Para as análises realizadas no presente estudo, os participantes diagnosticados obedeceram ao critério de inclusão de ter sido diagnosticados por profissional habilitado (i.e. médico ou psicólogo). Os participantes não diagnosticados obedeceram ao critério de inclusão que define que não tenham atualmente, ou tido em outro momento, diagnóstico psiquiátrico atribuído por profissional habilitado. Todos os participantes do estudo possuem ensino médio completo.
Participaram da pesquisa um total de 125 pessoas. Foi realizada uma análise para verificar a adequação da distribuição dos participantes por cada uma das quatro condições do estudo através do teste qui-quadrado, conforme pode ser visto na Tabela 1. Os resultados da
análise do qui-quadrado de Pearson indicaram que a frequência de participantes por condição foi próxima à frequência esperada para o estudo (p = 0,58).
Tabela 1
Distribuição de participantes por condição: frequências obtidas e frequências esperadas (n = 125) Diagnóstico da vinheta Não Sim Diagnóstico do Participante Não Frequência 36 39 Frequência Esperada 37,8 37,2 Sim Frequência 27 23 Frequência Esperada 25,2 24,8
A Tabela 2 apresenta alguns dos dados sociodemográficos dos participantes do estudo, conforme se caracterizou a amostra de coleta para a análise dos resultados parciais do estudo.
Tabela 2
Características demográficas dos participantes (n = 125) Participantes Diagnosticados (n = 50) Participantes Não-diagnosticados (n = 75) Total Sexo Mulheres 42 (84,0%) 57 (76,0%) 99 (79,2%) Homens 8 (16,0%) 18 (24,0%) 26 (20,8%) Idade M = 34,00 (DP = 11,43) M = 33,97 (DP = 10,55) M = 33,98 (DP = 10,87) Renda Familiar Mensal
(em salários mínimos)
Até 1 5 (10,0%) 4 (5,3%) 9 (7,2%) 1 a 3 13 (26,0%) 18 (24,0%) 31 (24,8%) 3 a 6 18 (36,0%) 18 (24,0%) 36 (28,8%) 6 a 9 6 (12,0%) 10 (13,3%) 16 (12,8%) 9 a 12 3 (6,0%) 12 (16,0%) 15 (12,0%) 12 a 15 2 (4,0%) 4 (5,3%) 6 (4,8%) Mais de 15 3 (6,0%) 9 (12,0%) 12 (9,6%) Nível de escolaridade Ensino médio 29 (58,0%) 17 (22,7%) 46 (36,8%) Graduação 10 (20,0%) 25 (33,3%) 35 (28,0%) Pós-graduação 11 (22,0%) 33 (44,0%) 44 (35,2%)
Dentre os participantes que responderam aos questionários, como pode ser constatado através da leitura da Tabela 2, é notória a superioridade da frequência no número de mulheres (79,2%) sobre o número de homens (20,8%) participantes da pesquisa, tendência que se mantém para os participantes diagnosticados e não diagnosticados. Embora a diferença na frequência dos sexos seja grande, as análises a partir do teste t indicaram não haver diferença significativa (p = 0,43) na atribuição de autonomia entre os sexos (considerando efeitos principais). O teste qui-quadrado também apontou que a frequência obtida para cada sexo não foi significativamente diferente da frequência esperada para a amostra (p > 0,05).
A média de idade dos participantes foi de 33,98 anos, variando entre as idades de 18 anos e 68 anos de idade. Tanto participantes diagnosticados quanto não diagnosticados acompanharam as características etárias da amostra total. Em relação ao estado civil, 59 participantes (47,2%) relataram estar solteiros, 46 (36,8%) casados, 16 (12,8%) divorciados, e 4 participantes (3,2%) relataram estar em outro tipo de estado civil (e.g. união estável). A maior porção dos participantes relatou ser ateia ou agnóstica (30,4%) e a religião mais relatada como praticada pelos participantes foi a católica (27,2%), seguida pelo espiritismo (15,2%), religiões de matriz evangélica (13,6%), e outras religiões (e.g. budismo) (12,8%). Mais da metade da amostra possui renda familiar entre 0 e 6 salários mínimos (60,8%) caracterizando, em sua maioria, baixa renda.
Apesar da baixa renda, mais da metade dos participantes possui graduação (62,4%), e ainda 35,2% da amostra possui algum nível de pós-graduação. Embora os dados totais apontem um percentual alto de pessoas com graduação, há diferenças entre o perfil do participante diagnosticado e do não diagnosticado quanto ao nível de ensino quando se nota que 77,3% dos participantes não diagnosticados possuem graduação em comparação com apenas 42% dos participantes diagnosticados.
Quanto a variável de maior relevância para o presente estudo, sobre o participante ter sido ou ser atualmente diagnosticado (ver Tabela 1), não há uma proporcionalidade perfeita entre os grupos, sendo que 50 participantes (40,0%) possuem diagnósticos psiquiátricos, contra 75 participantes (60,0%) que não são diagnosticados. Embora a diferença nas frequências seja alta, a avaliação do teste qui-quadrado apontou que a distribuição está próxima à esperada para a amostra (p > 0,05).
Considerando os possíveis efeitos dos participantes terem experiências com diagnósticos psiquiátricos, mesmo que não sejam diagnosticados, foi verificada ainda a frequência de participantes que têm algum amigo ou familiar próximo que possua diagnóstico
psiquiátrico. A partir desse questionamento, 99 participantes do estudo (79,2%) afirmaram possuir alguém próximo diagnosticado; em contraponto, apenas 26 participantes (20,8%) relataram não ter pessoas próximas diagnosticadas. Mesmo quando considerando apenas os participantes não diagnosticados, 74,7% desses participantes possuem algum vínculo próximo com pessoas diagnosticadas. Tais frequências chamam a atenção para a onipresença da psicopatologia na vida cotidiana dos participantes do estudo.
Algumas características foram exploradas apenas sobre os participantes diagnosticados (Tabela 3 e Tabela 4), considerando o tipo de profissional que formulou e forneceu o diagnóstico diferencial do transtorno relatado pelo participante, tal como saber se o participante apresenta o diagnóstico relatado atualmente e se é acompanhado por um profissional de saúde mental.
Tabela 3
Características dos participantes diagnosticados (n = 50) Profissional que forneceu o
diagnóstico Psicólogo 8 (16,0%) Médico 42 (84,0%) Diagnósticos apresentados ou comorbidades Apenas um diagnóstico 30 (60,0%) Dois diagnósticos 14 (28,0%) Três diagnósticos 2 (4,0%) Ausentes 4 (8,0%)
O diagnóstico relatado se mantém atualmente?
Sim 38 (76,0%)
Não 12 (24,0%)
Acompanhamento por profissional de saúde mental
Psicoterápico 3 (6,0%)
Psiquiátrico 19 (38,0%)
Psicoterápico e psiquiátrico 18 (36,0%)
Não possui acompanhamento 10 (20,0%)
Obedecendo ao critério de inclusão estabelecido para os participantes diagnosticados, todos foram diagnosticados por profissional habilitado, sendo 84% diagnosticados por médicos e 26% por psicólogos. A maior parcela dos participantes diagnosticados relatou apenas ter recebido um diagnóstico (60%), outros participantes relataram ter mais de um diagnóstico ou comorbidades, sendo que 28% relataram possuir dois diagnósticos e 4% três diagnósticos. Quatro dos participantes diagnosticados (8%) não relataram seus diagnósticos. Os tipos de diagnóstico são apresentados na Tabela 4.
Considerando o critério de inclusão para a condição experimental do participante diagnosticado, todos deveriam ser no momento da pesquisa ou ter sido em outro momento diagnosticados com algum tipo de transtorno psiquiátrico. Foi considerada, portanto, a participação de pessoas que passaram por remissão diagnóstica e hoje não apresentam mais sinais e sintomas descritos pelo diagnóstico que outrora lhes foi atribuído. Dos participantes diagnosticados, 76% relataram ainda apresentar o quadro característico do diagnóstico psiquiátrico e 24% não possuíam mais o diagnóstico (i.e. tiveram remissão diagnóstica) no momento da pesquisa.
Tabela 4
Diagnósticos apresentados pelos participantes (n = 50)
Depressão (não especificada) 20 (32,3%)
Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) 9 (14,5%)
Transtorno afetivo bipolar (TAB) 8 (12,9%)
Transtorno de personalidade borderline
(TPB) 7 (11,3%)
Transtorno de Pânico 4 (6,5%)
Transtorno do déficit de atenção com
hiperatividade/DDA (TDAH) 4 (6,5%)
Ansiedade (não especificada) 3 (4,8%)
Síndrome de asperger 3 (4,8%)
Transtorno do espectro autista (não
especificado) (TEA) 2 (3,2%)
Transtorno depressivo persistente/distímico 1 (1,6%)
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) 1 (1,6%)
A Tabela 4 apresenta os diagnósticos relatados pelos participantes diagnosticados do estudo que optaram por especificar o diagnóstico recebido. Ao todo, houveram 62 diagnósticos relatados de 10 síndromes/transtornos diferentes. Dos 62 relatos, uma parcela foi de pessoas que possuíam mais de um diagnóstico (32% da amostra, conforme explicitado na Tabela 3). Dentre os que apresentaram diagnósticos plurais foram apresentados: TDAH e TAG; depressão
e síndrome de asperger; depressão e TAG; distimia e ansiedade; depressão e TDAH; depressão de transtorno de pânico; ansiedade e TDAH; TAG e TOC; TAG, depressão e TPB; TAB, depressão e ansiedade; etc. Tais diagnósticos plurais, entretanto, não foram contabilizados em tabelas devido à falta de especificidade sobre serem comorbidades ou diagnósticos apresentados por profissionais diferentes ou em tempos diferentes.