Chapitre 2 — La figure de l’auteur inauthentique : deux auteurs réels dans la littérature danoise
2.2 Le cas Andersen
2.2.1 Andersen comme auteur lyrique et l’importance du stade épique
3. 1 - A parole de nuit
Esquecer , par a mi m, é quase i gual a per der di nhei r o
Guimarães Rosa
Na sociedade ocident al , a l uz é uma met áf ora recorrent e para a razão e para o pensament o l ógico. Ral ph Ludwig observa que est a imagem é inst aurada no Il uminismo, que com seu pensament o anal ít ico procura dissipar as t revas da ignorância (1994, p. 18). Expressões como “ à l uz de” , “ cl areza” , “ el ucidar” , “ escl arecer” demonst ram como est e ideal é val orizado. O que podemos pensar de uma l it erat ura da noit e, uma est ét ica permeada de obscuridade?
Assim se designa a l it erat ura cont emporânea ant il hana, como La Par ol e de Nui t . Est a remont a às f ogueiras t radicionais, diant e das quais os homens se
reuniam para ouvir a pal avra do cont ador de est órias (o gr i ot ). Nest e ambient e
mít ico, a memória dos ant epassados é rel embrada, as adivinhas e cant os são prof eridos e a sabedoria ancest ral é t ransmit ida.
E krii? Grit a o cont ador;
E kraa! Deve responder a assembléia Kout é pou t ann, t ann pou konpwann. . .
Ouça par a escut ar , escut e par a compr eender . . .
Sa ki ka f è’ y pa ka sèvi’ y, sa ki sèvi’ y pa t é ké kloué’ y?
Quem o const r ui u não o ut i l i za, quem o ut i l i za não pode f echá-l o? Um cai xão, deve grit ar a assembl éia.
(CHAMOISEAU; CONFIANT, 1999, p. 78, t radução nossa)
A noit e, mesmo na visão ocident al , const it ui o universo do prazer, quando as obrigações cessam e dão l ugar ao descanso e ao l azer. Est e moment o corresponde ao que Mikhaïl Bakht in descreve como “ t empo al egre” para def inir as f est as medievais, que se opõem ao “ t empo do t rabal ho” (1987, p. 191).
Nas Ant il has, durant e o período col onial , est a oposição f icava ainda mais nít ida quando “ o t empo al egre” se opunha à j ornada de t rabal ho nos engenhos. Aos negros só rest ava a noit e para escut ar o gr i ot , l onge da f iscal ização e das
exigências dos senhores. De acordo com Pat rick Chamoiseau e Raphaël Conf iant , est e t eria surgido ent re os sécul os XVII e XVIII, nas seguint es condições:
A casa gr ande, após o j ant ar i l umi nado, apaga-se subi t ament e. Os cães, f ei t or es e capat azes est ão mer gul hados no r ei no dos sonhos. [ . . . ] Na senzal a, um gr upo de escr avos se r eúne embai xo de uma gr ande ár vor e. El es esper am. Apr oxi ma-se out r o negr o de bengal a, com i dade avançada, com sembl ant e di scr et o, t ão i nsi gni f i cant e, se não mai s, que qual quer um del es. Sob suas pál pebr as, nenhuma i nsol ênci a. De di a, el e vi ve o t emor , a r evol t a engol i da. Mas à noi t e uma f or ça obscur a o habi t a. [ . . . ] De i nsi gni f i cant e el e se er gue como o cent r o da senzal a, o mest r e da di nâmi ca dos cont os, adi vi nhas, pr ovér bi os, cant i gas que el e t r ansf or ma em l i t er at ur a, ou mai s exat ament e, em or al i t ur a18. Recept ácul o, t r ansmi ssor ou pr opagador de uma l ei t ur a col et i va do mundo, ei s o nosso cont ador cr i oul o. (1999, pp. 72 e 73).
Os aut ores observam que est e aspect o not urno t ambém se expl ica por seu carát er cl andest ino, que ambicionava principal ment e a resist ência (i bi d. , p. 52).
Just ament e por est e mot ivo, o cont ador adot a um disf arce durant e o dia. El e deve ser o mais discret o, o mais dócil possível , para prot eger a sua mensagem cont est adora (i bi d. , p. 78). Assim como os super-heróis adot am um al t er ego, o
cont ador se serve de uma boa imagem perant e o mest re para prot eger o seu of ício secret o, exercida por quem menos se espera.
O “ t empo do t rabal ho” , descrit o por Bakht in, corresponde ao período em que o homem cumpre as l eis det erminadas e segue o seu cot idiano, pois racional ment e el e sabe que é o seu dever. “ Os gracej os e a al egria opõem-se às idéias sombrias e sérias; o ordinário e o cot idiano, ao imprevist o e ao est ranho; às
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coisas mat eriais e corporais, às idéias abst rat as e el evadas” (BAKHTIN, 1984, p. 203).
No ent ant o, “ o t empo do t rabal ho” não absorve compl et ament e o homem, pois exist e nel e um f undo de subversão que o f az sonhar com o “ t empo da f est a” . Como esses dois t empos não podem coexist ir, exerce-se um visl umbrando o out ro. Est a mot ivação é t ão f ort e que uma comunidade é capaz de int erromper o t rabal ho para usuf ruir da f est a, como é o caso do carnaval , desde a Idade Média at é os dias de hoj e.
Temos ent ão a oposição do individual , exercido no moment o l aboral ; e do col et ivo, present e na f est a. Na época col onial est a dinâmica é dif erent e, pois por mais que o “ t empo al egre” t ambém sej a experiment ado j unt o a uma col et ividade, o t rabal ho não é f eit o em benef ício próprio, o que desf az o carát er individual . Como se sabe, o t rabal ho nos engenhos era f eit o pel os escravos em conj unt o e o resul t ado era usuf ruído pel o senhor do engenho.
No caso das Ant il has, a organização das moradias nos engenhos se caract erizava pel a onipresença do senhor e devido a essa caract eríst ica o hist oriador Jacques Pet it Jean-Roget a int it ul a de “ Habit ação” . Nest e sist ema, as senzal as sempre eram visíveis da Casa Grande, o que permit ia uma int eração ainda maior ent re os escravos e os senhores e, por conseqüência, gerava uma proximidade dessas vidas (apud: CHAMOISEAU ; CONFIANT, 1999, p. 44). Logo, na
Habit ação “ o senhor não ignora a exist ência do cont ador, o que f az dest e um personagem quase of icial e que, por esse f at o, deve dissimul ar sua pal avra e compl icar seus subt erf úgios” (i bi d. , p. 45). El e é a voz dos que não t êm voz.
Mesmo f azendo part e do sist ema de habit ação, a pal avra do cont ador se enquadraria no que Georges Bat ail l e descreve como “ despesa improdut iva” , ou
sej a, um esf orço sem f inal idade prát ica (1975, p. 32). Por pert encer ao âmbit o do prazer em oposição ao dever, a Par ol e de Nui t , assim como o j ogo ou a art e, acaba
f icando em segundo pl ano, como se f osse uma compensação pel o esf orço do t rabal ho. “ A part e mais apreciável da vida é dada como condição – às vezes incl usive como a condição l ament ável – da at ividade social produt iva” (i bi d. , p. 28).
Chamoiseau e Conf iant observam que dent re os papéis desempenhados pel o cont ador crioul o se encont rava a f unção de dist rair, de f azer passar o t empo. Por esse mot ivo os cont adores est avam present es nos vel órios, t ent ando “ capt ar a at enção de dezenas de pessoas, evit ar que uma del as se desespere, que t odas permaneçam at é a al vorada preservando o cal or amical em t orno do mort o e de sua f amíl ia l acrimosa” (1999, p. 81). Nest e cenário de mort e real , not a-se a mort e simból ica dos escravos, que apenas esperavam exist ir na vida. Diant e das duas mort es, o cont ador incit a a “ não parar a vida, a não se submet er ao sil êncio das af l ições, e, nest a ret omada de vida, a querer exist ir” (i bi d. , p. 82).
O “ vel ório” se opõe ao “ t empo do t rabal ho” , uma vez que est e se caract eriza pel a razão, l ogo, opõe-se ao domínio rel igioso. Como j á mencionado, a
Par ol e de Nui t cont rast a essencial ment e com o campo do racional , aproximando-se
de um universo mít ico e sagrado. O gr i ot não é soment e um cont ador de est órias,
mas t ambém um sacerdot e.
Nas sociedades t radicionais, os mais vel hos ocupam o post o de gr i ot , que são
os guardiões da t radição. Dest a f orma, cada um vai desempenhar um papel dif erent e, de acordo com sua área de at uação.
Os vel hos cont i nuam a assumi r f unções i mpor t ant es na soci edade, f unções que apel am par a conheci ment os na t r adi ção de vár i os domíni os: j ur ídi co, r el i gi oso, médi co- mági co, educaci onal e econômi co. Det ent or es do saber t r adi ci onal , é no moment o da i ni ci ação que t r ansmi t em
or al ment e e de manei r a r i t ual sua exper i ênci a pr át i ca às novas ger ações (KABWASA, 1982, p. 14).
Est a descrição do gr i ot como aquel e que det ém o saber, coincide com a
def inição do cont ador19 de Wal t er Benj amin:
O cont ador f i gur a ent r e os mest r es e os sábi os. El e sabe dar consel hos: não par a al guns casos, como o pr ovér bi o, mas par a mui t os casos como o sábi o. Poi s pode r ecor r er ao acer vo de t oda uma vi da (uma vi da que não i ncl ui a pr ópr i a exper i ênci a, mas em gr ande par t e a exper i ênci a al hei a). O cont ador assi mi l a à sua subst ânci a mai s ínt i ma aqui l o que sabe por ouvi r di zer (1985, p. 221).
E f oi apoiando-se na experiência al heia que os escravos que chegavam à América se viram f orçados a reinvent ar suas vidas. Édouard Gl issant os def ine como “ imigrant es nus” , cuj a única bagagem é a memória (Apud: CHAMOISEAU ; CONFIANT, 1999, p. 46). Evident ement e o gr i ot f az part e dest as l embranças e a
pal avra af ricana será evocada no int uit o de conservar a t radição ancest ral . No ent ant o, os novos gr i ot s devem adapt ar-se aos códigos sociais e l ingüíst icos que
agora l hes são impost os e, “ para resist ir, deve[ m] encont rar sua l inguagem. Est a será habit ada por vest ígios caribenhos, pois el e[ s] j á acha[ m] út il a l eit ura dest a t erra nova” (i bi d. , p. 47).
Fazia part e do novo modus oper andi do gr i ot ant il hano, agora nomeado
cont ador crioul o, a f unção de unir as diversas et nias que f ormavam a sua pl at éia, bordando os ret al hos de cada f ont e cul t ural :
O cont ador f oi t ambém, nos pr i mei r os t empos, o guar di ão das memór i as. . . Aquel e que desembar cava após a t r avessi a ut er i na se encont r ava em uma si t uação na qual seu nome, sua r el i gi ão, sua l íngua, seus val or es, sua expl i cação do mundo er am i nvál i das ou i noper aci onai s. El e não desembar cava em out r o país, mas em out r a vi da. Tudo devi a ser r ef ei t o,
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Opt amos pela mais recent e t radução f rancesa “ Le cont eur” (O cont ador), pois est a desf az a conf usão ent re aquel e que narra suas memórias com o narrador de romances. BENJAMIN, Wal t er. “ Le cont eur” . In: Œuvr es III, Paris: Gal l imard, 2000.
r econsi der ado. Nest a dest r ui ção, o cont ador er i gi a os pi l ar es de cada i magi nár i o. (CHAMOISEAU ; CONFIANT, 1999. , p. 81).
A def inição de “ guardião das memórias” , at ribuído ao cont ador crioul o, o aproxima daquel e cont ador descrit o por Benj amin. A quest ão da memória é desenvol vida em diversos t ext os ao l ongo de sua obra. Anal isaremos agora al guns dest es conceit os que se aproximam da Par ol e de Nui t .
Benj amin adot a t rês t ermos dist int os para os est ados de consciência passados: Er i nner ung, cuj a t radução é l embrança; Gedächt ni s, a memória e Ei ngedenken ou rememoração. Cada uma dessas variações vai corresponder a um
t ipo de experiência vivida. A l embrança é caract eríst ica da experiência pl ena (Er f ahr ung), que é do âmbit o col et ivo e pressupõe um t empo mít ico e universal . Já
a memória pert ence à vivência (Er l ebni s), que é de carát er pessoal e f ragment ária.
El e aproxima a rememoração do conceit o de Proust de “ memória invol unt ária” . Apesar de ser uma experiência de carát er individual , el a possui uma descont inuidade que a desl oca do t empo. Benj amin af irma: “ Onde há experiência no sent ido est rit o do t ermo, ent ram em conj unção, na memória, cert os cont eúdos do passado individual com out ros do passado col et ivo. ” (BENJAMIN, 1989, p. 107).
Em seu art igo “ Experiência e pobreza” , dat ado de 1933, Benj amin apont a o decl ínio da experiência pl ena no mundo moderno. Est e ocorreu especif icament e após a Primeira Guerra Mundial , que se caract erizou pel os combat es nas t rincheiras. O aut or observa que os sol dados vol t aram sil enciosos, j á que as hist órias dest a guerra eram t erríveis demais para serem compart il hadas. Os l ivros de guerra passam a se t ornar popul ares na década seguint e, uma vez que const it uíam a única maneira de expressar o que nel a f oi vivido.
Podemos observar a Er f ahr ung cedendo l ugar para Er l ebni s na medida em
que as experiências não podem mais ser t ransmit idas de viva voz e rest am apenas as vivências individuais e f ragment adas. Pode-se dizer que “ a t radição, em sua f orma de l egado col et ivo, como experiênci a da pl enit ude, cede o l ugar à sensação, que se vive de f orma única e sol it ária” (ROSA, 2004, p. 93).
O resul t ado dest a perda da experiência pl ena para Benj amin será o esqueciment o do engenho de cont ar. Al armado, el e quest iona: “ Quem encont ra ainda pessoas que saibam cont ar hist órias como el as devem ser cont adas? Que moribundos dizem hoj e pal avras t ão duráveis que possam ser t ransmit idas como um anel , de geração em geração?” (BENJAMIN, 1985, p. 114).
Para as sociedades modernas, as pal avras perderam sua f orça ao serem ret iradas do papel . Para Benj amin, t rat a-se de uma pobreza em conseqüência da perda da experiência. A capacidade de rememorar t orna-se mais f raca, pois cont amos sempre com o recurso da escrit a. Édouard Gl issant observa que a memória depende da repet ição e ambas desaparecem à medida que a escrit ura se af irma. Como exempl o, el e cit a os aedos que eram capazes de decorar e recit ar
40. 000 versos.
O escrit or do Mal i, Amadou Hampât é Bâ, ao escrever a sua biograf ia com mais de 80 anos, f oi int errogado a respeit o de como era capaz de l embrar com t ant a riqueza de det al hes os acont eciment os por el e vividos. El e expl ica:
A memór i a das pessoas de t r adi ção or al , que não podi a se basear na escr i t a, é de uma f i del i dade e pr eci são quase pr odi gi osas. Desde a i nf ânci a nós ér amos t r ei nados a obser var , ol har , escut ar , de f or ma que t odo acont eci ment o se i nscr evi a em nossa memór i a como em cer a vi r gem. (…) Quando eu descr evo al go vi st o na mi nha i nf ânci a, eu não pr eci so me “ l embr ar ” , eu a vej o em uma espéci e de t el a i nt er i or e só me bast a descr ever o que vej o. Par a nar r ar uma cena, me bast a r evi vê-l a. (BÂ, 1991, p. 11, t radução nossa).
Assim como a escrit a t omou o l ugar da experiência em conseqüência da Primeira Guerra, o t est emunho de Hampât é Bâ most ra quant o a oral idade cont ribui para a t ransmissão do saber nos mol des que Benj amin t ant o ressent e nas sociedades modernas. Est a t ransmissão de saber é caract eríst ica das sociedades af ricanas e a art e de cont ar é preservada pel o gr i ot , como vimos ant eriorment e.
Fazia part e da f unção do gr i ot dar cont inuidade à sua sabedoria, ensinando
às gerações f ut uras a t ransmit i-l a a seus f il hos, como o anel de pal avras ou o t esouro ent errado no vinhedo20 cit ados por Benj amin em “ Experiência e Pobreza” . Est e l egado const it ui a riqueza maior de seus ancest rais: a experiência pl ena (Er f ahr ung) que é mant ida pel a Par ol e de Nui t .
O escrit or Nsang O’ Khan Kabwasa observa que essa t ransmissão do saber se encaixa na “ visão animist a af ricana do universo, segundo a qual a vida é uma corrent e et erna que f l ui at ravés dos homens em gerações sucessivas” (1982, p. 14). Por isso a import ância de pert encer a um grupo, pois dest a f orma cada membro “ não pode ser separado nem dos que o precederam, nem dos que o irão suceder, e os val ores t radicionais o prot egerão cont ra o abandono e a sol idão” (i bi d. , p. 15).
Nest a dinâmica, a memória oral est abel ece um víncul o em rel ação aos homens por el a envol vidos. A oral idade ocorre da esf era da t radição para o individual , ou sej a, a experiência pl ena (Er f ahr ung) é t ransmit ida a t odos, mas sem
abranger uma vivência em part icul ar (Er l ebni s), uma vez que a noção de indivíduo –
na acepção moderna do t ermo – não exist e nas sociedades t radicionais.
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“ Em nossos livros de l eit ura havia a parábola de um vel ho que no moment o da mort e revel a a seus f il hos a exist ência de um t esouro ent errado em seus vinhedos. Os f il hos cavam, mas não descobrem qual quer vest ígio do t esouro. Com a chegada do out ono, as vinhas produzem mais que qual quer out ra da região. Só ent ão compreendem que o pai l hes havia t ransmit ido uma cert a experiência : a f el icidade não est á no ouro, mas no t rabal ho” (BENJAMIN, 1985, p. 114).
Ao descrever a Par ol e de Nui t , Ral ph Ludwig observa que a própria memória
cul t ural vai ser dif erenciada pel o f at o de não f azer part e de um l ivro de Hist ória. Segundo o aut or, o f at o de a memória de um povo est ar inserida no domínio da escrit a signif ica est ar prot egida e passível de uma compreensão duradoura. No ent ant o, a rel ação ent re a memória e a sociedade se perderá, j á que ninguém t erá acesso à t ot al idade da memória escrit a de um povo. O aut or concl ui que:
Cont r ar i ament e à t r adi ção or al , a memór i a escr i t ur al não é f undada no model o da compr eensão e i dent i f i cação di r et a, mas no da anál i se. É nest e at o de anál i se cul t ur al que nasce o f enômeno do i ndi vi dual i smo, que r esul t a por t or nar o homem consci ent e do que o apr oxi ma ou o separ a de seu mei o. (LUDWIG, 1994, p. 16, t radução nossa).
A quest ão da oral idade possui um papel ainda mais import ant e no caso das Ant il has, uma vez que a memória oral é const ruída pel os f ragment os de cul t uras esparsas, unidas como num cal eidoscópi o pel a experiência comum dest a nova real idade. Del a depende a ident idade do povo ant il hano, t ão f ragment ada e desprovida de um mit o f undador, como observa Édouard Gl issant . Chamoiseau e Conf iant observam que, al ém de capt urar a pal avra af ricana, o cont ador t ambém é rico da América pré-col ombiana e da Europa. Em out ras pal avras, “ el e é crioul o, ou sej a, j á é múl t ipl o, j á é mosaico, j á é imprevisível ” (1999, p. 47).
Ret omando o art igo supracit ado, Benj amin af irma que o resul t ado f inal da perda da experiência é um novo conceit o de barbárie: “ Sim, é pref erível conf essar que essa pobreza de experiência não é mais privada, mas de t oda a humanidade. Surge assim uma nova barbárie” (BENJAMIN, 1985, p. 115).
O novo conceit o de barbárie pressupõe um aspect o posit ivo, j á que a pobreza de experiência “ impel e a part ir para f rent e, a começar de novo, a