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Esta subseção tem como objetivo apresentar os principais estudos de caso desenvolvidos na área de internacionalização em IES brasileiras. A escolha do método estudo de caso justifica-se por se alinhar ao mesmo método utilizado nesta pesquisa. Como destacado anteriormente, a internacionalização do ensino superior apresentou grande crescimento nas últimas décadas, especialmente a partir da década de 2000. Consequentemente, estudos de caso nessa área foram desenvolvidos para compreender como se encontra esse processo em universidades brasileiras. Por isso, foi realizado um levantamento no site Periódico CAPES e Google Acadêmico de 2000 a 2017. Como as buscas retornaram diversos artigos, dissertações e teses voltadas para o tema, esta seção selecionou os estudos casos das IES mais bem posicionadas no RUF 2017, por apresentarem estágios mais avançados do processo de internacionalização e mostrarem resultados mais enriquecedores.

Miura (2006) pesquisou o processo de internacionalização na Universidade de São Paulo (USP) em diferentes áreas de conhecimento. A autora escolheu as áreas de saúde, engenharia e ciências sociais. Para responder a pergunta de pesquisa, foram entrevistados diretores, chefes de departamento e coordenadores de pós-graduação. Miura (2006) concluiu que a USP possui fragilidades em seu processo de internacionalização, onde existem áreas consolidadas nesse processo enquanto que outras áreas a internacionalização ocorre de modo mais reativo. Para isso, a docente considera ser necessário estabelecer políticas formais sobre

o que é internacionalização e como ela se articula com a missão da instituição. Outra constatação é de que a universidade está em uma fase de transição de uma abordagem por atividades para uma abordagem por processos, ou seja, o foco está saindo do número de alunos intercambistas e mobilidade de professores para um foco mais voltado para integração da dimensão internacional nas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi analisada como estudo de caso na tese elaborada por Laus (2012), que teve como objetivo uma análise do contexto de definição e implementação das estratégias institucionais de internacionalização da referida IES. Laus (2012) relata que a participação dos professores e pesquisadores foi o principal catalisador da internacionalização ocorrida nos últimos anos na UFSC e que a disponibilidade de recursos, a explicitação da internacionalização na missão institucional, a oferta de preparação linguística para professores e estudantes e a criação de programas de incentivo à internacionalização pela administração superior foram os principais determinantes para o crescimento da internacionalização. A criação da Secretaria de Relações Institucionais e Internacionais foi outro fator apontado pelos entrevistados como essencial ao processo, visto que esse órgão é o responsável por dialogar com instituições estrangeiras e operacionalizar as ações desenvolvidas pela instituição. Como conclusão, a pesquisadora inferiu que a internacionalização da UFSC é um processo claro, com estratégias, plano de ação e objetivos traçados em seu planejamento estratégico, com processos amplos de cooperação internacional. Como ressalva, foi mencionada a carência de cursos de graduação em língua estrangeira. No RUF de 2017, a UFSC foi classificada em 11ª na categoria “internacionalização”.

A dissertação de Mueller (2013) escolheu como estudo de caso a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), instituição constante na maioria dos rankings internacionais. O estudo verificou como vem sendo desenvolvido o processo de internacionalização na UFRGS a partir das concepções adotadas e a estrutura que se apresenta para a realização dos objetivos. A autora procurou responder a pesquisa por meio do estudo de cinco cursos de pós-graduação com reconhecimento internacional e de uma revisão histórica da internacionalização da universidade entre 1993 a 2011, ano de criação da Secretaria de Relações Institucionais da UFRGS. Mueller (2013) atentou que a unidade de análise possui visão pouco clara sobre o conceito de internacionalização, com processos e atividades fragmentadas e falta de institucionalização. A autora recomenda a criação de um sistema interno de controle de dados relativos à internacionalização e de avaliação de resultados das atividades voltadas para a internacionalização. Além disso, Muller (2013) considera os

professores como os “líderes da internacionalização” e os principais responsáveis por a UFRGS ter alcançados bons índices alerta aos gestores que criem mecanismos de reconhecimento e incentivo aos docentes. Não obstante às dificuldades, a UFRGS é classificada em 14ª no RUF de 2017 na categoria “internacionalização”.

Por último, outra pesquisa sobre o tema foi de uma dissertação desenvolvida por Batista (2009) ao estudar o caso da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Por meio de pesquisas qualitativas e entrevistas com pró-reitores, reitor, assessora de relações internacionais e coordenadores de graduação e pós-graduação, a autora descobriu que a internacionalização da instituição surgiu e foi impulsionada a partir da década de 1980 pela área das engenharias e, após a criação da Assessoria de Relações Internacionais, o número de atividades tais como acordos, parcerias e mobilidade acadêmico teve um aumento expressivo. Verificou-se também que a administração superior da IES mostra forte comprometimento com a área de internacionalização e apresenta elementos de internacionalização em seu planejamento, porém, tem dificuldades na implementação e na integração das políticas de internacionalização através das diferentes atividades e processos da universidade. No último RUF 2017, a UFU foi classificada na posição 61ª na categoria “internacionalização”.

Além dos estudos de caso descritos, existem diversos trabalhos brasileiros abordando o tema da internacionalização. Dal-Soto, Alves e Souza (2016) fizeram um levantamento das principais publicações nacionais e internacionais brasileiras sobre o tema no período de 2004- 2013, no qual se constatou que há um crescimento de artigos na área, sendo produzidos 348 artigos nesse intervalo de tempo e 25% do total publicados no ano de 2013. Apesar do grande crescimento, foi descoberto que há baixa concentração de publicação por autores, nem há formação de grupos de pesquisa consolidados na área. No Brasil, a produção é tímida e representa apenas 10% do publicado no exterior. Não obstante, Morosini e Nascimento (2017) apresentam uma visão otimista ao declararem que publicações brasileiras têm tendência de crescimento devido à aceitação e incorporação do tema nas universidades brasileiras e aos mecanismos governamentais de incentivo à internacionalização no ensino superior.

4 METODOLOGIA

Neste capítulo será apresentada e caracterizada a metodologia utilizada para se atingir os objetivos propostos para a pesquisa.