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ans 21,9

Dans le document DE LA MARTINIQUE (Page 158-167)

ponctuelles de récurrence 10 ans

50 ans 21,9

O sistema nervoso autônomo é responsável pela regulação das funções corporais relacionadas a manutenção da homeostase, regulação termal, motilidade gastrointestinal, funções excretoras, reprodutivas, metabólicas e endócrinas, e respostas adaptativas ao estresse como respostas de fuga e luta. Tanto o sistema

parassimpático quanto o simpático consistem em duas populações de neurônios em série que controlam os órgãos-alvo de forma antagônica, sinérgica ou independente - muitos órgãos recebem ambas inervações tornando sua funcionalidade dependente da regulação entre estímulos de ambos os ramos (249,250). A primeira população de neurônios (neurônios pré-ganglionares) possui os corpos celulares no SNC e se conectam ao segundo grupo de neurônios por meio de fibras mielinizadas e não mielinizadas. Os corpos celulares do segundo grupo de neurônios (pós-ganglionares) se agrupam formando um gânglio autonômico e seus a axônios não mielinizados se projetam aos órgãos-alvo (251).

Já o sistema nervoso parassimpático tem sua funcionalmente muito além da comumente referenciada como apenas “descansar e digerir”. Suas fibras pré- ganglionares são longas e a sinapse com as pós-ganglionares ocorre nas proximidades do órgão-alvo (252). Muitas fibras podem também conter outros neurotransmissores, porém o principal neurotransmissor é a ACh, que age em nAChR (fibras pré- ganglionares) ou muscarínicos (fibras pós-ganglionares).

O sistema nervoso simpático é comumente referenciado como a divisão da “fuga e luta”, entretanto este também regula os órgãos em situações não emergenciais. Possui axônios pré-ganglionares relativamente curtos e a sinapse com os neurônios pós-ganglionares ocorre em uma cadeia bilateral adjacente a coluna espinal mediada por ACh em nAChR (252). Embora a principal neurotransmissão pós- ganglionar ocorre por meio da noradrenalina (NOR) em receptores adrenérgicos α e β, existem casos de co-transmissão como observado no canal deferente.

Em ambos os casos, a inervação pós-ganglionar apresenta inúmeras ampliações (varicosidades) ao longo do axônio (252). Uma vez que a liberação também ocorre pelas varicosidades conforme a propagação do impulso pelo axônio, um simples neurônio pode afetar diversas células musculares lisas (252). Diferente da junção neuromuscular que possui uma estrutura especializada e uma sinapse bem definida, as varicosidades estão constantemente se movendo e sua relação com as membranas musculares mudam ao longo do tempo (253,254).

As células musculares lisas são alongadas e fusiformes com núcleo único e central. Suas contrações também são iniciadas por cálcio entretanto a proporção da composição dos filamentos de actina e miosina assim como os mecanismos regulatórios divergem da JNM (255). Outra particularidade da musculatura lisa é a presença das junções comunicantes (junções gap) que são aglomerados de canais

intercelulares de baixa resistência e permite a propagação do impulso elétrico através da difusão direta de íons entre as células adjacentes proporcionando elos de comunicação e regulando a contração do músculo como um todo (254,256).

3.4.2.1 Preparação de canal deferente de ratos

O canal deferente é ricamente inervado por fibras simpáticas (em sua maioria provindas do tronco hipogástrico) e por fibras pós-ganglionares parassimpáticas (originadas do gânglio pélvico) (257,258). É um exemplo muito estudado de co-transmissão simpática envolvendo ATP e noradrenalina, que parecem ser armazenados em vesículas sinápticas separadas (259) e quando eletricamente estimulados, promovem resposta contrátil bifásica onde ATP produz uma fásica seguida da noradrenalina produzindo uma resposta tônica (260).

O ATP ao ativar os P2X1 pós-juncionais, promove o influxo de cálcio

gerando uma despolarização da membrana do miócito e consequentemente a abertura de canais de cálcio dependentes de voltagem (260). Esse aumento intracelular de cálcio induz a liberação de mais cálcio do retículo sarcoplasmático e consecutivamente uma rápida contração muscular (fásica). Já a noradrenalina, ao interagir com receptores α1 pós-juncionais, inicia uma cascada de sinalização que

culmina no aumento intracelular de trifosfato de inositol e consequentemente a liberação de cálcio dos retículos e a contração tônica da musculatura lisa (260,261).

Existe uma variação regional na resposta contrátil que, apenas de ambas extremidades apresentarem os dois tipos de receptores, o motivo pelo qual o segmento prostático é mais sensível ao ATP enquanto o epididimal é mais sensível a noradrenalina continua sob investigação. Entretanto, tal variação permite que as respostas sejam estudadas separadamente ao biseccionar o canal deferente em duas porções, a prostática e a epididimal.

Os ratos foram eutanasiados sob anestesia com isoflurano (via inalatória). Para a dissecção dos canais deferentes, foi realizada uma incisão abdominal acima do pênis, expondo a cavidade abdominal. Os canais deferentes de ambos os lados foram isolados a partir da cauda do epidídimo até a próstata. Após sua dissecação, os canais deferentes foram seccionados em duas porções (epididimal e prostática) e

suspensos em uma cuba de 5 mL, contendo solução nutritiva de Tyrode (composição no tópico 3.4.1.1), constantemente gaseificada com carbogênio e mantida à 37C.

As preparações foram submetidas a tensão de 1 g e estimuladas por meio de eletrodos bipolares via estímulo de campo (10Hz, 5ms, voltagem supramáxima; estimulador GRASS S48 - Grass Medical Instruments, Quincy, MA, E.U.A.) por meio de trens de 1 e 10s na porção prostática e epididimal respectivamente. As contrações musculares foram registradas em fisiógrafo de 4 canais PowerLab ML866, ligado a amplificadores Quad Bridge ML224 (ADInstruments, New South Wales, Austrália) e a um microcomputador Dell munido do software LabChart7, por meio de transdutores isométricos PanLab TRI201AD (Harvard apparatus, Holliston, MA, E.U.A).

Após um período de estabilização (30 min), diferentes concentrações do veneno (1-30 µg/mL) foram adicionados à cuba e a resposta contrátil registrada por 120 min. A amplitude das respostas contráteis das duas porções (fásica da porção prostática e tônica da epididimal) foram mensuradas a cada 10 min, respectivamente, calculando-se a porcentagem dessa amplitude em relação ao valor basal (antes da adição dos tratamentos).

Foram realizados ensaios na ausência de estimulação elétrica onde as contrações foram induzidas por agonistas exógenos em músculos. Após o período de estabilização (30 min), foram realizadas curvas concentração-resposta a Noradrenalina (0,1 nM – 1mM) e ao ATP (100nM – 1mM) na ausência e após a adição do veneno de T. bahiensis (10 µg/mL). Tais curvas também foram realizadas em tecidos pré-incubados com TTX (200 nM), afim de se retirar o componente pré- juncional.

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