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2.2 Analyse inverse

2.2.1 Analyse du problème inverse par une méthode graphique

No decurso de uma investigação de cariz qualitativo, a preocupação com o rigor deve constituir um dos aspetos centrais (Bogdan & Biklen, 2010; Coutinho, 2008). O investigador deverá, então, adotar estratégias que contribuam para garantir a qualidade científica da pesquisa desenvolvida e a credibilidade dos resultados obtidos (Coutinho, 2008). Nesse sentido, é fundamental comprovar o valor de verdade e facultar todas as informações necessárias para que os interessados possam aplicar os resultados ou efetuar julgamentos acerca da consistência dos procedimentos seguidos ao longo da investigação, bem como, da neutralidade das deliberações tomadas (Erlandson et al., 1993, citados por Martins, 2006).

De acordo com Guba e Lincoln (1991), citados por Coutinho (2008), poder-se-á alcançar rigor e conferir confiança a uma investigação qualitativa através de técnicas que possibilitem assegurar a credibilidade, a transferibilidade, a consistência e a confirmabilidade. Atendendo a estes aspetos, seguidamente, apresento os métodos utilizados com o intuito de promover a confiança no presente estudo.

Segundo Coutinho (2008), numa pesquisa qualitativa, a credibilidade poderá ser definida como a correspondência entre as construções/reconstruções efetuadas pelo investigador (resultados e interpretações) e a realidade em estudo (nomeadamente, as perspetivas dos participantes na investigação). Este critério de confiança poderá ser assegurado através do uso de diferentes técnicas como o trabalho de campo prolongado, a revisão por pares (peer debriefing), a triangulação e a revisão pelos participantes (member checks) (Coutinho, 2008).

Uma das técnicas a que recorri para conferir credibilidade a esta investigação foi a revisão por pares (peer debriefing). Assim, e sempre que considerei necessário, efetuei sessões de resumo, discutindo questões, ideias, estratégias e preocupações relacionadas com a pesquisa com uma pessoa que não pertencia ao contexto do estudo. Essas sessões, em que contei com a preciosa colaboração de uma colega que estava igualmente a desenvolver uma investigação, decorreram, geralmente, sob a forma de conversas informais e constituíram importantes momentos de partilha e de reflexão. Efetivamente, possibilitaram-me explorar questões e aspetos associados com as opções tomadas ao longo da condução investigação, bem como, refletir sobre o processo desenvolvido, nomeadamente, acerca da minha própria postura enquanto investigadora. Paralelamente ajudaram-me a visualizar e a perspetivar as situações a partir de prismas diferentes, contribuindo assim para enriquecer o estudo.

Adicionalmente utilizei a revisão ou validação pelos participantes (member

checks), uma técnica que permite que os mesmos verifiquem os dados recolhidos, as

interpretações e as conclusões, sendo, por isso, impreterível para assegurar a credibilidade de uma investigação deste tipo (Coutinho, 2008; Bogdan & Biklen, 2010). Mais especificamente consiste em devolver aos participantes os resultados da análise realizada pelo investigador às informações que lhe foram fornecidas, para que estes tenham a possibilidade de verificar se as interpretações efetuadas refletem de facto as suas experiências/ideias/sentimentos (Coutinho, 2008). Embora a implementação desta técnica se tenha processado ao longo do estudo, em determinadas situações a sua utilização foi mais evidente, designadamente, quando resumi a informação durante as entrevistas e quando forneci as transcrições aos participantes, para que aferissem o seu rigor e validassem o seu conteúdo, introduzindo as alterações que considerassem necessárias/pertinentes (Stake, 2007).

Para Coutinho (2008), a transferibilidade indica a possibilidade de os resultados obtidos com a realização de uma investigação qualitativa num determinado contexto puderem ser aplicados noutro contexto.

Num processo deste tipo, a responsabilidade do investigador qualitativo original finda ao fornecer um conjunto de dados descritivos capazes de permitirem que juízos de semelhança sejam possíveis de efetuar por eventuais interessados em realizar a transferibilidade do estudo para outro contexto (Linclon & Guga, 1991 citados por Coutinho (2008). Como tal, centrei esforços no sentido de apresentar uma descrição detalhada do contexto desta investigação, visando assim facultar dados suficientes para

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permitir que outros investigadores possam, caso assim o entendam, concretizar a transferibilidade deste estudo. Efetivamente procurei descrever do modo mais minucioso e fidedigno possível todas as particularidades do estudo, nomeadamente, no que respeita às várias entrevistas e às características das participantes (sem comprometer o seu anonimato), com o intuito de maximizar a compreensão da investigação e de permitir ao leitor ajuizar acerca da pertinência da sua aplicação em contextos diferenciados.

Dada a flexibilidade do desenho das pesquisas qualitativas e a constante interação entre investigador e participantes que lhes está subjacente, a questão da dependabilidade poderá, de acordo com Coutinho (2008, p.10), traduzir-se do seguinte modo: “Se outra pessoa fizesse o mesmo estudo, obteria os mesmos resultados e chegaria às mesmas conclusões a que chegou o investigador?”

Por outro lado, a confirmabilidade visa certificar se o investigador “[...] tenta estudar objetivamente os conteúdos subjetivos dos sujeitos” (Bogdan & Bilken, 2010, p. 188), bem como, averiguar em que medida ele se esforça por perspetivar a realidade através do ponto de vista dos participantes na investigação (Coutinho, 2008).

A confirmabilidade e a dependabilidade de uma investigação qualitativa poderão ser asseguradas mediante métodos como o diário reflexivo (Lincoln & Guba, 1985, citados por Martins, 2006) ou o processo de auditoria (Coutinho, 2008).

Nesta pesquisa, recorri à utilização de um diário reflexivo, que embora sem uma estrutura formalmente definida, funcionou como um importante eixo orientador do estudo. Nesse diário registei, de forma clara e simples, diversas informações relativas ao planeamento e aos procedimentos levados a cabo durante o estudo, entre outros aspetos com significação útil para a investigação. Mais especificamente anotei informações acerca dos contactos estabelecidos com as participantes, as datas e locais onde decorreram as entrevistas, bem como, aquilo que vi e senti durante cada um desses momentos, numa vertente descritiva. Adicionalmente registei as sugestões e observações efetuadas pelas participantes, assim como, algumas ideias, impressões e reflexões que cada um dos encontros com as entrevistadas me suscitou.

No diário escrevi, também, reflexões relacionadas com as opções metodológicas que foi necessário tomar ao longo do estudo e acerca do processo de interpretações dos dados recolhidos e das conclusões retiradas a partir deles.