Tendo em conta o reduzido número de investigações sobre a resiliência em Portugal pareceu pertinente efectuar uma análise exploratória mais aprofundada sobre a relação desta com as variáveis sociodemográficas recolhidas. É de salientar, que dado o efectivo da amostra (n=296) pareceu-nos adequado o recurso a provas paramétricas. Nesse sentido, para estudar a relação entre as variáveis sociodemográficas e a resiliência, foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson para a variável idade, o teste t de Student para as variáveis dicotómicas e a ANOVA para as variáveis categoriais ou ordinais.
Para explorar a relação entre a variável idade e a resiliência foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson, que indicou que não existe uma correlação estatisticamente significativa entre as variáveis (r= -.019; p=.750).
Foi utilizado o teste t de Student para comparar os níveis de resiliência em função do género. Os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre homens (M=67.70, SD=14.45) e mulheres [M=70.53, SD=12.05; t(294)=1.829, p=.068].
Foi utilizado o teste t de Student para comparar os níveis de resiliência em função da residência habitual. Os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos com residência urbana (M=69.41, SD=13.35) e residência rural [M=67.24, SD=10.62; t(286)=.660, p=.510].
Foi utilizado o teste t de Student para comparar os níveis de resiliência em função da parentalidade. Os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos com filhos (M=70.69, SD=11.85) e indivíduos sem filhos [M=67.57, SD=14.63; t(225)=1.944, p=.053].
Foi utilizado o teste t de Student para comparar os níveis de resiliência entre indivíduos com doença de foro físico ou psicológico e indivíduos sem doença de foro físico ou psicológico. Os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos com doença (M=68.40, SD=12.63) e indivíduos sem doença [M=69.53, SD=13.25; t(292)=.477, p=.633].
Foi utilizado o teste t de Student para comparar os níveis de resiliência em função da vivência de situações ou acontecimentos de vida traumáticos. Os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos que
vivenciaram situações/acontecimentos de vida traumáticos (M=69.61, SD=13.62) e indivíduos que não vivenciaram situações/acontecimentos de vida traumáticos [M=69.48, SD=12.17; t(288)=.09, p=.931].
Para explorar o impacto do nível de ensino nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em três grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Inferior ou igual ao 9º ano; Grupo 2: 12º ano (antigo 7º ano); Grupo 3: Licenciatura ou mais]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=67.45; SD=14.96; Grupo 2: M=68.27, SD=11.06; Grupo 3: M=70.86, SD=13.19) revelou não existirem diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 293)=1.960, p=.143].
Em relação ao impacto da situação laboral nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em quatro grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Empregado(a); Grupo 2: Desempregado(a) / Dona de Casa; Grupo 3: Reformado(a); Grupo 4: Estudante]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=69.87; SD=13.25; Grupo 2: M=69.16, SD=13.21; Grupo 3: M=66.63, SD=12.77; Grupo 4: M=66.64; SD=12.07) revelou não existirem diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os quatro grupos [F(3, 292)=.663, p=.575].
Para explorar o impacto da satisfação com a situação económica nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em quatro grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Muito Satisfatória; Grupo 2: Satisfatória; Grupo 3: Pouco Satisfatória; Grupo 4: Nada Satisfatória]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=73.27, SD=20.75; Grupo 2: M=70.94, SD=12.33; Grupo 3: M=65.49, SD=13.07; Grupo 4: M=68.46, SD=12.55) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os quatro grupos [F(3, 291)=3.808, p=.011], com um coeficiente de determinação baixo (Eta Squared=.038). A análise Post-hoc, com recurso ao teste de Tukey HSD, revelou uma diferença estatisticamente significativa (p <.05) nos valores médios de resiliência entre o Grupo 2 e o Grupo 3, não tendo sido encontradas outras diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Em relação ao impacto do estado civil nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em três grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Solteiro(a); Grupo 2: Casado(a) ou vivendo como tal; Grupo 3: Divorciado(a), Separado(a) ou Viúvo(a)]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo
1: M=68.65; SD=12.77; Grupo 2: M=70.78, SD=12.41; Grupo 3: M=63.93, SD=16.58) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 293)=3.769, p=.024], com um coeficiente de determinação baixo (Eta Squared=.025). A análise Post-hoc revelou uma diferença estatisticamente significativa (p <.05) nos valores médios de resiliência entre o Grupo 2 e o Grupo 3, não tendo sido encontradas outras diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Para explorar o impacto do agregado familiar nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em seis grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Vive só; Grupo 2: Vive com o cônjuge; Grupo 3: Vive com o cônjuge e terceiros; Grupo 4: Vive com terceiros; Grupo 5: Vive com os pais; Grupo 6: Outro]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=66.61, SD=12.53; Grupo 2: M=70.65, SD=11.98; Grupo 3: M=71.13, SD=12.53; Grupo 4: M=67.23, SD=14.32; Grupo 5: M=69.96, SD=12.94; Grupo 6: M=55.75, SD=17.42) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os seis grupos [F(5, 289)=3.702, p=.003], com um coeficiente de determinação médio (Eta Squared=.060). A análise Post-hoc revelou diferenças estatisticamente significativas (p<.05) nos valores médios de resiliência entre o Grupo 6 e os Grupos 2, 3 e 5, conforme se pode observar no Quadro 7. É de salientar que não foram encontradas outras diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Quadro 7 – Análise Post-hoc, com o teste de Tuckey HSD, da variância nas médias de
resiliência em função do agregado familiar.
(I) Agregado Familiar (J) Agregado Familiar Diferença nas Médias (I-J)
Outro
Vive só -10.861
Vive com o cônjuge -14.899 **
Vive com o cônjuge e terceiros -15.375 **
Vive com terceiros -11.477
Vive com os pais -14.208 **
Para explorar o impacto do número de filhos nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em três grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Um filho; Grupo 2: Dois filhos; Grupo 3: Três filhos ou mais].
A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=70.90, SD=10.18; Grupo 2: M=70.10, SD=13.42; Grupo 3: M=72.79, SD=11.80) revelou não existirem diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 172)=.329, p=.720].
Em relação ao impacto das crenças/práticas religiosas nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em quatro grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Católico(a) praticante; Grupo 2: Católico(a) não praticante; Grupo 3: Outra religião; Grupo 4: Sem religião]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=72.67; SD=13.03; Grupo 2: M=69.26, SD=12.90; Grupo 3: M=68.71, SD=21.44; Grupo 4: M=67.04, SD=12.54) não revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os quatro grupos [F(3, 291)=1.956, p=.121].
Para explorar o impacto da avaliação do estado de saúde nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em quatro grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Muito Mau ou Mau; Grupo 2: Nem Mau Nem Bom; Grupo 3: Bom; Grupo 4: Muito Bom]. A análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=62.00, SD=19.43; Grupo 2: M=66.60, SD=13.65; Grupo 3: M=70.61, SD=12.21; Grupo 4: M=71.32, SD=11.76) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os quatro grupos [F(3, 289)=2.654, p=.049], com um coeficiente de determinação baixo (Eta Squared=.027). Contudo a análise Post-hoc não revelou diferenças estatisticamente significativas (p<.05) nos valores médios de resiliência entre os grupos.
Em relação ao impacto do grau de contacto nas relações familiares e de amizade nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em três grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Muito Frequente; Grupo 2: Frequente; Grupo 3: Ocasional ou Inexistente].
Quanto ao grau de contacto nas relações familiares, a análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=71.78; SD=10.43; Grupo 2: M=69.45, SD=13.63; Grupo 3: M=62.14, SD=16.14) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 292)=9.105, p=.000], com um coeficiente de determinação médio (Eta Squared=.059). A análise Post-hoc revelou diferenças estatisticamente significativas (p<.05) nos valores médios de resiliência entre o Grupo 3 e os Grupos 1 e 2, respectivamente, não tendo sido encontradas outras diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.
Quanto ao grau de contacto nas relações de amizade, a análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=70.67; SD=12.46; Grupo 2: M=70.26, SD=12.65; Grupo 3: M=66.92, SD=14.03) revelou não existirem diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 291)=1.995, p=.138].
Em relação ao impacto da qualidade do contacto nas relações familiares e de amizade nos níveis de resiliência foi realizada a ANOVA. Os indivíduos foram divididos em três grupos de acordo com as suas respostas [Grupo 1: Muito Satisfatórias; Grupo 2: Satisfatórias; Grupo 3: Pouco/Nada Satisfatórias].
Quanto à qualidade do contacto nas relações familiares, a análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=72.67; SD=11.10; Grupo 2: M=67.71, SD=13.57; Grupo 3: M=59.29, SD=15.60) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 292)=12.439, p=.000], com um coeficiente de determinação médio (Eta Squared=.079). A análise Post-hoc revelou diferenças estatisticamente significativas (p<.05) nos valores médios de resiliência entre todos os grupos, como se pode observar no Quadro 8.
Quadro 8 – Análise Post-hoc, com o teste de Tuckey HSD, da variância nas médias de
resiliência em função da qualidade do contacto nas relações familiares.
(I) Q12A – Qualidade do Contacto (Família) (J) Q12A – Qualidade do Contacto (Família) Diferença nas Médias (I-J) Muito Satisfatórias Satisfatórias 4.954 **
Pouco / Nada Satisfatórias 13.381 ***
Satisfatórias
Muito Satisfatórias -4.954 **
Pouco / Nada Satisfatórias 8.427 *
Pouco / Nada Satisfatórias
Muito Satisfatórias -13.381 ***
Satisfatórias -8.427 *
* p<.05 ** p<.01 *** p<.001
Quanto à qualidade do contacto nas relações de amizade, a análise das diferenças entre grupos (Grupo 1: M=71.28; SD=12.87; Grupo 2: M=68.92, SD=12.75; Grupo 3: M=61.53, SD=15.90) revelou a existência de diferenças estatisticamente significativas, para p <.05, nos níveis de resiliência entre os três grupos [F(2, 292)=4.398, p=.013], com um coeficiente de determinação baixo (Eta Squared=.029). A análise Post-hoc
revelou diferenças estatisticamente significativas (p<.05) nos valores médios de