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As ações do(a) enfermeiro(a) no cuidado das reações hansênicas são realizadas por meio da consulta de enfermagem, detecção de novos casos, orientação e encaminhamento de pacientes, realização de testes, e a educação em saúde para a prevenção de incapacidades. A sistematização da assistência se coloca como potente facilitador ao tratamento e prevenção de lesões incapacitantes, pois a abordagem realizada durante a consulta possibilita a identificação das necessidades das diversas esferas que se relacionam com o processo saúde- doença (DOS SANTOS et al.; 2012; DUARTE; AYRES; SIMONETTI, 2009).

É importante ressaltar que o papel do enfermeiro transcende a consulta de enfermagem, na realização de exames, avaliações e encaminhamento à procura precoce das alterações nos exames dermatoneurológicos, na prevenção de infecções oportunistas, no envio de materiais para exames laboratoriais, na educação em saúde, e na assistência para pacientes com ou sem problemas relacionados aos estados reacionais para a solução, encaminhamento ou orientações acerca das dificuldades ocasionadas por esses episódios (PASCHOAL; SOLER, 2015).

Considerando-se as particularidades da criança, é importante destacar que a atuação do enfermeiro no cuidado e manejo das reações hansênicas, requer um olhar cuidadoso para a detecção precoce da neurite silenciosa por meio da palpação dos nervos periféricos, avaliação neurológica simplificada com intuito de

prevenir incapacidades, observação das alterações na coloração e aspecto das manchas, e na detecção de edemas de extremidades (PASCHOAL; SOLER, 2015).

Acerca das intervenções importantes praticados pelo enfermeiro aos pacientes em estados reacionais, salientam-se aqueles realizados durante o tratamento com o uso de altas doses de corticosteroides (pulsoterapia). O controle de sinais vitais, glicemia capilar e peso, e observação de efeitos adversos visa a identificação de complicações (BRASIL, 2010 d).

4 METODOLOGIA

4.1 Tipos de estudo

Trata-se de um estudo analítico, com variáveis quantitativas dos dados. O tipo de estudo adotado permite verificar a existência de fatores associados a uma doença ou condição relacionada a saúde (LIMA-COSTA; BARRETO, 2003).

4.2 Local do estudo

O Maranhão compõe as 27 unidades federativas do Brasil, situada na região Nordeste, tendo como limite ao norte o oceano atlântico, ao leste o estado do Piauí, ao sul o estado do Tocantins e ao sudeste o estado do Pará. É o segundo maior estado do Nordeste brasileiro em área demográfica com 331837450 km² (IBGE, 2017).

De acordo com o último censo em 2010 a população do Maranhão é de 6.574.789 habitantes, sendo a população estimada para até o final de 2017 é de 7.000.229 habitantes. A maior faixa de população é entre 10 a 14 anos. Ocupa a 26ª economia do país com índice de desenvolvimento humano (IDH) de 0,639 (IBGE, 2017).

O município de São Luís, local de realização do estudo, é a capital do estado do Maranhão, encontra-se situado na ilha de Upaon-Açu, no Atlântico Sul, entre as baías de São Marcos e São José de Ribamar. Com uma população de 1.014.837 habitantes no último censo, São Luís é o município mais populoso do estado, além de ser o 15° município mais populoso do Brasil, e o 4° da Região Nordeste (ficando atrás somente de Salvador, Fortaleza e Recife) sendo ainda, a décima terceira capital mais populosa do Brasil, e seu IDH é 0,768 (IBGE, 2017).

O arranjo organizativo das ações de saúde em São Luís é formado pelas Redes de Atenção à Saúde (RAS) constituídas pelas Redes de Atenção Básica à Saúde; pontos de atenção secundário e terciário; sistemas de apoio; sistemas logísticos e o sistema de governança. Conta com três estabelecimentos de saúde federais, dezesseis estaduais, cinquenta e dois municipais e duzentos e doze privados (SEMUS, 2016).

A capital conta com o Programa de Controle da Hanseníase operacionalizado pela Vigilância Epidemiológica subsidiada pela Estratégia de Saúde da Família, nas Unidades Básicas de Saúde, nas Unidades Mistas de Saúde e nos Centros de Saúde Dr. Genésio Rego, Centro de Saúde do Turú; Centro de Saúde do Bairro de Fátima; Hospital Aquiles Lisboa e Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão com o objetivo de fazer detecção de casos, tratamento e acompanhamento dos casos existentes e promover educação em saúde da comunidade do entorno (SEMUS, 2016).

As unidades de saúde do município de São Luís, distribuídas nos 7 distritos sanitários com o Programa de Controle de Hanseníase implantados, são eles: Vila Esperança, Tirirical, Itaqui Bacanga, Coroadinho, Bequimão, Centro e Conjunto Habitacional (COHAB) (SEMUS, 2016).

4.3 Período do estudo

A pesquisa foi realizada no período de abril de 2016 a agosto de 2017.

4.4 Coleta de dados

Ocorreu no período de maio a agosto de 2017 com a utilização de um formulário (ANEXO-A) onde foram registradas as informações fornecidas pelos menores de 15 anos e seus responsáveis, e da ficha de notificação individual do caso de hanseníase, do protocolo complementar de investigação diagnóstica de casos de hanseníase em menores de 15 anos (ANEXO-B), do prontuário do paciente e da ficha de avaliação neurológica (ANEXO-C).

Os dados contemplavam as informações de identificação, dados ambientais, dados familiares, casos de hanseníase na família e os aspectos clínicos da doença. O formulário ainda continha as informações complementares onde eram anotados os resultados da pesquisa de anti-PGL-1, da baciloscopia de raspado intradérmico, teste de histamina, hemograma, exame parasitológico de fezes e algum outro problema de saúde quando no diagnóstico da hanseníase.

Acerca das reações foram consideradas como reação hansênicas, o Tipo 1 ou RR, o Tipo 2 ou ENH e a neurite isolada. Considerou-se para a análise dos fatores associados apenas o primeiro episódio reacional.

Para os menores notificados no ano de 2015, realizou-se ainda entrevista com os seus responsáveis para complementar os dados socioeconômicos e sociodemográficos, e a realização do teste rápido para detecção de anticorpos anti- PGL-1 (teste Orange Life®).

A realização da entrevista e teste sorológico efetuou-se pelo agendamento via telefone do responsável pelo menor, posterior às visitas da pesquisadora nas unidades de saúde. Durante o contato telefônico a pesquisadora se identificava e explicava o motivo da ligação, bem como o objetivo do estudo em linguagem simples de modo a esclarecer sua importância, e previamente convidava os responsáveis pelos menores para participar da pesquisa trazendo a criança no dia, turno e horário combinado. Algumas vezes houve a necessidade da pesquisadora ir até a residência dos menores quando não foi possível agendamento telefônico.

A coleta de amostra de sangue para o teste rápido (ANEXO D) seguiu as orientações do fabricante do teste. Em posse dos resultados, eram dadas orientações aos pais ou responsáveis dos menores sobre os cuidados e observações enfaticamente se o resultado era positivo.

4.5 População

Participaram deste estudo 131 casos de hanseníase em menores de 15 anos, residentes no município de São Luís-MA diagnosticado e notificado com hanseníase, no período de 2014 a 2015.

4.6 Análise de dados

Os dados foram analisados pelo programa NCSS 11 (2017). Inicialmente para se fazer a avaliação descritiva das variáveis epidemiológicas, clínicas e imunológicas foi feito a estatística descritiva das variáveis, com números em frequência e percentuais. Posteriormente, para se avaliar a associação das variáveis classificatórias com as reações hansênicas fez-se o teste não paramétrico de Qui- quadrado de independência (2) ou Exato de Fisher. Depois a variável dependente “ocorrência de reação hansênica” (grifo nosso) foi avaliada por meio da regressão logística considerando as variáveis independentes sócio-demográficas, ambientais,

familiares e clínicas. O nível de significância para se rejeitar a hipótese de nulidade foi de 5%, ou seja, considerar-se-á como estatisticamente significante um valor de p < 0,05.

4.7 Aspectos éticos

Esse estudo é um subprojeto do projeto principal: “Aspectos epidemiológicos, clínicos e imunológicos da hanseníase em menores de 15 anos no Município de São Luís-Maranhão” e foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA). Atendendo-se os princípios éticos da Resolução nº 466/2012 do CNS/MS, durante o comparecimento do menor e seu responsável era feito a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (ANEXO E), e após a anuência e assinatura pelo responsável era realizado a entrevista e o procedimento de coleta dos exames. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão com o parecer consubstanciado de número: 1227.248 (ANEXO F).

5 RESULTADOS

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