• Aucun résultat trouvé

ANALYSE DES RESULTATS DE L’APPLICATION DE L’ANALYSE MULTICRITERES

Dans le document Le diagnostic territorial (Page 30-36)

Méthode d'analyse multicritère : Présentation sommaire de la démarche multicritère Cette démarche se compose de trois étapes principales (Achouri, 1995):

SCENARIOS DE LA POLITIQUE DE CES

5. ANALYSE DES RESULTATS DE L’APPLICATION DE L’ANALYSE MULTICRITERES

Nosso ponto de partida será o estudo de algumas passagens nas quais Wittgenstein trata a memória como a experiência que fundamenta o conceito de tempo. A compreensão dessa experiência nos permitirá determinar em que sentido a memória desempenha o papel ontológico de fonte do tempo e como isso se relaciona com a ordem temporal primária.

Na página 98 do MS 105, Wittgenstein levanta a seguinte indagação: “[q]ue experiência fundamenta o conceito de tempo, a admissão [Annahme] de um tempo?”.95 Na resposta a essa indagação, ele explicita o sentido no qual poderemos conceber a memória como a fonte do tempo (a experiência sobre a qual repousa o conceito de tempo):

O que se deve responder? – É a memória, se há um presente puntiforme; ou é uma percepção contínua da qual o presente é um ponto final e que se pode chamar num sentido mais amplo também de memória.96

94 Embora essa terminologia remonte a William James (1918, p. 643), não estou aqui me comprometendo

com o sentido atribuído a essas expressões por esse autor. O objetivo aqui é justamente caracterizar o sentido peculiar dado por Wittgenstein às ideias subsumidas através dessas expressões.

95 Cf. MS 105, p. 98. (“Welches Erlebnis liegt dem Zeitbegriff, der Annahme einer Zeit, zu Grunde?”). 96 MS 105, p. 98. “Es ist die Erinnerung, wenn es eine punktartige Gegenwart gibt; oder es ist eine

kontinuierliche Wahrnehmung deren einer Endpunkt die Gegenwart ist und die man in einem weiteren Sinne auch Erinnerung nennen kann”.

43

O autor trata aqui a memória como a experiência sobre a qual repousa o conceito de tempo e, logo em seguida, oferece um dilema, como uma maneira de qualificar o sentido por ele atribuído a essa memória. Um modo de interpretar esse trecho é tomar o dilema proposto como um falso dilema. A própria ideia de uma memória no caso de um presente puntiforme reduziria essa ponta do dilema ao absurdo. Em um presente puntiforme não há tempo, não podendo haver também passado e memória. Restaria, então, apenas a segunda ponta do dilema - a ideia de “uma percepção contínua no qual o presente é um ponto final e que se pode chamar em um outro sentido também de memória”. Aqui Wittgenstein sugere que a memória (no sentido pelo qual seria a experiência que fundamenta a acepção de tempo) é aquilo que dá continuidade à percepção e que permite situar o presente como ponto final. Por esse viés interpretativo, podemos afirmar que a memória seria condição de possibilidade do tempo, pois, sem a memória (como aquilo que dá continuidade à percepção), não haveria a ideia de um fluxo temporal.

No MS 107, Wittgenstein faz um desenho, que ilustra o tempo primário, encabeçado pela seguinte afirmação: “[o] imediato encontra-se em constante fluxo. (Ele efetivamente tem a forma de um fluxo)”.97

Esse desenho pode ser tomado como uma alusão ao papel da memória primária como a “percepção contínua” (representado pelas linhas horizontais), que antecede o presente (a linha vertical) e forma o fluxo da experiência imediata. Nesse caso, podemos ver em que sentido a memória seria parte constitutiva da realidade fenomênica, ao ser condição de possibilidade do constante fluxo da experiência, que situa o presente como ponto final do fluxo.

Essa concepção da memória como condição de possibilidade da continuidade da percepção permite compreender as razões que levam Wittgenstein a tomar a memória como fonte do tempo, nos trechos em que o tempo primário é concebido como uma ordem. No BT §105, Wittgenstein afirma: “[o] tempo não é um espaço de tempo

97 Cf. MS 107, p. 159. (“Das Unmittelbare ist in ständigem Fluß begriffen. (Es hat tatsächlich die Form

44

[Zeitraum], mas uma ordem!”98 Na página seguinte do BT, ele complementa (em texto já citado):

Os dados de nossa memória são ordenados, essa ordem chamamos de ‘tempo da memória’ [Gedächtniszeit], em oposição ao tempo físico, a ordem dos eventos no mundo físico.99

A relação entre o tratamento da memória como percepção contínua e o tempo da memória como uma ordem estaria no modo como é a continuidade da percepção que possibilita a relação interna entre as vivências dadas, de tal modo que poderíamos dizer que uma vivência veio antes da outra. Dito de forma negativa: em um presente puntiforme não haveria a ideia de uma ordem temporal, pois não haveria a relação de continuidade entre diferentes vivências, dadas em diferentes presentes. É a continuidade da percepção que torna possível as relações transitivas, assimétricas e não-reflexivas de antes e depois, que constituem a ordem do tempo primário (do tempo da memória). Desse modo, visto que o tempo secundário será apenas um modo de apresentação espacializado da ordem temporal primária,100 a memória seria a fonte de toda e qualquer acepção de tempo.

Uma consequência direta desse papel atribuído à memória, como condição de possibilidade da ordenação temporal, é que ela será a "fonte do conceito de passado". Esse papel da memória é expresso por Wittgenstein de maneira mais direta no MS 107, no qual afirma:

Mas se pode conceber |descrever | o reconhecimento, como a memória, de duas maneiras diferentes: como a fonte dos conceitos de passado e identidade, ou como uma maneira de checar o que é passado e a identidade.101

A memória será a fonte do conceito de passado, pois, se não houvesse a continuidade da percepção, não teríamos, no mundo fenomênico, a ideia ela própria de passado (de um algo que foi dado).102 Sem a memória, o presente seria reduzido a um

instante puntiforme, no qual não há tempo, não podendo haver também o conceito de passado. O ponto que nos será importante explorar é que, sendo a memória a fonte do

98 BT, §105, p. 363. (Grifos do autor). (“Die Zeit ist ja nicht ein Zeitraum, sondern eine Ordnung”). 99 MS 112, p. 131r / TS 211, p. 535 / TS 212, p. 1362 / BT, §105, p. 364. (“Die Daten unseres

Gedächtnisses sind geordnet; diese Ordnung nennen wir Gedächtniszeit, im Gegensatz zur physikalischen Zeit, der Ordnung der Ereignisse in der physikalischen Welt”).

100 Cf. MS 105, p. 86-8.

101 MS 107, p. 242 / PB, §19. (“Man kann eben das Wiedererkennen wie das Gedächtnis auf zwei

verschiedene Weisen [auffassen| beschreiben]: als Quelle des Begriffs der Vergangenheit und Gleichheit oder als Kontrolle dessen was vergangen ist und der Gleichheit”).

102 Cf. MS 105, p. 96 / PB, §50. Retornaremos (na seção seguinte) às duas caracterizações da identidade

ao abordarmos a memória como fonte da identidade. Posteriormente exploraremos também a memória em sentido fisicalista, no qual ela é apenas "uma maneira de checar o que é passado".

45

passado, no mundo fenomênico, passado e memória irão colapsam, de tal modo que "ser passado" significará "nos ser dado pela memória".

Esse colapso pode ser compreendido à luz da relação entre a memória e a exclusividade ontológica do presente. Essa exclusividade é uma decorrência do modo como no solipsismo instantaneísta de 1929 idealismo e realismo convergem (semelhantemente ao solipsismo tractariano). O solipsismo instantaneísta (constitutivo da essência do mundo primário – que abordamos na seção anterior) torna os dados (temporalmente) imediatos do sujeito “inexistente” a realidade. Assim, o mundo de 1929 será um puro fenômeno sem sujeito, dado no constante fluxo presente da experiência imediata (que tem como condição de possibilidade o papel ontológico da memória, como fonte do tempo). O ponto em questão é que não há um mundo para além dos fenômenos que torne os dados imediatos algo entre a mente (do sujeito) e a realidade em si.103 Da mesma forma, não haverá um passado para além do que nos é

dado pela memória, de tal modo que a memória fosse apenas um entreposto a meio caminho entre o sujeito e um evento passado (do ponto de vista ontológico, há apenas o presente).104 O resultado dessa radicalização do solipsismo será o colapso entre passado

e memória, no qual a memória será “(...) uma determinada parte da estrutura lógica do mundo”.105 Assim, tanto a ordem quanto o conteúdo da memória serão os critérios únicos que determinam a ordem e o conteúdo dos dados imediatos passados (podendo, assim, a memória desempenhar os papeis de fonte do conhecimento e da identidade - como veremos a seguir).

Dans le document Le diagnostic territorial (Page 30-36)