Extrait Méthanolique
2.4. Analyse des extraits du fruit de l ’Elaeagnus angustifolia
Um ponto extremamente relevante desta discussão é a relação entre a escola a profissionalização dos jovens, já que é na escola, principalmente no Ensino Superior, que a maior parte dos jovens deposita a expectativa de se prepararem profissionalmente, o que garantirá a eles uma vaga, ou pelo menos o deixará mais bem qualificados, para o mercado de trabalho. No entanto, a realidade que se mostra não é muito animadora. Cerca de 73,4 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados no mundo, diz estudo divulgado, em 2013, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O número representa 12,6% da população dessa faixa etária. De acordo com o estudo, o desemprego entre jovens aumenta a cada ano. O número para 2013 é 3,5 milhões maior em relação a 2007 (quando 11,7% dos jovens estavam desempregados) e está perto dos níveis alcançados no pior momento da crise econômica, em 2009. No Brasil, Os jovens têm três vezes mais riscos de ficarem desempregados no País do que um adulto, conforme estudo da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse estudo destaca que, em 2012, um quarto das pessoas com idade para trabalhar no Brasil tinha entre 15 e 24 anos. Entre os desempregados, 46% eram jovens.
Esses dados apontam para vários fatores, entre eles o sentimento de marginalização social sofrido pelos jovens que, comumente, concebem o trabalho como ferramenta imprescindível para o exercício da cidadania (ESTEVES, 2005)
Considerando os estudos de Caliman (2008), pode-se afirmar que, quanto mais marginalizado um indivíduo em suas necessidades fundamentais, maior é o risco de se tornar um transgressor das regras sociais estabelecidas, já que o comportamento é fruto, entre outros fatores, da frustração pessoal diante da desigualdade vivenciada por meio da estratificação social e econômica presentes na sociedade.
Cresce assim a probabilidade de que o adolescente atingido pela insatisfação crônica das próprias necessidades possa desenvolver determinados déficits na evolução de sua personalidade ou assumir, conscientemente ou não, culturas redutivas a alguns valores ou pseudovalores ou, ainda, aceitar passivamente a própria condição de marginalidade (CALIMAN, 2008 p. 30).
Para Abramovay e Castro (2004, p. 83), o significado do trabalho para os jovens parece resumir-se em assegurar meios de sobrevivência e de satisfação de necessidades e desejos: não é percebido como fonte de satisfação em si mesmo, como atividade construtiva e de realização pessoal. Essa afirmação é motivo de preocupação, uma vez que o potencial econômico e financeiro do trabalho sobrepõe-se ao desejo ou ao sentimento de realização pessoal.
Apesar de haver muitas críticas à escola como uma espécie de terra prometida, sempre igual no horizonte, que recua à medida que nos aproximamos dela (Bourdieu, 1997, p. 483), ainda há um sentimento de essencialidade da escola para o sucesso profissional. De acordo com pesquisa realizada por Abramovay e Castro (2003), 17% dos alunos do Ensino Médio que haviam abandonado a escola retomaram os estudos, por considerarem que o diploma escolar é muito importante para ingresso no mercado de trabalho. Nessa mesma linha, segundo dados do Instituto Cidadania (2004), 76% dos jovens consideram a escola muito importante para seu futuro profissional. Assim, apesar de uma série de críticas à instituição escolar, é visível a concepção de escola como um requisito valioso para o ser humano.
A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 9394/96 considera que a Educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. Assim as escolas passam a assumir uma posição de responsável pela formação acadêmica, pela formação crítica, pela base moral e psicológica de seus alunos, além da preparação para que os jovens ingressem no mercado de trabalho.
A passagem de uma sociedade industrial para uma sociedade tecnológica trouxe significativas mudanças na organização do trabalho e do emprego, destacando-se a automação, o desenvolvimento do setor terciário e a modificação das estruturas hierárquicas das empresas, por exemplo. Essas mudanças trouxeram consigo a necessidade de renovação das competências requeridas dos trabalhadores. Entre essas novas competências Pair (2005, p. 177) destaca o espírito crítico e a responsabilidade em todos os níveis, autonomia no espaço e no tempo, passagem do concreto ao abstrato, e vice-versa, raciocínio, capacidade de se comunicar e trabalhar em equipe e criatividade.
Assim sendo, a escola precisa estar consciente de seu compromisso em proporcionar a todos uma base suficiente, a partir da qual cada um possa adquirir as competências individuais e especializadas de que necessita. A escola do século XXI
Precisa dar conta da complexa tarefa de colocar em prática seus discursos de uma formação integral, que atente a todos os indivíduos nas várias esferas sociais que necessita, estando permeada por princípios éticos e técnicos. Éticos pelos valores imprescindíveis à formação cidadã e a consolidação de um mundo melhor. Técnicos pela necessidade de instrumentalizar os indivíduos para que respondam às novas demandas e manuseiem competentemente os novos aparatos tecnológicos, enfatizando o saber fazer, diretamente relacionado ao mundo do trabalho (ROCHA, 2007, p. 57).
Se considerarmos o grau elevadíssimo de competitividade, a necessidade de profissionais críticos, flexíveis e em constante formação, chegamos à conclusão de que a capacidade de adaptação aos novos paradigmas e o enfrentamento aos desafios postos nesse início de século são questões de sobrevivência. Às Instituições educativas cabe a tarefa de formar profissionais para um mercado mutante e de características imprevisíveis como o fato de que no Brasil, segundo Werthein, (1999, p. 13) muitas empresas estão substituindo os funcionários menos qualificados por outros de qualificação superior, mantendo o mesmo salário. Outro fato interessante, citado por Ponchmann (2001, p. 223) é a regressão geracional que se tem percebido nos últimos anos em que, na maioria das vezes, os jovens não
conseguem obter condições de vida e trabalho superiores às de seus pais, mesmo possuindo níveis de escolaridade e formação superiores, o que gera um sentimento de frustração e fracasso nos jovens.
Há, segundo Castells (2002), no atual sistema de produção, a redefinição da mão de obra de acordo com o nível de Educação dos trabalhadores. Nessa redefinição, há a mão de obra genérica da qual fazem parte aqueles trabalhadores especialistas e, em função disso, tornam-se obsoletos rapidamente já que são especialistas em uma só função, que realizam atividades pré-definidas. Há também a mão de obra autoprogramável (CASTELS, 2002) da qual fazem parte os trabalhadores com acesso constante a fontes de informação e de aprendizagem e, por isso, têm maior capacidade para redefinir suas especialidades em função das tarefas que estão executando. Essa capacidade representa um diferencial para esses trabalhadores, o que lhes dá um pouco mais de segurança já que não podem ser substituídos tão rapidamente.
Comentando essas funções da escola, Rocha (1997, p. 52) coloca que
É possível destacar, mais uma vez, o papel da escola, tendo em vista que a Educação voltada apenas para a transmissão de conteúdos contribui somente para a formação de um exército de “mão de obra genérica”, completamente despreparada para as demandas do mundo de hoje, em que os conhecimentos tornam-se obsoletos rapidamente. Logo, a capacidade de aprender continuamente e permanentemente torna-se um fator indispensável para a formação de “mão de obra autoprogramável, que se adapta facilmente às mudanças e que, por isso, torna-se imprescindível no mercado atual (ROCHA, 1997, p. 52).
Para Tedesco (2006) o conhecimento pode produzir tanto fenômenos de maior igualdade social, quanto de maior desigualdade em virtude das novas formas de organização do trabalho, que requerem cada vez mais especialização de seus trabalhadores, ou seja, a mão de obra autoprogramável que terão maior segurança no emprego, deixando a maioria em condições de precariedade e de exclusão.
Nessa linha de pensamento, Tedesco (2006) considera que existe maior igualdade entre aqueles que estão incluídos, já que as relações mais cooperativas estão gradativamente substituindo as relações de autoridade. Já para os excluídos, resta a situação de serem cada vez mais excluídos, pois ficam à margem dos processos produtivos e “sequer têm como se organizar para lutar pelos seus direitos,
tendo em vista que a relação de exploração está sendo substituída pela exclusão, gerando sentimentos de solidão e marginalidade” (ROCHA, 1997, p. 55).
Seria ingenuidade pensar que a Educação escolar, sozinha, seja a responsável por todas as mudanças requeridas, mas é inegável a sua importância nesse processo. Ao interferir na formação do sujeito que atua e atuará no mundo, está também interferindo nos caminhos e, consequentemente, nos resultados futuros.
5.3 Novas gerações, novos padrões e novos desafios de aprendizagem