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F) Médecine traditionnelle

VIII. ANNEXES

Local: Sala de actividades no 2º andar da CPII Animador: Amélia Coelho

Explicação da actividade e sua fundamentação:

Baseando-me num dos jogos propostos por Manes( 2007, p. 96) sugeri aos utentes a realização desta actividade que denominei de “ O ponto e eu”.

Segundo ABREU (2011) “Os jogos são inconscientemente ensinados pelos pais aos filhos e

transmitidos de geração em geração. As pessoas jogam, portanto, para sobreviver no ambiente familiar, adaptando-se aos modelos de relacionamento fornecidos pelos progenitores e figuras emocionalmente significativas (avós, tios, etc) e assim, obter atenção, aprovação e carinho. Depois, repetem pela vida afora, com outras pessoas (amigos, cônjuge, colegas de trabalho, etc), na tentativa de tornar os relacionamentos previsíveis”.

Citando MANES (2007, p.6) “os jogos fornecem um nível base de estimulação capaz de activar

processos que permitem a tomada de consciência das dimensões intrapsíquicas e relacionais do funcionamento humano, e facilitam a aquisição de novos modos de pensar, sentir e relacionar-se com os outros”.

Preparei a salda de actividades com cadeiras suficientes para os utentes e uma folha de papel branco com um ponto no centro. Depois foi pedido a cada um dos doentes para desenhar algo que incluísse o ponto. Foi explicado que cada um devia fazer o desenho individualmente. No final foi pedido a cada um dos utentes que descrevesse o seu desenho a razão porque o tinha escolhido e como é que encarou o ponto.

Quando Manes (2007, p. 96) propõe este jogo, sugere que “o ponto representa a nossa

identidade e a percepção que temos de nós próprios”.

Tendo em conta que existem muitos doentes deprimidos no serviço e por isso, muitos utentes com baixa estima e uma provável deterioração da percepção do eu, achei pertinente este jogo.

Objectivos:

• Estimular a fantasia e a criatividade

• Facilitar o auto-conhecimento e o conhecimento mútuo • Promover a socialização entre os doentes

Tempo previsto:1 hora

Recursos: Folhas de papel branco e canetas

Relatório de Estágio

Avaliação da actividade

Convidei os utentes a irem comigo para a sala de convívio realizar uma actividade. Na sala de convívio já tinha todo o material preparado. Pedi a todos que escolhessem um lugar à mesa e expliquei-lhes que gostaria que, utilizando a caneta e a folha branca já com o ponto, fizessem um desenho em que o ponto fizesse parte.

Pareceram-me descontraídos interessados na actividade mas todos tiveram alguma dificuldade em começar o seu desenho. Quando o senhor Nelson iniciou o seu desenho desenhou uma flor e logo os outros doentes desenharam também uma flor, embora cada um deles desenhasse um tipo de flor diferente. O único que não desenhou nenhuma flor o senhor Hélder que optou por um desenho mais elaborado.

Deixei que todos desenhassem à vontade. Quando percebi que os doentes estavam a desenhar todos uma flor fiquei na dúvida se deveria interromper e voltar a referir que o desenho deveria ser uma escolha pessoal e que, cada um, deveria procurar a sua própria inspiração.

Não tive a oportunidade de interromper porque os doentes iniciaram uma conversação entre eles e, tendo em conta que um dos objectivos do jogo é a socialização entre os doentes, achei por bem, deixar que acção decorresse sem a minha intervenção.

Os doentes demoraram cerca de 10 minutos desde que lhes pedi para fazerem o desenho até que o último terminou. Durante este tempo conversaram sobre como sabe bem desenhar, e que achavam que outros doentes deviam participar nas actividades. Sugeriram que, para que todos pudessem participar que estas actividades deveriam ser realizadas na sala de convívio do 1º andar em vez da sala de actividades do 2º andar. Tentei que os doentes falassem e tentei aproveitar o momento para aplicar alguns dos conhecimentos que adquiri sobre comunicação.

Quando todos acabaram o desenho perguntei como se tinham sentido e se queriam mostrar uns aos outros o desenho que cada um tinha feito e que falassem um pouco dele.

A D. Margarida foi a primeira a falar e explicou que tinha desenhado uma gerebera, porque era a flor favorita dela, Referiu que apesar de não estar pintada, o que tinha imaginado era que esta seria uma gerebera amarela porque o amarelo é a cor favorita dela por ser antidepressiva, Contou que por se chamar Margarida, muitas pessoas deveriam pensar que a margarida seria a flor favorita dela, mas desde pequena prefere as gereberas. Conta que há uns anos percebeu porquê, já que alguém lhe contou que a gerebera é a margarida africana. A D. Margarida refere que África sempre foi um continente pelo qual se interessou sempre devido aos costumes diferentes a à sua arte particular.

O S. Carlos referiu que desenhou uma flor porque foi o que lhe apeteceu. Não se alongou muito no discurso e parecia incomodado por estar a falar perante os outros doentes.

A D. Maria Emília refere que desenhou uma flor que não é nenhuma que exista na vida real mas é a flor da sua vida com 4 pétalas que representam os seus 4 filhos. Por cima das pétalas pôs as iniciais dos seus nomes.

O S. Hélder desenhou 3 senhores e referiu que ele era o do meio. Quando questionado sobre quem seriam os outros dois senhores, referiu que um era o senhor careca e o outro era o senhor com o chapéu, não se alongado mais no discurso.

O S. Nelson, que enquanto os outros utentes iam falando continuou a fazer algumas alterações ao seu desenho, referiu que o que tinha desenhado era a árvore onde se iria enforcar. Quando confrontado com o facto de inicialmente o desenho ser uma flor, referiu que se enganou. Os outros doentes pareceram ficar, eu diria, divertidos, com o comentário do senhor Nelson e o senhor Hélder tomou mesmo a iniciativa de escrever “parvo” no desenho do S. Nelson, o que deu origem a uma grande gargalhada de todo o grupo, incluindo o S. Nelson.

MANES (2007, p. 96) sugere ao animador partir do princípio que o ponto representa a identidade de cada um e a percepção que cada um tem dele próprio.

Perguntei ao grupo se lhes parecia bem eu fazer esta comparação. Todos pareceram admirados com a comparação mas todos concordaram. Pareceu-me que os comentários que os utentes fizeram dos seus próprios desenhos, uns mais do que outros, referiam isso mesmo. Fiquei contente por ter realizado esta actividade com os utentes. Não foi necessário preparar muito material, nem despender muito tempo mas pareceu-me uma actividade útil. Todos puderam distrair-se um pouco com o desenho e depois tiveram a oportunidade de interagir com o resto do grupo e falar um pouco de si. É importante proporcionar aos doentes momentos de reflexão sobre si próprios bem como momentos de partilha com outros doentes.

Ainda não tenho saber nem treino para fazer interpretações do que os doentes verbalizaram, mas não considero que isso possa influenciar na importância que o jogo teve para os doentes. O momento de descontracção, e de socialização entre os doentes e os seus sorrisos é bastante para me sentir orgulhosa e satisfeita com a minha sugestão de actividade.

Bibliografia

ABREU, Kátia Ricardi, Jogos Psicológicos; In: http://katiaricardi.vilabol.uol.com.br/Jogos.htm ; consultado a 29.05.2011

MANES, Sabina; 83 Jogos Psicológicos para a Dinâmica de Grupos; Paulus Editora ; Lisboa; 2007; ISBN 978-972-30-1252-1

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