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fósseis pode causar superaquecimento da atmosfera e desequilíbrio climático da Terra, colocando em risco a sobrevivência da humanidade. O vapor d’água atua

como termorregulador no transporte de calor latente1, além de influir no efeito

estufa pelo fato de deixar passar a radiação de onda curta e de absorver com eficiência a radiação infravermelha (onda longa) reemitindo-a à sua temperatura (VIANELLO; ALVES, 1991).

Portanto, a massa fluídica que envolve a Terra tem a função de equilibrar o ciclo energético, que se inicia com a energia radiante do Sol, interage em reações fotoquímicas e circula pelo globo (circulação geral da atmosfera) tanto com subs- tâncias naturais (gases, aerossóis) quanto com aquelas geradas pela atividade hu- mana, como os desmatamentos.

A incidência diferenciada de radiação, no globo terrestre, cria diferenças de pressão que condicionam o movimento das massas de ar e determinam os dife- rentes climas. Mudanças de temperatura e de pressão movem as grandes massas de ar. A diferença de pressão ocasiona o movimento das massas de ar, no sentido da alta pressão para a baixa, ou melhor, o ar quente pesa menos que o frio, o ar úmido pesa menos que o seco. Por isso, a massa de ar quente ou úmida torna-se mais leve, “sobe” e, no seu lugar, penetra a massa de ar fria, seca e mais pesada. O movimento da massa de ar quente substituída pela massa de ar fria provoca o vento (corrente de convecção), medido pelo anemômetro. A  velocidade dos ventos influi na dispersão das sementes, dos micróbios e da poeira. A direção do vento predominante em determinado momento, apontada pela biruta, pode sig-

nificar a mudança das condições do tempo2.

Em uma escala local, os pigmentos fotossintetizadores das plantas captam a luz, e a produção primária dá início à cadeia alimentar. O uso racional dos recur-

1 Calor latente – Ao passar da fase líquida para a gasosa, absorve calor do ar circunvizinho,

resfriando-o, e, ao retornar da fase gasosa para a líquida, libera calor (latente) acumula- do, aquecendo a atmosfera. Desempenha, assim, função de transporte de calor latente e interfere no efeito estufa, na medida em que impede a camada de ar junto ao solo de se esfriar em demasia durante a noite.

2 Manifestação climática do dia: ensolarado, nublado, chuvoso, quente, frio, com ou sem

sos naturais é um mecanismo natural. O fototropismo é o movimento das plantas em direção à luz, para receber maior quantidade de energia e aumentar sua efi- ciência fotossintética. O vento e o calor do Sol afetam a evaporação dos corpos d’água e a transpiração das plantas (evapotranspiração3) e dos animais. Fisiologi-

camente, as plantas e os animais também possuem artifícios para poupar água em condições desfavoráveis.

Essas informações são importantes para compreender que o clima é fator determinante tanto para a flora nativa quanto para a fauna silvestre, bem como

para a formação do solo (intemperismo4), pois integra os diversos ciclos da natu-

reza.

A divisão do ano em estações resulta da inclinação (23° 27’) do eixo de ro- tação da Terra em relação a seu plano de translação ao redor do Sol (eclíptica), períodos mais conhecidos como primavera, verão, outono e inverno (OMETTO, 1981). Nos trópicos, as estações não são bem definidas, mas normalmente estão associadas a duas estações: um período seco, sem chuvas, e um período úmido, chuvoso. Essa sazonalidade influi no ciclo de vida dos vegetais e animais e nas atividades do ser humano, como turismo, moda e alimentação.

A chuva ou precipitação pluviométrica é a condensação do vapor d’água pelo resfriamento ocasionado pela altitude e pela impossibilidade de flutuação das gotículas ao tornarem-se mais pesadas. A quantidade e a frequência das chu- vas influem na disponibilidade de água, energia, ar puro, bem como na produção agrícola, além de causar enchentes, secas e, consequentemente, influenciar nas questões sociais, causando, por exemplo, o êxodo rural. O  enxofre e os óxidos de nitrogênio lançados pelas indústrias misturam-se ao vapor d’água presente na atmosfera, nas “nuvens”, originando as chuvas ácidas. A precipitação de ácido

3 É o fenômeno associado à perda conjunta de água do solo pela evaporação e da planta

pela transpiração (OMETTO, 1981).

4 O mesmo que meteorização; é o conjunto de modificações de ordem mecânica, físico-

química ou bioquímica que ocorrem com as rochas no contato com os agentes atmosféri- cos – temperatura, umidade, chuva, etc. – ou biológicos, provocando a decomposição das rochas e formando os solos.

sulfúrico e de ácido nítrico destrói monumentos, a vegetação e causa problemas de saúde.

No Brasil, verifica-se uma grande variação climática entre as regiões, em virtude da proporção continental do País, pois a distância do oceano e o relevo influenciam na condução de vapor d’água e de calor pelas massas de ar. As chuvas orográficas ou chuvas de relevo impedem o avanço dos ventos úmidos para o interior e criam uma condição de seca atrás desses acidentes geográficos, como, por exemplo, a Zona da Mata e o Sertão nordestino.

Não é raro observar a influência desses fenômenos físicos em escala micro- climática, como a proximidade de uma mata, a existência de árvores em estacio- namento ou a presença de edifícios ocasionando sombra, impedindo a circulação do ar e aumentando a amplitude térmica do bairro.

Assim, as condições climáticas refletem não só o balanço de energia, mas também o equilíbrio hidrológico da Terra.

Referências

OMETTO, J. C. Bioclimatologia vegetal. São Paulo: Agronômica Ceres, 1981. 440 p.

O termo agroenergia popularizou-se nos últimos 5 anos, aparecendo fre- quentemente não só em textos científicos e técnicos, mas também em veículos de grande alcance, como em jornais, revistas, na televisão, nos blogs e na Internet de maneira geral. Quem nunca ouviu dirigentes importantes do País bradar a ple- nos pulmões que o Brasil pode vir a se tornar uma grande potência na produção de biocombustíveis, como o etanol, obtido da cana-de-açúcar, e o biodiesel, fabri- cado a partir da soja, da mamona ou do dendê? Entretanto, ouvir falar não signifi- ca conhecer e compreender a real importância do termo para a vida de cada um, para a região em que se vive, para o País e mesmo para o mundo.

Energia

Inicialmente, é indispensável compreender a importância que a energia em suas diversas formas (mecânica, elétrica, térmica, nuclear, luminosa, quími- ca, cinética, entre outras) tem para a vida. Essa diversidade além de esclarecer o quanto a energia é essencial para a vida e aproximar o termo do cotidiano de cada um, dificulta uma definição precisa. Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (FERREIRA, 2010, p. 750), a palavra energia é “[...] a propriedade de um sistema que lhe permite realizar trabalho, ou executar uma ação”. A etimologia da palavra tem origem no idioma grego, no qual ergos (ergos) significa trabalho.

Agroenergia

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