A análise qualitativa compreendeu uma minuciosa observação de cada sequência de reconstruções bidimensionais, por espécime, sendo possível observar qualitativamente o comportamento de cada grupo, por período. Após a análise do exame completo de cada espécime, uma sequência de 5 “slices” ou reconstruções bidimensionais microtomográficas mais representativas, de cada espécime, foram capturados para comparação. Exemplo desta sequência selecionada, em cada grupo, por período, foi ilustrado na Figura 36.
Resultados 117
Para a descrição dos resultados, os grupos foram abreviados da seguinte forma: OsteoScaf™ (BoneTec Corp - TRT, Toronto, Canadá) (OS), Bio-Oss® (Geistlich Biomaterials, Wolhusen, CH, Suíça) (BI), BoneCeramic® (Instituto Straumann AG, Basel, Suíça) (BO) e osso autógeno (AU).
Figura 36 - Imagens ilustrativas de reconstruções bidimensionais microtomográficas de uma amostra por
período, de cada grupo. A. OsteoScafTM; B. Bio-Oss®; C. BoneCeramic®e D. Osso autógeno
Diferente da observação macroscópica, nas microtomografias as partículas do grupo BI apareceram maiores quando comparadas com as dos grupos OS e BO (Figura 37). O formato das partículas foi nitidamente observado em ambos biomateriais não totalmente biodegradáveis, enquanto as partículas de OS mostraram sua geometria muito similar à do osso autógeno, sendo difícil diferenciá-las entre si (Figura 37).
Figura 37 - A. Partículas de BoneCeramic®; B. Bio-Oss® e C. OsteoScaf™ após 8 semanas de levantamento de
seio maxilar A 8 semanas 4 semanas 2 semanas B 8 semanas 4 semanas 2 semanas C 8 semanas 4 semanas 2 semanas D 8 semanas 4 semanas 2 semanas
Resultados 119
A menor quantidade de neoformação óssea foi observada com 2 semanas em todos os grupos. Nos períodos de 4 e 8 semanas, respectivamente, ela se apresentou maior, nos grupos dos substitutos ósseos, diferente do osso autógeno, o qual revelou maior reabsorção ao longo do tempo (Figura 36D, 38-40).
Figura 38 - Osso autógeno, período de 2 semanas. A presença de partículas maiores e mais hiperdensas
corresponde ao enxerto, enquanto finas trábeculas ósseas correspondem ao tecido ósseo neoformado
Figura 39 - Osso autógeno, período de 4 semanas. A presença das partículas do enxerto embora remodeladas,
ainda permaneceram com novas finas trábeculas ósseas circundando-as. O volume total se apresentou igual ou menor ao período de 2 semanas
Resultados 121
Figura 40 - Osso autógeno, período de 8 semanas. Ausência de partículas do enxerto original que foi
remodelado e a presença de espaços vazios entre as trabéculas. A reabsorção óssea com 8 semanas se apresentou significante comparada aos outros períodos e grupos experimentais
Devido à diferença de densidade dos grupos BI e BO, quando comparado ao osso neoformado, foi fácil avaliar a presença de tecido ósseo nesses grupos (Figuras 42, 43, 45, 46, 48, 49). Entretanto, no período de 2 semanas, o grupo OS demonstrou densidade muito similar ao tecido ósseo, tornando difícil e duvidosa a avaliação de neoformação óssea neste grupo (Figura 46). O mesmo ocorreu entre as partículas novas e as originais do osso autógeno, as quais foram incapazes de distinção entre as menores partículas enxertadas (Figuras 38-40).Ao longo do tempo, e com o aumento de neoformação óssea, a distinção entre o grupo OS e o tecido ósseo neoformado tornou-se mais nítida (Figuras 41,
44).
Comparando a distribuição do volume ósseo observado entre os grupos, nos períodos de 8 e 4 semanas, os grupos OS, BI e BO demonstraram neoformação óssea não somente na periferia da área submetida ao levantamento de seio maxilar, como também na sua área central (Figuras 44-49). No período de 2 semanas, foi observada menor quantidade de neoformacão óssea na região central, comparada à periferia, em todos os grupos (Figuras 47-49). Ainda, o comportamento dos grupos BI e BO foram bem similares na região central do enxerto, mostrando maior quantidade de partículas e menor de osso neoformado. O grupoOS apresentou dificuldades em definir, exatamente, a presença de osso nesse período, diante da similaridade de sua densidade ao tecido ósseo (Figuras 47).
Apenas o grupo OS, em todos os períodos, revelou um comportamento biodegradável, sendo representado pelas partículas degradadas, bem diferente do aspecto macroscópico inicial das mesmas.
Resultados 123
Figura 41 - OsteoScaf™, período de 8 semanas. Presença de algumas partículas de fosfato de cálcio, em
permeio ao novo tecido ósseo, após a degradação do biomaterial. As trabéculas ósseas se apresentaram interconectadas entre si nas áreas periférica e central
Figura 42 - Bio-Oss®, período de 8 semanas. As partículas se apresentaram bem definidas, preservando o
formato original e demonstrando ausência de degradação. As trabéculas ósseas circundaram o biomaterial e se interconectaram nas áreas periférica e central
Resultados 125
Figura 43 - BoneCeramic®, período de 8 semanas. Partículas apresentaram integridade no formato original,
demonstrando ausência total de degradação, somente pequenas áreas hipodensas na superfície do biomaterial sugeriram uma leve degradação. As trabéculas ósseas circundaram o biomaterial e se interconectaram nas áreas periférica e central
Figura 44 - OsteoScaf™, período de 4 semanas. Menor presença de tecido ósseo neoformado nas áreas
Resultados 127
Figura 45 - Bio-Oss®, período de 4 semanas. Maior neoformação óssea periférica comparada às regiões centrais
Figura 46 - BoneCeramic®, período de 4 semanas. Presença de osso circundando as partículas do biomaterial,
Resultados 129
Figura 47 - OsteoScaf™, período de 2 semanas. Partículas do biomaterial parcialmente degradadas. Presença de
menor formação óssea quando comparada aos outros períodos e dificuldade em diferenciar tecido ósseo neoformado das partículas do biomaterial
Figura 48 - Bio-Oss®, período de 2 semanas. Período de menor neoformação óssea, principalmente, nas áreas
centrais. Presença de tecido ósseo circundando as partículas, porém menor presença e conexão entre as trabéculas
Resultados 131
Figura 49 - BoneCeramic®, período de 2 semanas. Menor neoformação óssea comparada aos outros períodos,
principalmente, na área central