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Chapitre 3 Méthodologie

3.3 Analyse des méthodes

O corpus constituído para o estudo realizado foram os roteiros de viagem de Angola e do Rio da Prata. Eles encontram-se na compilação do Códice 1507 e foram delimitados da seguinte forma: Roteiro de Angola, f. 80v. e 81r; Roteiro do Rio da Prata, f.108v-110r.

O manuscrito 1507 faz parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa, ele foi compilado por Manoel Gaspar, ou a seu pedido, em primeiro de março de 1594, conforme o que aparece na folha de rosto (TELLES, 1995, p. 264). Porém dentro do manuscrito irão aparecer seis datas, sendo que quatro são distintas, em ordem seriam: 1573, 1591 (em dois roteiros distintos), 1593 e 1706 (também em dois escritos diferentes). Telles (1995) detalha o contexto em que elas ocorrem:

[...] a) no fólio 56vo., no Laus Deo: “Laus deo acabose de tresladar / Este derrotero en la Hauana / a 11 de enero de 1593. A(nn)o do s(ennor)”; b) no fólio [80vo.], o sétimo roteiro do códice faz referência ao período de 12 a 15 de janeiro de 1591: Demostração das tterras / do loanguo caminho de angola / por onde eu pasey de.12. ate .15. de jan(ei)ro de 1591”. Ainda no fólio [102ro.] encontra-se uma data que permite afirmar-se ser o décimo roteiro posterior a 1573: “E por não fazer este mareaje a nao santa clara o año de 1573: q(ue) hia p(er)a a India temendose da costa da bahia por estar cerrada cõ o t(em)po passou de 13 g(ra)os e se foi perder en tituapara,...”. No trecho em letra do século XVII (37ro.) pode observar-se que foi lançada uma data, lendo-se claramente o 1706, datação que parece repertir-se no fólio [83ro.]: 170[6]. Quanto ao Roteiro da Índia de Vicente Rodrigues, conhecido como o segundo roteiro daquele piloto, atribui-se-lhe a data de 1591 (TELLES, 1995, p. 263). Em relação à escrita, há quatro scriptores cuja letra e cujos trabalhos puderam ser identificados, por terem tomado um formato mais organizado e coeso dentro da scripta; porém, há, também, interferência de várias mãos, em anotações diversas, que foram lançadas em páginas em branco (TELLES, 1995, p. 263-264).

Quanto às escritas sistematizáveis, conforme a descrição extrínseca de Telles (1995, p. 263), tem-se que o scriptor 1 parece ter escrito, em espanhol, os fólios 1r-27r, 28r-36v, 38r-40r, 41r-57r, 60v, 61r-64r, 66r-75r; e, em português, os fólios 80v-81r. O

scriptor 2 teria escrito, em língua portuguesa, os fólios 83v-84r. Já o scriptor 3 pode ter

sido o responsável pela escrita dos fólios 85r-107r. E o scriptor 4, aparentemente, escreveu os fólios 108r-110r. Todos os quatro scriptores dão forma gráfica aos seus textos

através da letra humanística cursiva do século XVI (TELLES, 1995, p. 263). Sobre essas informações, Telles (1995) ainda acrescenta:

A letra do copista 1 é bastante regular e corresponde aos textos em língua espanhola [...] e apenas a dois fólios em língua portuguesa [...].

As letras dos copistas 2 e 3 mostram o traçado menos regular do que a do copista 1 e correspondem a textos em língua portuguesa.

A letra do copista 4, que se ocupou dos últimos fólios do códice, é a de traçado menos regular, mostrando maior rapidez na escrita e com manchas nas letras. Quanto à escrita cursiva do século XVII, pode pertencer a várias mãos que preencheram as folhas brancas do códice com anotações diversas (TELLES, 1995, p. 263-264).

Essas “várias mãos” que produzem “anotações diversas” são um exemplo do que Albuquerque (1994, p. 949) nos conta sobre a prática dos pilotos que se sucediam nas mais diversas rotas do período dos descobrimentos e expansão. Estes costumavam acrescentar novas informações nos espaços em branco dos roteiros (entrelinhas, margens, fólios), por se tratar do fato de cada nova viagem encontrar-se submetida a um novo observador, que percebia novos dados a partir de sua perspectiva particular. Daí a dificuldade de se atribuir autoria (no sentido contemporâneo de autoria) a esse gênero de texto, pois de acordo com o historiador: “[...] o escrito primitivo de um roteiro era, subsequentemente, aperfeiçoado pelos pilotos que a ele recorriam, de modo que o texto acabava por ser uma obra colectiva de sucessivas gerações de pilotos [...]” (ALBUQUERQUE, 1994, v. 2 p. 949, col. b). E, por ser um típico exemplar de uma obra coletiva, Telles (1995, p. 264), quando fala sobre a autoria do Códice 1507, afirma que Manoel Gaspar foi o responsável pela compilação, mas não pode ser considerado o autor dos roteiros.

O conteúdo do Manuscrito 1507 refere-se essencialmente ao contexto da marinharia e da expansão marítima, registrando, na sua parte principal, dez roteiros e três instruções náuticas, que são apresentados por Telles (1995) da forma como segue:

1. “[Derrotero de las Indias de Castilla]”, 1r -56v 2. “Entrada de setuual”, 57r

3. “[Anotações sobre as longitudes]”, [60v ]

4. “Memoria de las alturas deste deRotero de las tierras q(ue) en el se contienen”, [61r -64r]

5. “[Instrucciones para] hazer Un arbol mayor para Una nao...”, [66r ]

6. “De Mostraçaon e aParencia de algunas tierras y islãs deste Roteiro”, [67r - 75r]

7. “Demostração das tterras do loanguo caminho de angola por onde eu pasey de.12. ate .15. de jan(ei)ro de 1591”, [80v -84r]

8. “Longetudes q(ue) ha de huns lugares Portos e ylhas a outros na Costa Universal cõ o compasso em dereitura”, [80v -81r]

9. “Roteiro da carreyra da India e dos Rum(os) a que se a de gouernar E dos sinais que nesta viagem se achão, con as deferenças da agulha Composto Por Vicente Ro(dr)i(gue)z pilloto mór dela”, [85r -93v]

11. “Como se a De marcar agulha”, [100]

12. “Roteiro da Viajem e costa de todo o Brasil Nauegando P(or) ele Desdas Ilhas de Cabo Verde ate o Rio da pratta”, [101r -107r]

13. “Roteiro que conta desde a ylha de santa caterina ate o Rio da pratta”, [108r - 110r] (TELLES, 1995, p. 265)

Esses são, pois, os principais textos dessa compilação. Eles demonstram a relevância desse Códice para a história da expansão marítima: pois, da mesma forma em que são dados que atestam os percursos, os lugares, as dificuldades, a amplitude da conquista territorial, as estratégias de navegação e de como se relacionar com os nativos; expõem, também, os projetos do Reino de Portugal e do Reino Espanhol. Apenas em ler o título, localizado na folha de rosto, podemos constatar esses objetivos e apreender a importância dessas descrições para robustecer as análises e a composição dessa História: LIBRO UNIVERSal De Derrotas, alturas, LongetuDes, eConheçenças, Detodas as nauegaçoís, Destes, Reínos, Deportugal, E castela. Indias, Orientaís E ocçidentaís, O mais copioso e claro quepo de Ser, En seruíço dos Navegantes. Ordenado. por pilotos consumados, Nesta sciençia eVertudes, Deaproueítar, E n seruiço de Deos, E n lix(boa) O pr(imeir)o Demarço 1594 E, quanto à amplitude da conquista, que nesse manuscrito é atestada, Telles (1995) afirma que a compilação:

[...] descreve as cinco diferentes carreiras do Atlântico: a) carreira das Índias de Castela, roteiros 1, 2, 4 e 6; b) carreira de Angola, roteiro 7;

c) carreira da Índia, roteiros 8 (longetudes), 9 (viagem de ida) e 10 (viagem de volta);

d) carreira do Brasil, roteiro 12;

e) carreira do Rio da Prata, roteiro 13 (TELLES, 1995, p. 265)

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