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PRESENTATION DES RESULTAS

3.1.6. Analyse du déroulement local : la séance 3

Na continuidade das atividades do curso de formação, solicitamos dos professores-cursistas que lessem, em grupo, um texto imagético, “Acidente de trabalho” (imagem 1), pintura de Eugênio de Sigaud, de 1944, considerando os seus conhecimentos acerca do que estavam vendo e, em seguida, socializassem a experiência. Então, a primeira a se posicionar sobre a imagem foi a professora Clara:

Imagem 1

É como se fosse um canteiro de obras e, nesse canteiro de obras, algo corriqueiro é a morte; cair de um andaime desses, uma corda dessa. A gente viu que tem um formato de uma corda aqui no finalzinho que é uma forca. Aí a gente estava lembrando aqui o texto de Chico, “Construção”. E, pra o

trabalho de construção, é como se fosse a última vez, exposto pelo ambiente de risco que é. E como a gente estava identificando aqui, o trabalho continua, caiu um, morreu, mas o trabalho continua; eles continuam trabalhando normalmente, outros observam. Essa relação do risco, a ausência de socorro, de tornar a coisa corriqueira.

Clara começou sua fala pressupondo que estava vendo um canteiro de obras. Ela não afirma categoricamente o que vê, talvez porque ainda não entenda que a imagem pictórica seja uma representação visual produzida manualmente sobre uma superfície. Ao mesmo tempo, vai descrevendo o que identifica na imagem figurativa e sugerindo um possível tema, como o da morte no canteiro de obras de uma construção. Clara vai explorando na imagem o que ela consegue perceber pelo simbolismo dos signos-imagens presentes na obra de Sigaud, partindo de seu próprio referencial social. A professora, em razão de seu conhecimento cultural, estabelece uma relação da imagem visual com a letra da música de Chico Buarque, “Construção”, ou seja, ela aponta para uma relação intertextual e intersemiótica entre as linguagens verbal e visual, em razão do caráter temático, alargando ainda mais a dimensão significativa do objeto visualizado.

Terminada a fala de Clara, o professor Luís faz a seguinte declaração:

Até agora fiz uma leitura muito pobre, não consegui ver nada, assim, eu sei que tem. A gente vê essa coisa aqui do claro-escuro. A questão da imagem, ela é forte, mas assim eu estou totalmente leigo na leitura; leitura pobre mesmo. A gente percebeu essa questão da força da soberania, essas pessoas que estão no andaime aí, eles estão passando uma certa superioridade; dentro dessa situação, você vê como seres superiores, os retratados embaixo é como se fossem inferiores. Uma relação de força. Mas a mensagem mesmo, eu não consegui captar.

A declaração de Luís é bem pertinente, porque ela nos deixa perceber que, para muitas pessoas, o desconhecimento em profundidade de uma pintura pode levá-las a supor que não veem nada daquilo que outros, por terem maior conhecimento sobre a arte, percebem. No entanto, o professor foi expondo seu conhecimento prévio sobre o jogo de luz e sombra ao destacar o “claro-escuro” da imagem figurativa. Como esta é expressivamente simbólica, ele foi expondo o que a imagem ia-lhe significando de acordo com sua experiência sociocultural. A fala de Luís nos fez lembrar uma passagem de Pillar (2011, p. 13) quando ela diz: “o nosso olhar não é ingênuo, ele está comprometido com o nosso passado, com nossas experiências, com nossa época e lugar, com nossos referenciais”. Assim, o que o professor nos expõe são significações possíveis de uma imagem, de acordo com as referências que ele possui.

Aproveitando a oportunidade de falar sobre o que vê na imagem, a professora Vanda disse:

A gente percebeu pela perspectiva dos trabalhadores aqui a altura da edificação, ele projeta a visão dos trabalhadores, as imagens mais sombrias, o ambiente... um ambiente hostil, mostra uma hostilidade. Até ele que está sozinho no chão, uma posição assim de individualismo. Eles olham com um gesto de indiferença como se aquilo fosse muito comum ou não valorizasse a pessoa.

Assim como os demais professores, Vanda também faz a sua interpretação sobre a imagem a partir de seu referencial sociocultural. Essa compreensão dos professores sobre a imagem figurativa nos remete às ideias de leitores de arte discutidas por Rossi (2011, p. 19- 29), em “A compreensão do desenvolvimento estético”, em que são apresentados cinco estágios relacionados a esses leitores: o primeiro é o descritivo/narrativo, relacionado àqueles que possuem pouco contato com as artes, que se deixam impressionar pelo tema e vão elegendo alguns aspectos de maior destaque da obra; o segundo é o construtivo, relacionado ao leitor que seleciona partes da imagem e a confronta com a totalidade do que é visto, elaborando dessa forma uma espécie de estrutura para poder fazer a leitura, sendo esta vinculada ao que ele conhece por sua experiência no mundo; o terceiro é o classificativo, neste o leitor faz um diagnóstico, procurando informações na obra e na história da arte que o ajudem a compreendê-la; o quarto é o interpretativo, observa-se nesse estágio que o leitor é menos objetivo porque ele realiza sua interpretação fundamentando-se tanto no que vê na obra como nas suas intuições e experiências afetivas; e o quinto é o recriativo, o leitor, nesse estágio, demonstra muita experiência para analisar uma obra de arte, assumindo um posicionamento crítico e responsivo. Esse é um estágio em que o leitor reflete sobre a obra, sobre si próprio e sobre sua experiência estética.

Podemos observar, pelos estágios apresentados por Rossi, que os professores-cursistas, em geral, encontram-se no primeiro estágio de leitura do não verbal em razão do pouco conhecimento que demonstram sobre a imagem pictórica.

Após algumas considerações teóricas sobre imagem, procedemos, com os participantes, a uma revisão e discussão dos conceitos de imagem, imaginário, ideologia e percepção visual; revimos e discutimos com eles o conceito de leitura de imagem pictórica a partir de um referencial teórico. Em seguida, discutimos e aplicamos um roteiro de leitura de imagem-texto, pedindo a todos uma nova leitura da obra lida no início da aula, considerando os conceitos e o roteiro, e finalizamos essa etapa com apresentação e debate no grande grupo.

Quanto ao roteiro, trabalhamos com as sugestões de Costella (2002), que enfoca dez pontos de vista para observar uma obra de arte. São eles: factual – objetiva fazer uma exposição descritiva da obra, identificando os elementos que a compõem; expressional – objetiva perceber no conteúdo da obra como ela afeta os sentimentos, as emoções do leitor- observador; técnico – objetiva destacar os elementos de cunho material e imaterial que foram utilizados para a composição da obra; convencional – enfatiza o caráter simbólico da obra frente à visão cultural, considerando crenças, valores, comportamentos, ideologias, identidades sociais etc.; estilístico – este considera o estilo do artista e da época em que a obra foi elaborada; atualizado – este leva em conta a forma como a obra está sendo vista pelo observador, considerando as condições espaciais e temporais; institucional – neste é considerado o caráter hierárquico e valorativo conferido pela instituição que representa a obra e o seu artista; comercial – este procura compreender o valor de mercado da obra, tendo em vista matéria-prima, mão de obra, acabamento, raridade, a fama do artista etc.; neofactual – este visa compreender as mudanças materiais sofridas pela obra, que muitas vezes passa por subtração ou acréscimo que vão interferir na sua observação; e estético – objetiva compreender as sensações, os sentidos, o prazer ou bem estar que uma obra provoca no leitor- observador.

Solicitamos que os professores-cursistas se dividissem em grupos e indicamos que cada um ficasse com um ponto de vista. Em razão de não dispormos de todos os elementos necessários para analisar os dez pontos de vista, selecionamos alguns para esse exercício de leitura da imagem, como factual, expressional, convencional e estilístico.

Assim que todos terminaram suas leituras, pedimos que expusessem ao grande grupo o ponto de vista observado. Nesse momento, o professor Luís começa destacando a compreensão dele e do seu grupo sobre o factual:

Foi mais ou menos o que a gente fez na primeira leitura. A gente tentou fazer a leitura do quadro em si; tentamos entrar nas entrelinhas; percebemos o seguinte: o quadro é contemporâneo, porque ele mostra alguns automóveis mesmo mal desenhados, mas ele mostra automóvel; mostra que ele não é algo tão antigo. Então é uma construção imponente e grandiosa; mão de obra precária, muitas pessoas envolvidas nessa obra, ou não; tem pessoas também curiosas, no primeiro plano; um grupo de cinco operários se destaca no andaime com formas exageradas, são pessoas de formas exageradas; partes sombrias e iluminadas, tanto das pessoas, quanto da imagem; aspecto de segurança precário, fragilidade dos operários; parece a morte ser algo corriqueiro; falta de comunicação.

Podemos observar que o professor Luís vai apresentando a sua descrição sobre o que vê na obra de Sigaud, refletindo sobre a temporalidade da imagem, qualificando e atribuindo valores ao que vai vendo. Notamos também um certo avanço em sua leitura quando ele procura organizar um esquema de apresentação do que vê, mas, em razão do caráter simbólico da obra, ele vai trazendo para discussão possíveis temas identificados. Essa leitura descritiva/narrativa é perfeitamente compreensível, em razão de ele estar trabalhando com o ponto de vista factual.

Realizada a apresentação do professor Luís, Vitor então expõe o que ele e seu grupo compreenderam da imagem do ponto de vista expressional:

O expressional, ele mexe com o observador. Ele tem uma intencionalidade do artista em sensibilizar o observador. O ponto de vista expressional vai causar no observador alguma reação, algum sentimento. Este é o ponto de partida e, pra isso, ele vai usar, no caso da pintura, as técnicas pertinentes para isso. Com relação ao nosso quadro aqui, a gente também percebeu isso, a questão do jogo de cores, os aspectos sombrios da pintura, o contraste do claro/escuro, as cores frias, todos os aspectos que vão despertar no observador um sentimento de angústia diante da cena apresentada.

Como podemos notar, o professor Vitor começa explicando para o grande grupo o que ele compreendeu sobre o ponto de vista expressional. Para isso, ele vai destacando alguns aspectos técnicos (como o jogo de cores, os contrastes entre o claro e o escuro, o uso da tonalidade das cores) para afirmar que isso repercutirá no tipo de sentimento que a obra provocará no leitor-observador. Assim, Vitor demonstra uma atenção maior para os detalhes da imagem, porque, dependendo da sua organização, eles afetarão o emocional do leitor- observador. Nesse caso, o professor consegue demonstrar um nível de leitura construtiva, porque relaciona parte da obra a sua totalidade, percebendo a repercussão desta na sensibilidade do leitor.

Na sequência das apresentações, a professora Clara diz:

Nessa análise do conteúdo convencional, o que a gente destacou aqui no texto exige o concurso de variadas formas para a compreensão de símbolos, pelos quais se identificam divindades mitológicas, santos católicos e muitas outras entidades de representação e convenção social. E esse conteúdo convencional interessa-se pelo símbolo, o que representam simbolicamente. E pra que se veja esse conteúdo, se analise, se leia esse conteúdo, precisa-se obter sempre mais e mais informações a respeito do mundo cultural no qual a obra foi gerada.

Pelo que fica evidenciado na fala da professora Clara, não houve, da parte dela, nem dos demais participantes de seu grupo, uma abordagem do ponto de vista convencional da

obra, a partir do qual deveriam trazer esse tipo de discussão, a preocupação foi apenas destacar a sua compreensão sobre o convencional. Podemos também observar que isso não ocorreu só com o grupo de Clara, mas com o grupo do professor Guilherme, que ficou de tratar do ponto de vista estilístico. Vejamos o que ele relata:

Do ponto de vista estilístico, pergunta bem interessante com a imagem de Cristo. Ele pega três autores diferentes, um da época bizantina, um do renascimento e um bem atual, de um autor mexicano. Ele mostrou o bizantino, a imagem de Cristo é meio estereotipada, de como era o imperador da época, meio como símbolo de Cristo para passar o poder do imperador através da imagem; um renascentista que já coloca o homem como centro, o próprio homem como centro agora; e essa de Orozco, mexicano, que coloca um Cristo meio revoltado, no meio de uma revolução, que remete ao contexto histórico dele. Então, ele diz que o estilo perpassa dois traços, um estilo coletivo, que depende do contexto histórico e das relações que ele tem na sociedade, mas também tem o traço individual, porque não é todo mundo que viveu na época dele, que pinta como ele. Então, ele diz que são dois traços o estilo coletivo e o individual, que eles dialogam pra cada obra ter uma perspectiva diferente. Ele diz que existem pinturas que, por mais que a pessoa não conheça a fundo o estilo do autor, mais ele reconhece que é algo mais tradicional ou não. Ele pega uma obra dessa aqui desse autor, pronto, ele não pode conhecer arte, mas vai olhar e dizer “que coisa estranha, diferente”, porque não é convencional ao que se vê. Mesmo que você não conheça, mas ele diz que tem essa relação de estranhamento; há um padrão comum e não comum, mas aí está perpassada a questão cultural que é o estilo coletivo e o individual.

O objetivo de Guilherme foi discutir as ideias que competem ao ponto de vista estilístico, aproveitando o exemplo disposto por Costella, com imagens de Cristo representadas por diferentes artistas e épocas. De qualquer forma, o professor mostra que compreendeu o ponto de vista que ele teria de comentar, mas não alcança o objetivo da atividade, que era rever a obra trabalhada pela perspectiva estilística. Entretanto, a professora Vanda, que fez parte do grupo do professor Guilherme, fez a seguinte colocação:

A obra é interessante, porque a gente percebeu também uma intertextualidade com Portinari. Inclusive, eu fui pesquisar. Eu digo, mas não é possível, porque a forma em que ele se caracteriza...

A intervenção da professora Vanda é pertinente, porque ela estabelece uma relação entre as características da obra de Sigaud e as de Portinari. Ela reconhece traços estilísticos em comum. Isso é importante porque ela demonstra interesse na obra e procurou pesquisar, como ela afirmou na sua fala.

Com essa atividade de releitura da imagem pictórica de Sigaud, percebemos que ainda há alguns pontos a serem trabalhados com os professores-cursistas no que diz respeito ao

conhecimento sobre pintura, de modo que ocorra uma melhor interação com esse objeto de arte e, consequentemente, tenhamos um resultado um pouco mais representativo em torno de uma leitura da imagem pictórica, apesar de eles terem demonstrado, de forma geral, um significativo avanço.

Para que os cursistas começassem a interagir com a imagem fotográfica, primeiramente solicitamos que fizessem seu autorretrato com uma câmera fotográfica. A partir dessa imagem fotográfica, discutimos o que eles conheciam sobre fotografia e que relações eles mantinham com ela. À medida que íamos expondo o autorretrato de cada participante do curso, eles iam manifestando suas impressões sobre o que viam. A professora Vanda é a primeira a falar:

Eu me acho muito feia, horrível. Não gosto de minhas fotos. Engraçado, quando eu tiro a foto de uma pessoa, eu capto a alma da pessoa, mas eu não consigo captar a minha alma.

Ao longo da história humana, a imagem foi quase sempre divinizada. Não é à toa que ela fez e faz parte dos rituais sagrados ao longo do tempo. Quando a professora Vanda se posiciona para dizer o que sente sobre seu autorretrato, ela revela o caráter divinatório da imagem que atende ao feio e ao bonito de acordo com um padrão estético que alinha a imagem fotográfica ao que a professora entende como ideal de imagem, ou seja, aquela que faz referência à dimensão do sagrado quando capta a “alma”, segundo seu ponto de vista.

Após as colocações de Vanda, o professor Guilherme fala o que pensa a respeito da sua imagem fotográfica:

Quando eu vou tirar uma foto, eu escolho aquela mais bonita, mas, quanto às outras, ninguém sabe que fiquei horrível. Mas aquela eu fiquei bem. A que achei que socialmente... porque já sei o gosto do povo.

O posicionamento do professor Guilherme nos faz retomar uma das ideias de Manguel (2001) sobre imagens; o autor afirma que elas são a matéria com as quais somos feitos. E podemos perceber na fala do professor que as representações que fazemos de nossas imagens estão condicionadas às instâncias sociais que nos influenciam em nossa formação. Guilherme deixa claro que não expõe qualquer imagem sua para as pessoas de seu grupo, mas a que representativamente seja a “mais bonita”, aquela que esteticamente simboliza o desejo narcisista do outro e de si mesmo. Quando Manguel declara que nossa imagem é matéria de que somos feitos, isso evidencia que não há uma espontaneidade nas imagens que produzimos de nós mesmos, mas selecionamos aquela que socialmente satisfaz ao gosto dos outros.

Esteticamente nos assemelhamos a outros corpos por uma questão de identidade construída socioculturalmente. E isso o professor Guilherme deixa transparecer na sua fala ao dizer “fiquei bem”, tendo como parâmetro o olhar do outro.

Seguindo mais adiante com as discussões sobre imagem fotográfica e sua leitura, o professor Guilherme introduziu a seguinte ideia sobre o que ele entende do processo fotográfico, a partir da comparação que começou a fazer entre a foto de Henri Cartier Bresson, “Man’s shadow girl-leaning” (Imagem 1), e a de Joel Robison, “O livro com porta” (Imagem 3):

Imagem 2

Imagem 3

Quando a gente vai fazendo essa evolução da pintura para essa fotografia e para o cinema, cria um novo conceito do é arte, por exemplo, posso olhar para isso aqui [a foto digital], mas não é tão artístico quanto essa outra [foto analógica], porque existe a artificialidade da própria modernidade para se fazer isso aqui. Porque isso é mais fácil de fazer do que essa outra. Como um filme, por exemplo, você assiste um filme mais antigo e um de hoje, por exemplo, uma cena de guerra, que eles pegam, filmam algumas pessoas e multiplicam. Bonito por uma parte, mas o esforço foi menor, a questão intuitiva foi menor. Parece que criou outro conceito do que é belo, porque a modernidade traz outro conceito de belo até mais fácil de fazer isso aqui do que isso aqui.

Como se pode notar, o professor Guilherme vai elaborando suas ideias sobre o conceito de arte ao comparar uma fotografia digital com uma analógica, estabelecendo uma certa valoração entre uma e outra, pelo que ele julga ser artístico. Para isso, ele comenta sobre os artifícios da modernidade para afirmar que, dados os recursos contemporâneos de manipulação de imagem, a fotografia de Joel Robison é “mais fácil” e exige menos esforço de

ser reproduzida do que a de Bresson. As ideias levantadas por Guilherme são embasadas no que ele observa e experimenta na contemporaneidade em termo de uso dos recursos tecnológicos que ele conhece. Notamos que o professor tenta compreender o que vê nas imagens pela sugestão dos conceitos geridos pelo processo de criação das imagens em questão. Ele entende que a fotografia de Bresson exigiu maior tempo de elaboração do que a de Robison, e isso é, para ele, decisivo para a reformulação dos conceitos de belo e artístico. Essas colocações de Guilherme são importantes em razão do que elas podem representar para a sua ‘performance’ como leitor de imagem.

Assim que Guilherme abre espaço na sua discussão, a professora Clara diz:

A mesma coisa no início da fotografia quando a pessoa ser fotografada, a sua imagem, e a pessoa ser pintada; o pintar, ser pintado tinha mais valor naquele início, porque agregava-se trabalho, o lado do artista.

O posicionamento da professora Clara em relação à fotografia é bem interessante porque ela defende que a fotografia, frente à pintura, tem menos valor. Isso se justifica em razão de ela entender que os recursos técnicos repercutem sobre a qualidade do objeto artístico. Para ela, quanto mais trabalho exija a criação artística, mas valor nela se incide. Isso também passa nas colocações anteriores do professor Guilherme.

Achamos essas discussões oportunas para entendermos como os professores se