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Analyse des questions

Dans le document Introduction Générale (Page 76-121)

2. Analyse des questionnaires

2.2. Analyse des questionnaires destinés aux enseignants

2.2.2. Analyse des questions

De acordo com Leite e Strong (2006), a visão holística, ao contrário da visão biomédica, que defende princípios que valorizam a eficiência técnica e o conhecimento científico, em detrimento do conhecimento metafísico, enfoca sempre o ser humano total. Do ponto de vista do microcosmo, cada parte representa o todo, e do ponto de vista do macrocosmo, o todo interage com os seus componentes. A visão cartesiana do homem, que compreende o ser humano dividido em corpo e mente, acabou por fragmentar o atendimento médico, o qual atua sobre as partes do corpo humano, ignorando sua totalidade como pessoa.

Essa visão vem sendo amplamente criticada na atualidade. O descontentamento de usuários e profissionais gerou a necessidade de resgatar

valores subjetivos, de se lançar um novo olhar frente ao adoecimento humano e aos cuidados para com este processo saúde-doença. Na realidade, isso não quer dizer o abandono das inovações científicas e tecnológicas, mas sim a união de valores humanos às relações que acontecem nos espaços destinados à educação e à saúde.

Historicamente, os processos saúde e doença vêm se alterando. Para Minayo (1991), a doença é tanto um fato clínico quanto um fenômeno sociológico, exprimindo um acontecimento biológico e individual, mas também uma angústia que atinge o corpo social, simbolizando a forma como a sociedade vivencia o medo da morte e os limites entre o bem e o mal. Para a autora, a doença é uma realidade construída, e o doente, um personagem social. Por isso, existe a necessidade de tratar o fenômeno saúde-doença de uma forma completa, ampla, holística, considerando o homem total, e não apenas como os instrumentos anátomo- fisiológicos da medicina ou com as medidas quantitativas da epidemiologia clássica.

Boff (2007) defende que o corpo seria uma parte do ser humano e não sua totalidade. Nas ciências, existe uma tendência a se falar em corporeidade, expressando o ser humano como um todo, vivo e orgânico. O que se quer significar é não mais o dualismo corpo-alma, homem-alma para designar dimensões totais do humano e sim uma visão mais globalizante.

“Cuidar do corpo de alguém é prestar atenção ao sopro que o anima”, continua Boff (2007, p. 42). Tal enfoque inclui o conceito de que o corpo vivo é subjetividade. Nele se realizam os vários níveis da consciência (a originária, a oral, a anal, a autônoma e a transcendental), nos quais essas memórias se expressam e se enriquecem, interagindo com o meio.

É de suma importância destacar que, conforme Boff (2007), é pelo corpo que se mostra a fragilidade humana. A morte não vem no fim da vida: “vamos morrendo lentamente, até acabar de morrer”. A doença é, portanto, um dano à totalidade da vida. Vêm, então, algumas perguntas que não querem calar, resumíveis na seguinte: Como atender a um paciente, seja ele adulto ou criança, ofertando-lhe tão somente os recursos técnicos e científicos para lhe sarar uma úlcera no estômago, se todo ele sofre e não apenas a parte doente? Vê-se, então, que é a vida que adoece em suas várias dimensões: em relação a si mesmo; em relação à sociedade; em relação ao sentido global da vida.

se que a evolução científica tem oferecido aos enfermos muitos benefícios. Por outro lado, estabelece-se uma assistência tão sofisticada que os profissionais estão tão impregnados com a tecnologia e pela burocracia que não mais ouvem o paciente, sua vontade ou as angústias dos familiares. O paciente, embora tenha direito a decidir conjuntamente com o médico sobre o tratamento indicado, é pouco ouvido, não lhe sendo permitida voz e escuta.

Na visão de Ballone (2005), a necessidade de se falar em humanização no campo em foco surgiu em decorrência da evolução científica e técnica de saúde, o qual não conseguiu ser acompanhado, como deveria de uma correspondente qualidade no contato humano, que privilegiasse as relações interpessoais entre todos os envolvidos no processo do adoecimento, bem como o conforto e a qualidade de vida do paciente. É importante que médicos e demais pessoas envolvidas no cuidado do paciente considerem as necessidades emocionais e psíquicas deste, evitando o descaso humanitário que inclui a falta de intimidade entre as pessoas que atendem na área da saúde, o desrespeito pela subjetividade humana, a empáfia, a arrogância, o descaso, a falta de vocação, o desinteresse, a insensibilidade, entre outros.

A escuta, sobretudo, é uma atitude que deve ser estimulada, pois a partir dela se acolhe, se compreende, se considera e se respeita as opiniões, queixas e necessidades dos pacientes. Desse modo, humanizar o atendimento em saúde é “fortalecer o desejável comportamento ético e o arsenal técnico-científico, com os cuidados dirigidos às necessidades existenciais dos pacientes, investindo nas condições de trabalho dos profissionais da área” (BALLONE, 2005, p. 1). Segundo o autor, algumas atitudes estão relacionadas com o que se pretende com a humanização no atendimento:

Aprimorar o conhecimento científico continuadamente é uma conseqüência do interesse e competência; aliviar, sempre que possível, controlar a dor e atender as queixas físicas e emocionais; oferecer informações sobre a doença, prognóstico e tratamento; respeitar o modo e a qualidade de vida do paciente; respeitar a privacidade (e dignidade) do paciente; compreender a importância de se oferecer ao paciente um suporte emocional adequado; a instituição deve oferecer condições de trabalho adequadas ao profissional de saúde (BALLONE, 2005, p, 3).

O saber ouvir, eis um hábito pouco utilizado na sociedade e de grande importância na construção de uma convivência mais justa e solidária. O aprendizado do ouvir não se encontra nos currículos escolares e acadêmicos. Todos querem falar, mas ninguém quer ouvir. Talvez este seja o motivo de haver tantos cursos de oratórias e nenhum de “escutatória”. Ouvindo-se mais se erra menos, economizam-se recursos, fortalecendo a cidadania (VILANOVA, 2010).

Evidentemente não se fala aqui em abandonar a técnica e desprezar os avanços científicos na área da saúde. O importante é aliar esse conhecimento a um atendimento humanizado, primado pela escuta verdadeira, em que o paciente é considerado como pessoa, como ser humano fragilizado num período de atendimento, no qual a cura começa pelo reconhecimento de sua dignidade. Afinal, o trabalho de um profissional para ser eficiente e humanizado vai necessitar do conhecimento, da qualidade técnica e de uma boa qualidade de inter-relação humana.

Após todas as reflexões, vê-se que é simultaneamente complexa e linear a compreensão do que seja humanizar o atendimento público hospitalar e a luta pelo reconhecimento. É não deixar que os profissionais de saúde permitam cair no esquecimento a práxis original no qual o homem adota uma relação de implicação com respeito a si mesmo, aos outros e aos objetos em geral. Fala, portanto, de não distanciamento pelo reconhecimento (HONNETH, 2009, p.81).

4 O CONTEXTO HISTÓRICO E O CENÁRIO ATUAL DA ASSISTÊNCIA

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