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Analyse des mod` eles ´ el´ ements finis

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Etat de l’art

1.4 Mod´ elisation

1.4.4 Analyse des mod` eles ´ el´ ements finis

Preocupado com a maneira como jovens trabalhadores conduziriam sua vida profissional, Smiles utiliza biografias para ensinar “o quanto um homem pode ser bom e fazer o bem.” (SMILES, s.d, p.

47). No período em que permaneceu em Leeds, Inglaterra, dedicou-se a estudar o caráter dos homens que julgava dignos de servirem de exemplo, considerados edificantes pela sua industrialidade, convertendo suas análises em biografias.

Sendo assim, os excertos biográficos selecionados por Smiles servem de guia e de incentivo, uma vez que ensinam

as normas de bem viver, de bem pensar, de trabalhar cada um energicamente em seu próprio proveito e no de seus semelhantes. Têm quase tanto valor como os Evangelhos, pelos preciosos exemplos que elas fornecem de caracteres nobres e viris lentamente formados pela eficácia do esforço pessoal, da firmeza de propósitos, da assiduidade no trabalho, da constância na integridade. (SMILES, 1901, p. 98).

Para Smiles, importa reforçar trajetórias de vida que mostrem que o sucesso, em geral, não ocorre de imediato. É preciso insistência, persistência ou uma das qualidades mais valorizadas pelo autor: perseverança.

O autor lembra a genialidade industrial de James Watt, que foi, em sua opinião, um dos homens mais hábeis “que jamais existiram”. A história de sua vida permite Smiles afirmar que

no tempo de Watt havia muitos homens que sabiam muito mais do que ele; mas nenhum havia que trabalhasse tão assiduamente como ele para converter tudo quanto sabia em usos práticos. Distinguia-se, principalmente, pelo seu ardor em coligir fatos e em cultivar cuidadosamente esse hábito de atenção inteligente do qual todos os homens sensatos reconhecem que dependem em grande parte as mais elevadas qualidades do espírito. (SMILES, 1893, p. 35).

Smiles levanta verdadeiro clamor aos inventores da indústria. Em destaque estão James Watt, Stephenson e Richard Arkwright, que são, por ele, coroados como homens de sucesso. De Arkwright tem-se que

nunca o mandaram à escola. Não teve outra educação senão a que ele deu a si próprio e sempre teve dificuldade de escrever. Na sua mocidade, foi aprendiz de barbeiro e, depois de ter aprendido o ofício, foi estabelecer-se em Boulton numa loja abaixo do nível da rua, com uma taboleta em que se lia: ‘Venham ao barbeiro subterrâneo – Faz a barba por um penny’. [...] Arkwright, que tinha gosto pela mecânica, teve então o desejo de se fazer inventor de máquina ou ‘o bruxo’, como então se dizia vulgarmente. Fizeram-se nessa época várias tentativas para inventar um tear e o nosso barbeiro resolveu-se a tentar com os mais a resolução do problema. [...] Dedicou-se com tanta assiduidade às suas experiências que desprezou o seu negócio, perdeu o pouco dinheiro que tinha economizado, e ficou reduzido à miséria. [...] Arkwright largou então o comércio de cabelos e dedicou-se ao aperfeiçoamento de sua máquina. [...] a patente de invenção foi concedida em nome de Richard Arkwright, de Nottingham, relojoeiro e circunstância digna de notar-se, foi expedida em 1679, no mesmo ano em que Watt obtinha o privilégio para a sua máquina a vapor. [...] Estabeleceu novos teares no Lancashire, no Derbyshire e em New Lanark, na Escócia. O tear de Cromford passou também por suas mãos quando findou a sua sociedade com Strutt e eram tais o número e a superioridade dos seus artefatos, que em pouco tempo conseguiu ser o regular exclusivo desta indústria, a ponto de que era ele quem fixava os preços e servia de norma nas principais operações dos outros fabricantes. (SMILES, 1893, p. 41-42).

Arkwright era considerado por Smiles dotado de grande força de caráter e de uma coragem “indomável”, pois “possuía muita prática das coisas do mundo e tinha a faculdade dos negócios desenvolvida que chegava às raias de um gênio.” (SMILES, 1893, p. 42).

Dentre os bons exemplos, Smiles também destaca John Heathcoat. Este era

o filho mais novo de um respeitável rendeiro, pouco importante, em Duffield, no Derbyshire, e nasceu nessa localidade em 1783. Fez rápidos e constantes progressos na escola, de onde o tiraram muito cedo para o meterem como aprendiz na oficina de um fabricante de caixilhos de ferro, perto de Loughborough. O rapaz aprendeu depressa a servir-se da ferramenta com destreza e adquiriu perfeito conhecimento das partes componentes do tear de fazer meia, assim, como da mais complicada máquina de fiar (warp). [...] o primeiro aperfeiçoamento que conseguiu introduzir foi no tear no qual, por meio de um aparelho engenhoso, produzia ‘malhas que tinham a aparência da renda’. E foi este fato que o resolveu a continuar os seus estudos para inventar uma máquina de fazer rendas. (SMILES, 1893, p. 54).

O espírito inventivo desses homens, foi para Smiles, digno de atenção, já que retratou suas histórias de “longa e laboriosa tarefa, que

exigia grande perseverança e aplicação” (SMILES, 1893, p. 56).

Essencialmente, o que merece ser mencionado é a capacidade de aperfeiçoamento e adaptações que os inventores procederam que suas máquinas pudessem funcionar. Smiles pontua mais enfaticamente a história de Heathcoat, como aquela que mostra que o inventor reunia qualidades como “a retidão, a honestidade e a integridade, que constituem a verdadeira glória do caráter humano.” (SMILES, 1893, p. 60). Desse modo, “sendo diligente educador de si próprio, por isso de boa mente, protegia os jovens operários em seu serviço, que o mereciam, estimulando-lhes o talento e a energia.” (SMILES, 1893, p. 61).

2.5.3.1 As biografias como recurso pedagógico

Em seu discurso, Smiles argumenta que “somos todos mais ou menos aptos para aprender melhor pelos ouvidos do que pelos olhos [...] o exemplo silencioso nos é comunicado pelos costumes e que, de fato, vive conosco, é que nos serve de guia” (SMILES, 1893, p. 412). Além disso, o exemplo constitui o “mais eficaz dos mestres”, prescindindo da escola no que se refere à aquisição de conhecimentos que influenciariam

na formação do caráter. Smiles (s.d, p. 47) fez das biografias um de seus recursos pedagógicos.

A utilidade das biografias, na visão do autor (1893, p. 425), se deve “à abundância de nobres modelos que apresentam.” Ao fazer uso desse recurso pedagógico, o vitoriano objetivava fornecer exemplos para que seu público pudesse “estudar, admirar e imitar” os homens de sucesso em suas trajetórias de vida. As biografias “aumentam a confiança do homem em si próprio, demonstrando o que ele pode ser, [...] elevando suas aspirações.” (SMILES, 1893, p. 426). Smiles construiu, durante as décadas em que se dedicou a biografar, uma corrente do exemplo. O caráter didático das ações exemplificadoras utilizadas por Smiles tinha o propósito de mobilizar jovens trabalhadores da Inglaterra, de maneira que estes assumissem para si responsabilidade pela condução e construção de suas trajetórias. Encarregar-se de si próprio supõe que a pessoa seja responsável pelos seus sucessos e, principalmente, assuma como seu o ônus dos fracassos. Tratava-se da defesa dos preceitos liberais, da meritocracia, dos privilégios do sangue.

Ao longo de várias décadas, o discurso de Smiles vigorou no sentido de fortalecer a construção de um trabalhador virtuoso, da moral e observador do dever para com o trabalho e com Deus. No progresso histórico-religioso da eliminação da magia do mundo, a literatura de Smiles está em consonância com a literatura puritana inglesa que adverte contra “qualquer confiança na ajuda da amizade dos homens.” (WEBER, 1996, p. 73).

Mostrando princípios de um projeto de formação, Smiles (s.d, p. 25) frisa sua concepção de história:

[...] a história universal não é outra coisa mais do que a história dos grandes homens. Certamente, são eles que marcam e designam as épocas da vida de uma nação. Ainda que, até certo ponto, seu espírito seja o produto do tempo em que eles vivem, o espírito público é também em grande parte criado por eles. Sua ação individual identifica a causa e o resultado. Têm grandes pensamentos que vão se espalhando por toda a parte e produzem os acontecimentos. Homens como esses são a verdadeira seiva do país a que pertecem. Elevam-no e sustentam-no, fortificam-

no e enobrecem-no e derramam glória sobre o exemplo que deixaram.

O aspecto educativo desses ensinamentos tem seu fundamento em princípios morais, sociais e universais, que, para Smiles, formam e alicerçam, de certo modo, o trabalhador industrial. Ao reforçar um tipo de sociedade e de trabalho, Smiles instrui seus leitores para a formação de uma consciência individual que só pode ser representada pelos trabalhadores em ações individuais em nome de um caráter nacional. Determinante de um modo de ser para o trabalho, o autor difunde esses princípios buscando um modo de pensar comum. A partir de Gramsci (2004, p. 232), se poderia dizer que estaria aí ausência de uma noção de coletivo, uma vez que “a coletividade deve ser entendida como produto de uma elaboração de vontade e pensamentos coletivos, obtidos através de um esforço individual concreto, e não como resultado de um processo fatal estranho aos indivíduos singulares.” É essa singularidade que está no cerne da autoajuda smilesiana.

A autoajuda de Smiles constitui uma estratégia para “ajudar” jovens trabalhadores a se desenvolverem segundo certo modo de ser e seguindo uma determinada direção.

Nesse ponto, é comum nos textos publicados por Smiles o uso de citações, máximas e provérbios bíblicos. A voz do outro, na perspectiva da linguística, pode ser considerada mais um dos investimentos ou estratégias do autor para convencer seu leitor sobre os ensinamentos - por meio de exemplos -, necessários à formação do caráter. Os exemplos de homens notáveis biografados por Smiles visavam difundir padrões de conduta, de comportamentos almejados no século XIX, em consonância com a ética protestante.

2.6 “AJUDA-TE E DEUS TE AJUDARÁ”: AUTOAJUDA,

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