5.2.1.1 Recuperadores oleofílicos
Os recuperadores oleofílicos têm uma maior afinidade com os hidrocarbonetos do que com a água, facto que os torna eficientes nas operações de recolha em manchas pouco espessas. Depois de recolhidos, os hidrocarbonetos são raspados ou espremidos do recuperador e posteriormente transferidos para a unidade de armazenamento (Direção do Combate à Poluição do Mar (DCPM)). A eficiência destes aparelhos é superior na remoção de crudes leves (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013).
O elemento de recolha oleofílico pode ter uma das seguintes formas, sendo cada uma delas características de um subtipo de recuperador oleofílico:
• Recuperador de discos: este tipo de recuperador, Figura 5-11, é principalmente usado na recolha de crudes leves e é feito de aço ou cloreto de polivinilo. Pode ser usado na presença de ondas pequenas, de ervas ou detritos e como é de pequena dimensão é facilmente transportado por duas pessoas. As suas principais desvantagens são a sua lenta taxa de recolha e o seu fraco desempenho na recolha de óleos combustíveis leves e de hidrocarbonetos pesados. (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013);
Figura 5-11 – Esquema representativo (esquerda) e imagem real (direita) de um recuperador oleofílico de discos (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup , 2001; Nautic Expo, s.d.).
• Recuperador de tambor: é principalmente usado na recolha de crudes leves e de óleos combustíveis e é constituído por aço ou polímero conforme a Figura 5-12 (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013);
Derrames de Hidrocarbonetos no mar: Uma avaliação das questões operacionais.
Figura 5-12 - Esquema representativo (esquerda) e imagem real (direita) de um recuperador oleofílico de tambor (Direção do Combate à Poluição do Mar (DCPM); Fingas, The Basics of Oil Spill
Cleanup , 2001).
• Recuperador de cinta: este aparelho, figura 5-13 (esquerda), de grandes dimensões, é usado na remoção de hidrocarbonetos mais pesados, sendo que alguns são até desenhados com o objetivo de remover bolas de alcatrão. Usa uma cinta, que arrasta os hidrocarbonetos à medida que faz um movimento ascendente. O hidrocarboneto é posteriormente raspado e a cinta volta à sua posição original. Como o movimento ascendente da cinta faz com que a água se afaste do recuperador, é necessário aplicar uma força que encaminhe a água contaminada para o recuperador (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013);
• Recuperador de cinta invertido: o seu conceito é semelhante ao do recuperador de cinta normal, mas neste caso, a água não se afasta da cinta visto que esta arrasta os hidrocarbonetos por baixo de água, como se pode verificar na Figura 5-13 (direita) (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013);
Figura 5-13 - Esquema representativo de um recuperador oleofílico de cinta normal (esquerda) e invertido (direita) (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup , 2001).
• Recuperador de escovas: o tipo recuperador representado na Figura 5-14 tem uma estrutura parecida com os recuperadores de cinta e de tambor, com a diferença de a sua superfície de contato com os hidrocarbonetos estar coberta por escovas de plástico. Também é principalmente usado na recolha de hidrocarbonetos pesados e na presença de detritos ou gelo. O seu tamanho é bastante variado (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013);
Figura 5-14 - Esquema representativo de recuperadores oleofílico de escova (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup , 2001).
• Recuperador de cordão: este tipo de recuperador pode estar disposto horizontalmente ou verticalmente. Nos recuperadores de cordão, Figura 5-15, os hidrocarbonetos são removidos por um ou mais cordões de polímero que será posteriormente torcido, com o intuito de armazenar o poluente. A sua eficácia é superior na remoção de hidrocarbonetos de viscosidade média e são particularmente úteis na recolha de hidrocarbonetos em águas com gelo ou detritos (Direção do Combate à Poluição do Mar (DCPM)).
Figura 5-15 - Esquema representativo de um recuperador oleofílico de cordão horizontal (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup , 2001).
5.2.1.2 Recuperadores de acumulação (weir)
Este tipo de recuperador, Figura 5-16, recolhe os hidrocarbonetos através de drenagem gravítica seletiva e é bastante económico. É colocado na superfície que separa a mancha flutuante da água, encaminhando apenas os hidrocarbonetos para um reservatório submerso, de onde serão posteriormente retirados. Apesar de já existirem recuperadores de ajuste automático, a principal desvantagem desta técnica é a sua reduzida estabilidade em condições de água agitada. Por isso, e tentando diminuir a quantidade de água que verte para o reservatório, este tipo de recuperadores só deve ser usado em massas de água calmas. Além disso, não são eficazes na remoção de hidrocarbonetos pesados (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013) (Direção do Combate à Poluição do Mar (DCPM)).
Derrames de Hidrocarbonetos no mar: Uma avaliação das questões operacionais.
Figura 5-16 - Esquema representativo (esquerda) e imagem real (direita) de um recuperador de acumulação (Aquaquick Europe, s.d.) (Slickbar Indonesia, s.d.).
5.2.1.3 Recuperadores de sucção
Os recuperadores de sucção, Figura 5-17, usam bombas ou sistemas de sucção de ar para remover os hidrocarbonetos diretamente da superfície da água para um reservatório. Neste caso, o elemento de recolha é uma das extremidades do sistema de transferência alargada. Este tipo de recuperador é mais eficiente na recolha de manchas de hidrocarbonetos leves e moderados e em zonas de pouca agitação. Este método é mais económico do que qualquer outro método que use um recuperador e é útil em águas de baixa profundidade, mas tem a grande desvantagem de recolher grandes quantidades de água juntamente com os hidrocarbonetos (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013).
Figura 5-17 - Imagem real de um recuperador de sucção (Elastec, s.d.).
5.2.1.4 Recuperadores elevatórios
Os recuperadores usam transportadores gravíticos que elevam os hidrocarbonetos, desde a superfície da água até um reservatório. Os transportadores são quase sempre constituídos por cintas ou rodas com pás ou cumes e operam de forma mais eficaz em operações de recolha de hidrocarbonetos moderados a pesados e em operações em zonas de pouca agitação (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013).
5.2.1.5 Recuperadores de submersão
Este tipo de recuperador utiliza superfícies inclinadas, que forçam os hidrocarbonetos a moverem-se para debaixo de água. Posteriormente, os hidrocarbonetos são separados do recuperador e movem-se até um reservatório na superfície, onde serão removidos. Esta técnica é relativamente rápida permitindo uma ação muito mais ampla do que as outras técnicas. Por outro lado, estes recuperadores são muito sensíveis a detritos, não podem ser usados em massas de água pouco profundas e só são eficazes na recolha de hidrocarbonetos leves (Fingas, The Basics of Oil Spill Cleanup, 2013).