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Analyse de métallocène par introduction directe et par couplage boite à gant

Chapitre 5  :  Catalyse de polymérisation

5.3  Analyse de métallocène par introduction directe et par couplage boite à gant

Nos artigos “Cerâmicas Muçulmanas do Castelo de Silves”, publicado no primeiro número da Xelb e “O Barlavento Algarvio nos finais da islamização”, no catálogo “Portugal Islâmico os últimos sinais do Mediterrâneo”, Rosa Varela Gomes apresenta materiais cerâmicos, descobertos em trabalhos arqueológicos no castelo de Silves, mencionando no primeiro trabalho mencionado um “fragmento de grande talha, com a

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representação da “mão de Fátima” proveniente do poço-cisterna, almñada, de Silves” (Gomes, 1988) já referenciado em Gomes e Gomes, 1986, 133. Evoca “estampilhados com motivos arquitectñnicos, integrando “mãos de Fátima”, provenientes de Toledo e de Sevilha, recorrendo a Fernandez e Torres, 1982, 466 e Escudero, 1943, 148. No segundo texto, diz que “Além de cerâmicas temos vindo a descobrir muitos outros objectos (…) como amuletos, um deles com a representação da “mão de Fátima” (Gomes, 1998: 141)

Posteriormente, em “Cerâmica Medieval no Mediterrâneo Ocidental”, Rosa Varela Gomes escreve sobre as “Cerâmicas almñadas do Castelo de Silves”, identificando uma “Mão de Fátima”, sem explicar o nome, nem a utilização simbólica, existente numa talha, relatando apenas que se trata de mão aberta, com os dedos estendidos. Na bibliografia deste trabalho encontramos Basílio Pavón Maldonado. Diz a arqueóloga:

“Uma mão direita aberta, “mão de Fátima”, com os dedos estendidos, rodeada por motivos fitomñrficos (…) é o único tema antropomñrfico conhecido.” (Gomes; 1991: 392)

No catálogo da exposição, realizada dez anos depois, acerca do “Palácio Almoada da Alcáçova de Silves, a arqueóloga tenta explicar o significado do “Amuleto”, encontrado em zona anexa ao poço - cisterna, referindo o seu valor profiláctico:

“Trata-se de amuleto capaz de proteger o seu proprietário, que o usaria dependurado ao pescoço. Os cinco dedos da “Mão de Fátima” recordavam aos fiéis, os cinco fundamentos do Islão e os três dedos maiores a grafia do nome Allah. Estes, unidos na mão, representavam o poder divino e assumiam a categoria de verdadeira hierofania.

A sua utilização é recorrente na decoração cerâmica, sobretudo sob a forma de estampilhagem, nomeadamente sobre o corpo de grandes talhas, onde também assumia valor profiláctico, protegendo não só a água ali armazenada, como os habitantes da prñpria casa.” (Gomes, 2001: 71)

Neste artigo, encontramos argumentos, provavelmente oriundos da leitura das fontes bibliográficas que orientaram a pesquisa dos trabalhos de Khawli e Macias, cujo

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contributo para a investigação da arqueóloga de Silves, em torno da chamada Mão de Fátima, não consta na bibliografia, mas seria certamente conhecido, face à permuta dos diversos centros, onde se desenvolve e aprofunda o conhecimento sobre o Al-Andalus. 3. Abdallah Khawli

Na “Introdução ao Estudo das Vasilhas de Armazenamento de Mértola Islâmica”53 , Abdallah Khawli destaca o símbolo que ornamenta as talhas, sublinhando:

“Tema antropomñrfico: a mão é o único ñrgão humano representado nas talhas estampilhadas de Mértola. Este Motivo chamado Mão de Fátima ou Rhamsa, que significa “cinco”, foi objecto de diversos estudos de diferentes disciplinas. A sua polémica origem é atribuída, tanto à cultura hebraica ou berbere, como às antigas culturas orientais. Na verdade a representação da mão é observada em diversas civilizações (…) Os vários protñtipos detectados na cerâmica islâmica medieval correspondem a palmas da mão esquerda e direita com ou sem antebraço, tal como foram observadas em muitas peças cerâmicas estampilhadas de Mértola. A sua representação em talhas justifica, mais uma vez, a preocupação dos muçulmanos medievais com os espíritos maléficos capazes de enfeitiçar, em qualquer momento, o alimento conservado.” (Khawli, 1993: 69).54

No artigo seguinte, intitulado “A Mão de Fátima e a sua representação na arte hispano - muçulmana. Cerâmica estampilhada de Mértola”55

, Khawli, diz na nota 1, que:

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“Arqueologia Medieval”, volume 2, Porto, Afrontamento, 1993, pp. 63-78. 54

Ricardo Manuel Pereira Tomás, em “A Gramática Decorativa da Talha Almñada de Tavira”, reproduz na página 17 este texto de Khawli, sem as “aspas” necessárias para a citação, nem nota de rodapé identificando o autor das palavras, embora o inclua na bibliografia. Disponível em:

www.arkeotavira.com/Estudos/Talha.pdf [em linha] Campo Arqueológico de Tavira, 2003 - www.arqueotavira.com [consultado em 3-7-2011]

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“O nome mão de Fátima é utilizado pelos europeus para designar a chamada Rhamsa56 - cinco - no Norte de África. No entanto - acrescenta - desconhecemos se as mesmas expressões foram usadas na Idade Média.” E Abdallah Khawli informa:

“Em Marrocos, actualmente, as mulheres pronunciam mão de senhora Fátima a-Zahara a filha do profeta e filha de Ali, na altura de pintar os olhos com o Qhol orando “A tua mão senhora Fátima a- Zahara precede a minha.” (Khawli, 1994: 605)

Fala da absorção pela cultura e religião islâmica dos significados da mão simbólica e da continuidade do culto da mão. Informa que a mais antiga representação da mão pode datar-se nos séculos X-XII, sendo estas mãos abertas, com palma e dedos estendidos (recorre bibliograficamente a Pavón Maldonado).

A difusão da mão na cerâmica, assegura, terá ocorrido nos séculos XIII a XV (socorre- se de Navarro Palazon e Rosa Varela Gomes, entre outros). Inventaria algumas mãos encontradas na Península Ibérica. Menciona as mãos de osso de Mértola e Moura, afirmando:

“É evidente que o culto da mão de Fátima marcou a sociedade hispano - muçulmana, pelo menos a partir do período almñada.” (Khawli, 1994: 609)

Abdallah Khawli apoia-se essencialmente em bibliografia europeia: Herber, La main de Fathma, Hespéris, 1927, Pavon Maldonado, 1985 Júlio Navarro Palazon, 1986, Rosa Varela Gomes, Xelb 1, 1988. Não existe na sua bibliografia qualquer referência a fontes árabes. Khawli mistura a mão aberta, encontrada em cerâmicas e osso, com a mão fechada, descontextualizada do restante enunciado (reproduzida em fotografia, na página 617) chamando-lhe “Aldraba de uma casa de Mértola”.

Posteriormente, em “Arcos Estampilhados da Cerâmica Islâmica de Mértola”57

, Khawli compara a mão a ex-voto e atribui-lhe a força de amuleto, acrescentando:

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O termo Rhamsa é repetido por Khawli, em diversos artigos e até reproduzido por Ricardo Tomás, em “A Gramática Decorativa da Talha Almñada de Tavira.”

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84 “A religião muçulmana na sua vertente popular converteu este

símbolo adaptando-o à sua estrutura religiosa e social.” (Khwali, 1994: 145).