Numerical Methods
3.3 Analysis of Error, According to Approximation Method
Descrevemos os fatores e suas relações a partir do agrupamento das categorias, para facilitar o seu entendimento. As seções seguintes apresentam o detalhamento de seis categorias de fatores, nesta ordem: Contexto Organizacional, Comportamento do Cliente, Comportamento da Equipe, Efeitos na Relação, Reação da Empresa, Influência da Liderança Local. Cada categoria é detalhada em dois níveis. Nas relações internas entre os fatores que a compõem e nas relações entre estes fatores e os fatores da nossa interpretação dos Princípios Ágeis da figura 10. Nestes detalhamentos, setas azuis indicam relação direta (a
variação do fator na origem da seta está relacionada a uma variação na mesma direção do fator na ponta da seta) e setas vermelhas indicam uma relação inversa.
5.3.1 Contexto Organizacional
A empresa foi criada para atender ao Cliente dentro do escopo de um projeto de interação indústria-universidade, amparado por uma legislação nacional de estímulo à inovação, chamada de Lei de Informática. A Empresa era, portanto, o lado associado à universidade nesta relação. A direção da empresa estava a cargo de dois docentes da universidade e ficava localizada no campus universitário. A Empresa seguia as normas e procedimentos administrativos da universidade.
A análise inicial dos dados revelou três fatores (e suas relações) que caracterizam o Contexto Organizacional: Relação Indústria-Universidade, Flexibilidade da Empresa, e Satisfação no Trabalho.
O ponto de partida para entendimento do Contexto Organizacional é o fator Parceria Indústria-Universidade, isto ocorre a ponto dos resultados diretos desta relação (desenvolvimento de conhecimento cientifico e tecnológico) serem considerados como o principal produto da Empresa.
“Nossos principais produtos são: primeiro desenvolvimento do conhecimento, seja cientifico ou tecnológico. Científico em que aspecto? ... a gente desenvolve ... algumas linhas de pesquisa que são acordadas entre a empresa [Cliente] e a universidade, e isso, muitas vezes intermediando professores e alunos pesquisadores. ” – Gerente de Projetos
“Estamos desenvolvendo conhecimento, seguindo tendências da indústria e ao mesmo tempo possibilitando a todos um contato com o conhecimento acadêmico. A gente está conectando efetivamente a universidade com a indústria no mais alto grau de precisão” – Engenheiro de Software
A Parceria Indústria-Universidade e a inserção da Empresa física e organizacionalmente na universidade, elevam a Flexibilidade da Empresa. Isto faz com que a empresa seja interpretada como detentora de um ambiente de trabalho mais flexível e menos exigente, se comparada com empresas do mercado “tradicional”. É possível perceber que existe uma ambiguidade na percepção dos próprios funcionários, isto ocorre porque a
flexibilidade pode ser positiva para satisfação e negativa para a motivação da equipe, na construção de softwares que funciona.
“É, temos um sistema de pontos aqui, temos também muita flexibilidade, eu acho isso bom e ruim, ...” – Líder de Equipe
“Ao chegar aqui me deparei com um ambiente completamente diferente, um ambiente onde as pessoas têm flexibilidade de horários … a primeira percepção que eu tive foi em relação ao horário, eu tinha o costume de trabalhar demais. ” – Engenheiro de Software
Neste Contexto Organizacional, em particular devido aos dois fatores acima, surge um ambiente favorável à Satisfação no Trabalho para os membros das equipes, ilustrado na figura 11.
Figura 11 - Contexto Organizacional e a Satisfação no Trabalho
Fonte: Elaboração Própria
Os participantes destacaram que as possibilidades de aperfeiçoamento acadêmico e crescimento profissional associadas à relação de Parceria Indústria-Universidade e a Flexibilidade da Empresa, são somadas à uma remuneração considerada boa e favorecem à sua satisfação:
“É uma soma de fatores, salário, pessoas, existe um incentivo para que a gente se aperfeiçoe academicamente, já que estamos em uma universidade, de repente eu gosto do contexto geral...”. – Engenheiro de Software
“É um lugar bacana, além da questão das pessoas, dos líderes, é uma convivência muito tranquila, tem a valorização que a empresa dá para o funcionário, tanto de questões de flexibilidade... vão fazer 3 anos que estou aqui e não tenho vontade de mudar”. – Líder de Equipe
“Acho são que três coisas te mantêm num lugar, é o trabalho, o ambiente e o salário ... se só uma delas atrai não dá certo, e acho que é isso que me mantém aqui”. – Engenheiro de Software
Porém, as relações descritas acima indicam que a Flexibilidade da Empresa em relação às suas normas e regulamentos não é compreendida como positiva em todos os seus aspectos, nem por todos os participantes, como pode ser visto nos trechos a seguir:
“É que as pessoas não entendem e isso me desagrada, é a flexibilidade de horário, acho que ... elas ainda têm a ideia de que por estar na universidade somos um projeto. ” – Líder de Equipe
“... eu acho que a flexibilidade não é muito compreendida”. – Líder de Equipe “Ao chegar aqui me deparei com um ambiente completamente diferente, um ambiente onde as pessoas têm flexibilidade de horários … a primeira percepção que eu tive foi em relação ao horário, eu tinha o costume de trabalhar demais. ” – Engenheiro de Software
Este cenário é congruente com os resultados de Gouveia (2016), onde a autora conclui que “parece haver um descompasso ou descasamento entre o estereótipo do profissional de computação e os contextos organizacionais flexíveis e sem hierarquia das empresas da área, onde as regras são mínimas e há uma grande demanda por autogestão, comprometimento e proatividade”. Este estereótipo, destacado pela autora, apresenta profissionais na sua maioria do sexo masculino, jovens, com alta inteligência cognitiva, “que aprendem rápido, são interessados em adquirir novos conhecimentos, mas são introspectivos e imaturos, e consequentemente apresentam dificuldades em se comunicar e se relacionar com outras pessoas” (GOUVEIA, 2016). No nosso estudo, este estereótipo descreve com precisão os profissionais que apresentaram comportamento indesejável em relação ao uso ou aproveitamento da Flexibilidade da Empresa.
Portanto, a Flexibilidade da Empresa num contexto de Imaturidade Individual dos profissionais cria condições para um surgimento de um Ambiente Permissivo, no qual a flexibilidade é utilizada para o benefício individual, muitas vezes em detrimento dos objetivos coletivos das equipes e da própria Empresa. Estes fatores e suas relações são evidentes nos recortes abaixo:
“Eu acho que talvez existe um fator: ‘empresa dentro de uma universidade’, que dá a ela (Empresa) um foco um tanto mais acadêmico. (... ) essa agregação à uma universidade faz com que os desenvolvedores, por exemplo, os mais júniores, entendam que estão em um projeto, e por isso mais flexível, e talvez menos sério do que seria em uma empresa. ” – Representante do Cliente
“É que as pessoas não entendem e isso me desagrada, é a flexibilidade de horário, acho que ... elas ainda têm a ideia de que por estar na universidade somos um projeto. ” – Líder de Equipe
“... eu acho que a flexibilidade não é muito compreendida”. – Gerente de Projetos
O Ambiente Permissivo produz dois efeitos adversos: afeta negativamente o desenvolvimento da Autonomia e Autorregulação dos indivíduos e das equipes, afetando indiretamente a sua agilidade; e gera Comportamento Indesejável que repercute na relação com o Cliente.
A trama de fatores ligadas ao Contexto Organizacional descrito acima está ilustrada na figura 12.
Figura 12 - Relações entre Fatores do Contexto Organizacional
Fonte: Elaboração Própria
A partir das discussões anteriores, resumidas nas relações expostas na figura 12, foram elaboradas das seguintes proposições:
Autonomia e Autorregulação P11 –P12 Satisfação no Trabalho P13 Contexto Organizacional Flexibilidade da Empresa Parceria Indústria- Universidade Ambiente Permissivo Imaturidade Individual Comportamento Indesejável
Proposição 1: No Contexto Organizacional, a Parceria Indústria-Universidade e a