça que as liberdades que o Carnaval permite estão cada vez mais restritas e descaracterizadas por conta do carácter comercial que tem vindo a assumir, a sua voz informal ganha vida em modos discursivos que também escapam à norma e que apelam ao uso do corpo e dos sentidos para construir discursos e diálogo. Os participantes do Carnaval encontram-se nos espaços públicos e, paralelamente às actividades oficiais, geram-se dinâmicas carnavalescas de interacção física que implicam aproximação, partilha e contacto, propiciados pelo ambiente de familiaridade que o ritual suscita.
Como vimos, além do Carnaval de Pasto ser reconhecido por ter actividades que “pensam nos mais novos”, o trabalho de campo permitiu observar que no Carnaval a participação tanto dos espectadores como dos criadores (como vimos com os artesãos) se faz geralmente em família. Por exemplo, a procura e apropriação do espaço público para a venda de lugares desde onde
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ver os espetáculos, são iniciativas tomadas em família. Durante os eventos oficiais encontramos famílias de pessoas que moram na cidade, que são originárias dali e que têm o seu núcleo familiar em Pasto, mas também muitos turistas nacionais que vêm de outras cidades, em família, para assistir ao espetáculo. Da mesma forma que acontece com os artesãos, tal conduz a que se conservem estruturas de poder e lógicas de pensamento que regem a vida quotidiana. No entanto, como espaço Ch´ixi, essa familiaridade ao encontro da diversidade que sugere o Carnaval é propícia à criação de novas narrativas assentes em lógicas de confiança e intimidade, e que começam em atividades como o jogo e a dança.
Para esta análise destaca-se o jogo em detrimento da dança, por ser um elemento característico do carnaval de Pasto. A performance que se cria com o jogo tem um carácter físico e gestual muito rico, que permite encontrar na sua encenação pontos de encontro entre diversas narrativas, de pessoais a colectivas. O jogo reconhece-se como um lugar-comum da identidade
pastusa, que por ser uma performance que não necessita de ser mediada por palavras, acolhe
possibilidades de grande proximidade e confiança. O jogo implica uma interação física com o outro, com o seu corpo. Implica, portanto, o reconhecimento do outro como igual, de alguém que também dialoga comigo, que também me quer pintar.
Da mesma forma, os discursos de reconciliação também têm uma materialidade, mais visível nuns lugares (os julgados ou os ETCRs) do que noutros. No Carnaval, a performance da reconciliação podia juntar-se à performance carnavalesca, apoiada na partilha de um espaço de festa comum. No entanto, percebemos ao longo da investigação que, dentro da performance carnavalesca, esta partilha ainda está limitada às expressões próprias deste espaço que não permitem nomear o outro. Ou seja, é uma interação que nasce e permanece no seio das lógicas físicas do Carnaval, do mascarar, e que não pode ser ainda traduzida por palavras.
Disto nos dá conta a resposta de Álvaro Álvares que conhece profundamente a situação actual da reconciliação em Nariño, quando se lhe perguntou como estavam a experienciar o Carnaval os ex-guerrilheiros que agora vivem em Pasto:
Se ninguém sabe que são Farc, pois é normal, vai ser normal. Mas se as pessoas sabem que são Farc, as pessoas cá em Nariño têm muito medo das Farc, sim, e nas cidades têm terror. Sim, as pessoas cá em Pasto ouvem ex-combatente e correm. Sim, é complicado. (Entrevista 1, 2019)
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Permitimo-nos então afirmar que a Colômbia ainda não está preparada para encarar muitas das realidades envolvidas no processo de paz. O discurso do “evangelho global do perdão e da reconciliação” a que Castillejo-Cuéllar (2016) faz referência, ainda está longe da realidade colombiana. Aquele discurso desejado de que a reconciliação é fácil e rápida é uma hipótese utópica que, se não for desmontada continuará a criar expectativas que não correspondem à realidade e que, pelo contrário, tiram espaço à construção de um processo que vá ao encontro da realidade. Como diria Zuleta (2015), não devemos idealizar a paz, devemos aprender a viver em harmonia com os nossos conflitos:
A erradicação dos conflitos e sua dissolução numa cálida convivência não é uma meta alcançável, nem desejável, nem na vida pessoal – no amor e na amizade – nem na vida coletiva. É preciso, pelo contrário, construir um espaço social e legal no qual os conflitos possam manifestar-se e desenvolver-se, sem que a oposição ao outro leve à supressão do outro. (p.24)
Neste contexto, existem ainda no processo de paz muitos espaços encobertos, que precisam de ser tornados visíveis, nomeados e aceites. Nesse sentido, o espaço-tempo carnavalesco permite, com a máscara, e no caso de Pasto com o disfarce que cria a pintura do jogo, um espaço de convivência e contacto com um outro que não identificamos necessariamente. É por isso que para fazer esta leitura precisamos de colocar de lado as palavras e focarmo-nos na leitura dos discursos que o jogo permite a partir da sua performatividade.
É no jogo que podemos encontrar a performance do discurso de reconciliação. É aqui, nas vozes das pessoas, que se torna possível encontrar novas retóricas sociais. É no toque que podemos alcançar a transgressão do espaço carnavalesco, como um ponto de partida para as novas relações de uma Colômbia com desejos de reconciliação.
Retomamos a proposta de Silvia Rivera Cusicanqui, baseada no pensamento indígena, de “utilizar conceitos-metáfora que ao mesmo tempo descrevem e interpretam as complexas mediações e a heterogénea constituição da nossa sociedade” (p. 17). E assim pensamos os discursos deste Carnaval como conceitos-metáfora que dão conta da forma como se falam e como se calam certas realidades sociais na Colômbia contemporânea. Nesta linha, o carácter criativo do Carnaval é já, em si, um acto político.
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No jogo encontra-se a possibilidade do acto criativo. A performance dos corpos que se tocam e se pintam neste espaço/tempo ritual resume a essência do discurso de reconciliação do Carnaval como experiência política criadora. O Carnaval, como disse Tobar (2013), cria mundos possíveis, nós podemos acrescentar que tem a capacidade de criar “Colômbias possíveis”. O carnaval tem a potencialidade de ser gestor de experiências de reconciliação que começam na partilha de uma mesma realidade. Por fim, é importante afirmar que o Carnaval evoca a realidade colombiana como uma sociedade com desejos de paz, mas que ainda não o consegue nomear.
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Conclusão
O Carnaval é uma performance que encerra diversos e variados discursos. Este espaço sociocultural, pelo seu carácter ritual consegue, simultaneamente, afirmar e subverter dinâmicas sociais que expressam determinadas estruturas hegemónicas, consubstanciando-se enquanto lugar de ruptura e de transgressão das normas que conformam o status quo. Não obstante a presença de dinâmicas de poder que regem a vida quotidiana que envolvem, entre outras, relações a nível político, social e comercial, moldam, limitam e corrompem a ideia do Carnaval enquanto ritual de desordem e liberdade. Contudo, este estudo permitiu explorar o cariz resiliente desta festividade e perceber que nela se geram espaços de permissividade que podem potenciar a transgressão daquelas estruturas. Neste sentido, a investigação permitiu-nos entender o Carnaval como um espaço Ch´ixi, um espaço de encontros e de diferenças que torna visível e materializa muitas das condições e contradições da sociedade colombiana contemporânea.
Ainda que o Carnaval fale de mundos imaginários através de cenários fantásticos, as suas narrativas perpetuam e assinalam hierarquias, diferenças sociais e estruturas de poder. Como bem nota Rodríguez (2002) “O Carnaval constitui, assim, uma verdadeira encenação dos lugares sociais, de instrumentos de reprodução social, de relações sociais, de hierarquias ou de utopias práticas” (p. 54). Podemos ler estas palavras como uma afirmação do carácter Ch´ixi do Carnaval, que permite acolher ao mesmo tempo a ideia de utopia e o reconhecimento da representação hierárquica. No espaço-tempo do Carnaval existe, pois, oportunidade de viver a possibilidade da utopia de todos esses mundos imaginados e desejados. É nesta delimitação espácio-temporal de liberdade que se afirma que, fora dela, se vive num mundo hierarquizado e normativo.
A linguagem carnavalesca definitivamente não se encontra nas palavras; a sua língua é a
performance da imaginação. Assim, como espaço Ch´ixi, o Carnaval de Negros y Blancos não
apresenta um discurso único, mas elementos e perspectivas diferentes sobre o panorama nacional no que à reconciliação diz respeito. Estamos perante uma clara dicotomia entre um discurso normativo e um discurso transgressivo, manifestos em diferentes vozes. Existe, por um lado, a voz oficial, que o Carnaval enquanto instituição evidencia, e que foi possível observar nos eventos institucionais através da observação-participante, e por meio das
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entrevistas semi-estruturadas realizadas a artesãos e gestores culturais. Por outro lado existe a voz informal, que emerge na performance carnavalesca, nas interações do jogo e a que acedemos também por via do trabalho etnográfico, e em particular através da observação- participante, das entrevistas semi-estruturadas e das conversas informais.
Na procura e escuta destas vozes, percebemos que o Carnaval fala conforme as suas características de abundância, diversidade e multiplicidade. Cada uma das vozes revelou, assim, as narrativas que dão corpo aos discursos de reconciliação que aqui são lidos como o discurso normativo e o discurso da esperança.
O discurso normativo apresenta dinâmicas sociais hegemónicas nas quais o Carnaval está imerso, e que também condicionam o engendrar da reconciliação. A tendência para a comercialização do Carnaval como marca e, logo, a procura da espetacularidade, tem feito com que este se tenha focado unicamente em representar narrativas fantasiosas alusivas a universos míticos, não só da cultura que lhe é própria como de culturas estrangeiras. Estas narrativas não expressam uma postura crítica clara sobre o processo de paz. Pelo contrário, com a prerrogativa de voz oficial procuram promover uma imagem de certa forma caricatural e um pouco idealizada da cultura andina e das estruturas sociais, como vimos em momentos como a Llegada
da Família Castañeda e no Desfile Magno.
Todavia, este discurso normativo não se limita às narrativas da voz oficial. Também na voz informal estão patentes lógicas de poder que se afirmam e reproduzem fora dos espaços das atividades oficiais e das lógicas comerciais, condicionando, assim os discursos que aí se geram.
Assim, pensamos poder concluir que o discurso normativo, não apenas sustenta as estruturas hegemónicas da sociedade, como também promove um discurso de reconciliação que podemos relacionar com o discurso das instituições estatais, e que os teóricos denominam de “Evangelho global da reconciliação” (Castillejo-Cuellar, 2019), pelo facto de promover valores idealizados que não correspondem ao processo real que se vive no país. Isto porque, na Colômbia, a guerra ainda não terminou, e a carência de ações por parte do Governo para a implementação dos acordos de paz tem contribuído para a persistência da crise humanitária (Suárez, 2019). Também este aspecto adquire visibilidade no Carnaval de Pasto.
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Já o discurso da esperança apresenta um panorama bastante diferente. Mostrou-nos a investigação que ainda existem espaços em que as manifestações próprias do Carnaval conservam o carácter íntimo, amistoso e de proximidade tão distante das lógicas comerciais. Foi aí que confirmámos o potencial criativo do espaço-tempo carnavalesco, ao possibilitar interações que não ocorreriam no quotidiano. Neste caso, o jogo revelou-se-nos como o único espaço onde emerge a performance do discurso de reconciliação. No jogo dialoga-se com o outro. Ali reconhece-se e vive-se a diferença na própria pele através do brincar, do humor, da cumplicidade. É principalmente ali que se promove o encontro de pessoas de origens diversas e se criam possibilidades de convivência na diferença.
O jogo foca-se na sensibilidade, nos sentidos e na comunicação corporal propiciando o surgimento de laços que, pouco a pouco, poderão contribuir para restaurar a confiança e reconstruir o tecido social. Embora sendo um evento público, gera um ambiente de intimidade por ser vivenciado pelo e com o corpo, o que promove aproximações que vão para além das palavras.
No entanto, impõe-se-nos ressaltar que tal sucede, devido ao facto destes espaços serem mascarados, e onde a convivência ocorre desligada das verdadeiras identidades do quotidiano de cada um. Tal é, a nosso ver, muito significativo, já que o direito à verdade, plasmado no acordo, é tido como um dos pontos mais importantes no processo de reconciliação. As vítimas devem ter acesso à verdade do que aconteceu no conflito para que, sobre essa verdade se possa concretizar uma justa reparação e construir uma realidade futura distinta. Assim, entendemos o
jogo como um gesto tímido que, de forma burlesca, utiliza este espaço festivo para iludir as
dificuldades do povo colombiano em solucionar os seus conflitos.
Não obstante, o jogo revelou-se aos nossos olhos como espaço propício ao rompimento com os estereótipos criados pela guerra, na medida em que o diálogo que ali se estabelece implica, antes de mais, o reconhecimento, a compreensão e a reprodução de emoções alheias. Ainda que por um só dia, a dinâmica do brincar com pinturas permite a cada um o estar no papel de um outro, numa representação assumida da diferença. Simbolicamente, o jogo permite o estar
na pele do outro, o que, pensando em termos de reconciliação, consideramos ser fundamental,
pois sublinha a importância da saída da zona de conforto, própria de cada um, para se identificar momentaneamente com um outro, compreendendo e reproduzindo as emoções deste como se
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fossem suas, na perspectiva da vítima, do soldado, do guerrilheiro, do ex-guerrilheiro, do político, do pai, do vizinho, do irmão, do amigo… tendo ou não vivido a guerra, desencadeando, assim, respostas de altruísmo e solidariedade desenvolvidas através da empatia.
Conceitos como reconciliação, paz e perdão são difíceis de definir no âmbito académico e mais ainda no âmbito das vivências da vida quotidiana. Apesar do discurso institucional do processo de paz colombiano ter muito presente estes conceitos, provenientes principalmente do âmbito académico e político, ao confrontarmos a revisão da literatura com os dados recolhidos no trabalho de campo, verificámos que persiste uma distância abissal entre realidade social e a realidade académica, o que tem consequências na forma como está a decorrer a implementação dos acordos.
Assim como se afirmou no início deste trabalho que nas cidades se experienciou a guerra mediada pela televisão, podemos pensar que com a reconciliação se tem mantido a mesma dinâmica. Pudemos lê-lo nos discursos de reconciliação observados no Carnaval, os quais testemunhavam uma realidade citadina cuja perceção da guerra se construiu à distância e que, por isso, não apresenta uma posição política ativa no que respeita ao processo de paz e de reconciliação em curso.
Sendo este o caso, percebeu-se que o caráter ritual da performance funciona mais para reafirmar hegemonias do que para as transgredir. A repetição das dinâmicas do Carnaval descritas valida institucionalmente a conversão de um espaço popular de caráter cultural num espaço regido por dinâmicas de caráter comercial, que mascaram e reduzem a expressão dos discursos de reconciliação.
O lugar de privilégio e “segurança” que a cidade oferece, leva muitas vozes pessoais testemunhas da guerra a ficarem de fora das narrativas coletivas. O processo de paz encontra- se num estado crítico, pelo que a implementação dos acordos é tão necessária quanto urgente. Consideramos, portanto, imperativo o ir-se para além dos discursos idealistas, assumindo ações de reconciliação que envolvam todos os atores do processo - ex-guerrilheiros, governo e sociedade civil - para que os lugares comuns da reconciliação deixem de estar confinados aos espaços ocupados pela guerra ao longo dos anos e se possam criar, deste modo, narrativas de reconciliação mais abrangentes.
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Desta forma tomamos de novo as palavras de Rivera Cusicanqui (2018), quando incentiva a que na América Latina se fale com palavras e conceitos próprios que não olhem para ilusões de mundos distantes, mas que construam realidades coerentes. Os resultados da investigação mostram-nos que ainda há dificuldade em traduzir por palavras os processos de reconciliação que efetivamente estão a acontecer. No entanto, nos espaços silenciosos onde os gestos ganham espaço e os corpos falam, é possível promover ações de reconciliação, pois falar dela é ainda uma dificuldade.
Na Colômbia, nem o processo de paz, nem a guerra, se podem dar por concluídos. A responsabilidade que a sociedade colombiana tem na construção e continuação deste processo de paz, mantém o mesmo grau de exigência. Nesse sentido, espaços Ch´ixi, como é o caso do Carnaval, revestem-se de grande importância, pois podem ser os promotores das dinâmicas de reconciliação no reconhecimento das contradições que a sociedade acolhe. Estes espaços criativos têm a responsabilidade de falar, de denunciar e de construir. Falar sobre a memória, denunciar a falta de ação na implementação dos acordos e na perpetuação da violência, e construir mundos possíveis a partir da reconciliação. Esta é, na verdade, uma responsabilidade histórica.
Assim, concluímos que o Carnaval de Negros y Blancos de 2019 enquanto performance silenciosa é lugar de possibilidades, de criação e de contradição. Na lógica que lhe é inerente vemos como se torna possível a construção de discursos e espaços de reconciliação inclusivos, que abracem as múltiplas possibilidades que este processo de paz traz para o futuro da Colômbia. No entanto, esses espaços continuam a ser restritos, e tornam patente a grande necessidade que existe de dar força a discursos de reconciliação resilientes, como o discurso da esperança, não deixando de reconhecer o doloroso passado da guerra, pois é importante que a reconciliação não deixe de assentar na utopia, mas é igualmente vital que se reconheça o quão distante dela ainda nos encontramos.
Na Colômbia, no Carnaval, vive-se na própria carne tanto a sua diversidade e abundância, quanto as suas contradições. No entanto, para construir uma paz genuína e estável, é preciso continuar a trilhar um caminho de reconhecimento que não tema as palavras, que olhe reconheça, celebre a vida com os outros e, assim, se aproxime da reconciliação, a partir de um lugar de empatia, como no jogo do Carnaval.
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