• Aucun résultat trouvé

Analyse in situ du comportement de la couche intermédiaire

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 149-157)

A procura de um método torna-se um dos problemas mais importantes de todo empreendimento para a compreensão das formas caracteristicamente humanas de atividade psicológica. Neste caso, o método é, ao mesmo tempo, pré-requisito e produto, o instrumento e o resultado do estudo. (VYGOTSKY, 1998, p, 86)

Levando em consideração a perspectiva vygotskyana, o contexto educacional e principalmente o processo de ensino e aprendizagem, sabemos que cada professor diante de sua realidade e às vezes superando desafios, procuram em meios as diversas possibilidades existentes, métodos, que acham convenientes para o exercício de sua prática educativa.

Todavia, um dos desafios encontrados atualmente pelos profissionais da educação, é justamente a implementação das ferramentas tecnológicas, no âmbito escolar. Isso acontece pelo avanço demasiado da tecnologia, onde cada vez mais, surgem novos equipamentos eletrônicos, e esses passam a ser utilizados pelos alunos que estão inseridos nessa “aldeia digital”, criando e recriando signos, linguagens multimodais.

A partir dessa reconfiguração social somos e nos tornamos a favor, de uma formação libertadora, autônoma, ubíqua e contextualizada, em que

O acesso à pluralidade lingüística é que permitirá ao indivíduo eleger sua própria norma, compô-la com as regras que bem quiser, aquelas que mais correspondem a seus desejos, suas pulsões, suas crenças, seus apetites. De posse do conhecimento de muitos usos possíveis das estruturas da língua, é que o indivíduo poderá se posicionar diante da norma padrão, criticá-la, aceitá-la ou recusá-la e lutar por sua transformação (BAGNO, 2001, p. 293).

Nas últimas décadas, mutações têm ocorrido no campo da linguagem, isso em virtude da utilização desenfreada das tecnologias de informação e comunicação que têm reconfigurado as perspectivas didático-metodológicas nos diversos níveis educacionais, não sendo diferente com o ensino de Língua Portuguesa na educação básica. Nesta contextura, torna-se inevitável traçar reflexões e discussões em torno das concepções de linguagem existentes e emergentes, e dos modelos de aprendizagem, considerando as modificações observadas nas práticas sociais dos habitantes da cultura digital.

A denominada revolução da “informática” promove mudanças radicais na área do conhecimento, que passa a ocupar um lugar central nos processos de desenvolvimento, em geral. É possível afirmar que nas próximas décadas, a educação vá se transformar mais rapidamente do que em muitas outras, em função de uma nova compreensão teórica sobre o papel da escola, estimulada pela incorporação das novas tecnologias. (BRASIL, 1999, p. 15)

Essa ideia nos permite afirmar que o surgimento das tecnologias de informação e comunicação tem modificado muitas atividades da vida moderna. Tais mudanças são notadas de forma significativa nas práticas de leitura e escrita que influem no cotidiano de professores e alunos, isso em decorrência da adesão as TIC, oportunizando novas possibilidades de interação e ensino de língua materna.

Percebemos, entretanto, que graças ao avanço da tecnologia é possível ocorrer aprendizagem, mesmo não estando no espaço escolar, por meio da utilização das mídias/tecnologias. Paralelo a essa hipótese, podemos destacar a ideia de Alves (2002 p. 1) para enfatizar tal evidência.

Uma breve observação no cotidiano das pessoas hoje é suficiente para que se constate que o homem se forma e se informa através da interação com as tecnologias de informação e comunicação (TIC). Cinema, televisão, vídeo, Internet, CD-ROM, simuladores visuais, telas interativas... É um mosaico de diversas mídias interagindo no universo material, afetivo e cognitivo dos indivíduos.

Vivemos imersos em uma sociedade onde a velocidade do fluxo de informações aumenta diariamente e cada vez mais os indivíduos tornam-se dependentes dos recursos tecnológicos, principalmente a juventude que nasceu em meio a essa “explosão” da tecnologia.

Sendo assim, vemos que o processo de ensino e aprendizagem de língua, não pode, nem deve limitar-se ao uso de metodologias tradicionais, pois nesse modelo as coisas já vêm explícitas, ou seja, prontas para os alunos, deixando que eles não analisem, pesquisem, descubram e até mesmo, aprendam com novos recursos midiáticos que são oferecidos atualmente.

Todavia, o ensino de língua portuguesa sempre foi centrado em práticas orais e escritas, seguindo os moldes e regras da gramática normativa e/ou dos livros didáticos. A produção textual escrita ou falada continua sendo a mesma, mas nossa relação com ela, diferencia-se visto que temos novos modelos, tipologias e gêneros textuais, os suportes para esses textos não limitam-se apenas aos livros, revistas,

jornais, hoje temos outras possibilidades (papel, áudio, vídeo ou formato digital), essas exercem influência e ressignificam a relação que estabelecemos com o texto.

Os gêneros vão surgindo de acordo com as necessidades específicas. Os blogs, fotologs, podcasts são novos gêneros, com características próprias. O acesso às tecnologias digitais, especificamente, o computador/internet pode facilitar o processo do ensino e aprendizagem de língua, por exemplo, uma vez que o usuário conectado a rede tem a possibilidade de obter variadas informações em diversas fontes, por meio de uma leitura e pesquisa não linear, procurando e encontrando caminhos diferentes (links), nessa busca o leitor tem a liberdade de trilhar múltiplos percursos, os quais são denominados como hipertexto. Segundo Xavier (2009, p.119),

O hipertexto se diferencia, essencialmente do texto impresso por hospedar e exibir em sua superfície formas outras de textualidade, além da modalidade escrita da linguagem. Ele acondiciona outros modos de enunciação, tais como as imagens, vídeos, ícones animados e sons, todos interpostos ao mesmo tempo na tela.

Essa convergência das mídias tem fomentado reconfigurações da linguagem na modalidade escrita, logo, faz-se necessário utilizar esses instrumentos digitais viabilizando uma aprendizagem dinâmica e interativa.

Os educadores que adotam uma visão construcionista da utilização das tecnologias digitais têm proposto a criação de ambientes de aprendizagem baseados em uma “mistura de mídias”, onde os alunos combinam tecnologias mais sofisticadas e as tradicionais para o design e a criação de novos artefatos. Abrahamson (apud VALENTE 2008, p. 14).

Logo, torna-se necessário que o educador aproprie-se de diversas ferramentas interativas que viabilizem o ensino de LP como um meio de proporcionar interação em sala de aula, propondo uma dinamicidade não mais limitada apenas a escola, mas principalmente para o uso de outros recursos tecnológicos que favoreçam ultrapassar os muros, grades e portões das instituições que na maioria das vezes aprisionam os alunos com conteúdos descontextualizados da realidade, currículos engessados e metodologias tradicionais.

Nessa contextura é pertinente ressaltar os postulados teóricos de Kenski (2007, p. 88) quando afirma-nos que “As tecnologias ampliam as possibilidades de ensino para além do curto e delimitado espaço de presença física de professores e

alunos na mesma sala de aula”. Através da utilização da internet como uma ferramenta metodológica é possível uma interação e consequentemente uma aprendizagem recíproca, ou seja, tanto educando quanto educador tornam-se autores/construtores dos conhecimentos adquiridos em sala de aula.

4 ESCOLA: DA ANALÓGICA À DIGITAL

Atualmente vivemos em um momento de constante reflexão no que se refere ao espaço escolar, visto que estamos vivenciando um período muito forte denominado Era Digital. Esse momento reflete de forma significativa nos diversos setores da sociedade, principalmente nas instituições de ensino, que engloba uma clientela altamente diversificada advinda de variadas camadas sociais, deste modo é necessário ter a consciência que a escola é um ambiente plural e, portanto precisa repensar e refletir sobre sua função diante do contexto educacional.

Diante dessa perspectiva e levando em consideração o avanço abundante da tecnologia, se faz necessário a implementação de recursos tecnológicos e digitais no contexto escolar, a fim de vincular uma mediação pedagógica cada vez mais inovadora, alçando novos voos no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Alves e Preto (1997 p. 6) em seu artigo publicado na revista Comunicação e Educação, a escola deve:

Criar um espaço dialógico, aberto e confortável onde as crianças se expressem [pudessem se expressar] espontaneamente sobre a sua relação com as máquinas de um modo em geral, com o rádio, TV, vídeo, games, computadores, Internet, a fim de que, com o poder de uso das diversas linguagens, usufruam [usufruíssem] publicamente deste direito.

Desta forma, a escola deve partir de uma postura analógica – tradicional, assumindo uma posição cada vez mais digital, criando possibilidades dialógicas, em que os indivíduos possam se expressar e interagir.

Nessa perspectiva, práticas educativas que limitam apenas ao uso do giz e da lousa devem ser repensadas, pois com a era digital a aprendizagem se torna mais dinâmica para o aluno, uma vez que o mesmo, em seu universo social interage com diversas mídias, integrando sons, imagens e vídeos, permitindo-lhes através deste contato um leque de informações e conhecimentos.

A escola tem o papel de formar cidadãos críticos, ativos e participativos na sociedade, para que isso ocorra faz-se necessário que as instituições de ensino e os professores estejam preocupados com os conteúdos direcionados em sala, para que não sejam postos conteúdos insignificantes, desmotivando consequentemente os alunos. É imprescindível que as escolas estejam abertas para os novos mecanismos

educacionais, bem como as novas tecnologias.

As alterações em benefício ao futuro dos cidadãos críticos e reflexivos requerem mudanças na estrutura escolar como aponta Kenski (2006, p. 224): [...] há necessidade de novas concepções para abordagens dos conteúdos, novas metodologias de ensino e novas perspectivas para a ação de professores, alunos e todos os profissionais da educação.

Segundo Sancho (1998), as novas tecnologias oportunizam novos horizontes ao contexto escolar, sendo assim professores e alunos podem estar mais próximos e o processo de ensino-aprendizagem pode ganhar um dinamismo, inovação e poder de comunicação inusitados, em relação à aprendizagem ocorrerá através da descoberta no qual o professor passará a ser um guia do aluno. Marcuschi (2004, p. 17), reflete acerca do novo papel da escola na era da Internet, para ele: “já se pode indagar se a escola deverá amanhã ocupar-se de como se produz um e-mail e outros gêneros do discurso eletrônico ou pode a escola tranquilamente continuar analisando como se escreve cartas pessoais e bilhetes”.

Esse pensamento nos faz refletir de forma considerável sobre o novo perfil do ambiente escolar, que mediante a inserção das ferramentas tecnológicas, sobretudo, a internet em nosso cotidiano, não é mais compreensível que a escola ignore esses recursos. Considerando a ideologia de Moran (2007, p.95) compreendemos que: “uma classe hoje, precisa ter ao seu alcance aparelhos de vídeo, DVD, projetor multimídia e, no mínimo, um ponto de internet, para acesso a sites em tempo real pelo professor ou pelos alunos, quando necessário”.

Isso porque com a utilização das diversas mídias em sala de aula torna-se mais prazeroso estudar, aprender e participar da aprendizagem promovida pelo professor. As mudanças decorrentes do avanço tecnológico têm oportunizado a utilização de novos métodos e instrumentos, que, por conseguinte viabilizam novas formas de ensinar e aprender.

As tecnologias possuem uma função mediadora encontrada em quase todos os lugares que está interferindo na escola, é pertinente lembrar que elas não funcionam como substitutos de professores e nem amenizam a dedicação ao estudo, ao contrário, intensificam a forma de pensar para uma interatividade, originando novas possibilidades de se formar o conhecimento (ASSMANN, 2000).

Todo o processo de educação foca-se na ampliação dos conhecimentos, na relação entre o processo de ensino e a aprendizagem e, principalmente, na formação de cidadãos. Desse modo, cada vez mais, procura-se ir além dos métodos

tradicionais de ensino. Todavia, entre as atuais possibilidades para a educação está à inclusão das mídias digitais e virtuais como ferramenta pedagógica na sala de aula, como um meio de relacionar o ensino às ações cotidianas dos alunos, já que torna-se notório que os jovens hoje cada vez mais estão conectados as diversas mídias como: TV, Videogame, aparelho de som, computador, celular e etc. Para Kenski, (2007, p. 86):

Um programa de TV, a notícia no telejornal, a campanha feita pelo rádio, mensagens trocadas na internet, jogos interativos de todos os tipos são fontes de informações e de exemplos que ajudam a compreensão de conteúdos e a aprendizagem.

Considerando esse pensamento, notamos que existe uma grande diversidade de recursos e tecnologias que viabilizam contribuições significativas para a aprendizagem. Estamos imersos em uma sociedade cada vez mais tecnológica e digitalizada, sendo assim não é mais possível desconsiderar e/ou ignorar essas ferramentas, mas integrá-las nos diversos contextos, sobretudo, no âmbito educacional, criando possibilidades de ação e interação dos indivíduos participantes do processo de ensino e aprendizagem.

Diante dessa perspectiva é válido salientar que as (TICs) Tecnologias da Informação e Comunicação, além de outros fins, acendem mudanças nas trocas comunicacionais e nas possibilidades de interação humana, constituindo o que Costa (2003) denomina cultura digital (SANTANA, 2006).

As revoluções e transformações causadas pelo advento tecnológico, seja ele digital ou não, estruturam novas formas de vir a ser, pensar e produzir. A Galáxia de Gutemberg, como define McLuhan (1996), por exemplo, modificou a forma como a informação e o conhecimento eram disseminados pela Europa e pelo mundo, promovendo variações estruturais e culturais na sociedade. Revolução similar nas relações sociais ocorreu em função do surgimento das mídias, especialmente aqui, as digitais. Estas (interfaces e elementos tecnológicos), inseridas na sociedade contemporânea, têm modificado a maneira como os indivíduos se comunicam, se relacionam e, inclusive, aprendem.

[...] o uso de meios artificiais – a transição para a atividade mediada – muda, fundamentalmente, todas as operações psicológicas, assim como o uso de instrumentos amplia de forma ilimitada a gama de atividades em cujo interior as novas funções psicológicas podem operar [...]. (VYGOTSKY, 1994, p. 73)

A teoria de Vygotsky aponta uma informação valiosa, no que se refere à utilização dos meios considerados por ele “artificiais”, e ao fazermos uma releitura acerca desse pensamento, interpretamos como meios digitais e/ou tecnológicos, essa relação é feita quando reportamos a ideia de “atividade mediada” – “uso de instrumento”. Esses pressupostos teóricos, permite-nos a concepção de que por meio da utilização dos instrumentos digitais e/ou meios tecnológicos é possível oportunizar novas funções cognitivas, novas e ilimitadas possibilidades e caminhos, além de efetivar consequentemente um ensino prazeroso e cada vez mais lúdico.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 149-157)