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CHAPITRE 2 MISE EN EVIDENCE DES PROPRIETES MECANIQUES DES FILMS

2.4 Analyse en compression des films de PDMS

2.4.2 Analyse en compression par simulations par éléments finis

Por mais que a contemporaneidade tenha obrigado a mudanças bruscas no jornalismo, as características hoje tidas como certeiras na hora de produzir uma notícia ou uma reportagem têm denegrido a qualidade da comunicação social. Não só os profissionais sentem que a profissão não vive nos tempos de ouro, como o público tem crescentemente atribuído menos credibilidade aos media. No jornalismo cultural, o visado neste relatório, uma das imagens mais notórias do descrédito e da má fama, deve-se por exemplo, ao culto do entretenimento e das celebridades – em supremacia face à cultura que não vigora entre os padrões do mainstream. Dora Santos Silva (2009: 10) explica que há uma “dificuldade (…) em distinguir frequentemente entre o que é inerente à área cultural e o que respeita ao ícone”. Erradamente, os produtos das indústrias culturais como as telenovelas, os reality

shows e as estrelas em ascensão foram, desde sempre, tratados de forma superficial.

A cultura de massas nunca foi verdadeiramente reportada com o mesmo cuidado e reflexão que as outras manifestações artísticas; estas últimas são também crescentemente menos alvo de cobertura pelos meios de comunicação social generalistas.

A visão aparentemente simplista, que o jornalismo cultural adquiriu nos últimos anos, deu aso a outro tipo de consequências. Todo o tipo de trabalho ligado às secções culturais tornou-se um emaranhado de fatores poucos favoráveis à qualidade da informação e dos conteúdos. Desde a dependência da agenda à ligação permanente às indústrias culturais e criativas, as características outrora diferenciadoras e primordiais deste tipo de jornalismo especializado foram desvanecendo-se. Veja-se, por exemplo, a perda da tradição da crítica, da reflexão e do debate de ideias e opiniões. Para Geane Alzamora (2009: 2), a “influência televisiva no jornalismo cultural impresso resultou no entrelaçamento cada vez mais evidente entre informação jornalística e entretenimento”, tendo contribuído para a formação de novas prioridades nas editorias de cultura.

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Ao longo deste relatório, foi possível ver como a profundidade dos textos foi sendo substituída pelo imediatismo da informação, especialmente através da agenda cultural. A crítica, a análise e os conteúdos longos e demorados tornaram-se tão frágeis e dispensáveis aos olhos da comunicação social, que o atributo de intruso seria dos mais adequados para defini-los neste momento, face à máquina do jornalismo contemporâneo. Geso Júnior e Mauro Ventura (2011: 20) chegam mesmo a afirmar que cada um deles “foge aos padrões estabelecidos pelo jornalismo de mercado, guiado pelo fetiche da velocidade, visíveis na instantaneidade, descartabilidade e artificialidade das questões pautadas”. As informações veiculadas pela agenda cultural, formada e enquadrada em press-releases, enquadra-se num ritmo frenético e ‘amigo’ das redações; excluindo à partida qualquer possibilidade de ir além do filtrado por agências de comunicação ou fontes diretas e indiretas. Viviane Guedes (2007: 8) conclui que o “que vai prevalecer neste universo de representação discursiva da arte está menos ligado a um procedimento interpretativo e mais vinculado a uma perspetiva mercantilista”, e por isso, mais rápida e eficazmente publicável no quotidiano de milhares de publicações. A crítica está de tal forma alheada da comunicação social generalista, que aquela já só se faz (regularmente) aparecer em conteúdos especializados ou académicos. A perda mais importante reside no esclarecimento do público.

Cada manhã nos informa sobre as novidades do universo. No entanto, somos pobres em histórias notáveis. (…) Em outras palavras: quase mais nada do que acontece beneficia a narrativa, tudo reverte em proveito da informação. (...) O extraordinário,

o maravilhoso, é narrado com a máxima precisão, mas o contexto psicológico do acontecimento não é impingido ao leitor. (Benjamin apud Alzamora, 2009: 7)

Na mesma linha de raciocínio, fica a banalidade com que hoje se reveste o jornalismo cultural. Um objeto, um produto ou um evento cultural não é explicado e esmiuçado para a sua total compreensão, é antes como uma encomenda de correio pronta a ser desvendada pelo destinatário. Joana Inês Marques Fernandes (2015: 18) “resgata” uma analogia com a editoria de desporto, para salientar a importância de descrever e contextualizar as diversas realidades expostas pelas secções de cultura – “Uma notícia de desporto tem obrigatoriamente de descrever os momentos mais

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importantes de uma partida. Da mesma forma, a secção de cultura não se pode cingir a um «jornalismo de resultados» (…). Só através da problematização do processo cultural é que se pode contribuir para a formação criteriosa do leitor”.

Muito embora, a crítica seja cada vez mais rara nas editorias e nas publicações especializadas em cultura, outro problema verifica-se nesta área. O género deixou de recair (exclusivamente) sob o trabalho de autores dotados de conhecimentos específicos; a crítica passou a ser escrita também por jornalistas – os mesmos profissionais que escrevem informação e que regularmente têm de ter uma visão imparcial sobre o que veem e relatam ao leitor. Maria de Fátima Leite Ribeiro (2008: 37) explica que antes era “exclusiva dos intelectuais e apreciadores de arte da época”, hoje a função está dispersa. Na opinião da autora, a “passagem e/ou divisão acabou por ser redutora. A crítica não tem o aprofundamento de então; prima pelo carácter informativo e por avaliações superficiais”.

O enfraquecimento da crítica e da reflexão nos conteúdos de jornalismo cultural, em combinação com o crescimento e a supremacia da agenda, demonstrou que os jornalistas não eram os únicos a quererem e a poderem veicular informações similares ao que se fazia nas secções de cultura. O trabalho feito nas redações parecia estar ao alcance de todos, mesmo daqueles que nunca tinham estudado jornalismo ou não soubessem sequer as bases e os valores da profissão. Da mesma forma, que o um jornal ou um canal de televisão veiculavam eventos e produtos das indústrias culturais e criativas, centenas de cidadãos não-jornalistas poderiam fazer o mesmo em blogs ou em contas de redes sociais. Na verdade, muitos dos sites não profissionalizados e não veiculados com nenhum órgão de comunicação social, conseguem atualmente competir com os meios tradicionais, no que respeita ao número de audiências e à capacidade de envolvimento com o público.

Assim, a função de jornalista cultural construiu-se sob a ideia de que qualquer um pode executá-la: bastando escrever o texto, emitir uma opinião pouco fundamentada e à distância de um clique, interagir com uma audiência; no entanto, essa é uma visão redutora da profissão, que como muitas outras, necessita de qualidade e de profissionais competentes para sobreviver e para atingir a

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credibilidade. As ameaças ao jornalismo cultural são atualmente o motor principal do seu descrédito fora e dentro das redações.

Invariavelmente, os internautas que participaram da discussão classificaram o género como espaço de mercado, de vaidades, de despreparo dos editores, de oportunismo,

etc. Corroborando a ideia, (…), segundo a qual as pautas da produção do jornalismo cultural só encontram lógica nos fundamentos do que ele aparenta ser: um prestador

de serviços de pouca qualidade que oculta uma operação de natureza basicamente económica. (Faro, 2006: 5)