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ANALYSE DES RISQUES DU PROJET DE RÉVISION DES PROCESSUS EN

Na presente investigação, contemplamos as dimensões pragmática (correspondente aos macroatos de fala), esquemática global (referente aos modelos cognitivos ou esquemas formais constituídos culturalmente) e linguística dos textos (que diz respeito às marcas sintáticas/semânticas), as quais emergem no blog em estudo (KOCH; FÁVERO, 1987).

Tendo por base a análise dos aspectos pragmáticos15, também adotamos a perspectiva de gênero de texto estabelecida por Bronckart (2012 [1999]) por meio do quadro

epistemológico do Interacionismo Sociodiscursivo. Nele, encontram-se as ideias acerca da constituição dos textos e das operações de linguagem que definem a ação e a atividade humana. Dentre suas teorizações, o autor revela que os textos são manifestações da linguagem observáveis nas ações, no contexto social, que influenciavam na composição textual e na arquitetura (mecanismos enunciativos e de textualização, infraestrutura textual).

Segundo Bronckart (2012 [1999]), os gêneros de texto emergem de costumes estruturados por agentes que estabelecem rotinas e andamentos na aplicação de suas ações. Tais procedimentos resultam em conhecimentos sobre as múltiplas semioses dos gêneros disponíveis e dos tipos de discurso utilizados em determinada prática, o que deriva na formação de várias adaptações de modelos sociais estabelecidos pelo intertexto.

De acordo com suas teorizações, cada texto é produzido conforme um parâmetro específico, existindo, pois, um conjunto de parâmetros nos mais variados domínios de produção. Esses múltiplos aspectos exercem importante influência no resultado da produção de tais textos. Esses fatores foram organizados por Bronckart (2012 [1999]) em dois grupos bem definidos, a saber: o mundo físico e o mundo social (subjetivo).

No primeiro plano, está o contexto físico, resultante de um comportamento verbal concreto e situado em um tempo-espaço bem estabelecido, envolvendo os seguintes parâmetros: o lugar de produção; o momento da produção; o emissor (produtor, locutor, agente, enunciador); a máquina que produz o texto; o receptor (interlocutores ou coprodutores, grupo de pessoas que recebem o texto). O autor afirma que todo texto é o resultado de um comportamento verbal concreto (físico), realizado por um agente mediante os quatro parâmetros mencionados.

No segundo plano, situam-se o mundo social, constituído pelas atividades de formação social na própria interação comunicativa, e o mundo subjetivo, que representa a imagem que o agente constrói sobre si. Esse contexto sociossubjetivo, por sua vez, é subdividido em quatro parâmetros fundamentais: o lugar social onde o texto é produzido, a posição social do emissor, a posição social do receptor e os objetivos ou finalidades da interação.

Nessa discussão, em determinada formação social, cada indivíduo efetiva uma ação de linguagem, realizando escolhas mediante formas comunicativas que estão em uso, ditas consagradas. Desse modo, os gêneros de textos são construtos históricos, que estão em

movimento de adaptação, ou seja, em evolução, pois eles “são organizados em nebulosas, com

fronteiras vagas e movediças, e, consequentemente, não podem ser objeto de uma classificação definitiva” (BRONCKART, 2012 [1999], p. 108).

Em virtude da versatilidade do hiperdomínio, os blogs são considerados, na presente

investigação, como “conjuntos de textos com contornos vagos e em intersecção parcial (gêneros

para os quais as definições e os critérios de classificação ainda são móveis e/ou divergentes)” (BRONCKART, 2012 [1999], p. 74).

Diante disso, uma análise detalhada, utilizando critérios imprescindíveis, poderia tentar uma aproximação com o que podemos chamar classificação, sem a pretensão de estabelecer um conceito definitivo, mas apresentar o blog em estudo como gênero de texto, segundo uma observação cuidadosa e uma avaliação de suas unidades, propriedades linguísticas, bem como de seus aspectos pragmáticos e esquemáticos.

Nesse contexto, se afirmarmos que os textos são produtos da atividade humana elaborados de diversas maneiras, sempre articulados a necessidades e interesses sociais

conforme os vários “modos de fazer”, também podemos inferir que o gênero blog é uma espécie

de texto (BRONCKART, 2012 [1999], p. 72) que apresenta características comuns aos textos de mesma espécie (blogosfera), estando sua produção condicionada à determinada motivação social ou circunstância de comunicação, com novos suportes de interação social (artefatos hipermidiáticos), pois os gêneros estão em constante movimento.

Quanto à análise dos aspectos esquemáticos16, partimos da observação da articulação dos segmentos estabelecidos por Bronckart (2012 [1999]) e englobamos o conceito de texto de relato desenvolvido por Ochs (2000).

Para atender às demandas de análise dos aspectos esquemáticos, vislumbramos as ideias propostas por Zanotto (2012). Esse autor afirma que é relevante evitar uma visão segmentada de texto, uma vez que deve ser visto de modo global, observando-se todos os seus constituintes que formam um todo de sentido, sem haver compartimentação, e analisando, cuidadosamente, os elementos gramaticais, os fatores extralinguísticos e os aspectos paralinguísticos.

Segundo Bronckart (2012 [1999]), o nível mais profundo, chamado de infraestrutura geral do texto, é formado pelos tipos de discurso que comportam esse texto, assim como pelo plano mais geral, pelas sequências e pelas modalidades de articulação.

Os diversos gêneros de texto que circulam pela sociedade são articulados por segmentos distintos (relato, narração, diálogo, argumentação), que formam as configurações das unidades e definem a organização sintática. Apenas esses segmentos linguísticos podem ser reconhecidos e classificados por critérios linguísticos, porque

esses diferentes segmentos que entram na composição de um gênero são produto de um trabalho particular de semiotização ou de colocação em forma discursiva e é por essa razão que serão chamados de discursos, de agora em diante. Na medida em que apresentam fortes regularidades de estruturação linguística, consideraremos que pertencem ao domínio dos tipos; portanto, utilizaremos a expressão tipo de discurso para designá-los, em vez da expressão tipo textual (BRONCKART, 2012 [1999], p. 76, grifos do autor).

O protótipo-padrão da sequência narrativa (BRONCKART, 2012 [1999]) é subdividido em cinco fases, quais sejam: situação inicial, complicação, ações, resolução, situação final (avaliação e moral). No relato, tudo isso é composto pela linearidade dos fatos e pelo formato previsível da divulgação das ações experienciadas.

Posto isso, é relevante destacar que os posts do blog são formados a partir de textos de relato (OLIVEIRA; PAZ, 2014), considerados, até certo ponto, como categorias textuais que pouco se diferem da narrativa, sendo definidos quase como sinônimos, pois o relato trata-se de uma categoria textual oriunda da narrativa.

Nesses termos, a narrativa é denominada gênero de relato (OCHS, 2000), tendo em vista que narrar é concebido como produzir relato em um determinado lapso de tempo (ÁLVAREZ, 2000) e pode ser entendido como a ação de formatar frases em uma determinada ordem, a fim de contar para interlocutores algum fato ocorrido com personagens em um lugar predefinido (FARACO, 1992).

Assim sendo, optamos por analisar os relatos de acordo com o que propõe Perroni (1992), ao defini-los como narrativas que não possuem alternâncias entre equilíbrios ou problematizações entre personagens, o que possibilitaria a passagem de um estado de ordem das coisas para ocorrências de transformações.

Ao analisarmos os elementos linguísticos17, decidimos observar os aspectos imagéticos, bem como os elementos paralinguísticos, paratextuais e os procedimentos supratextuais definidos por Bronckart (2012 [1999]).

Os instrumentos semióticos foram desenvolvidos por meio de intensos processos históricos de socialização, observáveis e caracterizados pelas propriedades específicas das condutas humanas. Para tanto, concebemos discurso como fenômeno social formado pela fusão da forma e do conteúdo, sendo também social em todos os seus elementos, “[...] desde a imagem auditiva até as estratificações semânticas mais abstratas” (BRONCKART, 2012 [1999], p. 19).

A respeito do conjunto de elementos de ordem paralinguística e paratextual e dos procedimentos supratextuais (BRONCKART, 2012 [1999]), observados na presente discussão,

discorremos sobre a ocorrência de unidades semióticas não verbais, representadas pelas imagens inseridas nas publicações, entendidas como recursos semióticos verbais e visuais.

Diante disso, no intuito de avançarmos na análise de tais elementos, propusemo-nos a adotar também os pressupostos teóricos da Gramática do Design Visual (GDV) (KRESS; VAN LEEUWEN, 2006 [1996]), que é originária da Gramática Sistêmico-Funcional (GSF) desenvolvida por Halliday. A GDV estabelece o modo como a composição de cores, texturas e formas produz significados através da combinação de descrições visuais que realizam a comunicação visual refletida nas coisas, nas pessoas e nos lugares. Mais especificamente, a

proposta é analisar os componentes semióticos segundo as metafunções descritas a seguir: 1) representacional (essa metafunção foca a análise nas estruturas semióticas que

constroem as imagens, bem como observa a natureza dos participantes, dos objetos e das circunstâncias dos eventos, revelando significados específicos do contexto situacional);

2) composicional (estabelece o valor hierárquico dos elementos dispostos nas imagens e os diferentes modos de representação oriundos da estrutura e do formato dos textos. Essa metafunção é constituída por três sistemas, denominados de valor da informação, saliência e framing, responsáveis por relacionar os significados representacionais e interativos das imagens).

3) interacional (tomando como base os participantes do evento, os segmentos semióticos evidenciam o contato entre os interlocutores e as relações interpessoais existentes entre eles, adotando como referência quem observa ou quem é observado. Os recursos visuais podem ser imagem de demanda, de oferecimentos/oferta ou mesmo de enquadramento).