CHAPITRE I :
C.2 P ROTOCOLE EXPERIMENTAL ET ANALYSE DES RESULTATS :
C.2.1 Analyse des résultats en fonction de la longueur des oligonucléotides :
Analisa-se qualitativamente o corpus formado a partir da transcrição de entrevistas realizadas com oito estilistas, sendo que metade deles tem sua atuação profissional em São Paulo, mais especificamente na cidade de São Paulo, e a outra metade no Rio Grande do Sul, particularmente em Caxias do Sul. Este grupo de informantes foi eleito seguindo os seguintes critérios: profissionais atuantes no setor de moda há dez anos, no mínimo, e que estejam diretamente envolvidos com a criação de coleções de vestuário em empresas de sua própria marca, critérios não obrigatórios para os sujeitos das entrevistas-piloto. A seleção desses sujeitos foi feita tomando-se como base uma prévia categorização das marcas e estilistas nacionais, feita a partir da compreensão das diferentes atuações dos estilistas no ramo da moda, e das variáveis como a notoriedade do nome, bem como o sucesso comercial da marca. Foram convidados a participar como sujeitos dessa pesquisa estilistas com os quais o entrevistador já possuísse algum tipo de vínculo pessoal ou profissional. Para a realização dessa pesquisa de campo qualitativa, com uso de entrevista semiestruturada – conforme detalhamento feito no capítulo dedicado ao Método –, foram pré-selecionados oito profissionais do setor de moda nacional, atuantes no setor de criação e produção por mais de dez anos, reconhecidos atualmente por sua competência, principalmente na área de criação, independente de sua região de origem. A escolha destes sujeitos de pesquisa justifica-se para esse propósito uma vez que, segundo Bergamo, “[qualquer] imagem acerca da moda fica imediatamente vinculada à imagem dos criadores e a uma consequente [sic] personalização da atividade de criação” (2007, p. 32). Ao descrever a importância dos eventos de moda que lançavam novos nomes no mercado de moda brasileiro, com olhar analítico de professor e pesquisador sobre moda, o autor afirma:
O estudo dos profissionais envolvidos nesses eventos pode representar o estudo dos determinantes sociais de uma parcela da atividade de criação em moda, mais especificamente, aquela entendida como a criação na sua forma consagrada. Isso porque sobre esses profissionais recaem pressões sociais que imprimem a suas trajetórias um direcionamento específico [...] Cabe, portanto, à análise, retirar dessas trajetórias individuais, entendidas como experiências partilhadas, os determinantes sociais capazes de imprimir uma direção social específica à área de criação consagrada de moda (BERGAMO, 2007, p. 36).
A decisão de elencar estilistas que possam ser considerados “criadores brasileiros” teve como objetivo analisar os modelos culturais na conceptualização de MODA e CORPO
através da manifestação desses estilistas enquanto criadores comprometidos com um processo criativo artístico em primeiro lugar – dado que eles assinam desde uma coleção autoral à criação de peças exclusivas feitas sob encomenda para clientes especiais – e têm uma concepção pessoal de moda, mesmo que considerando o compromisso com a venda, mais do que o estilista industrial para quem a venda em si e a produção seriada priorizam o foco de atenção.106
A marca de moda desses estilistas é, em muitos casos, um nome fantasia, mas, na maioria das vezes, estes utilizam o seu próprio nome. Nem o nome do estilista, nem a marca serão citados nesta investigação, usando-se uma notação de identificação específica que será apresentada logo adiante. Cabe ressaltar, inclusive, que a assinatura de uma criação tem um caráter significativo, de autoria, e ao mesmo tempo remete à origem da própria palavra estilo,107 de onde deriva a profissão de estilista.
Na introdução do livro A Moda do Século, Baudot sintetiza algumas facetas do estilista como criador, empresário, artista,108 as quais contribuem para a compreensão das diferentes perspectivas discursivas assumidas pelos profissionais em seus discursos:
o duelo que desde o aparecimento da civilização opõe o homem à máquina, encontra na moda seu melhor terreno de combate. Ora criador, ora empresário, o estilista se impõe como artista. Mas se sua produção deixa de agradar, ele próprio deixa de existir. A instabilidade sem dúvida é a condição do criador, cuja vulnerabilidade o tempo só faz aumentar, e a transitoriedade está inscrita na obra dele. Já o industrial encarna a solidez, a continuidade, a racionalização das coleções de roupas e acessórios (2002, p. 11).
Dentro de um contexto histórico específico, o escritor acima citado explica claramente a diferença entre o enfoque produtivo do criador e o enfoque produtivo do
106 Muitas empresas confeccionistas de moda apresentam suas criações através de um nome fantasia (como, por
exemplo, a griffe de streetwear Cavalera, 1995), dando todo destaque a essa marca e não a quem a cria. Há, por vezes, um departamento de criação onde quem atua não é apenas um estilista contratado ou mesmo terceirizado, mas uma equipe de profissionais que se mantém enquanto de acordo com os objetivos maiores da empresa. Essas empresas costumam produzir uma moda industrial em larga escala e atender a mais de um público (feminino, masculino, infantil), geralmente na linha jovem. Outras vezes, estilistas como Reinaldo Lourenço, eventualmente associam-se a redes comerciais com uma produção diferenciada (“exclusiva”), para atender a necessidades de consumo específicas. Veja-se a notícia por Donata Lustosa, em 21 de junho de 2009, no site http://www.revistasintetica.com.br/spfwverao2010/2009/06/21/ca-e-reinaldo-lourenco-fazem-parceria-para- colecao-exclusiva/, sobre o estilista Reinaldo Lourenço e a C&A anunciarem uma coleção exclusiva para a loja de departamento.
107 A palavra estilo “[...] em sua origem etimológica, está ligada às questões de pura subjetividade, pois stilus era o objeto pontiagudo com o qual os romanos escreviam sobre superfícies enceradas. Nada mais pessoal do que nossa letra e especialmente nossa assinatura” (BRAGA, 2006, p. 22).
108 “Berço da moda, como hoje a entendemos, Paris, a partir dos primeiros anos do século XX, dividiu esta
indústria de criação em duas categorias profissionais antagônicas e cuidadosamente particularizadas. De um lado, o mundo da alta-costura, clube fechado, que agrupa a criação sobre medida. De outro, a confecção, que se dedica à produção em série” (BAUDOT, 2000, p. 11).
industrial, e sintetiza essa questão da seguinte forma: “Onde o criador se quer singular, ele, o industrial, pensa no plural” (BAUDOT, 2002, p. 11).
Inicialmente, foram selecionados ao todo doze nomes de estilistas considerados “criadores” nas duas cidades: São Paulo (SP) e Caxias do Sul (RS). Em função da acessibilidade e da disponibilidade dos estilistas escolhidos, porém, esse número foi reduzido para oito e mantido assim, visto a quantidade de modelos cognitivos presentes nos discursos. Todas as entrevistas realizadas, incluindo duas consideradas, a princípio, como entrevistas- piloto, fazem parte do corpus, uma vez que esses sujeitos entrevistados utilizam um expressivo número de esquemas de imagens e modelos metafóricos e metonímicos, contribuindo de forma significativa para esta investigação.
Parte-se da hipótese de que exista uma dada conceptualização de MODA e CORPO que está subjacente aos seus discursos e que poderá apresentar aspectos comuns entre eles. É possível, assim, que essa conceptualização possa ter um caráter parcialmente persuasivo, já que os estilistas produzem moda para consumo. O que se pretende mostrar é que o estilista assume diferentes perspectivas em seu discurso, ora como criador, ora como marca, ora como consumidor.
3.2.1 Notação de identificação dos sujeitos entrevistados
Os estilistas entrevistados não têm seus nomes citados nas entrevistas, na análise ou nos resultados. Após a categorização dos grupos, fez-se uso de uma notação específica para a identificação sistemática de cada sujeito entrevistado, presente na transcrição das entrevistas, sendo utilizados, respectivamente, os seguintes critérios:
1. A primeira letra do nome do estilista, por exemplo, Adriana = A; 2. Sexo, sendo feminino (F) e masculino (M);
3. Idade em números;
4. Identificação da região de atuação, sendo São Paulo (SP) e Caxias do Sul (RS); 5. Tempo de atuação profissional no mercado de moda, em números.
Seguindo essa notação, um sujeito entrevistado, com o primeiro nome “Adriana”, do sexo feminino, idade 46 anos, localidade de atuação profissional em Caxias do Sul, atuando há 22 anos no ramo da moda, por exemplo, corresponde resumidamente a: Adriana, Feminino, 46 anos, Caxias do Sul, 22 anos de profissão, registrado conforme a seguinte notação: [A, F, 46, RS, 22].
Na transcrição das entrevistas, incluídas as entrevistas-piloto, tanto os entrevistados como o entrevistador são sempre identificados pela letra L, de Locutor, e cada um recebe um número, identificando-o, sendo que L1 refere-se sempre ao entrevistador, que mantém o mesmo. Os demais entrevistados recebem a letra L com a sequência de números a partir de 2, conforme a ordem cronológica em que as entrevistas foram realizadas (ver quadro a seguir):
L1 ENTREVISTADOR L2 (piloto) [C, F, 28, SP, 8] L3 (piloto) [A, F, 59, RS, 41] L4 [W, M, 52, SP, 22] L5 [M, M, 42, SP, 22] L6 [R, F, 36, RS, 20] L7 [C, F, 40, RS, 22] L8 [R, F, 47, RS, 28] L9 [R, M, 47, SP, 28]
Quadro 1 – Notação de identificação dos sujeitos entrevistados
Fonte: Elaboração do autor, 2011.
Essa transcrição segue a técnica da Análise da Conversação (AC), visando possibilitar uma melhor análise do corpus transcrito a partir de dados gravados em áudio.
Esclarece-se que os entrevistados foram informados de todo o procedimento da entrevista, assim como receberam um termo de compromisso, assinado pelo entrevistador responsável pela realização da pesquisa e pela professora Dra. Heloisa Pedroso de Moraes Feltes, coordenadora do projeto de pesquisa “Conceitos Abstratos e Valores Culturais”, ao qual este trabalho está vinculado. Esse Termo de Consentimento (cf. ANEXO C) esclarece ao entrevistado que não há riscos associados à participação, pois os nomes dos entrevistados são sigilosos e só serão utilizados pelo entrevistador durante o desenvolvimento da pesquisa, não sendo, em momento algum, referido no estudo ou em publicações que venham a ser realizadas após a conclusão deste. Além disso, o atual projeto de pesquisa foi submetido à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Caxias do Sul, que avaliou os aspectos éticos envolvidos e considerou o projeto apto a ser realizado (cf. ANEXO D). Essas ações asseguram o anonimato dos entrevistados na divulgação dos dados obtidos na entrevista ao mesmo tempo em que se tenta obter informações, as mais autênticas possíveis, ou seja, sem a preocupação de atender a expectativas de mídia ou de elaborar conceitos que venham a ser associados à sua marca.