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No início do trabalho foram expostos o objeto de estudo, seus objetivos e procedimentos metodológicos. A seguir, apresentamos a revisão de literatura disponível sobre as competências e formação requeridas aos professores, especialmente no Brasil. Nessa revisão confirmou-se a desvalorização e a precariedade da formação dos professores como um fato não apenas atual, mas presente desde os primórdios da institucionalização da escola fundamental no País. Essa precariedade pode ser atribuída ao descaso dos órgãos do governo, ao longo de todo o processo histórico da educação brasileira, de viabilizar a existência de um processo de formação de professores coerente e consistente.

A breve trajetória histórica da formação do professor do ensino primário ou séries iniciais do Ensino Fundamental, conforme a denominação adotada no período considerado, além de atender ao proposto nos objetivos do estudo, permitiu extrair dessa trajetória algumas constatações relevantes.

Após um período em que a educação infantil e o magistério das séries iniciais do Ensino Fundamental era exercido pelos formados nos Cursos Normais do Ensino Médio, o advento do Curso de Pedagogia, ainda na década de 30, do século passado, veio mudar a configuração da oferta de profissionais para esses níveis de ensino. Isso porque, o Curso de Pedagogia, criado para a formação dos especialistas em educação, passou a formar também para as funções de magistério.

No intuito de melhorar a qualidade da educação no país, por meio da elevação do nível de escolaridade dos seus quadros docentes, a LDB procura extinguir o Curso Normal do Ensino Médio e tenta substituí-lo pelo Curso Normal Superior, idéia que remonta a Anísio Teixeira. Estabelece, ainda, a exigência de formação superior para todo o magistério da Educação Básica. O sistema educacional e a sociedade, no entanto, não aceitaram totalmente essas diretrizes.

Percebemos que a temática formação de professores não é uma discussão provocada somente pela atual legislação e nem somente nas últimas décadas. Entretanto é importante ressaltar que vivemos atualmente, uma situação de grande diversidade de modelos de cursos para a formação de professores, convivendo e competindo internamente nas próprias Instituições de Ensino. Os Institutos Superiores de Educação e o Curso de Pedagogia criados, cada qual com sua proposta, vivem em estado de tensão na realidade educacional brasileira, provocam discussões e debates que expressaram, a nosso ver, a inexistência de um sistema de formação de educadores, e com ele a falta de um projeto de desenvolvimento da educação nacional.

Observamos que o diálogo entre as autoridades e as entidades representativas dos professores, tais com ANFOPE, FORIMDIR, não foram suficientes para resolver o impasse. Os pesquisadores que vêm acumulando, durante décadas, discussões sobre o assunto e propondo um novo modelo de formação docente, não têm consenso teórico-metodológico consolidado, no que se refere à formação de professores. Por outro lado, as propostas de políticas para o exercício do magistério no Ensino Fundamental têm se mostrado confusas e muitas vezes contraditórias,

É importante não perder de vista que neste grande debate sobre as reformulações dos cursos de formação de educadores, como em outros debates igualmente relevantes, sempre estamos diante de uma questão de disputa de poder envolvendo várias dimensões.

Em relação à escolha dos alunos entre o Curso Normal Superior e o Curso de Pedagogia, favorecendo o segundo, foi possível perceber que a opção não foi casual. A falta de tradição do Normal Superior e as diferentes habilitações oferecidas pelo Curso de Pedagogia foram decisivas para essa opção. Acreditamos que agindo por cautela, ou por desconfiança às constantes mudanças, os estudantes acertaram, visto que a partir da resolução CNE/CP nº 1 de 2006, o Curso Normal Superior, que ainda se consistia em uma experiência, passa a ser preterido. Aparentemente, um dos dispositivos contidos nessa Resolução foi a oportunidade aguardada pelos Cursos Normais Superiores para se transformar em Cursos de Pedagogia, visto que no DF, por exemplo, todos optaram pela mudança.

Essa opção nos remete aos demais objetivos deste estudo, a saber, qual seria a formação adequada do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental, na visão de coordenadores, professores e alunos de Cursos de Pedagogia.

Uma primeira observação que cabe registrar diz respeito à fragilidade das iniciativas dos Cursos Normais Superiores, expressa pela rapidez com que aderiram à sua auto-extinção. Essa fragilidade é explicada pela rejeição que o Curso sofria dos candidatos ao magistério. Todas as instituições onde as coordenadoras entrevistadas atuam, tentaram implantar o Curso Normal Superior, sem sucesso, pois não conseguiram um número suficiente de alunos para formar turmas.

Se o Curso de Pedagogia é o espaço apropriado à formação do educador, buscou-se saber quais seriam as competências do profissional que o Curso deveria ensejar. Os depoimentos dos entrevistados enfatizaram o trabalho na docência, o domínio das metodologias de ensino e a participação na gestão.

As análises das entrevistas demonstram que o Curso de Pedagogia tem formado profissionais generalistas, que desenvolveram apenas parte das competências e habilidades exigidas pela proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia. Os alunos reconhecem que não se sentem preparados para atuar na gestão educacional, na construção do Projeto Político-Pedagógico, e outras funções definidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia. A deficiente competência técnico-pedagógica reconhecida pelos próprios atores demonstra a consciência da debilidade de seus próprios processos formativos.

Na análise documental da proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia percebe-se a expectativa de que o Pedagogo se torne um superprofissional, um grande conhecedor do processo ensino-aprendizagem, capaz, também, de participar do planejamento, organização e gestão de sistemas e instituições de ensino, em contextos escolares e não escolares.

Com respeito à organização do trabalho pedagógico e o currículo do Curso de Pedagogia, houve consenso entre os entrevistados quanto à necessidade de serem introduzidas algumas modificações como: distribuir melhor a carga horária entre as disciplinas; relacionar teoria e prática pedagógica, realizar trabalho interdisciplinar e participar do Projeto Político-

Pedagógico.

Evidenciou-se também na instituição pesquisada a falta de um Projeto Político- Pedagógico participativo, coletivamente refletido, capaz de criar uma identidade ao curso que oriente uma ação articulada entre professores, buscando o engajamento e o comprometimento da equipe com o projeto pedagógico.

Ao final deste estudo, perpassa a certeza de que a definição das diretrizes e dos parâmetros de formação dos profissionais da educação constituem um processo que está longe de estar concluído. Para tanto, seria necessário rever em bases realistas, o caminho de formação deste educador, atribuindo-lhe uma identidade fundamentada numa sólida formação profissional. No entanto, a fim de que essa identidade se estruture e consolide, é fundamental uma ação eficaz de valorização do profissional, ancorada numa remuneração condigna com a formação de nível superior, que quase toda a categoria já alcançou. Além disso, há de se contar com planos de encarreiramento que estimulem o esforço despendido com a formação continuada, tão cobrada, porém pouco recompensada.

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