3. Epidémiologie de la maladie de Crohn
4.2 Le détail des traitements
4.2.5 Les anticorps anti-TNF Alpha
Entre o sexto e o quinto milênio A.C., a região da Mesopotâmia foi ocupada por dois povos que ficaram conhecidos pelas tradições cerâmicas de Samarra e Halaf (BRESSI et al., 2005; HUOT, 1992). Os períodos históricos de ocupação da região por estas duas sociedades foram definidos tendo como base o aparecimento e desaparecimento das cerâmicas de ambas as tradições nas sequência estratigráficas da região (Blackham, 1996; McCorriston, 1992; Oates, 1968). A distinção entre as duas culturas, Samarra e Halaf, decorre não apenas do tipo de
61 cerâmica produzida nas duas sociedades, mas também pelas regiões ocupadas (Campbell et al., 1999). A cultura Samarra habitou a região sul da Mesopotâmia, enquanto a cultura Halaf localizava-se estritamente na região norte (Grossman & Hinman, 2013) (Figura 3.2). Embora as duas culturas tenham precedido o aparecimento de Ubaid, a relação entre elas não é clara.
Figura 3.2 – Mapa adaptado de site da Universidade de Chicago1
A nomenclatura Samarra deriva do nome do sítio onde os primeiros artefatos utilizados para a estocagem e o processamento de alimentos desta cultura foram encontrados (BLACKHAM, 1996). Além da cerâmica associada aos sítios Samarra, que era confeccionada com um tipo específico de argila e processo de queima, também foram encontrados ornamentos (STEIN, 2012) e outros artefatos simbólicos (BLACKHAM, 1996). Entre os sítios Samarra também seria característica a presença de tijolos moldados, que eram utilizados na construção de habitações com o formato ‘T’, tripartidas (HUOT, 1992). Muitas dessas estruturas resistiram à passagem do tempo e são encontradas em vilas e
62 ocupaççoes de períodos posteriores, indicando uma possível relação evolutiva entre Samarra e Ubaid (HUOT, 1992). Entre os principais marcos da tecnologia Samarra estão os canais de irrigação, que aparecem no final do período de ocupação da região por essa cultura, indicando a capacidade tecnológica e de intervenção que esses povos tiveram em seu ambiente (HUOT, 1992).
Apesar dos sinais de sofisticação tecnológica, a complexidade cultural do período Samarra aponta para uma vida ritual e simbólica não institucionalizada. Conforme Oates (1978), não existe qualquer evidência de prática religiosa nos sítios escavados da cultura Samarra. Tratavam-se, portanto, de populações de agricultores, habitando pequenas vilas e sobrevivendo da caça e da domesticação animal. O ponto de maior relevância relativa a esta cultura para este trabalho está no fato da cultura Samarra ter sido a possível predecessora de Ubaid (HUOT, 1992). Segundo análises realizadas por Blackham (1996), a cerâmica Samarra tem uma forte relacão com a cerâmica Ubaid, tanto no seu processo de fabricação, quanto na pintura. De foma que para se entender o processo de transição identificado em Ubaid se faz necessário analisar o histórico de Samarra.
A cultura Halaf, por sua vez, é encontrada no registro arqueológico entre os anos de 5700 A.C. (BRESSI et al., 2005) e 4500 A.C. (MCCORRISTON, 1992), sendo contemporânea e apresentando muitas semelhanças com os hábitos da sociedade Samarra. Entre eles está o fato de que essa cultura foi, também, interpretada como uma de estrutura social igualitária (FRANGIPANE, 2009; ÖZBAL, 2010). Da mesma forma, o nome Halaf foi dado em homenagem ao sítio arqueológico onde foram encontrados os primeiros vestígios materiais desta cultura (MCCORRISTON, 1992). Sua estrutura social era baseada em pequenas comunidades que cooperavam entre si apresentando, provavelmente, uma certa integração regional (FRANGIPANE, 2009). Traço que, acredita-se, poderia ter sido herdado dos povos que ali viviam antes do aparecimento de Halaf (CAMPBELL et al., 1999).
Em geral, as vilas Halaf eram pequenas, raramente tendo mais do que dois ou três hectares (CAMPBELL et al., 1999), sua disposição semelhante entre as diferentes ocupações não apresentaram nenhum vestígio da existência de uma relação
63 hierárquica entre os indivíduos que a formavam. Entretanto, existem evidências de um local habitado pelos Halaf que chegou a ter 20 hectares de área (CAMPBELL et al., 1999), o que demonstra certa, ainda assim, a possibilidade da heterogeneidade entre as ocupações no período. Outro marco das construções dos Halaf foi o uso de poços para acumular e armazenar água, tornando sua agricultura de certa forma menos dependente do regime de chuvas da região (WILKINSON, 1990).
Embora para alguns autores (MCCORRISTON, 1992) as evidências arqueológicas indiquem muito pouco sobre a organização social dos povos da cultura Halaf além da forma de ocupação das vilas, outros autores entendem que tratavam-se de uma população crescente, a qual associada à estrutura social igualitária, deveria ter lidado com seu crescimento através da fissão dos grupos e da ocupação de novas áreas (FRANGIPANE, 2009), mantendo assim suas relações de igualdade. Outros, no entanto, vêem na superioridade tecnológica de Ubaid a razão para o desaparecimento de Halaf (CAMPBELL et al., 1999) que teria sido substituída por Ubaid conforme será visto a seguir. O que sabe-se, no entando, é que foi entre os Halaf que surgiram as primeiras estruturas associadas a templos, marcando o aparecimento material da prática religiosa (OATES, 1978) e abrindo espaço para o que viria a ser parte importante dos processos de transformação social identificados na cultura que a seguiu.
A cultura Halaf assitiu ao desaparecimento da cultura Samarra, que teria dado origem à cultura Ubaid, conforme será apresentado aqui. A cultura Ubaid espalhou- se pela região sul e, posterioromente, para o norte da Mesopotâmia formando, pela primeira vez, uma única unidade cultural em toda a região (CAMPBELL et al., 1999). Acredita-se que os Halaf, diferentemente de Samarra, teriam sido incorporados pela cultura Ubaid, que era tecnologicamente mais avançada e alcançou contingentes populacionais mais significativos (CAMPBELL et al., 1999; GROSSMAN; HINMAN, 2013). Para Stein (2012), o avanço de Ubaid, que culminou com a assimilação da cultura Halaf, se deu em um processo pacífico de disseminação ideológica e identitária. Ao término desse processo de transformação, no norte da Mesopotâmia, a cultura Ubaid integrou diferentes
64 regiões e práticas de agricultura e domesticação, chegando a substituir quase totalmente a carne de caça em algumas regiões pelo consumo de animais domesticados (GROSSMAN; HINMAN, 2013).