CHAPITRE III: EXIGENCES APPLICABLES À LA FABRICATION DE COLLAGÈNE
EXPOSÉ DES MOTIFS DU CONSEIL
III. ANALYSE DE LA POSITION COMMUNE
Durante muito tempo à Geografia coube o papel meramente descritivo e enumerativo de montanhas, rios, cidades. Entretanto, após contato maior com as outras ciências, e a evolução causada pelos exploradores, esta ciência passou ao lado da investigação científica, sendo assim, não mais descrevendo/inventariado pura e simplesmente, mas também raciocinando e explicando tudo aquilo que observava.
1.3.1. Os processos de trabalho
Sendo assim, uma ciência que une os aspectos naturais e humanos, segue alguns passos importantes no processo de pesquisa e que norteiam a ciência como um todo.
a) Descrição: Trata-se de um dos primeiros passos dentro da pesquisa geográfica, correspondendo também a uma fase diagnóstica, em que os geógrafos traduzem o significado das coisas.
Vidal de La Blache, um dos fundadores da escola francesa, foi aquele que melhor trabalhou a descrição no campo geográfico. Em seu livro “Quadro de Geografia da França”, La Blache procura sempre deixar a paisagem como um conjunto maior, mais amplo e relacionará com as outras unidades regionais. A descrição, neste caso, não visa ser completa, mas, pelo menos, ressaltando os aspectos típicos e/ ou bizarros.
Outro aspecto da descrição lablacheana diz respeito à objetividade sobre a subjetividade. Clozier (1972), mostra que a descrição deverá apontar traços invocadores de modo que todos os olhos sejam capazes de observar a mesma coisa e, para marcar as características, o fato humano não poderá ser descartado.
Deste modo, em Vidal de La Blache, a descrição tem, como o fato geográfico, a sua originalidade numa forma de convergência; todos os traços, qualquer que seja a sua natureza, concorrem para precisar a fisionomia dos lugares. Ao mesmo tempo, porém, esta descrição é seletiva; elimina certos traços e junta outros, pois, no fundo, ela orienta- se segundo um determinado pensamento. É uma descrição científica e, por conseqüência, esquematiza. (CLOZIER, 1972).
21 Desta maneira, a descrição para Vidal de La Blache esquematiza-se e orienta para a explicação. E, a análise da paisagem permite discernir os aspectos físicos, mas também, compreender sua transformação devido à ação antrópica. “A sua personalidade, portanto, só é percebida e compreendida, quando a seguimos na sua evolução”.(Clozier, 1972).
Assim, não podemos menosprezar a importância da descrição dentro da pesquisa geográfica, principalmente ao analisar a paisagem, mas, ter a descrição enquanto um dos pontos de partida até chegarmos à análise pretendida.
A descrição geográfica é científica e, portanto, seletiva. Teoricamente, deveria analisar todos os elementos da paisagem, em virtude de ignorar a priori que sentido tomará determinado pormenor para a compreensão do conjunto. Praticamente, elimina certos traços: primeiro porque situa a paisagem num quadro que corresponde a um conceito preestabelecido: montanha, planície, etc.; segundo porque é guiada por um pensamento que procura certos traços típicos em vista de uma explicação. (...) Isto não quer dizer que se estabeleça abstratamente um tipo; a descrição refere-se sempre a um fato localizado e apresentado no espaço..(CLOZIER, 1972).
Então, tem-se um olhar por transparência, mas que é vertical, pois não existe descrição geográfica sem uma explicação e análise da mesma.
b) Observação
Num primeiro momento, a descrição é o início e o fim de um trabalho geográfico. Início porque uma paisagem é uma “síntese intuitiva” e, após uma averiguação, vira uma “síntese ordenada” de acordo com as leis de investigação científica (Clozier, 1972). Sendo desta maneira, a explicação científica partirá da descrição, utilizando dois meios de investigação, a observação e o documento.
Em Geografia, como em todas as ciências, a observação procede por utilização racional da percepção. Todavia, existem aqui certas condições restritivas, particularmente a de não assentar nunca sobre a experimentação (...); a observação é então dirigida por um conceito que substitui as experiências adquiridas. (CLOZIER, 1972)
Entretanto, prolongar a observação por trabalho de laboratório nem sempre será cem por cento eficaz, isto porque se reduz a realidade a um experimento e a mesma sofre inúmeras ações em determinadas escalas. Assim, o exame de determinadas formas de relevo ou paisagem, por exemplo, deve-se aprofundar o conhecimento sobre processo e sistemas de modelado.
c) Documento
Com a falta de experiências ou de observação visual, no caso histórico de uma paisagem, por exemplo, o geógrafo utiliza documentos, sejam eles escritos, orais, fotográficos, figurativos e, principalmente cartográficos.
Através das cartas, o geógrafo pode complementar e realizar correções da observação. Complemento porque fornece uma visão geral, já que a paisagem percebida é estritamente limitada, enriquecendo assim, a observação. Já a correção é importante porque, mesmo uma carta de grande escala é sempre um esquema, uma representação simplificada da realidade. “A leitura inteligente de uma carta permite assim a visão indireta da superfície representada e que dela se extraiam os elementos de uma descrição explicativa”. (CLOZIER, 1972).
O exame e a confecção/produção da carta é, então, de suma importância dentro da caracterização dos trabalhos geográficos.
d) A explicação e o método geográfico
O princípio da passagem da descrição à explicação através da observação ou do documento parece simples: a partir do que se observam em escala local e regional e dos estudos gerados nestas escalas, estabelecer leis gerais. Entretanto, a realidade não se apresenta em linha reta.
23
Mas a Geografia não se submete a esta hierarquização progressiva de um trabalho de base experimental, pois que, geralmente, os fatos que se encontram no ponto de partida da sua investigação são fenômenos estudados por outras ciências, mas que a natureza agrupa em complexos regionais. (CLOZIER, 1972).
Segundo Clozier (1972), existem dois processos de generalização que se dão num plano horizontal: processo de extensão ou de localização e o processo de comparação ou de analogias.
- o processo de extensão ou de localização: diz respeito a ver a extensão e a repartição dos fatos após tê-los descrito e observado. Será com a utilização do documento cartográfico que o princípio de extensão ganhará maior significado;
- o processo de comparação ou de analogia: trata-se de um dos processos correntes de generalização: “O estudo geográfico de um fenômeno supõe a constante preocupação dos fenômenos análogos que se podem manifestar noutros pontos do globo.” (De Martonne, 1975), além de reagrupar os fatos que várias ciências dissociam para estudar, generalizar fatos concretos.
(...) a visão do concreto é guiada, dirigida por uma teoria que lhe dá seu verdadeiro sentido (...) Por isso, a atitude do geógrafo deve ser sempre esta: manter a realidade concreta que as paisagens apresentam sob o controle do conhecimento dos fatores determinantes; toda a forma do terreno, para ser bem interpretada, precisa ser compreendida; toda a analogia, para ser devidamente verificada, precisa ser submetida à razão.(CLOZIER, 1972).
A explicação dominará todas as formas de trabalho em Geografia sem eles os processos de extensão, analogia, descrição ou generalização não pode ocorrer.
e) A explicação em Geografia
A explicação será importante para a mudança do papel de uma Geografia quantitativa e descritiva para qualitativa causal.
Neste sentido, passa-se por uma questão metodológica séria: não se pode explicar os processos como as ciências naturais o fazem, ou seja, indutivamente; é preciso utilizar o raciocínio dedutivo, confrontando os fenômenos situados no mesmo ou em outros planos. Vale lembrar que, às vezes, a dedução parte de proposições intuitivas ao invés de indutivas.
Ora a intuição toma, na explicação geográfica, um valor bem particular. A razão é fácil de compreender: o fenômeno geográfico deixa sempre elementos de identificação, pois a realidade concreta abarca um complexo de fatos que torna impossível uma completa análise; por conseqüência, hipóteses e fatos observados interferem constantemente na marcha do raciocínio. (...) A intuição é uma posição de hipóteses. Aparece-nos, pois, como uma hipótese de trabalho que será submetida ao controle dos fatos e do raciocínio. Ora a hipótese de trabalho ocupa, em Geografia, um lugar mais importante do que nas outras ciências: por um lado, o espírito procura instintivamente, na medida complexa da realidade, um fio condutor; por outro, toda a paisagem terrestre, morfológica ou não, é uma resultante que se reduz a uma representação mental mais ou menos hipotética. (CLOZIER, 1972).
O alcance da explicação geográfica pode parecer inferiorizado por duas razões: 1) impossibilidade de experimentação; 2) a importância do fator humano.
Assim, temos uma cadeia que vai do homem à natureza com vários anéis, e é pela história (escrita ou oral) que podemos reconstruir a série em que tais anéis se apresentam. É evidente que a série reconstruída não será homogênea, pois a riqueza da pesquisa geográfica está, justamente, na heterogeneidade dos fatos e fenômenos.
Nota-se que tão heterogênea quanto a própria pesquisa geográfica é a paisagem, que ora é vista como homogênea, ora é vista em todas as suas especificidades.
O próximo capítulo visa apresentar a paisagem no contexto do referencial teórico- metodológico que permeou as discussões pretendidas por este trabalho.