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Angular Prediction

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4.3 Intra Sample Prediction

4.3.1 Angular Prediction

"...se queremos dar aos jovens a melhor educação é basilar dar primeiro uma boa formação aos que os vão ensinar" (Wideen e Tisher,1990, p.1)

Assumir uma profissão é uma decisão que, em muitos casos, ocorre muito cedo, sendo que nessa altura ainda não se percebe claramente qual o seu significado e quais as suas implicações. Como nos refere Marcon (2011), o professor começa a ser professor a partir do momento que frequenta os bancos escolares, a partir do momento que faz parte da comunidade escolar no papel. Formosinho (2001) corrobora com esta ideia ao assegurar que “a docência é uma profissão que se aprende na vivência da discência. Todos os futuros professores têm no seu currículo discente uma aprendizagem de que imergem teorias e representações acerca do que é ser professor” (p.39). Porém, a entrada para a Faculdade, momento marcante da vida de uma pessoa, revela- se num ano de pressões, de dúvidas e de renitências que só a formação inicial as poderá atender.

Neste sentido, a formação inicial ganha especial importância na construção do percurso e na satisfação profissional de cada indivíduo, estando implicitamente relacionada com um maior envolvimento no processo inicial, que, por sua vez, terá expressão no seu crescimento profissional.

Segundo Perrenoud (1995), a formação é uma intervenção que visa a modificação nos domínios dos saberes, do saber - fazer e do saber - ser do sujeito em formação. Neste sentido, o autor reconhece que a formação envolve o desenvolvimento pessoal, o qual valoriza tanto os conhecimentos como as acções e as atitudes.

Apesar de este não ser o único momento de formação, é sem dúvida um dos mais relevantes já que se situa na génese da criação da identidade profissional do formando, tendo fortes implicações no desenvolvimento futuro da profissionalidade, enquanto grupo profissional e social.

Atendendo à minha vivência pessoal, o processo de formação inicial assumiu grande valor e importância, porquanto ao longo dos meus cinco anos de formação, uma sólida e consistente base de conhecimento me foi fornecida, ainda que considere que deveria ter existido uma maior contextualização dos conceitos de ensino abordados.

Sendo a profissão docente uma profissão de investigação na acção, a componente prática contextualizada deverá ser vivamente privilegiada no espaço da formação inicial permitindo, assim, que o profissional encare “o conhecimento, não exclusivamente como um instrumento profissional mas, também, como um meio de realização pessoal, permitindo conceber a profissão como um projecto de vida, de valorização e crescimento pessoal” (Rosado e Mesquita, 2009, p. 210).

Por consequência, a orientação pedagógica, na formação de professores, deverá seguir uma direcção crítica, onde os alunos em contexto prático reflectem sobre os problemas, baseando-se na teoria para a sua problematização, promovendo-se assim sentimentos de segurança face às inconstantes mudanças que o contexto escolar apresenta. Sem qualquer “receita” a priori definida, os alunos em formação poderão assim sentir-se mais preparados para actuar em qualquer contexto ou situação dilemática, já que a sua base de conhecimento se obtém pela descoberta e não pela prescrição.

A formação inicial deverá, assim, pretender formar a imagem de professor que Rodrigues (2001) aponta na seguinte reflexão: “A imagem do professor como intelectual, investigador, construtor de currículo e prático reflexivo é apelativa – fala-nos de um professor capaz de construir saber a partir da sua experiência analisada e reflectida num exercício permanente de repensar a prática e a teoria que a sustenta. Fala-nos de aprender com e no ensino e não de aprender a ensinar, dando aos professores o papel de primeiros construtores de conhecimento profissional. Fala-nos ainda de um professor que ao resolver as situações concretas da prática usa um saber que tem, não porque o recebe de fora para aplicar, mas porque o gerou na sua experiência, no seu contexto. Fala-nos ainda de um professor que sabe fazer

escolhas, responsável e autonomamente com respeito por um conjunto de valores que se estruturam numa ética profissional” (p.10).

Esta aposta na aprendizagem experiencial permite uma passagem para a realidade profissional de modo pacífico e pouco angustiante, representando o estágio profissional, o momento primordial desta passagem.

Porém, uma pergunta permanece:

Será que é apenas neste momento (o do estágio profissional) que as aprendizagens verdadeiras e significativas ocorrem?

Ao longo do meu percurso académico, particularmente a partir do momento em que direccionei a minhas opções para as questões da aprendizagem, tanto pela minha opção em alto rendimento numa vertente direccionada para o treino e para a formação, quer pelo ingresso na vertente de Educação Física, no âmbito do 2º ciclo de estudos, conducente ao grau de mestre, percebi que as minhas verdadeiras aprendizagens, isto é, a atribuição de significado ocorreram principalmente nos momentos de confronto e discussão, onde a prática e a teoria se unirão, na tentativa de alcançar um entendimento superior de determinado fenómeno. Durante estes momentos, não só aprendia com aquilo que o conhecimento especializado me permitia aceder, mas igualmente com as atitudes, acções e discursos que colegas e professores revelavam das suas histórias e experiências de vida. Posso mesmo afirmar que foi nesta envolvência académica, balizada por um currículo formal e um currículo oculto inegável, que fui transformando e desenvolvendo a minha identidade enquanto futura profissional. A riqueza deste tipo de aprendizagem deixou marcas que agora revejo na minha própria actuação.

Assim, em retrospectiva, considero que as instituições de formação têm cada vez mais, de perspectivar metodologias de formação que levem o formando a questionar-se e a investigar a sua própria prática, não apenas no ano de estágio mas ao longo de todo o percurso académico, para que este tipo de atitude e forma de estar perante o ensino, que se revela inconstante e difícil, se torne rotina de actuação profissional, promovendo novas e renovadas formas de conhecimento.

Deste modo, o “choque com a realidade”, tantas vezes referido na literatura (Silva, 1997, p.52) será assim minimizado se os futuros professores forem incentivados, desde cedo, a assumirem uma postura crítica perante a realidade que se lhes apresenta, consciencializando-se claramente daquilo que são e o que pensam e justificando com rigor aquilo que fazem.

Ainda que o estágio profissional se tenha vindo a revelar num momento primordial da minha formação, considero que a formação antecedente foi imprescindível para conseguir aceder de forma consciente e equilibrada ao conhecimento que o contexto escolar foi manifestando, contudo só isto não chega, não me basta, não me satisfaz. Este é apenas o início de uma formação extensa e contínua pois, concordo com Miguel Torga (1933, p.8), quando afirma que “Não há Universidade que nos tire da idade da pedra lascada.”

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