• Aucun résultat trouvé

Antivaccins, Internet et l’instigation du doute

PARTIE 3 : Origine des freins à la vaccination et pistes d’améliorations

A. Antivaccins, Internet et l’instigation du doute

Espécies florestais com hábito reprodutivo alógamo tendem a apresentar elevadas taxas de diversidade genética, mesmo àquelas submetidas ao processo de deriva genética causada pela domesticação e seleção artificial em programas de melhoramento. Estudos utilizando marcadores microssatélites para avaliação de diversidade de genética comprovam esse fato. Se observarmos por exemplo, o número médio de alelos como um dos parâmetros de diversidade genética esses valores são distintos entre diferentes estudos e diferentes espécies florestais. Em Pinus pinaster, onde uma análise de três locos microssatélites em 23 populações distintas apresentou uma média de 27,33 alelos (MARIETTE et al., 2001). Já para uma população de 192 indivíduos de Populus

tremuloides avaliada para 16 microssatélites, foi verificado um número médio de alelos de 8,25,

variando de dois a 20 alelos nos locos avaliados (COLE, 2005). Collevatti, Grattapaglia e Hay (2001) encontraram uma média de 23,7 alelos ao avaliar 10 microssatélites em 314 indivíduos de

Caryocar brasiliense e Azevedo et al. (2007) encontraram uma média de 17,7 alelos ao avaliar

sete microssatélites em 480 indivíduos de Manilkara huberi.

O número médio de alelos encontrado nas espécies de Eucalyptus neste trabalho para a bateria de di- e trinucleotídeos variou de sete alelos para E. dunnii a 10,75 alelos para E. grandis, valores esses intermediários aos encontrados nos estudos anteriores com outras espécies florestais. Resultados semelhantes para espécies do gênero Eucalyptus também foram encontrados por (BRONDANI et al., 1998), onde 15 microssatélites dinucleotídeos foram genotipados e foi encontrado um número médio de alelos de 11 para E. grandis e 11,8 para E.

urophyllla. Ottewell et al. (2005) genotiparam nove microssatélites di- e trinucleotídeos em duas

populações de E. leucoxylone encontraram uma média de 12,3 alelos por loco. Valores intermediários também foram encontrados para o gênero Corymbia, apresentando um número médio de 9,7 alelos em uma análise envolvendo oito microssatélites dinucleotídeos distintos dos utilizados no presente trabalho (OCHIENG et al., 2007).

Ainda no gênero Eucalyptus, Faria et al. (2010) verificaram valores inferiores de número médio de alelos para microssatélites derivados de ESTs, apresentando uma média de 8,3 para

dinucleotídeos e 5,5 para trinucleotídeos. O número médio de alelos para microssatélites dinucleotídeos derivados de seqüências não gênicas encontrado na caracterização dos locos realizada por Brondani et al. (2006) foi de 14,3 e no presente estudo o número médio de alelos entre todas as espécies proveniente de locos em sua maioria derivados de seqüências não gênicas foi de 9,2. A comparação do número de alelos entre esses estudos e o estudo atual sugere que os microssatélites derivados de ESTs, por estarem localizados em regiões codificantes, são seqüências possivelmente mais conservadas que apresentam uma menor taxa de mutação, refletindo na presença de um menor número de alelos por espécie.

Outro ponto a ser ressaltado é que uma vantagem dos locos derivados de EST é que os mesmos possuem uma maior taxa de transferibilidade entre diferentes espécies e até mesmo diferentes gêneros, pelo mesmo fato de estarem localizados em regiões mais conservadas e com menor variação nos sítios de anelamento dos primers. No entanto, o menor grau de polimorfismo não significa que os locos derivados de EST possuem menor conteúdo informativo para fins de avaliação de paternidade e identificação individual, pois isso depende também da distribuição de frequências alélicas.

O valor médio de PIC, verificado para a bateria de 24 microssatélites di- e trinucleotídeos (19 destes de origem genômica), para as seis espécies foi de 0,714. Faria et al. (2010) encontrou um valor médio de PIC, também para seis espécies de Eucalyptus, de 0,751 para 10 locos dinucleotídeos derivados de EST e um valor médio de 0,636 para 10 locos trinucleotídeos derivados de EST. A comparação entre os valores obtidos mostra que apesar do maior número de alelos presente nos locos genômicos, o conteúdo informativo de um loco não depende apenas do número de alelos. Alguns alelos encontrados em microssatélites genômicos são raros e de baixa freqüência, fornecendo apenas uma ínfima contribuição para a heterozigosidade observada final (Ho), e conseqüentemente, para parâmetros relevantes como o PIC, PE e PI.

Uma diferença significativa foi observada na taxa de polimorfismo entre a bateria de locos di- e trinucleotídeos e a bateria de locos tetra-, penta- e hexanucleotídeos. Enquanto a média do número de alelos entre as seis espécies para os locos di- e trinucleotídeos foi de 9,2, a média encontrada para os locos tetra-, penta- e hexanucleotídeos foi de 4,68. Podemos afirmar que essa diferença não se deve simplesmente à origem da seqüência do microssatélite (genômico ou EST), já que todos os locos microssatélites tetra-, penta- e hexanucleotídeos utilizados neste

trabalho são derivados de ESTs. O menor número médio de alelos encontrados pode ser explicado pelo processo natural de mutação dos microssatélites, onde quanto menor o motivo de repetição, mais fácil o erro de replicação pela polimerase, maior a taxa de mutação e maior o polimorfismo devido à geração de novos alelos (CHAKRABORTY et al., 1997; ELLEGREN, 2004), um fenômeno muito comum em espécies de plantas (VIGOUROUX et al., 2002).

Além da diferença encontrada no número médio de alelos, o conteúdo de informação genética presente nos locos com maior motivo de repetição também foi menor. Enquanto o valor médio de PIC entre as seis espécies para os locos di- e trinucleotídeos foi de 0,714, o valor para os locos tetra-, penta- e hexanucleotídeos foi de 0,518. A menor taxa de polimorfismo e conteúdo informativo em locos com maior motivo de repetição já foi verificado para espécies de

Eucalyptus em outros trabalhos. Faria et al. (2011) encontrou uma média de 4,42 alelos e um

valor médio de PIC de 0,505 em uma análise de 21 microssatélites com motivo de repetição maior ou igual a quatro pares de base para quatro espécies de Eucalyptus.

O conteúdo informativo dos microssatélites baseados em di- e trinucleotídeos é consideravelmente maior quando comparado aos microssatélites baseados em tetra-, penta- e hexanucleotídeos para fins de identificação individual, proteção de cultivares e avaliação de paternidade, fato que pode ser verificado pelo maior número médio de alelos e maior valor médio de PIC em todas as seis espécies de Eucalyptus. A explicação para isso é que a menor taxa de mutação presente em locos com maior motivo de repetição faz com que estes apresentem uma menor diversidade alélica. O menor número de alelos acaba por diminuir o poder informativo desses locos para análises de identidade genética e paternidade, o que pode ser contornado, entretanto, com o uso de um maior número de marcadores.

A vantagem dessa bateria de marcadores com maior motivo de repetição é a distinção facilitada dos alelos, o que se reflete em uma maior robustez da genotipagem final. Locos com maior número de repetição são utilizados em análises genéticas em humanos para análises de identidade genética e paternidade (REEDER, 1999; RUITBERG, REEDER e BUTLER, 2001). O uso desses locos permite também a mais fácil universalização de painéis entre diferentes laboratórios com diferentes sistemas de genotipagem automatizada.

Analisando cada espécie individualmente, E. grandis foi a que apresentou o maior número de alelos, tanto para a bateria de di- e trinucleotídeos (10,75) quanto para a bateria de tetra-, penta- e hexanucleotídeos (5,47). Por outro lado, a espécie menos polimórfica para a primeira bateria foi E. nitens (7) e para a segunda bateria foi E. dunni (4). Faria et al. (2010) também encontrou o maior número de alelos na espécie E. grandis para os locos dinucleotídeos (9,8), no entanto verificaram que para os locos trinucleotídeos essa espécie foi uma das menos polimórficas (5,1). Em relação aos resultados encontrados em locos de tetra-, penta- e hexanucleotídeos, Faria et al. (2011) identificou E. camaldulensis como a espécie com maior número médio de alelos (5,09) e E. grandis como a espécie menos polimórfica (3,95).

Observando todos os resultados em conjunto podemos dizer que ocorre uma grande variação no número de alelos para uma mesma espécie em análises com diferentes conjuntos de marcadores e diferentes indivíduos analisados dentro de cada espécie.

De maneira geral, os resultados obtidos nesse e em estudos anteriores (BRONDANI et al., 2006; FARIA et al., 2010; FARIA et al., 2011) mostram que é possível a montagem de painéis de marcadores microssatélites informativos para identificação individual em programas de melhoramento genético que envolvam diferentes espécies de Eucalyptus.