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3) Faites une analyse structurée du circuit argumentatif du texte en vous reposant sur des indices textuels (14 points)
Vários livros didáticos atuais de Física para o ensino médio trazem trechos relacionados à História da Astronomia. No intuito de refletir sobre potencialidades de uso comple- mentar das HQ elaboradas, procurou-se observar possíveis referências às temáticas específicas das produções em uma amostra restrita de livros de Física.
Por um lado, como aspecto positivo, notou-se que trechos relacionados à História da Astronomia na Grécia Antiga foram encontrados em todos os livros analisados (KAZUITO, FUKE, 2010, p. 326; MÁXIMO, ALVARENGA, 2003, p. 71; MÁXIMO, ALVARENGA, 2010, p. 198-199; SANT’ANNA et al., 2010, p. 256-257; TORRES; FERRARO; SOARES, 2010, p. 240-242). Por outro lado, em todos eles, lacunas significativas no que tange à HFC foram percebidas, sobretudo no que diz respeito a simplificações que obscurecem aspectos significativos da Natureza da Ciência, os quais poderiam ser explorados no contexto educacional.
Em quatro dos cinco livros didáticos analisados (MÁXIMO, ALVARENGA, 2010; MÁXIMO; ALVARENGA, 2003; SANT’ANNA
et al., 2010; TORRES; FERRARO; SOARES, 2010), há introduções históricas sobre sistemas de mundo, as quais se iniciam com
alusões a modelos propostos na Grécia Antiga. A título de
exemplo do que se nota de forma recorrente, cita-se a frase que abre texto de conteúdo histórico em um deles: “Os primeiros modelos propostos para explicar as observações sobre o céu foram apresentados pelos gregos” (SANT’ANNA et al., 2010, p. 256).
Seguindo esse tipo de indicação rápida, os livros intro- duzem de imediato alguns modelos, isto é, produtos da
ciência grega, negligenciando os processos envolvidos em
seu desenvolvimento. Mas, afinal, que “observações sobre o céu” seriam essas?
Os livros didáticos não costumam esclarecer esse aspecto, tampouco fazem alusão às visões de mundo gregas, aos pressu- postos teóricos e/ou culturais que se manifestavam em expectativas de que as estrelas mantivessem posições relativamente fixas. Não evidenciam o caráter surpreendente da identificação de movimentos inesperados de determinadas estrelas.
Dos exemplares analisados, apenas um deles (KAZUITO; FUKE, 2010) não explicita de forma imediata os modelos gregos. Ainda assim, traz observações que os antecediam, mas não explica o seu impacto, nem indica o que significavam para os gregos, em termos de choques com suas visões de mundo, e a consequente relação com as tentativas de conceber modelos.
A identificação de que determinadas estrelas se compor- tavam de modo diferente das outras parece ter como implicação apenas a necessidade de nomenclatura especial:
A maior parte das estrelas mantinha, aparentemente, posi- ções fixas entre si. As ‘estrelas’ que não se comportavam dessa
maneira foram denominadas planetas (significado errantes) (KAZUITO, FUKE, 2010, p. 323, grifos no original).
Os exemplares analisados omitem elementos signifi- cativos relacionados à natureza do conhecimento científico, que mereceriam ser explorados em intervenções didáticas. Os modelos não transparecem como impulsionados por problemas a resolver, mas sim como resultados simples, imediatos, não se sabe de quê.
Perde-se uma oportunidade interessante de mostrar uma “ciência viva”, que enfatize o empenho dos personagens em resolver problemas. Perde-se também a oportunidade de apre- sentar a ciência como atividade humana socialmente construída em um contexto cultural. Perde-se, ainda, a oportunidade de introduzir aspectos que dirigiriam a uma compreensão contex- tualizada do próprio conceito de modelo, o qual perpassa
os demais conteúdos do ensino médio como um elemento central para a própria Física.
Ao visualizar tais lacunas, seria interessante que o professor lançasse mão de materiais complementares, tais como as HQ apresentadas no presente trabalho, no intuito de discutir sobre a ciência como atividade humana socialmente construída. Nesse sentido, as discussões sobre potencialidades, limitações e utilização flexível de materiais adicionais são importantes para se alcançar o que a literatura vem apontando como o desenvol- vimento de estratégias que tenham o apoio do professor.
Os professores precisam se sentir beneficiados com os novos materiais, [...], os materiais devem ser elaborados de modo flexível de forma a permitir que os professores os adaptem às suas condições atuais e locais (HÖTTECKE; SILVA, 2010, p. 17).
A mediação do professor é um aspecto importante sina- lizado por trabalhos que refletem sobre o potencial didático das narrativas (RIBEIRO; MARTINS, 2007). Uma possibilidade interessante seria a mediação de problematização justamente em torno das lacunas identificadas, o que contemplaria discutir questões que abrem caminho à utilização didática das HQ, por exemplo:
• Mas o que seriam “modelos”?
• O que estaria por trás dessas tentativas de explicar os movimentos dos astros por meio de modelos?
• A que problemas esses modelos (produtos) respondem? Por que justamente tentaram composições de movi- mentos circulares?
Particularmente, os quadrinhos, como gênero textual, podem constituir um recurso interessante para contemplar elementos que vão além do que o livro didático costuma trazer, estimulando, sobretudo entre o público jovem, questionamentos que remetem ao processo de construção do conhecimento. Não é demais relembrar que tal conteúdo é recomendado pela legislação para o ensino de Física.
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