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: Analyse du Verbatim

Dans le document UNIVERSITE DE NANTES (Page 122-143)

Antes de prosseguir com qualquer consideração relativa à estrutura interessa-nos entender a dimensão real da problemática que enreda este tema central da nossa dissertação monográfica, atentaremos na reflexão de Castelo (2004, pág.53): “A dimensão posicionamento é, a par da constituição da equipa

para a competição, as questões de fundo que mais fascinam a larga maioria dos adeptos desta modalidade, bem como, dos jornalistas desportivos que o comentam e rescrevem. (…), a verdade é que uma qualquer reflexão, por mais ou menos profunda que seja, irá sempre ser direccionada fundamentalmente para estas duas questões: a disposição no terreno de jogo e os jogadores que a ocupam.”

Posto isto, urge definir o conceito de estrutura sob o ponto de vista geral para que se possa verificar um maior e melhor entendimento do cerne deste nosso estudo. Recorrendo ao Dicionário da Língua Portuguesa (Dicionários Editora, 2004, p.701) é-nos possível clarificar ainda conceito da palavra

Revisão da literatura ---

estrutura: disposição ou organização das diferentes partes de um todo quer

material (de um edifício, do corpo humano), quer, por analogia, de uma realidade imaterial (de uma obra literária, da consciência); disposição ou organização na qual as partes estão dependentes do todo e, por consequência, solidárias umas com as outras; conjunto de relações entre os elementos de um sistema; sistema.

À luz das perspectivas organizacionais Bertrand & Guillemet (1988, p.67), entendem estrutura como o “modelo estabelecido e permanente das

relações entre os elementos de uma organização. É a base permanente de um sistema, a sua estrutura, a sua ossatura, os seus órgãos vitais”. No mesmo

comprimento de onda Morin (1991) diz-nos que a estrutura representa o lado rígido e estático do sistema.

Depois de atentarmos nos dois últimos parágrafos julgamos ser pertinente fazer um paralelismo com o mundo Futebolístico. Deste modo, consideramos a definição de Castelo (2004, p.55) bastante elucidativa “A

estrutura de uma equipa exprime-se por um dispositivo táctico, que determina o arranjo posicional dos jogadores dentro do espaço de jogo, ajudando-os a compreenderem e a operacionalizarem as suas funções tácticas e responsabilidades no plano individual e no plano colectivo…”. Alexandre Silva

(2008, pág.89) avança com uma outra definição do conceito “Estrutura de Jogo

é um conjunto de referências posicionais que atribuem aos jogadores funções e papéis específicos de acordo com as suas características individuais, dentro de um projecto colectivo de jogo.” Para Guilherme Oliveira (2004, pág.26) a

estrutura não é mais do que “… disposição inicial dos jogadores em campo (1-

4-2-4, 1-4-4-2, 1-4-3-3…) …”.

No entanto, existem outros autores que utilizam terminologias diferentes para a disposição inicial dos jogadores em campo. Dispositivo é a palavra utilizada por Teodurescu (2003) para designar o posicionamento de base dos jogadores em campo. Já Castelo (2004), utiliza expressões como “dispositivo

táctico” e “dispositivo de base”, para se referir à disposição dos jogadores no

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Mediante as definições que fomos encontrando na literatura para o conceito de estrutura, consideramos que aquela apontada por Guilherme Oliveira (2004) encerra em si uma maior completude. Para além disso, pensamos ser uma definição que retrata de uma melhor forma a arquitectura das partes (jogadores) que constituem o todo (equipa) no terreno de jogo.

Agora que delimitamos o conceito de estrutura de jogo e o afastamos de possíveis más interpretações, julgamos ser pertinente tentar perceber quais os aspectos a ter em consideração para a adopção daquela que muitos relacionam com sistema de jogo.

2.5.1. Organização Estrutural.

É do conhecimento “Futebolístico” que existem diversas estruturas de jogo (1-4-3-3, 1-4-4-2, 1-4-5-1, 1-3-4-3, …), cabe ao treinador optar pela estrutura que mais gosta ou então pela que melhor se adequa ao seu estilo de jogo e também ao material humano que tem á sua disposição. Aqui entronca o tema desta tese: A estrutura deve ser um princípio ou um meio (ferramenta) na elaboração do modelo de jogo.

Como vimos até aqui, a organização estrutural ou estrutura, prende-se com a simples disposição dos jogadores em campo. Este é considerado o ponto de partida para a organização funcional, funcionado como o lado estático do sistema de jogo.

Até o treinador chegar a decisão final no que se refere à adopção de determinada estrutura de jogo, terá forçosamente de ter em consideração alguns parâmetros. Segundo Guilherme Oliveira (2006a) a organização estrutural deve ter em consideração quatro aspectos:

- “Princípios e sub-princípios de jogo da equipa, dos quatro momentos”;

Dependendo do tipo de Futebol que o treinador preconiza para a equipa (Futebol de circulação, Futebol em profundidade, Futebol em organização ofensiva: pressão alta, pressão baixa) há estruturas que se adequam melhor do que outras aos objectivos prévios. Tendo em conta os princípios, escolhemos as estruturas mais adequadas para enfatizar esses mesmos princípios.

Revisão da literatura ---

- “Características dos jogadores”;

A estrutura deve ter em conta as características dos jogadores. Por exemplo, uma equipa tem extremos espectaculares, um ponta de lança fenomenal, de uma qualidade muito grande, há estruturas que são mais apropriadas para aproveitar as suas potencialidades. Se temos médios de categoria, e dois pontas de lança bons, e não temos bons extremos, outras estruturas serão mais adequadas.

- “Estratégia para o jogo”;

Uma equipa normalmente treina mais do que uma estrutura e pode utilizar isso como factor surpresa. Por exemplo, uma equipa que joga em 1-4-3- 3, frequentemente, pode mudar para um 1-4-4-2, no sentido de surpreender a equipa adversária. Mudar de estrutura não implica, nem pode implicar alteração dos princípios de jogo. Podemos recorrer ao exemplo dado por Guilherme Oliveira (2008, in Alexandre Silva, 2008, pág.80), quando questionado sobre a mudança de estrutura de jogo operada no segundo ano de trabalho de José Mourinho no FC Porto: “Em relação ao que aconteceu nesse exemplo, com

José Mourinho, foi uma alteração da estrutura, até porque depois conseguia variar entre as duas estruturas. Ou seja, aumentou a riqueza do seu modelo de jogo. Os jogadores sabiam perfeitamente o que fazer quando jogavam em ambas as estruturas, os grandes princípios eram iguais e os sub-princípios é que era relativamente diferentes, mas os jogadores já tinham uma cultura de jogo que lhes permitia passar de uma organização estrutural para outra organização estrutural, sem mudar os grandes princípios e só mudando os sub- princípios. Aumentou a complexidade do seu sistema de jogo…“. Apesar de

não haver uma alteração nos grandes princípios, os sub-principios sofriam ligeiras alterações, o que nos leva a crer que a organização da equipa era ligeiramente diferente. Com este aumento de complexidade a equipa tornou-se mais imprevisível.

- “Potencial Dinâmico da estrutura (o mais importante)”.

Podem existir várias equipas a jogar na mesma estrutura (Ex:1-4-3-3), mas a dinâmica, a forma como se movimenta essa estrutura é específica de cada uma. Podemos dizer que a dinâmica que a estrutura assume é o factor

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mais importante. Ou seja, existem várias equipas a jogar na mesma estrutura, mas com sistemas de jogo diferentes.

Campo Metodológico ---

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