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Analysis of Skill and Scalability

Hayek julgava que o planejamento da social-democracia ia levar á ditadura, ao fascismo e ao estalinismo. Bauman, cinqüenta anos depois, acha á ”engenharia social” dos nazistas e estalinistas:

"'(..) produto legítimo do espírito moderno, daquela ânsia de auxiliar e apressar o progresso da humanidade rumo à perfeição que foi por toda parte a mais eminente marca da era moderna - daquela visão otimista de que o progresso científico e industrial removiam em

principio todas as restrições sobre a possível aplicação do planejamento, da educação e da reforma social na vida cotidiana, (...)” (1995;38).

Desde o Iluminismo do século XVIII, teriamos caminhado até as câmaras de gás, quer pela crença cega no progresso, quer pela planificação social e política. Dar a responsabilidade a Rousseau, Diderot, Hegel, Marx, Proudhom, Durkheim, etc. pelo genocídio de milhões de pessoas é fazer um fraco favor à História, a não ser que o senhor julgue a história como um remedo das lendas. Tanto Hayek como Bauman^^, dizem ser óbvio que os fenômenos nacionalistas, fascistas e nazistas foram promovidos, financiados, apoiados e aprovados pelas burguesias nacionais dos países que os sofreram, para além de servir aos seus interesses econômicos, conter às idéias iluministas, revolucionárias e socialistas do final do século XVin, XIX e XX. Hobsbawm (1993) estudou a questão do nacionalismo e mostrou como o seu surgimento tem menos a ver com a sua essência metafísica, ou com a ligação identitária de determinados grupos humanos, do que com os interesses econômicos e políticos ocultos atrás de panos de cores^"*. O capitalismo, como sistema econômico gerador de luta e concorrência, aguçada no fmal de século XIX pelo fim das fronteiras e a escassez dos mercados onde vender as cada vez mais numerosas mercadorias, foi em boa medida o impulsor de todos esses processos.

O deslocamento dos objetos de estudo e a aceitação de visões acríticas com respeito à sociedade, leva a um processo de individualização que, ao mesmo tempo, gera uma sociedade atomizada e caraterizada por uma corrida louca entre os indivíduos ou entre pequenos grupos sociais procurando garantir os maiores benefícios para eles. Apesar dos esforços do Bauman, o único que foi abalado foi o socialismo soviético^^ uma tentativa de melhorar um frituro a todas luzes insuficiente. O capitalismo atual talvez não tenha esse caráter teleológico, no entanto, aparece como o passado, o presente e o futuro. Antes salientávamos o fato de haver na época social-democrata keynesiand\ um. âmbito ideológico, superestrutural, com um viés hegemônico não liberal, que limitava em certa

Pare ele a invenção arbitrária do nacionalismo não teria implicações políticas nem econômicas, ao contrário: “Ela surge da necessidade de compreender complexos arranjos sociais é políticos "(Banman

1995:73). Obviamente nos seguimos nesse ponto a Hobsbawm (1991).

Giddens discorda plenamente: “Os Estados-nação, e o sistema de Estados-nação, não podem ser explicados em termos de ascensão do empreendimento capitalista, por mais convergentes que tenham sido por vezes os interesses dos Estados e a prosperidade capitalista" (1991:68).

O papel de justificação exemplar para estas teorias dado pelo estalinismo soviético, vai ser pago durante déca<^|.

medida o individualismo. Hoje o processo virou e assistimos à constituição de uma outra hegemonia social, que assume, aceita e apóia um liberalismo individualista exacerbado.

Assim, no âmbito econômico volta-se a pensar, ou pelo menos a atuar como se se pensasse que qualquer intromissão pelo Estado paralisa as forças propulsoras da sociedade livre:

“Tal poder não destrói a existência, mas a torna impossível: não a tiraniza, mas comprime, debilita, abafa e entorpece um povo até que cada nação seja reduzida a nada mais do que um rebanho de tímidos animais industriais cujo pastor é o governo. Sempre pensei que uma servidão disciplinada, pacata e suave, como a que acabo de descrever, pode ser combinada, mais facilmente do que em geral se pensa, com algumas formas exteriores de liberdade, e que poderia mesmo estabelecer-se sob as asas da soberania popular” (Hayek 1977:XXIX).

Os interesses das populações seriam infinitos e só poderiam ser atingidos pela procura individual e particular desses interesses individuais e particulares, o que apenas acontece no capitalismo liberal. O Estado não pode atingir a felicidade de todos. O individualismo baseia-se na procura individual do bem-estar, não por egoísmo, mas pela impossibilidade de atingir um círculo amplo de interesses:

“Dai concluem os individualistas que se deve permitir ao indivíduo, dentro de certos limites, seguir os seus próprios valores e preferências em vez dos alheios; e, dentro desta esferas, o conjunto de finalidades individuais deve ser soberano e não estar sujeito aos ditames alheios. São esses reconhecimentos do indivíduo como juiz supremo dos seus próprios objetivos, e a crença de que as suas idéias deveriam governar-lhe tanto quanto possível a conduta, que formam a essência da atitude individualista (Hayek 1977:56).

Se não se cumpre este preceito o Estado tomar-se-ia super dominador e apagaria a liberdade, controlando quase tudo. Pode existir acordo no fato de dar o poder ao Estado, mas não sobre os fins a atingir. Nunca haverá maiorias qualificadas para decidir, e portanto, será a opinião duma minoria a que no fim decida. A democracia seria garantida unicamente por este sistema:

“Se capitalismo significa aqui um sistema de competição baseado no direito de dispor livremente da propriedade privada, é muito mais importante compreender que só mediante esse sistema se toma possível à democracia. Quando passar a ser dominada pelo credo coletivista, a democracia destruirá, inevitavelmente, a si mesmo"' (Hayek 1977:65-66).

Aliás, a democracia mesma está condicionada à manutenção de determinados direitos individuais, mais importantes do que o sistema em si:

“A democracia é essencialmente um meio, uma invenção útil para salvaguardar a paz interna, e a liberdade individual”(...)”Tampouco devemos esquecer que muitas vezes tem havido mais liberdade cultural e espiritual sob os regimes autocráticos do que em certas democracias - e pelo menos concebível que, sob o governo de uma maioria muito homogênea e doutrinária , o governo democrático possa ser tão opressivo quanto a pior das

“ (Hayek 1977:66).

1.3.7- FATOS

Além da discussão acadêmica, mais o menos apoiada ou rejeitada pelos poderes centrais da sociedade, encontra-se a vitória da nova hegemonia neoliberal pós-moderna. Esta vitória acontece tanto no mundo acadêmico e entre a “intelectualidade”, quanto na mídia ou no senso comum, senão não poderíamos falar de vitória hegemônica. Mas esta vitória, ou melhor está reviravolta socio-econômica, aconteceu primeiro no campo político, curiosamente no final dos anos 70, lá onde a pós-modemidade e o pós-materialismo começaram a se fortalecer.

A mudança no corpo dos Estados, - sobretudo os anglo-saxões -, e nas instituições econômicas intemacionais como o BM e o FMI, foi bmtal:

‘‘Os conceitos ultraliberais — que vêem nos funcionários públicos parasitas apegados a seus privilégios entravando o juncionamento harmonioso dos mercados — tornam-se a linha

oficial” (Guílhot 2000).

Junto ao economicismo matemático e a estigmatização do público, o

neoconservadorismo consolida um processo no que além de expulsar da economia todo afa de intervencionismo que procurasse justiça social, desenvolve-se um desejo de despolitização da sociedade.

O Banco Mundial será um dos artífices da substituição da ideologia nas organizações sociais, e investidor no desenrolamento de uma sociedade civil “livre e ativa”, não poluída de esquerdistas. Obviamente desideologizar significa apenas, apagar uma ideologia e substituí-la por outra:

“Tidas como militantes e amadoras pelos profissionais, as ONGs foram durante muito tempo negligenciadas ou combatidas, quando se faziam passar por porta-voz dos prejudicados pelos ajustes estruturais. Com a emergência de entidades humanitárias, que centraram suas atividades em situações extremas — capazes até de decretar um estado de urgência e, por conseguinte, aptas a mobilizar a opinião pública e a financiar suas campanhas — as ONG de desenvolvimento se encontraram diante de uma nova situação. A maioria delas passa por um declínio inexorável, enquanto as outras tiveram de se dobrar a uma disciplina empresarial para poder enfrentar um mercado em que a concorrência se tornou acirrada. Essa adaptação leva a uma profissionalização dessas organizações. Escolados nas técnicas de

fimd-raising e de relações públicas, os novos representantes das ONGs anglo-saxônicas são

profissionais ” (Guilhot 2000).

Segundo os autores mas críticos com as ONGs, ligados ao Le Monde Diplomatique^ no decorrer desse processo as ONGs, muitas delas, ter-se-iam mercantilizado, adotando os

mecanismos de gerenciamento, direção e marketing do mundo do mercado, agora mais selvagemente neoliberal, com conseqüências importantes;

"‘Essa profissionalização rigorosa iria levar as ONGs a recrutar um pessoal cada vez mais parecido com o das instituições a quem faziam oposição. O que não somente atenuaria o seu discurso crítico, como facilitaria uma despolitização já amplamente iniciada. Portanto, a partir de 1985-1986, a influência das ONGs junto ao Banco Mundial se explica menos por uma espécie de mobilização da base - a repercussão das manifestações "anti-FMl" nos países em via de desenvolvimento foi praticamente nula em Washington — que por sua compatibilidade profissional com a instituição. O próprio banco saberia tirar vantagens dessa situação. Ao invés de ver essas organizações como estraga-prazeres em potencial — caso em que é necessário antecipar-se, pagando um tributo retórico a algum de seus temas prediletos — o BIRD compreendeu que o seu proflssionahsmo poderia servir a seus

interesses. E que o diálogo era /^oíí/v^rXGuilhot 2000^

Talvez, possa-se explicar melhor neste contexto, o crescimento do investimento do BM nos projetos encomendados a ONGs^^, enquanto os governos eram obrigados ou obrigavam-se a reduzir o seu gasto público em favor de ajustes estruturais e ornamentais dados macroeconômicos. AS ONGs transformam-se em veículos de ascenso burocrático.

Isto apenas pode ser entendido como uma aproximação dos discursos e das ações das ONGte aos ditados do BM e outras instituições internacionais e governamentais. Como diz Guilhot, os projetos de desenvolvimento do BM, FMI, BERD, etc.,; “(...) passam p o r uma

‘reetiquetagem administrativa’, salpicados de ecologia, gênero e sociedade civil. Nada que alterasse a substância ou questionasse sua orientação neoliberar\2000)

O Banco Mundial vai aceitar uma nova linguagem, sob o lema da "boa governança" (The World Bank 1994), ponto de ancoragem das políticas de desenvolvimento dos 90. Conceitos tais como, " participação" dos cidadãos, "transparência" das instituições, respeito pelo "Estado de direito" e desenvolvimento da "sociedade civil", serão partilhados tanto pelas organizações não governamentais, que “solucionam” problemas sociais, quanto pelas organizações que provocam catástrofes sociais com as suas políticas de ajuste. Muitos autores têm falado do papel das ONG no sentido de atenuarem os efeitos das decisões macroeconômicas sobre as populações, se nos oitenta o fracasso derivou-se da aplicação maciça das políticas, nos noventa, as ONGs fariam possível a introdução das mesmas políticas sem causar revoltas sociais.

Perguntamo-nos então, como é possível que tais instituições e governos passarem do apoio as ditaduras mais infames, para a descoberta da democratização e da sociedade civil? A resposta apenas diz respeito ao mantimento das políticas econômicas mais adequadas aos

interesses das classes dirigentes das potências mundiais, só que agora justificadas com base em outros elementos.

É a suposta esquerda, a terceira via, engoliu com gosto todo o discurso.

1.3.8 - PÓS-M ODERNIDADE. SUPERESTRUTURA DO LIBERALISM O

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