CHARACTERIZATION OF SUNFLOWER GENOTYPES (Helianthus annuus) IN SEMIARID OF MINAS GERAIS
JOSÉ C. F. RESENDE1, CÂNDIDO A. COSTA2
1Epamig Norte, Caixa Postal 52, 39.404-128 Montes Claros, MG. e-mail: [email protected]; 2UFMG-ICA, Montes Claros, MG.
Resumo
Dois experimentos preliminares foram conduzi- dos na safra de 2006/2007 na Epamig, campos experimentais de Acauã (Leme do Prado, Ba- cia do Jequitinhonha) e de Mocambinho (Jaíba, Norte de Minas), ambos em Minas Gerais. Fo- ram avaliadas características de genótipos de girassol, dentre as quais a altura de plantas, o diâmetro do capítulo e a produtividade. O deli- neamento utilizado foi o e blocos ao acaso, com cinco repetições, e as médias foram avaliadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de probabilida- de. As plantas de maior porte foram observadas no Norte de Minas e encontrou-se variabilidade entre os genótipos nos dois locais para esta característica. Não foram verificadas diferenças entre os híbridos testados para o diâmetro do capítulo e produtividade nos dois locais estuda- dos, entretanto, para a última variável, em valor absoluto, rendimentos superiores foram alcan- çados no Norte de Minas Gerais.
Palavras-chave: Altura de plantas, produtivida- de, Helianthus annuus
Abstract
Two preliminary experiments were conducted in the 2006-2007 seasons at Epamig, in the experimental fields of Acauã (Leme do Prado, Bacia do Jequitinhonha) and Mocambinho (Jaíba, Norte de Minas), both in Minas Gerais. Characteristics of sunflower genotypes were evaluated, among them plant height, head diameter and yield. The experimental design was a randomized complete block design with five replicates, and the means were evaluated by the Scott-Knott test at 5% probability. Larger plants were observed in the North of Minas Gerais and variability was found between the genotypes at both sites for this characteristic. No differences were verified between the hybrids tested for the diameter of heads and productivity in the two sites studied, however, for the last variable, in absolute value, higher yields were achieved in the Northern Minas Gerais.
Key-words: Plant height, productivity, Helianthus annuus
Introdução
O girassol (Helianthus annuus L.) apresenta ca- racterísticas agronômicas importantes, como maior tolerância à seca, ao frio e ao calor, quando comparado com a maioria das espécies cultivadas no Brasil (Leite et al., 2005). Entre outros usos, suas sementes podem ser utiliza- das para fabricação de ração animal e extração de óleo de alta qualidade para consumo huma- no ou como matéria-prima para a produção de biodiesel. Devido a essas particularidades e à crescente demanda do setor industrial e comer- cial, a cultura do girassol é uma importante al- ternativa econômica em sistemas de rotação, consórcio e sucessão de cultivos nas regiões produtoras de grãos.
A obtenção de informações por meio da pesqui- sa tem sido decisiva para dar suporte tecnoló- gico ao desenvolvimento da cultura, garantindo melhores produtividades e retornos econômicos competitivos. Entre as várias tecnologias desen- volvidas para a produção de girassol, a escolha adequada de cultivares constitui um dos princi- pais componentes do sistema de produção da cultura. Diante da existência de interação genó- tipos x ambientes, são necessárias avaliações, a fim de determinar o comportamento agronô- mico dos genótipos e sua adaptação às diferen- tes condições locais.
O objetivo deste trabalho foi avaliar caracterís- ticas de quatro genótipos em estudo preliminar no Norte de Minas e Bacia do Jequitinhonha, para que se determinasse a adaptação da espé- cie em região semiárida de Minas Gerais.
Material e Métodos
Os experimentos de campo foram conduzidos nas áreas experimentais da Epamig Norte, em Leme do Prado-MG, Campo Experimental de Acauã (CEAC), situado na Bacia do Jequitinho- nha e em Jaíba-MG, Campo Experimental de 32
Mocambinho (CEMO), no Norte do estado, na safra 2006/2007. As respectivas coordenadas geográficas dos locais dos experimentos são 17º 08’ 28”’ S, 42º 69’ 22” W, 812 m e 15° 33’ 83” S, 43° 67› 53” W, 470 m.
O preparo de solo foi realizado com uma aração usando arado de disco e duas gradagens leves, e a semeadura feita manualmente na data de 12/12/2006. Além da adubação recomendada na semeadura (40 a 60 kg ha-1 de N, 40 a 80 kg ha-1 de P
2O5 e 40 a 80 kg ha-1de K2O), procedeu- -se a recomendação de adubação com boro (B) com 2,0 kg ha-1 via solo. A fonte de B usada foi bórax, misturada com a adubação de base ou com o nitrogênio em cobertura aos 25 dias após a emergência das plantas.
O controle de plantas daninhas foi feito com duas capinas manuais no início do ciclo da cul- tura e 30 dias após a semeadura, sendo que não foram utilizados defensivos agrícolas nos dois ensaios. Os caracteres avaliados foram a altura de planta (cm); diâmetro do capítulo (cm) e rendimento de grãos (kg ha-1).
Foram utilizados os híbridos de girassol Helio 250, Helio 251, Helio 358 e Helio 360, desen- volvido pelo programa de melhoramento de gi- rassol da Heliagro. Os dois experimentos segui- ram o delineamento experimental em blocos ao acaso, com cinco repetições. A parcela experi- mental foi constituída por cinco linhas de 6,0 m de comprimento espaçadas de 0,70m, com distância entre plantas de 0,30m, totalizando, portanto, 21 covas/linha de 6 metros. Foram colocadas três sementes/cova com densidade de semeadura aproximadade 45.000 plantas ha- 1. A área útil constou de duas 2 linhas centrais, eliminando-se 0,50 m de cada extremidade. A implantação e condução do girassol seguiram as recomendações feitas para a cultura (Castro et al., 1997).
A análise de variância foi realizada para os caracteres indicados, considerando os dados amostrais obtidos em cada local. A comparação dos híbridos, em cada local foi feita por meio do teste de Scott-Knott, a 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram realizadas usando-se o programa Genes (Cruz, 2006).
Resultados e Discussão
Na Tabela 1 estão apresentados os valores de precipitação pluvial, e temperaturas máximas e mínimas entre os meses de dezembro de 2006
a abril de 2007 nos dois locais de ensaio. Veri- fica-se que o índice pluviométrico no período da condução da cultura do girassol, nos dois cam- pos experimentais foi muito satisfatório, pois as chuvas foram uniformemente distribuídas ao longo do ciclo da cultura. As temperaturas mí- nimas, bem como as máximas foram favoráveis ao crescimento e desenvolvimento da espécie, pois se situaram entre 19,3 e 33,5 (ºC). O de- senvolvimento do girassol ocorre em uma faixa de temperatura entre 10 ºC a 34 ºC sem que haja redução significativa da produção, indican- do adaptação a regiões de dias quentes e noi- tes frias. No entanto, a temperatura ótima para o seu desenvolvimento situa-se na faixa entre 27ºC e 28ºC (Castro et al., 1997).
Apesar da baixa eficiência no uso da água, de- vido a aspectos fisiológicos e morfológicos, o girassol é uma cultura considerada tolerante a seca tendo em vista o seu sistema radicular pi- votante que permite a exploração de camadas mais profundas do solo (Thomaz, 2008).
Para altura de plantas (Tabela 2), os resultados obtidos na Bacia do Jequitinhonha indicaram di- ferença significativa entre os genótipos utiliza- dos. Verificou-se maior altura média de plantas para a cultivar Helio 358, usada como teste- munha, a qual diferiu das demais. As médias mais baixas foram verificadas para os genóti- pos Helio 250 e Helio 251, cujos valores fo- ram inferiores ao do Helio 360. Capone et al. (2012), estudando três destes genótipos, obti- veram médias de altura de plantas, superiores aos encontrados no presente trabalho, inclusive às observadas neste trabalho no Norte de Minas (Tabela 3). Nesta região citada, as plantas mais vigorosas foram do genótipo Helio 360, que foi superior aos demais estudados.
Observa-se que as plantas na região norte mi- neira (Tabela 3) foram superiores em altura quando comparadas com as colhidas no outro local de ensaio (Tabela 2). Segundo Ivanoff et al. (2010), a altura de planta é um reflexo das condições nutricionais no período de alonga- mento do caule. Portanto, a resposta de cultiva- res mais eficientes é um diferencial, das condi- ções edafoclimáticas de seu cultivo.
Para as características diâmetro do capítulo e produtividade, os resultados foram iguais para os dois locais de experimentação, não apresen- tando diferença significativa para as cultivares testadas no trabalho (Tabela 2 e 3). Santos et
al. (2012), obteve média do diâmetro do capí- tulo de 15,50 cm para os cultivares Helio 358 e Helio 250 e média de 16,73 para o cultivar He- lio 251, em trabalho avaliando épocas de seme- adura, no sul do estado do Tocantins. Os resul- tados da Tabela 2 revelam valores semelhantes aos que os autores citados obtiveram, entretan- to, no Norte de Minas verificou-se plantas mais alongadas, e menores valores para este caráter (Tabela 3).
Comparando as médias da produtividade de aquênios das cultivares nas Tabelas 2 e 3, mes- mo não se verificando diferença significativa nos dois locais de ensaios, a média de rendi- mento foi altamente satisfatória. Segundo CO- NAB (2017) a média de produtividade de grãos de girassol na safra 2016/17 deverá ficar em torno de 1.648 kg ha-1, valor bem inferior aos encontrados nos ensaios em destaque, os quais foram também foram superiores aos reportados por Backes et al. (2008) para algumas cultiva- res testadas no presente trabalho. Silva et al. (2009) testando desempenho de espaçamento reduzido em girassol e Cadorin et al. (2012) em trabalho avaliando época de semeadura, na região noroeste do Rio Grande do Sul, obtive- ram resultados inferiores aos encontrados para o cultivar Helio 251. Em trabalho testando épo- cas de semeadura, Capone et al. (2012), obti- veram resultados semelhantes, para o cultivar Helio 358 e Helio 250.
Conclusão
As maiores produtividades foram obtidas no ensaio do Norte de Minas Gerais, para todas as cultivares, em valor absoluto. Em Leme do Prado as plantas mais altas no ensaio foram da cultivar Helio 358, e no de Jaíba as da cultivar Helio 360. Não se observou diferença entre os diâmetros do capítulo e produtividade entre as cultivares nos locais estudados.
Referências
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Tabela 1. Precipitação pluvial (mm), e temperaturasmáximas e mínimas do ar (ºC) entre os meses dezembro
de 2006 a abril de 2007, em Leme do Prado-MG e Jaíba-MG.
Mês/Ano
Precipitação (mm) Temperatura Máxima (°C) Temperatura Mínima(°C) Leme do
Prado Jaíba Leme do Prado Jaíba Leme do Prado Jaíba
12/2006 218,6 114 30,4 31,8 20,3 22,3
01/2007 138,8 122 32,8 32,8 19,6 21,5
03/2007 324,2 395 28,3 30,4 20,6 20,4
03/2007 19,6 5 33,5 32,8 20,8 19,5
04/2007 18,8 15 31,4 32,8 20,9 19,3
Tabela 2. Características de quatro genótipos de girassol no Campo Experimental de Acauã (Leme do Prado
– MG) na Bacia do Jequitinhonha, safra 2006/2007.
Genótipos Altura de plantas (cm)
Diâmetro do Capítulo (cm)
Produtividade (kg ha-1)
Helio 250 122,6c 17,654a 3275,0a
Helio 251 127,8c 17,576a 3097,4a
Helio 358(t) 148,2a 16,272a 3217,6a
Helio 360 138,0b 16,634a 3114,6a
CV(%) 5,69 9,68 17,48
As médias seguidas da mesma letra na coluna, não diferenciam entre si pelo testeScott-Knott a 5% de probabilidade
Tabela 3. Características de quatro genótipos de girassol no Campo Experimental de Mocambinho (Jaíba –
MG) no Norte de Minas, safra 2006/2007.
Genótipos Altura de plantas(cm) Diâmetro do Capítulo(cm) Produtividade(kg ha-1)
Helio 250 167,8a 12,02a 3778,40a
Helio 251 187,0a 11,27a 4149,20a
Helio 358(t) 186,2a 11,52a 3660,80a
Helio 360 192,0b 11,88a 3744,80a
CV(%) 3,74 7,55 10,56
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