A Escola Estadual José Raul Poletto, está situada na Rua Barroso do Amaral, nº. 655, Jardim Planalto, um dos 37 bairros do distrito do Jardim Ângela, localizado na Zona Sul da capital de São Paulo, na região de Santo Amaro, cuja via principal de acesso é a Estrada do M’ Boi Mirim.
O Distrito do Jardim Ângela, segundo a pesquisadora da história da região, Míria de Moraes (2000), sofreu várias ocupações, a primeira ocorreu em 1607, quando foram instalados o Engenho de Nossa Senhora da Assunção de Ibirapuera e uma sociedade para extração de minério de ferro, a primeira da América do Sul, à beira do rio Pinheiros, próximo à aldeia indígena do M’Boi Mirim. Como o material ali produzido não era considerado de boa qualidade a extração do minério durou apenas 20 anos e depois foi abandonada.
Em 1829 se deu o segundo processo de ocupação do M’Boi Mirim, que na língua nativa significa “rio das cobras pequenas”, com a chegada de um grupo de 129 imigrantes alemães, trazidos por D. Pedro I, para colonizar essas terras. Três anos depois a região de Santo Amaro, que incluía a antiga aldeia do M’Boi Mirim. Em sete de abril de 1832 foi elevada à categoria de município.
Com o desenvolvimento industrial de São Paulo, foi construído em 1934 o Aeroporto de Congonhas no município de Santo Amaro, fato que resultou no Decreto estadual 6983 de 22/12/1935, retornando Santo Amaro a categoria de bairro.
Berço de grandes indústrias e empregos, a região, no final da década de 60, passou por um processo de ocupação predatória. Estimulados por grileiros, empresários, incorporadores e até políticos desonestos, uma mistura de vilas, favelas e um grande número de loteamentos clandestinos tomaram conta da região, incluindo as áreas de preservação de mananciais.
Criada em 2003, a Sub-Prefeitura do M’Boi Mirim tem uma área de 62,1Km² – equivalente à do município de Osasco – e 145 mil domicílios
onde vivem 532 mil pessoas. Em número de habitantes, se fosse um município autônomo, a região do M’Boi Mirim seria a 34ª maior cidade do país. Segundo o Censo de 2000, mais de 26% de seus moradores habitam as 272 favelas da região ou vivem em 34 áreas de risco, muitas delas dentro da zona de proteção a mananciais as margens da represa de Guarapiranga – área de proteção ambiental, por ser responsável pelo abastecimento de água de 30% da população paulistana. Como era previsível, devido ao crescimento demográfico e habitacional precário, instaurou-se a miséria e a violência explodiu ainda na segunda metade dos anos 70.
Em 1981 surgiu o Serviço Social Bom Jesus - SSBJ, que hoje reúne cerca de 200 profissionais e 100 voluntários desenvolvendo atividades junto à comunidade, com parcerias com o espaço Criança Esperança, a Unicef/Unesco e o Instituto Sou da Paz que oferecem 20 programas que atendem cerca de 5.000 pessoas, entre crianças e idosos, oferecendo opções de lazer, cultura, esporte, acesso à informática e cursos profissionalizantes.
Depois foram abertos o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) e a Casa Sofia, coordenada há 18 anos pelo padre Jaime Crowner. O primeiro atende 250 jovens em oficinas de panificação, informática básica e avançada, enquanto a Casa Sofia oferece atendimento a mulheres vítimas da violência através de orientação psicológica, jurídica e social.
A represa de Guarapiranga abrange grande parte do distrito do Jardim Ângela na sua margem esquerda. A Bacia cobre uma extensão de aproximadamente 637 quilômetros quadrados, foi construída em 1908 pela "São Paulo Trainway Light and Power Co." para promover a regularização da vazão do Rio Tietê, pois a Light instalara uma Usina em Santana do Parnaíba (a primeira hidrelétrica a abastecer a cidade) que dependia das águas do rio. Hoje a represa contribui com 1/3 do fornecimento de água para a Grande São Paulo.
O Parque Guarapiranga foi inaugurado em 1974, possui uma área de 152.600 m², situa-se junto à represa de Guarapiranga - nome tupi-guarani que
significa "lagoa vermelha". O projeto do Parque foi elaborado pelo escritório Burle Marx e Cia. e tem a importante função de proteger a produção hídrica, minimizando a erosão e a sedimentação, principalmente aquelas que afetam as atividades que dependem da utilização da água e do solo.
O Parque Ecológico Guarapiranga, administrado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente, foi criado pelo Decreto Estadual 30.442 em setembro de 1989, com o objetivo de proteger os mananciais, preservar a fauna e a flora existentes e promover atividades de educação ambiental para a população. Localizado às margens da represa do Guarapiranga, foi construído com recursos do Programa de Saneamento Ambiental da Bacia do Guarapiranga, para garantir a qualidade da água do reservatório.
Inaugurado em 3 de abril de 1999, com cerca de 260 hectares de extensão, ou quase quatro vezes a área do Parque do Ibirapuera, o parque reserva 16 hectares para o uso público para o lazer dos moradores da região Sul da Grande São Paulo. Localizado na Estrada da Riviera, na margem esquerda do reservatório, engloba 60 hectares da várzea do Rio Embu-Mirim e parte da várzea do Córrego Piraporinha.
Criado às margens da Represa de Guarapiranga, oferece passeios monitorados e educação ambiental para estimular o papel do cidadão frente ao meio ambiente e sua relação com a melhoria da qualidade de vida. Tem área de mata nativa replantada, quadras, campo de futebol, playground, pista de patinação, trilhas com diversos níveis de dificuldade, viveiros de plantas, pier, biblioteca, museu do lixo, sala de vídeo, sala de informática, sala temática, brinquedoteca, lanchonete e amplo estacionamento.
A escola José Raul Poletto está localizada a dois quilômetros do Parque Ecológico Guarapiranga e a quatro quilômetros do Parque Guarapiranga, os moradores têm o hábito de freqüentá-los nos finais de semana, pois os parques e o Espaço Criança Esperança (Clube da Turma) são as atividades públicas de maior acesso da região, ligadas ao entretenimento.