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ANTECEDENTS

Dans le document 21 février 2019 (Page 7-10)

Nas ciências que tratam da biologia do homem, como indica Izquierdo (2002, p.9) ―memória significa aquisição, formação, conservação e evocação de informações‖. Essa concepção de memória tem uma validade universal uma vez que é uma das premissas essenciais das ciências da biologia do homem (a neurociência ou neurofisiologia do cérebro por exemplo), isto é, se considerarmos o conceito de ciência postulado por Heidegger (2005), para quem a ciência é uma relação de proposições válidas atemporalmente.

Em relação à memória, cabe ressaltar que uma de suas características é o fato dela poder ser evocada. Evocação é aquilo que, ao ser gravado no cérebro, é recuperado como

recordação ou lembrança; são desses movimentos que o eu, enquanto sujeito único na existência, toma consciência do seu lugar no mundo como indivíduo. Mas é também dos esquecimentos que a memória é constituída, daí o axioma nodular da constituição do sujeito: o sujeito é aquele que lembra e esquece. Das lembranças e dos esquecimentos vem à tona, através de uma série de conexões que estão alocadas no cérebro do homem, o acervo da memória.

Mas para que a memória percorra o caminho que deve percorrer, ela é dependente de uma rede de neurônios, que como mostram Dalmaz e Carlos (2004), tem a principal função de comunicar-se com outros neurônios e com os demais órgãos do corpo humano, ou melhor, os órgãos que realizam ações.

Os neurônios possuem o que os cientistas chamam de plasticidade neural, que é justamente a capacidade dessas células de se transformarem e se adaptarem às exigências internas ou externas. Assim como os neurônios, as conexões sinápticas do cérebro (áreas no encéfalo que funcionam como pontos de contato entre os neurônios) também são plásticas. Em decorrência disto, como mostram Dalmaz e Carlos (2004), resulta o postulado de que as mudanças e modificações nas sinapses no sistema nervoso podem indicar o loci do armazenamento da memória.

Ainda assim, esse tema dado, o da localização das memórias no cérebro humano, é pouco esclarecido. Há quem tome essa localização como dada em áreas diferentes do encéfalo, como é o caso do neuropsicológo Donald Olding Hebb (2014) e, nessa perspectiva, é possível dizer que diferentes regiões armazenam diferentes aspectos da memória, como sugerem Dalmaz e Carlos (2004):

essa distribuição das memórias em diferentes regiões encefálicas também depende do tipo de memória e do tempo decorrido após a aquisição da informação. No caso da formação da memória da tarefa de esquiva inibitória, que tem sido um dos paradigmas experimentais em roedores, as evidências implicam a ativação de receptores AMPA (um dos tipos de receptor para o glutamato, um neurotransmissor excitatório) no hipocampo durante as primeiras três horas após o treino. Uma cadeia de eventos bioquímicos é acionada no hipocampo e, pouco tempo depois, diversas estruturas do córtex cerebral também são ativadas. Para a evocação, porém, as estruturas necessárias dependerão do tempo transcorrido após o aprendizado: enquanto o hipocampo é necessário até uns poucos dias após o treino, já não o será após 30 dias. (DALMAZ e CARLOS 2004, p. 31)

Esse pensamento de Dalmaz e Carlos (2004) é corroborado por Izquierdo (2002, p.22), que vai acentuar que ―as memórias são feitas por células nervosas (neurônios), se armazenam em redes de neurônios e são evocadas pelas mesmas redes neuronais ou por outras. São moduladas pelas emoções, pelo nível de consciência e pelos estados de ânimo‖. No cérebro humano existem pelo menos mais de oitenta bilhões de neurônios e são eles, como lembra Izquierdo (2002), os responsáveis pela armazenagem, evocação e modulação da memória. Esses neurônios se ramificam no encéfalo através de prolongamentos; é a partir destes prolongamentos neurais que as informações são transportadas. Basicamente, no cérebro humano temos dois tipos de neurônios, os axônios e os dendritos. O primeiro é responsável pelo envio de sinais elétricos para outros neurônios e o segundo é responsável por receber as informações transportadas. Desses dois tipos resulta a sinapse.

A transferência de informações entre um tipo e outro é feita através de uma substância química chamada de neurotransmissores, as transmissões de sinais entre um neurônio e outro é fundamental para a capacidade do cérebro de processar informações. A memória seria então o resultado de um processo no qual as sinapses se adaptam. Essa determinação estrutural da memória como vista pela biologia em nada afasta o clareamento do que se pensa em outras ciências a respeito do mesmo tema, como veremos mais adiante. Ainda assim, é importante notar que, dentro do fazer dos que se dedicam a estudar o cérebro humano, a memória é constituída das experiências e do esquecimento. Como mostram Dalmaz e Carlos (2004, p. 31) as memórias

não são armazenadas de forma integral e, mesmo estabelecidas e consolidadas, não são permanentes. Este é o fenômeno do esquecimento: somos melhores na generalização e na abstração de conhecimentos do que na retenção de um registro literal de eventos. O esquecimento é fisiológico e ocorre continuamente, enfraquecendo o traço de memória do que foi aprendido.

O esquecer é o mecanismo que a memória utiliza para permanecer plenamente funcional, claro que, ao dizermos ‗ser saudável esquecer‘ dizemos aos casos em que não há patologia no processo de formação da memória, como os casos de Alzheimer que é uma doença neurodegenerativa que prejudica em parte a vida cognitiva do sujeito, ou mesmo a amnésia que afeta os fatos mais recentes da memória.

No livro ‗Memória‘, Izquierdo (2002, p.20) aponta para uma distinção formal entre memória e memórias, para ele ―talvez seja sensato reservar o uso da palavra Memória para

designar a capacidade geral do cérebro e dos outros sistemas para adquirir, guardar e lembrar informações; e utilizar a palavra ―memórias‖ para designar a cada uma ou a cada tipo delas‖. Essa distinção conceitual para nós parece ser adequada principalmente quando a partir dela começamos a imaginar a existência da memória-acontecimento nas materialidades digitais, a generalização do nome ‗memória‘ como ‗memórias‘ evoca para si graus de compreensão díspares sobre o fenômeno, o que nos afasta da essência e nos leva para as objetualidades.

É preciso então uma formalização do que é dado, a formalização surge como distinção do que é generalizado em conformidade com uma referência prévia, a esse respeito é preciso dizer que a memória do homem difere da memória do animal irracional e sobre isso Izquierdo (2002, p.21) mostra um exemplo clarificador: ―a memória que eu possa construir a partir de uma determinada cena ou um acontecimento não é a mesma que fará um cachorro, que tem uma vista muito pior, mas um olfato muito melhor do que eu, e não tem linguagem‖.

Mas é na psicologia experimental, nas últimas décadas do século XIX, que a abordagem da memória enquanto dado natural e correlacionada com a biologia do homem, começa a tomar forma. É desse modo naturalista de pensar a memória que a neurociência e a psicologia cognitiva abordam a questão do lembrar e do esquecer, isto é, se pensarmos que foi somente a partir de 1879 que a psicologia se tornou um ramo dos estudos acadêmicos. É desse lumiar que surge Hermann Ebbinghaus (1885) um dos primeiros a realizar estudos laboratoriais sistemáticos sobre a memória e o primeiro a tratar cientificamente, ainda no século XIX, das questões da memória.

A publicação dos resultados dos estudos empreendidos por Ebbinghaus sobre a existência da memória, datado de 1885, é conhecido como o início dos estudos científicos sobre os processos mentais. É de Ebbinghaus (1885) a noção de que as memórias possuem tempos de duração. As experiências de Ebbinghaus (1885) tinham como pressuposto verificar como se processava os intervalos temporais entre as sensações e a sua devida codificação, as pesquisas buscavam também identificar as relações entre a repetição de algo, o aprendizado e recordação.

Apesar desse trabalho empreendido por Ebbinghaus (1885) para fornecer uma explicação cientificamente válida para o modo como a memória atua no cérebro humano, as explicações das suas intuições caminharam quase que diretamente para uma explicação metaforizada do conceito de memória. Além disso, sua teoria foi de certa forma contaminada

com o pensamento científico do século XIX, principalmente com as conjecturas sobre a teoria da hereditariedade biológica, em voga na época.

É a partir deste ponto de vista que Wilhelm Maximilian Wundt (1888), filósofo e psicólogo alemão, começa a questionar a definição de memória como uma realidade física cuja existência está na imortalidade da mente. Wundt faz uma distinção entre memória como renovação e como recordação e ao mesmo tempo abandona a ideia trabalhada por Ebbinghaus (1913) de memória como uma espécie de depósito ou rede de associações no cérebro, o que em tese representa uma ―Verdinglichung” [reificação] da memória. Mas apesar do esforço empreendido por Wundt (1888) para explicitar o mecanismo da memória no cérebro humano, sua teoria deixou várias questões em aberto, a mais famosa delas diz respeito ao mecanismo de recuperação da memória.

Tal problema vai ser base de preocupação com o biólogo evolucionista Richard Semon (1921) que propôs um paralelismo psicofisiológico para o conceito de "mneme", conceito este que tinha como pressuposto a ideia de uma plasticidade orgânica cuja experiência exterior seria o que ligaria o mundo orgânico com o passado e o presente. Como pontuou Nikuin (2015) essa concepção de Semon (1921) sobre a memória acaba por levar a ideia de que as percepções na memória são registradas ao mesmo tempo em que são decodificadas, isto acontece através de uma série de redes complexas chamadas de engramas. Os engramas ou traços mnêmicos são traços proteicos em que as memórias são hipoteticamente guardadas, ainda assim, Semon (1921), durante a construção de seu trabalho, por acreditar que as terminologias utilizadas para tratar da memória possuíam indesejáveis conotações, opta por terminologias novas para tratar do problema da memória.

É assim que o vocábulo comumente utilizado nos estudos sobre o cérebro recebe outra conotação, para Semon (1921, p. 12) um engrama é ―a modificação duradoura embora principalmente latente na substância irritável produzida por estímulo‖68, o engrama pode ser equivalente a ―traço de memória‖. Outro termo utilizado de forma alternada por Selmon (1921) é ―ecphory‖ que é o equivalente a recuperação de memória.

68 No original: "... the enduring through primarily latest modification in the irritable substance produced by a

No campo dos estudos da psicologia do homem, foi seguramente, um médico, o psicanalista e neurologista Sigmund Freud, um dos primeiros a pensar na memória. Para Freud (1976) os acontecimentos da vida são guardados na memória humana através de palavras, de linguagem. Palavras e linguagens que vão pouco a pouco sendo perdidas. Sobre este tema Sigmund Freud já se ocupara há muito tempo. O princípio é bastante simples: existe entre a realidade da experiência vivida e a formação da memória um processo de tradução, mas há também um processo de tradução correspondente entre a evocação e a memória.

Ambos os processos neurais de evocação e tradução convergem em determinada região do cérebro, é no processo de evocação que os neurônios transformam sinais bioquímicos em elétricos e a partir desse ponto os sentidos e a consciência passam novamente a interpretar o que chegou como se fosse um dado da realidade. Ainda assim é importante notar que durante o processo de tradução de um estímulo outras muitas informações são perdidas e por vezes ocorrem mudanças no que foi traduzido.

Mas no caminhar da constituição da memória, nem sempre o que é percebido se torna memória ou uma tradução real do que aconteceu. Há casos de amnésia, de distorções nas memórias, e também há casos em que o sujeito, ao rememorar tal fato, acaba por fantasiar coisas que até então não possuem ligação fiel com a memória relembrada. Freud (1976) foi o cientista que melhor descreveu esses acontecimentos. Sigmund Schlomo Freud nasceu em 1856 em Freiberg, na Morávia, uma região do império austríaco e faleceu em 1939. Com 17 anos ingressou na Universidade de Viena para cursar medicina, onde especializou-se em neurologia, mas é somente em 1884, quando então conhece o médico Josef Breuer, que até então se destacara por curar sintomas graves de histeria, através da técnica da hipnose, é que passa a estudar o fenômeno da memória.

Freud (1976) é considerado o pai da psicanálise e o fundador do método das livres associações, técnica que permite, ao analista, penetrar nas regiões mais obscuras do inconsciente humano. Como indica Ferrarini e Magalhães (2014), a percepção de Freud sobre o aparelho psíquico humano tem seu substrato latente em uma crença: a memória possui um papel organizador no aparelho psíquico. A memória é, para Freud (1976), formada por signos perceptuais além do inconsciente e do pré-consciente.

Seguramente, Freud (1976) foi um dos primeiros a pensar na existência do aparelho psíquico e no aparecimento dos traumas neste aparelho. Também foi um dos primeiros a traçar uma correlação no modo como os traumas e os conflitos reprimidos podem levar a existência de uma memória recorrente e de distorções na memória de modo que a tornem excruciantes. Reiterando Gabbi Junior (1993, p.247) a concepção freudiana do aparelho psíquico ―tem como seu pressuposto central a crença no papel organizador da memória. Esta é vista como uma série de sistemas, dotados de propriedades distintas. A forma de apreensão da realidade é resultado da interação entre esses sistemas existentes‖.

Se o que Freud (1976) previa ao olhar para a memória era a existência de um aparelho psíquico que organizaria o funcionamento da mente, e se pudermos entender isto como a expressão da natureza humana, as funções superiores do cérebro, podemos inferir que, o que Freud (1976) previa não era outra coisa a não ser a construção da personalidade, do eu. Isto é, se considerarmos que os distúrbios e conflitos da memória são uma parte fundamental da personalidade humana.

Como acentua Ferrarini e Magalhães (2014),

a leitura de que o aparelho psíquico na verdade trata-se de um aparelho de memória e de linguagem é apoiado por diversos autores (Farias, 2008; Gabbi Junior, 1993; Major, 2002). Esta compreensão pode ser feita partindo do princípio de que este aparelho é constituído de traços mnêmicos, onde a memória pode ser entendida como um texto a ser decifrado. (FERRARINI e MAGALHÃES, 2014, p.112) Dessa constatação resulta a compreensão de que em Freud (1976) existem dois tipos de memórias. O primeiro tipo é a chamada memória simbólica, que diz respeito às rememorações e que são passíveis de esquecimento no acontecer temporal do indivíduo. O segundo tipo é aquela memória que não está no plano hic et nunc, mas no campo do

inconsciente. Isto nos permite dizer que, para Freud (1976), a memória é aquilo que pode

realizar o registro e a conservação da experiência, causados por traços mnêmicos.69 Não existe

69 Freud (1976) utiliza essa expressão para marcar o modo como os estímulos dos neurônios inscrevem

informações na memória inconsciente, pré-consciente e consciente. Essa correspondência pode ser observada em diversas passagens da obra de Freud (1996), por exemplo, no livro Estudos sobre a histeria há uma comparação entre a organização elementar da memória com arquivos complexo. No capítulo VII do livro A interpretação dos sonhos existe uma retomada disto que foi nomeado de traços mnêmicos mais notadamente quando o autor se debruça sobre a estratificação da memória em sistemas consciente e inconsciente.

nenhuma associação entre a capacidade do indivíduo de perceber algo com a consciência. A memória, desse modo, pode ser inscrita tanto no inconsciente quanto no pré-consciente.

Os traços mnêmicos podem registrar a memória em sistemas diferentes e o acesso a essas memórias pode acontecer de maneiras diferentes, como por exemplo, por cronologia ou associação. A memória também sofre reorganizações com o passar do tempo e é orientada por representações. Ainda assim, as representações (lembranças) e os traços mnêmicos não ocupam a mesma função na teoria freudiana: o primeiro é identificado como registro puro, livre de qualquer carga emocional; e o segundo requer para si uma carga emocional singular.

A base da teoria freudiana repousa em uma aplicação prática das descobertas acerca do mecanismo da memória. Para Freud (1976) a teoria, em si, deveria fornecer os substratos necessários para o exercício clínico que tenha como objetivo singular o preenchimento das lacunas da memória. O olhar clínico, então, deveria ser direcionado para os problemas que surgiam da relação entre as lembranças e os esquecimentos, ainda assim, esse entendimento inicial foi reconstruído ao longo da obra de Freud (1996; 2011). As obras datadas do período de 1898 e 1899, como esclarece Ferrarini e Magalhães (2014), surgem como aquelas em que Freud (1976) constrói uma fundamentação sobre o ato de esquecer e lembrar. É neste intervalo de tempo que as primeiras impressões sobre a constituição psíquica do indivíduo são pensadas com mais intensidade.

Assim, noções como a força da impressão do sistema, o esforço empregado pelo indivíduo para poder recordar de algo e o estado psíquico atual do sujeito alinha-se com as noções de recalque, resistência e deslocamento. São através dos recalques que o ato de esquecer acontece, o desprazer causado pelo recalcamento é a força motriz do ato de esquecer. Ainda assim, como mostra Farias (2008), o termo recalque, em Freud (1976), apresenta mais de uma significação. Para Freud (1976), o recalque pode acontecer pelo acontecimento original, onde as representações já estão lá e são incapazes de serem verbalizadas. O recalque pode acontecer também ao longo da existência humana e, como tal, são retomados através das rememorações. Os recalques aparecem ainda através amnésia (ainda na infância) ou através das lembranças encobridoras que são, para Freud (1976), uma sobreposição de lembranças na memória.

Há um avanço notável na obra de Freud (1976), principalmente sobre o conceito de memória e esquecimento. É isto que se verifica no texto de 1914 Recordar, repetir e elaborar, no qual ele articula o processo de transferência com a prática psicoterapêutica, evidenciando o papel do inconsciente na formação da memória e do esquecimento.

É a partir deste ponto que a teoria do inconsciente toma impulso na obra de Freud (1976). É no texto datado de 1914 que Freud (1976), lança luzes ao conceito de compulsão à

repetição: repetir é recordar e, como afirmam Ferrarini e Magalhães (2009, p.114), ―o

indivíduo não mais rememora o que esqueceu ou reprimiu, mas sim reproduz enquanto uma ação, repetindo sem necessariamente saber o que faz‖. É a partir desta descoberta singular que Freud (1996a) percebe que a memória também existe no nível inconsciente.

Ademais, como indica Magalhães (2009, p.105), ―para Freud, a memória não conserva uma cópia fiel do percebido, antes bem o transforma mediante associações que abrem constantemente possibilidades de novas associações‖. É imperioso dizer que há, em Freud (1976), uma dimensão social e, embora não seja este o escopo deste trabalho, a título de registro podemos dizer com Lima e Perini, (2009, p. 86) que os estudos de Freud (1996; 1996a; 2011) sempre tiveram como ponto de ―partida as relações humanas [...] as relações familiares, a igreja, a tribo, o que pode ser verificado largamente em sua obra, como Totem e tabu (1913), Psicologia das massas e análise do ego (1921), Moisés e o monoteísmo (1939), Mal-estar na cultura (1930)‖. Seu pensar sobre a memória está alicerçado na constituição do pré-consciente e do inconsciente.

Trata-se por assim dizer de uma teoria da memória cujas bases são as funções mentais e as narrativas desencadeadas por esses dois estados: o consciente e o inconsciente. Nas palavras de Nikuni (2015, p. 275) ―o inconsciente freudiano refere-se a um fundo reprimido de desejos, lembranças e imagens, muitas vezes surgindo na infância, e que pode irromper em formas de sonhos, piadas, lapsos de linguagem e sintomas neuróticos70‖.

Uma vez verificado como a memória surge na filosofia e como as ciências da biologia do homem pensam o conceito, vamos nos debruçar agora sobre o conceito de memória, tendo

70 Lê-se no original: The Freudian unconscious refers to a repressed fund of wishes, memories, and images, often

arising in infancy, and which can erupt in such forms as dreams, jokes, slips of the tongue, and neurotic symptoms.

em vista os estudos discursivos. Para tanto, revisitaremos inicialmente a tradição para posteriormente nos dedicarmos ao modo como o conceito de uma memória metálica surge dentro da Análise de Discurso.

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