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Un angle mort : la cohérence des décisions d’orientation

II. Facteurs et mécanismes dans la genèse des orientations

II.3. Un angle mort : la cohérence des décisions d’orientation

No Brasil, segundo Paniago (2011), a atividade empreendedora começou a acontecer com um grande empreendedor chamado Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que foi uma importante figura da história brasileira e muito contribuiu para o empreendedorismo no país.

O Barão de Mauá (1813 – 1889), por ser um empreendedor de nascença, sofreu todas as dificuldades que sofre um brasileiro que ama seu país e que defende o mesmo com o sonho do desenvolvimento de seu negócio, de acordo com Paniago (2011).

Mauá apostou na utilização da tecnologia de ponta e é considerado o símbolo dos empreendedores capitalistas do século XIX, conforme Paniago (2011). Irineu criou um banco, o Banco Mauá, que teve filial na Inglaterra e vários outros países e, embora tudo isto, foi fechado devido ao desagrado ao imperador, que não concordava com o estilo do mesmo, o que levou ao nascimento do conhecido Banco do Brasil.

Marcovitch (2007) afirma que no ano de 1914, em pleno sertão nordestino surgiu um lugarejo com o nome de Pedra e que se transformou no berço do empreendedorismo brasileiro. Via-se um traçado de ruas modernas, com casas de bom padrão, em alvenaria, abastecidas de água, eletricidade e sistema de esgoto. Os moradores eram bem vestidos operários habituados a não jogar lixo nas ruas. Havia também médicos e dentistas que atendiam toda a população. Os índices de violência eram zero, pois a lei era cumprida à risca, com o máximo rigor.

O responsável por esta realidade considerada atualmente como utópica foi o pioneiro Delmiro Gouvêia, que estabeleceu em Pedra uma grande fábrica e deu vida nova ao lugar, segundo Marcovitch (2007), que o considera como o mais inovador dos empresários nordestinos de seu tempo. Essa inovação é devida tanto ao aporte de tecnologias quanto à gestão dos recursos humanos. Delmiro ficou conhecido como o rei do comércio de couros, grande construtor imobiliário e de estradas, agricultor instruído, consagrou-se por ter instalado a primeira hidrelétrica do rio São Francisco.

Conforme Dornelas (2008), o movimento do empreendedorismo no Brasil, com a total compreensão do termo, começou a se formar na década de 1990, em que entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Anteriormente a isso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de pequenas empresas. Os setores político e

econômico do Brasil não eram favoráveis, e o empreendedor quase não encontrava informações e apoio para dar início a carreira empreendedora.

Britto e Wever (2002) apresentam o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – Monitor Global do Empreendedorismo, elaborado por duas escolas de administração de grande renome, o Babson College, dos EUA, e a London School of Business, da Inglaterra, e realizado em 37 países, que mostra o desempenho dos países em termos de iniciação empreendedora e apontou os resultados a seguir para o Brasil no ano de 2002:

 O Brasil possui um grau relativamente alto de atividade empreendedora: 13,5 em cada 100 adultos da População Economicamente Ativa (PEA) são empreendedores, posicionando o país em sétimo lugar do mundo. Todavia, mais da metade deles está empreendendo por necessidade e não por interesse ou oportunidade;

 As mulheres brasileiras são bastante empreendedoras: a proporção é de cerca de 40%, uma das maiores entre todos os 37 países participantes da pesquisa;  A intervenção do governo possui duas facetas: tem diminuído, mas ainda se

manifesta como uma barreira burocrática;

 A disponibilidade de capital no Brasil é insuficiente. Muitos empreendedores brasileiros ainda enxergam o capital como algo difícil e caro de se auferir. Um fato agravante é que os programas de financiamento existentes não são claramente divulgados;

 A falta de tradição e legado e o difícil acesso aos investimentos continuam sendo os principais impedimentos ao exercício empreendedor no Brasil. Há uma necessidade urgente de estimular as práticas de investimento;

 O tamanho do país e seus contrastes regionais exigem programas descentralizados. As diversidades regionais de cultura e infraestrutura também exigem uma noção localizada do capital de investimento e dos programas de treinamento;

 Infraestrutura precária e pouca disponibilidade de mão de obra qualificada têm sido um empecilho à difusão de programas de incubação de novos negócios fora dos grandes centros urbanos;

 O ambiente político-econômico tem aumentado o nível de risco e incerteza sobre a estabilidade e o desenvolvimento. Com o governo Lula, estas expectativas teriam uma melhora em 2003;

 Existe uma necessidade de aprimoramento no sistema educacional como um todo, o que estimulará a cultura do empreendedorismo entre os jovens adultos. Os programas existentes têm sido vistos como destoantes da realidade, com pouca integração à graduação e ao ensino básico;

 Não há proteção legal dos direitos de propriedade intelectual, os custos para registro de patentes no país e fora dele são altos e os instrumentos de transferência tecnológica são poucos. As universidades ainda estão isoladas da realidade dos empreendedores.

Já em 2010, de acordo com a Global Entrepreneurship Monitor (2011), o relatório da pesquisa GEM trouxe informações positivas em relação ao cenário empreendedor brasileiro, destacando a TEA – Taxa de Atividade Empreendedora de 17,5%, que foi a maior registrada desde 2002, quando a pesquisa começou a ser realizada no Brasil. Nesses 11 anos em que o país participa da pesquisa, tem mantido uma média superior à média dos países estudados pela GEM que foi de 11,7%, em 2010. A TEA média do Brasil de 2002 a 2010 é de 13,38%.

De acordo com Pereira (2000), o crescimento do número de incubadoras de empresas no Brasil cresceu surpreendentemente no final da década de 1990. Passou-se de 19 incubadoras em operação em 1994 para uma centena em 1999. Um aumento médio de 40% ao ano. Contrariamente a muitos outros países, as incubadoras brasileiras possuem um forte vínculo com as universidades. Um levantamento feito pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores em 1999 apontou que cerca de 80% das incubadoras no Brasil mantêm convênios com universidades e instituições de pesquisa.

Para Filion (2000), a cultura do Brasil é a do empreendedor espontâneo, que está sempre presente. Este indivíduo precisa apenas de incentivo, como uma flor precisa do sol e um pouco de água para crescer na primavera. O Brasil está posicionado em cima de uma das maiores riquezas naturais do mundo, que ainda é, de certa forma, pouco explorada: o potencial empreendedor dos brasileiros. Atualmente, é um dos países em que poderia haver uma grande explosão empreendedora.

Consoante a Dornelas (2008), o Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário brasileiro, que procura junto à essa instituição todo o suporte que necessita para iniciar seu negócio, além de consultorias para resolver pequenos problemas de seu empreendimento. Já a Softex possui um histórico que pode ser confundido com o histórico do empreendedorismo no Brasil na década de 1990. A sociedade foi criada com o objetivo de levar as empresas de software do país ao mercado exterior.