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A Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Porto de Mós não tem dúvidas quanto à adequação do projecto às escolas, estando consciente de que o projecto poderá, porém, resultar melhor numas escolas do que noutras, tendo em conta a preparação e a sensibilização dos professores e dos alunos para as TIC.

A professora Cátia da EB1 do Chão Pardo, inexperiente na utilização das TIC e pouco esclarecida sobre as suas potencialidades no ensino, é da opinião de que “ (…) deveria existir uma sala aparte, uma sala só de informática e que deveria de existir um tempo determinado, por exemplo poderia não ser um dia inteiro poderia ser quanto mais tempo… todas as semanas, por exemplo os meninos poderiam ter duas horas de informática, numa sala aparte, equipada. Eu acho que aí seria mais rentável. E não dentro de uma sala de aula (…)”, considerando que a presença dos monitores perturba o bom funcionamento da aula. Apesar destas afirmações quando questionada sobre se o projecto teria correspondido às suas expectativas afirma positivamente, dizendo que o projecto “foi muito interessante. (…) correspondeu às expectativas”. Admite ainda que os monitores responderam às suas necessidades e que ela, professora, “é que não tinha mais tempo para estar com eles”, referindo novamente a questão do tempo como impedimento do aproveitamento das TIC. Voltaremos a retomar esta questão no ponto 2.7 deste capítulo.

Ora isto leva-nos a pensar que talvez a abordagem feita pelos monitores não tenha sido a mais correcta neste contexto. É facilmente dedutível que o trabalho foi realizado com os alunos na ausência da professora que continuava a tentar leccionar as suas aulas, ignorando a presença dos monitores. Entendemos que a preocupação dos monitores em conferir aos alunos as competências básicas em TIC tivesse levado a esta metodologia de trabalho, contudo consideramos questionável os resultados do seu trabalho, pois, se este não for continuado, de pouca utilidade serão estas poucas horas de formação. Este problema é também referido pela professora Sofia, que acredita que esta metodologia poderá constituir um problema para aqueles professores que se sentem pouco à vontade na utilização das TIC, não se incluindo, no entanto, neste grupo.

Sílvia refere os professores como sendo aquele grupo complicado, existindo muitos professores que não sabem sequer ligar o computador, sendo a formação que chega às escolas já mais avançada. Facto que é confirmado pela professora Cátia que considera não ter vindo a receber a formação de que realmente necessita, por esta já ser muito avançada para os conhecimentos que possui.

“ (…) portanto, eu tenho tido alguma formação, mas não tem sido aquela formação que eu precisava, porque normalmente vou para uma acção de formação e há muitas pessoas que já sabem muita coisa e então começam logo dali de um nível bastante superior daquilo que eu sei. Eu precisava de começar a um nível diferente e eu não me tenho sentido assim muito à vontade. Por exemplo, eu tenho aprendido muito mais com os meus alunos, do que por exemplo com as acções de formação. Eu noto isso” (Prof. Cátia).

Tendo em conta que o projecto visava oferecer as competências básicas em TIC, não nos parece que esta afirmação tenha fundamento, e acreditamos que se trate mais de uma subaproveitamento da formação oferecida pelo projecto, pois este disponibilizou-se para oferecer formação aos professores para além das visitas às escolas.

ƒ “Nós tentamos fazer várias acções de formação, mas (…) os professores a maior parte não aderem (…) Portanto, isto é como tudo, houve alguns professores que aproveitaram a formação e que se empenharam e portanto interessados e colocavam questões e outros simplesmente abandonavam a formação e disseram que não e tomem lá os nossos meninos, estão disponíveis e portanto ensinem-nos.

Em termos de eficácia de formação (…) pelo menos o esforço que nós fizemos, os professores pelo menos, não aderiram” (CPP).

ƒ “ (…) principalmente no segundo ano (…) [pedimos] às pessoas que indicassem necessidade de formação, que se agrupassem, que fizessem grupos de 10 ou 20 pessoas no máximo para nalguma área especifica eles próprios… fazemos alguma formação na medida em que as pessoas que estavam no terreno estariam disponíveis para fazer isso. (…) isso foi aproveitado por muito poucas pessoas” (CPP).

Quanto à adequação do projecto aos alunos, todas as professoras são da opinião de que o projecto está adequado a eles e que quer os professores, quer os monitores, tiveram a percepção de que eles estavam, de um modo geral, muito receptivos, interessados e participativos ao longo das vistas, mostrando-se muitas vezes ansiosos com a chegada dos monitores, que lhes ofereciam um dia diferente, permitindo que muitos contactassem/trabalhassem e brincassem com o computador que muitas vezes ficou arrumado num canto da sala, sem que ninguém lhe pudesse tocar, entre as suas visitas.

ƒ “Os alunos aderiram bem ao projecto e gostaram muito” (M-2).

ƒ “Bem, eles adoraram queriam todos estar no computador, e era complicado todos queriam começar, e tive várias escolas onde era complicado gerir todos queriam ser os primeiros e depois ninguém queria sair” (M-3).

ƒ “Sim é uma novidade, pelo facto de ser melhor estar no computador do que ouvir o professor, portanto começa por aí. (...) quase 100% dos alunos aderiram bem e gostaram, com grande entusiasmo, todos, praticamente todos, (...) e alguns até deu para notar alguma evolução. (...) encontramos alunos que nunca tinham mexido no rato, que no início tinham

alguma dificuldade e que no fim já tratavam o rato por tu. Portanto os miúdos são os grandes vencedores aqui do Pr@net” (M-5).

ƒ “As crianças têm reagido muito bem à nossa presença, adoram trabalhar com os computadores e estão sempre ansiosas pela nossa visita” (M-6).

ƒ “ (…) o ano passado (...) havia um projecto de Banda Desenhada que foi muito giro, eles reagiram muito bem, correu muito bem…” (Prof. Tatiana)

O Coordenador do projecto Pr@net considera que o projecto, tendo, como não poderia deixar de ser, seguido as orientações e os protocolos estabelecidos com a gestão central, se centrou muito em aspectos técnicos, em detrimento dos aspectos pedagógicos. É da opinião que o programa poderia ter tido um impacte mais significativo se os professores tivessem aderido mais às acções de formação complementares, que foram realizadas para além das visitas às escolas.

“eu acho que também a mentalidade tem que ser outra, quer dizer… (...) o trabalhar com a tecnologia, exige outras formas de pensar e portanto muitas vezes as nossas acções, até agora têm-se dedicadas muito às tecnologias, é saber trabalhar como o Word, é saber trabalhar com o Office é muito, é muito virado para os programas, para as tecnologias, e isso não muda a maneira de pensar e trabalhar com a tecnologia é uma outra maneira de pensar e nomeadamente às acções e as barreiras também podem estar aí, são barreiras, barreiras de forma de estar, mentalidades e forma de estar e que têm que ser ultrapassadas com outro tipo de acções, que não são as acções que nós estamos habituados a ver, ligadas às tecnologias… agora vamos dar o Office, depois vamos dar o Animatrope e depois vamos dar o Open Office… quer dizer, as pessoas muitas vezes não vêm isso, nós tentamos que seja integrado, é evidente que depois é preciso haver conhecimentos específicos, mas mas há aqui outro tipo de acções de maior amplitude que podem ser feitas e que se podem desenvolver de outra maneira e que as pessoas não aderem… à questão das tecnologias” (CPP).

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