Matériels et Méthodes
V. Analyses in vitro
O conceito de estratégias de ensino e de aprendizagem é-nos apresentado por Vieira e Vieira (2005) como um “conjunto de ações do professor ou do aluno orientadas para favorecer o desenvolvimento de determinadas competências (…)” (p. 16). Salientam os mesmos autores que o termo estratégia é adotado em educação, como se se tratasse de “plano(s) concebido(s) pelo professor para, em relação a um dado conteúdo, promover determinadas competências, num contexto real” (idem).
Em termos de estratégias pedagógicas que potenciam um ensino adequado à sustentabilidade, existe uma panóplia que Tilbury (2011, p. 26-27) adaptou de Cotton e Winter (2010); e, embora, sendo apresentadas como adequadas ao ensino superior, dadas as suas caraterísticas e o contexto da EDS, consideramos que, na sua generalidade, essas estratégias se podem alargar a todos os níveis de ensino, inclusive na formação dos professores.
Nesta sequência, destacamos as estratégias pedagógicas propostas por Tilbury (2011) e Vieira e Vieira (2005). Consideramos estas estratégias por serem consentâneas com o presente trabalho; assim, expomos
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as estratégias e o processo de aprendizagem envolvido, não sem antes destacar que, e nas palavras de Vieira e Vieira (2005) é “importante conhecer estratégias de ensino (…) quais as potencialidades que possuem, pois, assim, poder-se-á racionalmente escolher a estratégia de ensino mais adequada ao contexto educativo em causa” (p. 10).
Optamos por apresentar a classificação das estratégias de Vieira e Vieira (2005), que estes adotaram de Spitze (1970), segundo o princípio da realidade, são, por isso, divididos em três categorias: relativas a situações de vida real, a simulações da realidade e a abstrações da realidade. Tal como referido anteriormente, juntámos, a estas estratégias, as apresentadas por Tilbury (2011).
1) Situações da vida real
a) Estruturadores gráficos – Organizadores gráficos – consiste na transformação do conteúdo de textos em representações esquemáticas, as quais apresentam as relações existentes entre os diversos conceitos presentes. São também designados de mapas conceptuais (explicaremos este conceito na secção 6.4.4).
2) Situações da realidade
a) Role-Play ou jogo de papéis – consiste no assumir, por parte do(s) participante(s), de um determinado papel, numa situação da vida real ou virtual e que pode ser desempenhado através de jogos, incluindo os digitais, e através da narração de histórias, da utilização de marionetas e do teatro; “Proporcionam ao aluno a oportunidade de obter uma compreensão profunda da perspetiva das outras pessoas, bem como identificarem-se com os outros” (Tilbury, 2011, p. 26).
b) Brainstorming – consiste na abordagem de um determinado assunto proposto pelo moderador, que o esclarece sucintamente com o propósito de suscitar diversas e diferentes ideias.
c) Grupo de discussão – apresenta-se ao grupo uma questão, um problema ou controvérsia para discussão, durante um período de tempo estabelecido, o qual termina após a sua solução ou clarificação. O uso da discussão permite “neutralizar o risco de o educador ter uma abordagem transmissiva ou autoritária, permitindo aos alunos explorarem os seus pontos de vista e o dos outros” (Tilbury, 2011, p. 26). O educador incentiva à substituição da mera argumentação pela capacidade de ouvir e de autorrefletir.
d) Debates – “ (…) incentiva a apresentação de argumentos opostos, por parte dos alunos, sobre um determinado assunto” (idem).
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e) Estudo de caso – consiste em estudar e apresentar, de forma sucinta, uma situação real ou fictícia a ser discutida em grupo; “Os estudos de caso podem ser utilizados para colocar a EDS em todas as áreas do currículo que, tradicionalmente, não possuem um foco claro na sustentabilidade, e para proporcionar aos alunos uma visão holística de um problema” (Tilbury, 2011, p. 26).
f) Trabalho de grupo - consiste no envolvimento, através de interações frequentes, de um grupo de pessoas com áreas de interesse em comum e que se reúnem para trabalhar em tarefas comuns e para cumprirem com os objetivos acordados (Benson, 2009).
g) Exploração de recursos – é proposto ao aluno a exploração de um determinado recurso que pode ser antecedido pela explicação do professor; pretende-se que o aluno explore eventuais fraquezas e/ou potencialidades do mesmo.
h) Incidentes controversos - apela-se à reflexão pessoal sobre um incidente e, posteriormente, realiza- se um debate acerca do mesmo. “Esta estratégia é usada sobretudo na clarificação de valores, por forma a criar oportunidades para os alunos tomarem consciência do seu quadro de valoração” (Vieira e Vieira, 2005, p. 32).
i) Eventos chave – é proposto um exemplo concreto aos alunos e estes são questionados sobre o que fariam, como o fariam e o que deveriam fazer.Discutem, portanto, os seus pontos de vista. Podem ser utilizados “para promover a consciencialização sobre as várias perspetivas sobre a sustentabilidade” (Tilbury, 2011, p. 26).
j) Trabalho de Projeto – projeto realizado a médio e/ou longo prazo e que envolve um conjunto de participantes e várias ações/fases, como a formulação do problema, a planificação e a pesquisa, entre outras.
k) Explicações reflexivas - esta abordagem pedagógica oferece oportunidades para reflexão sobre os papéis, atitudes e responsabilidades de cada pessoa em relação a questões relacionadas com a sustentabilidade (Tilbury, 2011).
l) Aprendizagem baseada em problemas – é um processo de aprendizagem interativa que é usada para ensinar uma vasta gama de assuntos/questões de interesse, em que se incluem os relativos à EDS. Pretende-se que os alunos realizem pesquisas e, com isso, construam conhecimentos, por forma a encontrarem as soluções desejáveis para os problemas. É aconselhável, após o processo de construção de conhecimentos, que exista um período de reflexão e avaliação.
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m) Trabalho de campo – os alunos orientam-se pela experimentação e desenvolvem o conhecimento, os valores, as preocupações, as responsabilidades, a consciência ambiental e a ação, incentivando o seu próprio crescimento pessoal através do contacto com a natureza (Tilbury, 1995) .
n) Modelos de boas práticas – Os professores podem, através de exemplos do quotidiano, constituírem um exemplo vivo de boas práticas de sustentabilidade, isto porque a aprendizagem também ocorre de maneira implícita. Assim, podem ensinar aos alunos a importância que qualquer ação sustentável tem no contributo para o DS (Tilbury, 2011).
3) Abstrações da realidade
a) Exposição - Exposição-demonstração - consiste na “comunicação unilateral por parte do agente de ensino (professor ou manual escolar) para os alunos que pode decorrer em toda a aula ou em partes da mesma. Exemplo: discurso ou exposição do professor” (Vieira e Vieira, 2005).
b) Leitura e escrita crítica - a leitura e a escrita são vistas como práticas sociais importantes e constituem a chave para o progresso, tanto no campo da sustentabilidade como no da alfabetização. Os alunos podem, assim, ser capazes de considerar futuros alternativos e ter capacidade de argumentação (Tilbury, 2011).
Existe ainda mais uma estratégia a considerar. Trata-se do questionamento. “O questionamento é entendido como um plano cuidadosamente preparado envolvendo uma sequência de questões explicitamente concebidas visando determinado(s) objetivo (s)/competências(s)” (Vieira e Vieira, 2005, p. 44). De salientar que esta estratégia pode “associar-se ou estar presente em muitas outras estratégias de ensino, em que se pode incluir a discussão, a resolução de problemas”(idem).
Figueiredo (2002) concorda com o facto de a pedagogia dos nossos dias incluir, teoricamente, uma enorme variedade de estratégias e filosofias de aprendizagem, designadamente para a criação de contextos de aprendizagem. No entanto, considera que, na prática, “estas estratégias e filosofias acabam por assumir um papel quase meramente decorativo no arsenal das pedagogias escolares” (Figueiredo, 2002, p. 3).
Sobre as estratégias de ensino e de aprendizagem, Tilbury (2011) chama a atenção para a importância da necessidade de se prepararem os educadores para os desafios pedagógicos que a EDS envolve, tanto na formação inicial de professores como no desenvolvimento profissional.
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2.7. A importância da inter, pluri-multi e transdisciplinaridade na implementação