II. SECURITE D’APPROVISIONNEMENT EN ELECTRICITE
II.2.7 Annonce de la fermeture d’unités de production par Electrabel
Os processos de participação comunitária estão profundamente ligados ao contexto histórico, social, econômico e cultural que influenciaram na estrutura política local. Em Florianópolis esse contexto está marcado pela colonização açoriana, pela condição da cidade como capital do Estado, pela expansão urbana nas décadas de 1960 e 1970 e seu conseqüente fluxo migratório, pelo crescimento do turismo, e pelo novo fenômeno migratório a partir dos anos 1990, fruto de um ideal de qualidade de vida.
Na Ilha, os modos de organização política das comunidades, assim como a estrutura da administração pública local, estão fortemente vinculados às dinâmicas sociais das populações tradicionais (CECCA, 1996). Dos intendentes38 aos cargos de primeiro escalão da prefeitura, a resolução de problemas coletivos ou individuais se dá por uma intrincada rede de relações pessoais, afetivas e de trocas de favores entre indivíduos de condições sociais hierarquicamente diferentes, o que se entende como apadrinhamento. Essas formas de administração tradicionais, incorporadas às dinâmicas contemporâneas, contribuem para uma condição de clientelismo e paternalismo em detrimento da noção de autonomia das comunidades.
Buscando ampliar a representação coletiva, de acordo com as diferentes realidades culturais e sociais, várias associações comunitárias organizadas surgiram durante a década de 1980. (CECCA, 1996). Inicialmente essas organizações foram criadas em áreas urbanas e, em sua maioria, por migrantes que viviam em Florianópolis. Defendendo a idéia de autonomia comunitária, as associações contestavam as relações e práticas tradicionais de política, servindo como espaço para as discussões sobre planejamento urbano, preservação ambiental, mecanismos de participação e qualidade de vida em geral.
O relatório Urbal (2004) destaca que o setor comunitário exerce sua influência nas decisões sobre a alocação de serviços públicos e equipamentos urbanos ou comunitários, acrescentando que a influência comunitária na gestão urbana no âmbito do Legislativo tem sido bastante intensa, gerando manifestações com poder para barrar a aprovação de Planos Diretores durante vários anos. Em casos extremos, as entidades comunitárias têm feito denúncias ao Ministério Público ou ingressado no Judiciário com Ações Civis Públicas, como forma de barrar liberações ou leis que julgam perniciosas. Conforme o relatório Urbal, as organizações técnicas da sociedade civil (CREA, OAB, ACE, IAB, Universidades) possuem grande peso decisório junto aos técnicos envolvidos na gestão urbana, por possuírem maior racionalidade e usarem de linguagem técnica comum.
Segundo Santos (2001), no que diz respeito ao processo de denúncia das questões ambientais, pode-se constatar a baixa incidência das ações comunitárias. Na opinião da autora, há necessidade de maior mobilização, organização e informação para que cada vez mais a participação popular possa influenciar nas decisões referentes ao meio ambiente.
38 As intendências são administrações regionais da prefeitura localizadas em cada distrito do município, seguindo o modelo existente desde a colonização portuguesa. Os intendentes são indicados ao cargo por critérios políticos.
Em Florianópolis existem os seguintes Conselhos gestores, especificados na tabela a seguir:
QUADRO 5 - CONSELHOS GESTORES DE FLORIANÓPOLIS Conselho Municipal de Contribuintes
Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Conselho Municipal de Saúde
Conselho Municipal de Educação Conselho Municipal de Entorpecentes
Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente Conselho Municipal de Trabalho e Emprego Conselho Municipal de Assistência Social
Conselho Municipal de Desenvolvimento Municipal Conselho Municipal do Cinema
Conselho Municipal de Turismo Conselho Municipal de Transportes Conselho Municipal da Condição Feminina Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Florianópolis, 2005.
O Conselho Municipal de Turismo apresentava a seguinte constituição – desde junho de 2003 até dezembro de 2004 –, distribuída conforme a instituição e o nome de seu representante e o segmento social que a instituição representa:
QUADRO 6 - COMPOSIÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE TURISMO EM 2004
INSTITUIÇÃO NOME DO
REPRESENTANTE
SEGMENTO SOCIAL
IPUF José Rodrigues Rocha Poder Público
Florianópolis Convention & Visitors Bureau
Carmen Maria Peters Setor privado
Florianópolis Convention &
Visitors Bureau Leopoldo Fiewski Setor privado ABIH - Associação Brasileira da
INSTITUIÇÃO NOME DO
REPRESENTANTE SEGMENTO SOCIAL
ACIF – Associação Comercial e
Industrial de Florianópolis Armando Luiz Gonzaga Setor privado ACIF – Associação Comercial e
Industrial de Florianópolis Alaor Francisco Tissot Setor privado Sindicato de hotéis, restaurantes,
bares e similares de Florianópolis Cláudio Pereira Oliveira Setor privado Sindicato de hotéis, restaurantes,
bares e similares de Florianópolis Tarcísio Schmidt Setor privado ABAV – Associação Brasileira
de Agências de Viagens Sérgio Roberto Bertoldo Setor privado Centro de Convenções de
Florianópolis Leonardo Vieira Setor privado Fundação Pró-Florianópolis Paulo Bastos Abraham Sociedade civil SINDETUR/SC - Sindicato das
empresas de turismo no estado de Santa Catarina
Aristoclides Vieira Stadler Setor privado
Federação dos hotéis,
restaurantes, bares e similares Estanislau Bresolin Setor privado POUSAR - Associação das
pousadas de Florianópolis Gisela de Souza Fonseca Setor privado ABRASEL – Associação
Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento
Luciano Ferreira Bartolomeu Setor privado
ÚNICA Giovanna Bonelli Setor
técnico/científico/acadêmico Polícia Militar - 4° Batalhão Ten. Cel. Edigar José Franzosi Poder público
Polícia Militar – Corpo de
Bombeiros Major Marcos de Oliveira Poder público
FASSESC Ione Maria Ulysséa Setor
técnico/científico/acadêmico
ADVB Anselmo da Silva Livramento
Machado Setor privado
UNISUL Zacaria Alexandre Nassar Setor
técnico/científico/acadêmico SETUF – Secretaria de
Transportes Urbanos de Florianópolis
INSTITUIÇÃO NOME DO
REPRESENTANTE SEGMENTO SOCIAL
CESUSC Gilson Rihan Kakkoti Setor
técnico/científico/acadêmico Patrimônio da União SC Humberto Pereira Oliveira Poder público
FINAL QUADRO 6
Basta uma rápida olhada no Quadro 639 para que se observe a disparidade na distribuição de representatividade dos diversos segmentos sociais. Das 28 instituições listadas, 18 delas representam interesses de segmentos ligados às atividades empresariais, 5 organismos representam o poder público, 4 são instituições acadêmicas de nível superior e apenas 1 entidade pode ser apontada como representante da sociedade civil organizada40. Nenhuma entidade representativa das comunidades aparece como membro do Conselho. Além do problema no equilíbrio de representações, o Conselho Municipal de Turismo é de caráter consultivo, o que o torna apenas simbólico no que se refere à participação social nos processos decisórios de planejamento turístico no município.
Segundo a análise de outros autores, pode-se observar a atuação de outro importante Conselho gestor quanto à questão ambiental e de desenvolvimento sustentável em Florianópolis, o CONDEMA. Para tais autores, o CONDEMA é um órgão representativo da sociedade civil em Florianópolis, porém, com caráter meramente consultivo e, normalmente, negligenciado pela prefeitura. (SANTOS, 2001) Esse órgão parece ter sido criado por exigências formais relativas à liberação de verbas federais. (ROCCA, 2002)