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L’ancrage, le docking et le regroupement

O diagnóstico permite organizar a estrutura que irá acompanhar e avaliar o projeto

(Guerra, 2010, p.145), sem um levantamento exaustivo de todos os recursos endógenos existentes no terreno os processos de mudança nunca poderão ocorrer. Dessa forma o diagnóstico revela-se um importante instrumento de recolha de dados sobre as problemáticas do objeto de estudo, porque vai ao terreno perscrutar os seus atores, envolvê-los na participação, para em conjunto desenharem um plano de ação.

O diagnóstico que aqui se apresenta também foi ao territórios educativos da região de castelo branco para recolher os dados, perscrutar os atores e com eles desenhar um plano de intervenção. A expetativas da pesquisa podia ter saído defraudada se o conteúdo dos dados recolhidos não fosse tão rico em pormenores e exemplos.

O vazio provocado no facto de não conseguirmos perscrutar na profundidade um território educativo foi preenchido pela dinâmica que se empreendeu na nova forma de olhar a problemática. Indo à CPCJ/l e a partir do acesso aos processos de sinalização de casos que reportam ao agrupamento em causa perceber os dispositivos que o mesmo utiliza na sinalização das situações de risco.

Por se terem recolhido dados através de notas de campo, que apenas usamos apenas como referência vamos citá-las, neste momento do pesquisa quando se operacionalizam as conclusões finais e as ideias gerais que o mesmo clarifica sobre a problemática em estudo.

Dessa forma as notas de campo recolhidas no agrupamento Voo da Águia revelam-se indicadores importantes que permitem clarificar no plano de ação algumas atividades para as mesmas. No que concerne à definição de risco ficou claro que entendem o mesmo como uma situação de limite, que envolve as relações da família, as situações de risco a escola resolve, as situações que envolvem carência sem negligência (partem do princípio que tem mas não quer). Foi possível anotar que consideram que o risco de duas formas, uma que pode ser imediata e outra que pode ser de longo prazo. Os casos que reportam à CPCJ têm formulário próprio e são encaminhados através do interlocutor da CPCJ, um professor que estabelece a ligação entre as instituições.

Acompanham situações de comportamento e risco escolar e, consideram que os animadores que trabalham os recreios da escola são um complemento da família.

Relativamente à recolha documental, estes revelam-se importantes documentos que sintetizam o acompanhamento pormenorizado das situações de acompanhamento, e incluem os dados biográficos, indicadores familiares, os indicadores escolares, os fatores de risco, os fatores condicionantes e determinantes para a compreensão do risco. São instrumentos de trabalho produzidos pelos técnicos que promovem a intervenção. É possível através destes ler e construir numa dimensão mental as situações de risco em que

as crianças se inserem por apelarem de forma minuciosa e percetível à descrição das mesmas.

Enquanto instrumento de recolha de dados não limita a pesquisa em termos de informação e constitui-se como um instrumento que permite uma triangulação de dados com outros instrumentos. Deste ponto de vista concluem-se duas considerações, enquanto instrumento de registo escrito obriga os técnicos à capacidade de síntese objetiva reportando-se ao que é mais importante e referencial para o processo de intervenção, por outro lado é um registo que permite construir um registo biográfico da intervenção e a partir dele desenvolver momentos de avaliação.

A entrevista gravada por apelar à oralidade permite ao entrevistador a divagação ou a explanação do seu próprio ponto de vista, enumerando situações de risco ou violência que por não estarem a ser acompanhados, logo não são registadas, se podem vir a desconhecer do campo da pesquisa e, por se reportar á gravação é um processo que implica morosidade e tempo para elencar dados importantes para a compreensão da problemática.

O diagnóstico tem ainda outra vantagem enquanto instrumento que permite levantar todos os dados inerentes à compreensão da problemática, por implicar a presença do investigador no terreno obriga-o a cruzar olhares com a pluralidade do meio escolar e a partir destes inferir questões que a partida não são consideradas fundamentais para a compreensão da problemática, nomeadamente a questão das minorias étnicas que só ganhou relevância no campo da pesquisa.

O campo da pesquisa é equiparável a uma investigação criminal e desse ponto de vista revela-se um indicador importante para a compreensão profunda da problemática do objeto de estudo, quando segue pistas, vai interpelando novos atores e vai descobrindo novos indicadores ou novas dimensões para a compreensão da mesma. Isso mesmo foi o que se passou em relação à presença da REAPN/l neste processo de investigação.

É a partir do território educativo Olhos de Lince que se considera fulcral perceber a relação que esta instituição tem na articulação com os meios familiares caraterizados pela pobreza e pelas carências económicas. E nesse processo de envolvimento presencial entre o que investiga e o que colabora na investigação que se percebe que também desta instituição se parte para a escola no sentido de promover a intervenção social junto das crianças. O projeto crescer na cidadania está implementado em alguns agrupamentos para trabalhar conceitos como a exclusão social e a pobreza, mas também afetos.

O diagnóstico também se constitui um importante instrumento de referência às dinâmicas escolares, nomeadamente, ao Clube de Dança e ao Clube de Voluntariado. O Clube de Dança funciona como uma atividade extracurricular e constitui-se um dispositivo importante na deteção de situações problemáticas. Ser técnico de serviço social e ao mesmo tempo, professor do clube de dança permite aproximar os alunos do gabinete do serviço social. Por outro lado, esta relação de proximidade no Clube de Dança, em que os alunos vão dialogando entre si, conseguem dar a entender situações que envolvem o meio

escolar, nomeadamente, através de uma conversa informal foi possível detetar que um grupo de alunos levava para a escola navalhas.

Da análise ao diagnóstico também se pode concluir que as famílias problemáticas que precisam de trabalhar no espaço EPEE são as que menos se sentem motivadas para o fazer porque têm vergonha de expor a situação em que se encontram. O espaço EPEE trabalha pais e alunos.

Os diretores de turma são figuras centrais, a par dos assistentes operacionais, na relação família-escola por se encontrarem disponíveis, para lá do horário de trabalho.

O diagnóstico constitui-se o elemento fulcral para se desenharem as propostas do plano de ação, que envolvem a definição de objetivos e estratégias para a ação de forma a promover uma articulação concertada que envolva recursos humanos e, recursos matérias e parcerias, fundamentais para promover uma intervenção de ação suscetível de promover mudanças familiares que impliquem por sua vez as tão ambicionadas mudanças sociais, necessárias à promoção e proteção dos direitos da criança.