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3 Le modèle mécanique : calcul des contraintes internes et estimation de la dégradation des cellules

4.4 Analyses des mesures

Para que se entenda a trajetória da qual percorreu o Programa Cedefam desde a sua fase embrionária até os dias atuais, houve uma busca por documentos oficiais que registrassem tal percurso e que se encontravam arquivados dentro da Unidade de Cuidados Médicos e de Enfermagem que nunca foram publicizados pela instituição. Também foram realizadas entrevistas com sujeitos que contribuíram e ainda hoje atuam no desenvolvimento das ações no Cedefam.

O Programa Cedefam: Centro de Ensino, Pesquisa e Extensão tem sua fase embrionária no ano de 1980, com o Projeto Uruguaiana (PU), que se iniciou a partir da formação de um grupo formado por 08 (oito) professores e 20 (vinte) estagiários dos cursos de Ciências Sociais, Educação, Enfermagem, Engenharia, Economia Doméstica, Letras, Medicina e Teatro. A proposta inicial do projeto era realizar visitas domiciliares, ministrar aulas de alfabetização para os alunos “fora de faixa”, fazer recreação, ter contato com os pré-escolares, realizar aulas de corte e costura, o que foi executado. Essas atividades aconteciam nas instalações da Escola de 1º grau José Bonifácio de Souza, escola que foi construída pelo Estado do Ceará em um terreno cedido pela UFC para que fossem atendidas prioritariamente as crianças da favela, o que segundo registram os documentos oficiais, não aconteceu durante os primeiros dois anos de sua construção.

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Considera-se importante frisar, que segundo relatos da professora Sulamita Vieira, integrante do PU, o projeto nasceu com o nome de Projeto Papoco por causa da denominação da favela que ele beneficiaria com suas ações, principalmente na rua Uruguaiana. O que a docente afirma se constituir no que chamou de erro pedagógico, devido ao fato de se revelar com essa denominação - uma postura autoritária advinda dos integrantes do projeto e que os mesmos desconheciam a realidade da comunidade – pois os moradores não gostavam que o seu lugar de moradia fosse identificado por aquele termo pejorativo, onde a palavra Papoco que representaria as frequentes brigas, assassinatos, tiros e atritos com a polícia que havia naquele local. Por mais que fosse uma realidade local, os moradores não gostavam que seu espaço de moradia fosse reconhecido por Favela do Papoco e nem de serem identificados desta maneira, pois a maioria se caracterizava como pessoas de bem.

O Projeto passou a ser chamado pelo seu próprio nome, Projeto Uruguaiana, atendendo aos pedidos dos moradores, o que caracterizou ainda mais a participação dos moradores na construção das ideias que seriam trabalhadas no projeto de acordo com as exigências da realidade.

O PU tinha por objetivo central romper com as práticas assistenciais vigentes, inserindo na comunidade, práticas consideradas a época, emancipatórias baseadas nos estudos de Paulo Freire. A construção de creches para que as mães pudessem deixar suas crianças e fossem em busca de emprego, na perspectiva de romper com o assistencialismo vivenciado por aquela comunidade, foi um exemplo. Outro exemplo veio através da instalação de uma lavanderia para que as mulheres pudessem fazer dali um “meio de vida”. A construção de uma horta comunitária, onde sete famílias produziam seus alimentos para seu sustento e podiam também ter uma renda pela venda das hortaliças e plantas medicinais cultivadas, também caracterizou esse objetivo. A ideia era desenvolver um trabalho para a comunidade e que tivesse a participação dela, o que os integrantes do projeto denominavam trabalho feito “de baixo para cima”.

Numa perspectiva de ampliação deste projeto, objetivo maior de seus idealizadores, o então reitor da UFC a época, o professor Paulo Elpídio conseguiu recurso do Ministério da Educação e Cultura (MEC), através do Programa de Ações Socioeducativas e Culturais (Prodasec), destinado a periferias urbanas contendo três linhas básicas de ação, dentro das quais todos os interessados em participar do programa tinham que se enquadrar. Tratava-se do apoio ao ensino de 1º grau, educação e produção de ações comunitárias. Estando esta última consonante ao trabalho que a UFC estava desenvolvendo nas comunidades e que tinha como objetivo despertar a consciência social e individual, numa perspectiva do fortalecimento da

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cidadania, promovendo o resgate de sua identidade cultural, atrelada a formação de uma consciência crítica na tentativa de substituir atitudes sociais de submissão, resignação, alienação e dispersão por atitudes que fortalecessem a prática coletiva, comunitária e política da população urbana e rural, que contribuiriam para que a população se organizasse, participasse das decisões políticas, sociais e econômicas de sua região baseado no Plano de Ação Comunitária desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará.

O convênio com o MEC pelo Prodasec para o PU foi assinado pela Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC) que ficou responsável em receber todos os recursos financeiros e destiná-los ao PU. Destes recursos, segundos escritos, uma parte foi destinada para a construção da Rádio Universitária, o que não havia nenhuma relação com o projeto. Outra parte deste recurso, destinou-se para a construção do Centro de Desenvolvimento Familiar – Cedefam, espaço principal de atuação do Programa Cedefam, bem como a aquisição de equipamentos e materiais que possibilitassem o atendimento ambulatorial de Medicina, Enfermagem e Odontologia. A grosso modo, os recursos do Prodasec foram utilizados para compor o Cedefam, instalar uma creche, comprar de máquinas de costura, equipar uma lavanderia, material de secretaria em geral, como também foi realizada a aquisição de uma Kombi para transporte de material, dos integrantes do grupo e deslocamento da população para retirada de documentos.

Contabilizou-se muitos avanços para o PU, a citar como exemplo, o ano de 1981 foi marcado pela promoção do despertar da comunidade para o trabalho comunitário (a organização por meio de uma associação comunitária); em 1982 a construção de uma lavanderia que foi gerenciada pelas mulheres da comunidade; no ano de 1983, obras de saneamento, época em que foram construídos os primeiros sanitários sob a forma de pré- moldado, todavia em 1984 o corte nos recursos destinados ao projeto foi se intensificando, impossibilitando que o mesmo continuasse o trabalho nas suas três linhas de ação.

Ainda no de 1984 foi instalada uma horta comunitária no espaço do Cedefam por meio de recursos financeiros provenientes da Cáritas Arquidiocesana para atender os anseios de cultivo de hortaliças e plantas medicinais de sete famílias da comunidade. Vale lembrar que, até os dias atuais a horta comunitária é mantida, sendo utilizada por aproximadamente três membros da comunidade, tendo em sua composição a permanência de dois integrantes do grupo inicial. As informações até aqui descritas foram retiradas de um documento datado de 16 de janeiro de 1985, onde estão os relatos e reflexões de uma integrante do Projeto Uruguaiana, a professora Sulamita de Almeida Vieira do Curso de Sociologia da UFC.

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Na efervescência dos movimentos de redemocratização, com as ideias de direito público universalizante e de igualdade permeando o pensamento dos estudantes e professores da UFC, no contexto de uma Constituinte, surge a clínica de saúde bucal no Cedefam, mas já havia sido instalado o ambulatório de enfermagem que atendia às mulheres grávidas e fazia a prevenção ginecológica. Para as crianças da creche havia um médico pediatra para atendê-las e em outro ambulatório, realizavam-se exames para identificar se o indivíduo tinha tuberculose.

A clínica surge nesse contexto, porém o objetivo foi para o desenvolvimento da disciplina de Estágio Extra Mural e atividades de Extensão, o que já existia por parte da enfermagem com o acompanhamento dos alunos em visitas domiciliares na comunidade.

No ano de 1996, o departamento de Farmácia trouxe para o Cedefam, o Projeto de Fitoterapia que tinha por objetivo oferecer assistência farmacêutica à comunidade usuária na área de Fitoterapia em Saúde Pública, para diminuir os custos da população com medicamentos, bem como orientar quanto ao uso correto de plantas medicinais. Os objetivos específicos do referido projeto eram desenvolver a manipulação de formulações fitoterápicas; a avaliação da eficácia dos fitoterápicos manipulados fazendo o acompanhamento dos pacientes atendidos; treinamentos para agentes de saúde, líderes comunitários, professores da rede de ensino 1º e 2º graus, para serem elementos de divulgação do uso correto de plantas medicinais.

Até os dias atuais o Cedefam é constituído por estas unidades através dos cursos da área de saúde que tem planejado ações extensionistas, além das práticas de disciplinas na perspectiva de atender a demanda reprimida da população.