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Esta parte visa apresentar os caminhos realizados na pesquisa de campo, em busca de materiais que pudessem ajudar nas questões da pesquisa. Para a descrição do percurso metodológico adotado, elaborou-se um roteiro de fontes de pesquisa: jornais, entrevistas realizadas, materiais de campanha e programas eleitorais. As fontes foram analisadas qualitativamente, a partir dos conceitos de gênero em Scott (1989) e representação descritiva em Mansbridge (1999).

Primeiro foi realizada uma pesquisa nos jornais O Povo e Diário do Nordeste, elencados por terem maior circulação no estado do Ceará. Dessa forma, foi possível o primeiro contato com as conjunturas políticas das duas candidaturas. Conhecer quem eram os concorrentes ao cargo de prefeito, as discussões e disputas em voga e também como eram abordadas as trajetórias dos candidatos. Um elemento rico de análise encontrado foram as charges produzidas por Sinfrônio para o jornal O Povo, em 1985, e para o Diário do Nordeste, em 2004, cobrindo, assim, as duas candidaturas escolhidas para análise nesta dissertação.

Para conhecer as trajetórias de Maria Luiza e Luizianne foi fundamental a realização de entrevistas, que foram guiadas por roteiros prévios, no intuito de conhecer

e ouvi-las contar suas histórias, além de questionar sobre as outras questões pertinentes à pesquisa. Bauer e Gaskell (2008) justificam a escolha por entrevistas na pesquisa qualitativa para a compreensão da percepção dos indivíduos ou grupos acerca “[...] das crenças, atitudes, valores e motivações, em relação aos comportamentos das pessoas em contextos sociais específicos” (BAUER; GASKELL, 2008, p. 65). Dessa forma procurei, a partir do roteiro de entrevistas semiestruturadas, conhecer os aspectos ressaltados pelos autores acima. A primeira parte do roteiro, intitulada “história de vida”, indagou sobre aspectos considerados por elas relevantes sobre suas trajetórias pessoais. Nos tópicos seguintes, trajetória e carreira política, interpelei suas motivações para o ingresso na política, desde a militância estudantil às candidaturas e quais os desafios que encontraram e os percursos percorridos na política. Por último, indaguei seus posicionamentos acerca da participação política de mulheres, o que consideram como desafios e conquistas; a importância da política de cotas. Especificamente, sobre representação descritiva, perguntei como elas entendem a questão da representação de mulheres pelas mulheres.

Os materiais de campanha também são fundamentais para conhecimento, recomposição e análise das candidaturas. A primeira busca a esses materiais foi realizada na sede municipal do PT. No entanto, lá não existe esse acervo. Foi questionado também à Maria Luiza se ela teria guardado, mas ela não os possui. Afinal, já se vão quase trinta anos. Luizianne tem um acervo pessoal, mas não foi possível visitá-lo por dificuldades de contato após a realização da entrevista. Não consegui mais contatá-la.

As dificuldades referentes às fontes da campanha foram minimizadas pelo acervo do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Política e Cultura (LEPEC) da UFC, sendo a maior parte referente à Luizianne Lins. Em relação à Maria Luiza, além dos jornais da época lá arquivados, foi possível encontrar um folder do “Seminário Popular Fortaleza da Gente”, em que se discutiriam as principais propostas da candidatura de

Maria Luiza e Américo Barreira, o então candidato a vice-prefeito31. O acervo do

LEPEC permitiu-me complementar minhas buscas aos jornais e ter acesso a alguns materiais de campanha. Foi possível o acesso a alguns vídeos da campanha de Luizianne Lins, disponíveis no acervo no Laboratório de Estudos Políticas, Eleições e

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O seminário contava com a participação de Luiza Erundina, à época candidata do PT à vice-prefeita em São Paulo.

Mídia (LEPEM) da UFC.

Para complementar esse material foi fundamental o acesso aos programas de

governo de ambas as prefeitas. Vimos que a representação descritiva refere-se ao

partilhamento de experiências, contextos dos eleitos (candidatos) e seus eleitores. Assim, eu precisava saber, além do posicionamento de Maria Luiza e Luizianne sobre essa temática, como elas refletiam sobre o eleitorado feminino. A busca pelos programas de governo foi iniciada na sede municipal do PT e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na sede do PT não havia os programas, mas foi-me repassado contato de quem poderia ter da campanha de Luizianne. No TRE foi explicado que os documentos com mais de dez anos são incinerados. O de 2004 foi registrado em cartório civil, então eu teria que saber em qual deles havia sido feito o registro.

Um ex-coordenador de campanha de Luizianne, através de contato na sede municipal do PT, enviou-me por e-mail a cópia do programa de governo. Posteriormente, com a continuidade do levantamento bibliográfico, obtive mais

informações sobre o programa de governo de Maria Luiza na tese de Souza (2004)32,

que não chegou a ser elaborado no período de campanha por diversas razões, a saber: o PT ser um partido pequeno à época e a candidatura de Maria Luzia ter inicialmente o intuito de fortalecer o crescimento do partido e, por isso não se contava com uma vitória do PT na capital cearense. Havia ainda o início da institucionalização dos partidos de esquerda que, com o Regime Militar, eram ilegais. Além disso, deve-se ressaltar o caráter de transição democrática do período, desde o início desse regime, em 1964, quando não havia eleições para prefeitos de capital.

A escolha pelos estudos de gênero não implicam somente numa teoria, mas numa metodologia e epistemologia distintas que trazem contribuições à pesquisa qualitativa, mas que geram controvérsias sobre alguns aspectos, como veremos a seguir.

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