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Analyse et discussion

Dans le document Grippe : quel impact sur la grossesse ? (Page 33-62)

A vontade de expandir a arquitetura moderna e, concomitantemente, incentivar a aplicação de materiais de construção e de mobiliário industrializados, parece ter sido um dos principais motes para o estabelecimento do programa “Case Study Houses” (CSH), que nasce em Los Angeles, Califórnia, na costa oeste norte- americana, em 1945, por iniciativa de John Entenza, então editor da revista “Arts & Architecture”; programa até hoje considerado um dos mais importantes marcos da arquitetura moderna norte-americana. Durante a publicação da revista, de 1938 a 1962, o programa das “Case Study Houses” singularizou-se como referência para arquitetos de vários países.

De acordo com Elisabeth Smith,43 a casa como laboratório de experimentação de materiais, técnicas construtivas e formas estéticas tem sido um tema persistente durante a história da arquitetura moderna. Em Los Angeles, o programa é claramente parte de um contínuo processo experimental de projeto residencial característico do século XX e o programa Case Study Houses é resultado da convergência histórica, econômica, tecnológica, social e de fatores culturais de meados daquele século em Los Angeles. Propôs inovações trazidas pelos arquitetos modernos do pós Segunda Guerra, que buscavam conciliar um estilo de vida moderno e informal, próximo da natureza e da cultura, embora já distante das limitações severas e puritanas das propostas modernistas do começo do século. Ao mesmo tempo, o programa era também profundamente inspirado pelas premissas sociais e formais do Estilo Internacional proliferado na Europa.

As trinta residências elaboradas para o programa CSH deviam empregar e desenvolver o idioma moderno, eram destinadas a famílias da classe média americana, situadas em áreas de expansão urbana e nascidas do intenso processo

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de suburbanização pelo qual vinham passando as cidades norte-americanas. Além disso, deviam ser projetadas como protótipos experimentais de baixo custo, para fornecer ao público em geral (ou aos futuros possíveis clientes), e à indústria da construção, modelos habitacionais de baixo custo. O interesse da revista e de seu editor, Entenza, era o de estimular a participação da arquitetura moderna no intenso momento de construção civil daquele pós-guerra, propondo residências que empregassem materiais que já fossem ou pudessem vir a ser industrializados, garantindo-se seu baixo custo.

Ao menos, era o que se pretendia em princípio – embora, na prática, esse ideal de industrialização não tenha sido então plenamente alcançado. Alguns dos arquitetos selecionados não tiveram seus projetos construídos; mas os que foram edificados “são freqüentemente muito diferentes da visão original dos arquitetos, devido à escassez de materiais ou outras dificuldades que envolviam a execução da construção nos anos imediatamente após a guerra”44. Assim, somente alguns

projetos, já bem entrada a década de 1950, foram efetivamente executados com os materiais industriais e tecnológicos conforme originariamente idealizados. De qualquer maneira, o programa teve grande sucesso, obtendo também o interesse das classes mais abastadas.

Vale também ressaltar que o programa não se limitava apenas a propor a arquitetura das casas ou sua industrialização, mas visava igualmente sugerir a maneira de habitá-las, ocupando-as com mobiliário produzido (ou passível de ser produzido) industrialmente, sendo plenamente ocupadas por todos e quaisquer equipamentos tecnológicos então existentes, cuja presença e uso igualmente as qualificavam. Foram ambientes divulgados por fotografias que se tornaram canônicas, mostrando-se sempre mobiliadas e em uso – mesmo se tratando de fotos evidentemente posadas.

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A próxima imagem é da Case Study n° 22, a “Stahl Ho use”, de 1959-60, de Pierre Koening. Carregando uma das mais icônicas imagens divulgadas pelo programa (fig. 35), a casa é um simples bloco situado na beira da encosta de Hollywood Hills. A planta, em forma de L, está organizada ao longo da piscina, que tem face voltada para os banheiros e espaços privativos.

A ambientação da sala de estar, integrada à sala de jantar e à cozinha, se compõe de móveis modernos aliados aos materiais industriais da construção. Ao fundo, encontra-se um casal, o homem sentado à mesa enquanto a mulher prepara algo, talvez a refeição. Estas imagens, da mulher preparando alimentos, arrumando a casa e servindo o marido e a família aparecem com frequência nas fotos divulgadas pela revista.

Usando somente componentes de aço para o fechamento da estrutura e armação das molduras dos vidros, de seis metros e dez centímetros (6,1 m.) de comprimento, o arquiteto obteve o máximo potencial do espaço para um ambiente tão reduzido.

No interior, os quartos ocupam um lado da planta, com o closet e o banheiro da suíte principal ocupando o canto central do L da planta, e incorpora-se à zona de serviços e à cozinha. A sala de estar está situada para o lado de fora da encosta, suportada por ferros e concreto, sendo inteiramente aberta, com colunas de aço e paredes de vidro, como um mirante da paisagem, somente interrompida pelos equipamentos de cozinha e gabinetes e uma lareira autoportante vazada que domina todo o espaço do salão.

Figura 35 - Foto do interior da Case Study House n°°°° 22. Fonte: Smith, p. 305.

A Case Study House n°8 (fig. 36) foi inicialmente p rojetada por Charles Eames e Eero Saarinen em 1945, sendo “substancialmente modificada por Eames e por sua mulher Ray, uma artista e designer, para maximizar a área espacial”45. A proposta era mostrar como seria possível realizar uma casa a partir dos elementos construtivos industrializados existentes, embora normalmente usados para edificações não residenciais; e que mesmo assim, tal casa poderia ter várias vantagens, não apenas de ser econômica, mas, inclusive, de se poder morar nela confortavelmente – o que era sugerido pela maneira explícita e intencional dos interiores propostos.

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As fotos dos interiores das CHS, em especial a casa de Ray e Charles, compõem uma imagem sem dúvida moderna: a reunião de vegetação com objetos folclóricos de diversas origens geográficas, as superfícies de diferentes texturas, desde tecidos mais rústicos e de cores quentes a peças de couro negro de design ultra-moderno, além dos pequenos objetos afetivos espalhados sobre as mesas e pisos ou decorando as paredes – sem deixar de ser possível e agradável sentar-se ao chão. Exemplarmente, essa CSH sugere um modo de morar moderno que mostra ser perfeitamente possível conciliar a construção moderna e o interior moderno e personalizado, que tenha a “cara” do morador, que possa agregar suas referências pessoais e onde ele possa se sentir à vontade e confortável.

Na imagem (fig. 36), a postura do casal é outra, o interior sugere uma constelação de objetos que simbolizam a história pessoal desse casal e o gosto particular de cada um. As diferentes cores e texturas, a claridade do ambiente e a noção de casa ventilada, aliada à composição de objetos que indicam conforto, como os tapetes felpudos, as almofadas e os castiçais sobre o chão e o banco em forma de animal – todo o conjunto sugere uma informalidade que só pode ser conseguida de acordo com o estilo de vida morador.

Figura 36 - Sala de Estar da Eames House. Fonte: Smith, p. 23

A imagem da casa mais como manifesto do que espaço do cotidiano, propagada no começo do século passado, divulgava para o público em geral a ideia de que os arquitetos modernos estavam mais interessados na eficiência dos

ambientes, sugerindo uma imagem do morar moderno que tendia ao desconfortável e ao despersonalizado. Estas premissas das décadas de 20 e 30 nasciam de uma fé maquinista no progresso e na indústria, mas pouco se preocuparam com as necessidades da vida cotidiana e pessoal de seus moradores, sendo, com frequência, mais espetaculares do que vivenciáveis. Mas a sensibilidade do pós 1945 mudaria esse quadro. Foi incorporado ao projeto moderno a importância dos objetos pessoais do usuário, que ativava uma noção de conforto que não era apenas quantitativa ou funcional, mas impregnava a residência com memórias singulares dos que a iriam habitar, e trazia à residência um estado de casa vivida e confortável.

Aqui no Brasil, as Case Study Houses influenciaram muitos arquitetos modernos. Os desenhos icônicos das residências publicados na Arts & Architecture serviram de exemplo e referência para as residências e para a configuração das ambientações internas. Podemos ver em inúmeros trabalhos brasileiros, de 1945 até bem depois da publicação da revista ter terminado, após 1960, residências inspiradas nas propostas das CSH.

Terceiro Capítulo: Desenho de mobiliário, quatro casas de Vilanova Artigas e outras casas do arquiteto.

Este terceiro capítulo irá tratar do foco da pesquisa, que são as obras de Vilanova Artigas. Será apresentada, primeiramente, a contextualização de sua obra e as principais fases pelas quais seus métodos de trabalho foram se modificando ao longo dos anos. O segundo subcapítulo tratará de apresentar os mobiliários projetados pelo arquiteto. É a partir do terceiro subcapítulo que começarão as análises das residências, a primeira será a “Casinha”, de 1942, seguida da Segunda Casa do Arquiteto, de 1949, logo após virá a Casa Olga Baeta, de 1957 e por último a Residência Elza Berquó, de 1967. No subcapítulo final, serão apresentadas mais brevemente outras quatro residências de Artigas, tais como a Casa Rubens de Mendonça, ou Casa dos Triângulos, de 1959, ainda a Casa Telmo Porto, de 1968, além da Casa Martirani, de 1974, sobre as quais também foi possível conseguir material para análise, embora menos amplo do que o das primeiras. As comparações com outros exemplos contemporâneos de residências, projetadas por outros arquitetos, terão papel de destaque nas análises, pois a comparação permite verificar as riquezas de cada caso e possibilita entender melhor os projetos de Artigas.

A análise das obras buscará observar e descrever cada residência em sua composição arquitetônica, estudar as plantas, cortes e fachadas para reconhecer o partido adotado, os materiais empregados, a estrutura portante, a disposição e distribuição interna dos cômodos, das circulações e fluxos, reconhecendo os núcleos de utilidades e áreas molhadas, as áreas íntimas, sociais e de serviços, dando foco prioritário à arquitetura de interiores das áreas sociais. No estudo desses ambientes, serão analisados os volumes e dimensões, verificadas suas qualidades, o arranjo interno do mobiliário, os materiais de acabamento, a variedade de texturas, a densidade na disposição dos objetos, a iluminação natural e artificial e os demais elementos que definem sua ambiência.

3.1 Vilanova Artigas: seus métodos de trabalho e a ambientação de interiores

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